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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

FIQUEM COM A VERSÃO SUECA!

★★★
Título: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres (The Girl With The Dragon Tattoo)
Ano: 2011
Gênero: Drama, Policial, Suspense
Classificação: 16 anos
Direção: David Fincher
Elenco: Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer, Robin Wright, Stellan Skarsgard
País: Estados Unidos
Duração: 156 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre um jornalista que, ao ser contratado para investigar o desaparecimento de uma mulher há 40 anos, acaba se deparando e sendo auxiliado por uma hacker introspectiva e anti-social que não apenas sabe muito mais do que ele imagina como também tem segredos e um passado violento.

APENAS UM PARÊNTESES...
Para aqueles que não sabem, este filme é uma adaptação norte-americana da primeira parte da trilogia de livros sueca, Millennium, do autor Stieg Larsson. A trilogia já foi adaptada para o cinema pelos diretores suecos Niels Arden Oplev e Daniel Alfredson em 2009, o que faz dessa versão também um remake. A trilogia de livros fez muito sucesso no mundo, e os filmes principalmente na Suécia. Mas o autor não pode presenciar isso, já que ele veio a falecer por problemas cardíacos pouco tempo depois de ter finalizado o terceiro livro. A intenção de Stieg Larsson era de que Millennium fosse uma série de livros muito maior e não apenas uma trilogia, tanto que, após sua morte, foram encontradas anotações e esboços de histórias seguintes, parece até que o quarto livro já havia sido começado. A trilogia original sueca, após ter sido lançada no cinema, foi relançada como mini-série televisiva com as versões extendidas dos filmes, contendo cenas e seqüencias que ficaram fora das versões que passaram nos cinemas. Para se ter uma idéia, a versão extendida do original sueco deste filme possui 182 minutos. Stieg chegou a afirmar que a personagem principal da trilogia, a heroína Lisbeth Salander, foi inspirada em uma garota, também chamada Lisbeth, que ele viu ser violentada e morta quando pequeno e, sem poder ter feito nada, aquela memória ficou muito presente em sua vida. Foi então que não apenas a personagem nasceu, mas também os livros.

O QUE TENHO A DIZER...
A versão norte-americana saiu exatamente como eu esperava desde quando publicaram a notícia de que ele estava em produção. A versão de David Fincher sem dúvida é mais leve, limpa e bonita do que a versão sueca de Niels Arden Oplev, e essa é a gigante diferença entre as duas produções, e também é a gigante diferença entre o que é produzido em Hollywood e o que é produzido fora de lá.

Meus comentários sobre o filme é APENAS sobre o filme em si e não como uma adaptação, então não importa no momento qual foi a adaptação mais fiel ao livro ou não, mas ao invés disso, qual deles tem um melhor desenvolvimento já que os dois usam exatamente a mesma fonte. E para ser sincero, eu poderia escrever um livro ou uma tese de mestrado só pontuando os defeitos da versão norte-americana, mas vou tentar não ser tão duro quando eu deveria.

Infelizmente este não é um caso como, por exemplo, do filme Capote (2005) e o similiar Confidencial (Infamous, 2006), no qual ambos contam a mesma história, mas sobre pontos de vista diferentes, já que esses dois filmes contam a respeito do mesmo período em que Truman Capote escrevia sua grande obra, A Sangue Frio. No caso, este remake norte-americano nada mais é que apenas e unicamente mais um dispensável produto, assim como dezenas de outras adaptações hollywoodianas de filmes estrangeiros muito melhores nas suas versões originais.

Admiro muito David Fincher, sinceramente. Ele fez excelentes trabalhos que se transformaram em referência. Deu também outra dimensão a um gênero que estava estagnado, recriando de certa forma a fórmula de serial killers, fazendo a palavra "suspense" ganhar outra profundidade em filmes como Se7en (1995), Clube Da Luta (Fight Club, 1999) e até mesmo O Quarto Do Pânico (Panic Room, 2002), filmes que mudaram a forma como o gênero passou a ser produzido desde então. Por essa razão, fazer uma versão americana do livro de Stieg Larsson (ou um remake da versão sueca, como preferir) ficou um pouco vago nas mãos habilidosas de David Fincher. Talvez o motivo para isso seja pelo fato de este ser o único suspense policial realmente interessante a ter surgido após Se7en e ser tão bom quanto ele (se não for melhor).

Não há grandes diferenças no desenvolvimento da história entre ambos, mas há uma grande diferença técnica. É impossível evitar comparações porque não é simplesmente uma disputa entre um filme de baixo orçamento versus um filme de grande orçamento, estamos falando de arte e da capacidade de transformar um livro complexo em um filme que não soe banal. Em uma mão temos a versão sueca que, apesar de seu baixo orçamento (custou em torno de US$13 milhões), é parte de uma bem escrita, produzida e dirigida trilogia de sucesso (arrecadou mais de US$100 milhões no mundo). Na outra mão temos apenas uma garrafa de água cara (custou US$90 milhões e arrecadou US$232 milhões no mundo, sem descontar os gastos de promoção).

A versão sueca não teve medo de ser chocante, e como disse antes, a versão americana é mais leve, acessível e também mais didática, feita para aqueles que não gostam de pensar muito enquanto assistem um filme com uma temática um pouco mais complexa, como disse um comentário que li sobre o filme: Hollywood emburrece as coisas, fazendo tudo ser mais acessível e de fácil digestão para uma criança de 10 anos.

O filme original é muito mais elaborado, dando atenção apenas aos fatos mais importantes do livro, conectando as diferentes tramas existentes de forma eficiente do começo ao fim em uma história redonda que se desenvolve sem esforços em um roteiro bem elaborado e detalhado, uma edição precisa e uma direção que entendeu perfeitamente a fonte do trabalho e o que fazer. Da mesma forma sobre as atuações. Rooney Mara e Daniel Craig fizeram um bom trabalho, ambos são os mais próximos daquilo que teríamos de Lisbeth e Mikael caso Noomi Rapace e Michael Nyqvist, da versão sueca, nunca tivessem existido. Rapace e Nyqvist mostram uma química que nunca acontece entre Craig e Mara na versão norte-americana.

A cena de abertura da versão de David Fincher é incrívelmente desnecessária e que nos dá a falsa impressão de que o filme será tudo o que não é. Ele chegou a afirmar que a abertura é justamente a forma como ele conseguiu expressar o que se passa dentro da cabeça de Lisbeth, o que é bastante efetivo para um video clip da versão de Trent Reznor e Karen O de "Imigrant Song", do Led Zepellin. Para mim a abertura foi simplesmente uma forma de complementar e desculpar a audiência da falta da chocante audacidade, crueza e realismo de uma personagem que foi muito bem explorada na versão sueca. Até mesmo a tatuagem dela está mais sutil, ou melhor dizendo, esquecível. A imagem de Lisbeth na versão sueca é incômoda, suja, fedida a cigarro e que desperta preconceitos porque contém nela todos os elementos da agressividade da cultura punk e é essa a forma como a personagem se comunica. Na versão norte-americana isso só acontece na apresentação da personagem, no resto do filme isso é descartado e ela simplesmente se transforma em uma mocinha mal vestida com um cabelo mal cortado.

Fincher também chegou a dizer várias vezes que ele não assistiu a versão sueca, mas há cenas tão similares entre os dois filmes que chamá-las de IDÊNTICAS não seria exatamente uma ofensa. Parece que Fincher fez algumas mudanças aqui e alí apenas para dizer que é diferente e chamar aquilo de seu. Ok, então vamos acreditar que o que ele afirmou é verdade, neste caso ele deveria ter assistido a versão sueca para saber como o filme deveria ter sido feito de verdade.

Enquanto a versão de Niels Oplev é tensa e mantém a atenção do começo ao fim por eventos e subtramas que estão amarradas de forma brilhante e nunca esquecendo da importância dos dois personagens, a versão de Fincher é tediosa e a cronologia da trama é disconexa. A forma como ele mostra como Lisbeth e Mikael se conectam um com o outro é muito superficial e parece tão sem importância que se há algo ele conseguiu fazer muito bem nesse filme foi transformar Lisbeth em uma coadjuvante qualquer, além do fato dele revelar todos os detalhes errados em todos os momentos errados, efetivamente destruindo qualquer mistério ou suspense da história. Há uma cena em particular na qual Lisbeth e Mikael fazem sexo. A forma como isso acontece na versão sueca é muito mais dura, seca e direta, em um lugar sujo e desconfortável. Na versão norte-americana rola até uma troca de olhares, uma paquera, um sorriso e uma paixão numa cama macia com lençóis de algodão. É uma das cenas mais simbólicas descritas no livro, já que é o momento que vemos quem Lisbeth realmente é e o que sente, e definitivamente quando ela resolve agir e pensar como um homem. Ficou evidente que Fincher não sabia o que estava fazendo.

Os dois filmes também são muito longos, mas a narrativa e a dinâmica da versão sueca prende a atenção ao ponto de não perceber que o filme dura 2 1/2 horas, enquanto na versão norte-americana, quando você dá graças a deus por ter acabado, não acabou, tem ainda um bom pedaço pela frente.

Fiquei completamente desapontado com a versão de Fincher, principalmente porque vem recebendo mais atenção que a versão original. Não havia razões para a existência desse remake já que não há algum grande ou relevante ponto de vista em momento algum. Uma grande perda de tempo e dinheiro, uma vergonhosa e mal feita cópia da versão sueca. O mais revoltante é que a versão de Fincher será mais popular e ainda chamada de original, acredite.

Aqueles que estão chamando o filme de "maravilhosa adaptação" ou "o melhor filme do ano", certamente não assistiram a trilogia sueca, ou não se importaram com isso. Esse filme só me fez pensar em como o remake de Psicose (Psycho, 1998), de Gus Van Sant, agora parece tão bom.

CONCLUSÃO...
Se eu visse alguém na locadora segurando esse filme, eu tiraria na hora, e colocaria a versão sueca no lugar.

domingo, 15 de janeiro de 2012

CONHEÇA O MAIS NOVO GRANDE SUPER HERÓI DO SÉCULO PASSADO...

★★★★★★
Título: Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras (Sherlock Holmes: A Game Of Shadows)
Ano: 2011
Gênero: Ação, Aventura, Suspense, Comédia
Classificação: 12 anos
Direção: Guy Ritchie
Elenco: Robert Downey Jr., Jude Law, Noomi Rapace, Jared Harris, Kelly Reilly, Rachel McAdams
País: Estados Unidos
Duração: 129 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Continuação do primeiro Sherlock Holmes, em que o detetive e seu fiel companheiro se reunem novamente para encontrar e derrotar o mais temível de seus adversários, o Professor Moriarty.

O QUE TENHO A DIZER...
O primeiro Sherlock Holmes não apenas tirou Guy Ritchie da sombra de Madonna sobre seus trabalhos, mas também reforçou a idéia de que ícones problemáticos como Robert Downey Jr., Jude Law e até mesmo Guy Ritchie, continuam se dando bem nas bilheterias, deixando claro que problemas pessoais vendem e que o público adora esses tipos: os homens gostam porque eles são a representação da masculinidade moderna, e as mulheres porque eles expõem a brutalidade e a natureza masculina. Downey Jr. com seus históricos problemas com drogas, sua prisão e o hiato em uma carreira que havia sido dada como morta, Jude Law com seus problemas extra-conjugais e sua panca de eterno amante, e Guy Ritchie, bom... além de ser taxado como homofóbico, briguento e violento, também era casado com Madonna.

Mas colocando isso de lado, o primeiro filme foi um ar fresco para o personagem que havia se tornado obsoleto tanto quanto James Bond durante os anos. Da mesma forma como Daniel Craig renovou o espião mais amado do mundo, Guy Ritchie e Downey Jr. renovaram o detetive mais amado do mundo.

Fãs dos livros gostaram da abordagem feita pelo diretor e pelo ator, embora muitos ainda continuem questionando a presença e o tamanho da importância dada a alguns fatos e personagens no primeiro filme, como Irene Adler (Rachel McAdams), já que esta personagem é mencionada apenas em uma história do detetive. A presença de Rachel McAdams também trouxe uma outra dimensão ao primeiro filme porque ela era a melhor parceira que Sherlock Holmes poderia ter nos filmes, tal qual Marion foi para Indiana Jones. Irene era mencionada pelo próprio Sherlock nas histórias como "a mulher", pois ela representava tudo aquilo que Sherlock gostava nas mulheres, e uma personagem que ele realmente amou. Não pude deixar de esconder meu desapontamento quando fiquei sabendo que a presença dela em O Jogo das Sombras seria importante, mas breve... muito breve. O começo do filme é ao mesmo tempo um dos pontos mais altos da história, pois é neste momento que temos a verdadeira noção tanto da astúcia de Irene quanto da força de Moriarty.

No lugar de Rachel, agora há Noomi Rapace representando a cigana Simza Heron, uma personagem que aparece e desaparece do filme e ninguém nem nota. Se muitos fãs se incomodaram e disseram que Irene Adler foi sem utilidade no primeiro filme, esses fãs agora terão razões de sobra para fazer o mesmo com a personagem de Noomi Rapace, já que ela nem existe nos contos de Conan Doyle, além de nenhum filme que assisti ultimamente ter uma personagem tão inútil e que não havia nada para contribuir para o desenvolvimento do filme como a personagem Sim Heron.

O nome de Noomi Rapace nos créditos do filme foi uma maneira indireta de promover a atriz sueca pela mundo e ligar seu nome ao remake de Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, de David Fincher, já que ela é a atriz principal do original sueco. Foi tão comercialmente feito dessa maneira que Os Homens foi lançado no dia 14 de dezembro, e Sherlock no dia 16 de dezembro. Aqui no Brasil os posters de O Jogo das Sombras e o remake de Os Homens ficavam estrategicamente dispostos nos cinemas de maneira intencional. Vi muita gente parando em frente e dizendo algo do tipo "a atriz desse filme é a que fez o original desse outro filme aqui".

Enfim... embora tenha sido usado mais como um objeto promocional e uma estratégia comercial, O Jogo das Sombras é um bom filme de ação. As cenas em câmera lenta e as que representam a resolução lógica e o lado prático de Sherlock Holmes foram mantidas e melhoradas, e para mim são as melhores cenas de todo o filme, além da história linear e bem desenvolvida. Mas acho que alguns exageros tornaram Sherlock Holmes muito mais um novo grande super herói politicamente incorreto do que apenas um detetive dedutivo e esperto que prevê acontecimentos por calcular meticulosamente as possibilidades.

Muitas pessoas adoram a excentricidade de Downey Jr. e sua maneira cínica de atuar, mas pessoalmente não gosto deste constante hábito que ele tem de sempre atuar como se tudo fosse um grande circo e ele estivesse zombando do público o tempo todo, porque é assim que ele tem feito em todos seus últimos filmes. Jude Law é sempre ótimo, e Jared Harris, como Moriarty, é sem dúvida o maior vilão que você nunca deveria ter conhecido.

Sinto que aconteceu nesse filme o mesmo que aconteceu com o filme de Soderbergh, 12 Homens e Outro Segredo (Ocean's 12, 2004), um filme feito para reunir a 'galera' que curtiu ter trabalhado junta, cheio de diálogos improvisados e piadas internas, deixando o público muitas vezes sem entender o que estão fazendo ou dizendo. Mas o filme segue como deveria e mantém o que promete nas suas 2 horas de duração provando que Guy Ritchie pode deixar de ser diretor de filmes cult de ação pelos quais ele ficou conhecido e se transformar em um excelente diretor de blockbusters sem perder seu estilo próprio.

CONCLUSÃO...
Bom filme de ação, com muitos exagero desnecessários. Provavelmetne no próximo filme Sherlock Holmes irá aprender a voar. Ainda prefiro e acho o primeiro genial, mas quem quer apenas se divertir vai curtir.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

ALERTA VERMELHO...

★★★★★★★★
Título: Contágio (Contagion)
Ano: 2011
Gênero: Suspense, Drama
Classificação: 12 anos
Direção: Steven Soderbergh
Elenco: Matt Damon, Jude Law, Kate Winslet, Marion Cotiliard, Lawrence Fishburne, Gwyneth Paltrow
País: Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos
Duração: 106 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Um vírus mortal e de alto grau de contágio começa a se espalhar e a matar milhões de pessoas pelo mundo ao mesmo tempo que inicia-se uma guerra social e política para a contenção da ameaça.

O QUE TENHO A DIZER...
Aqui é Steven Soderbergh mais uma vez mostrando-se eclético ao realizar um gênero que ele ainda não explorou com pronfundidade. Embora o filme tenha sido promovido como um filme de horror, na realidade é um suspense dramático, viajando um pouco pelo gênero promovido algumas vezes, mas ao contrário do terror que estamos acostumados a ver, neste filme em particular o diretor trata do medo iminente e invisível, do perigo real e que temoriza milhares de pessoas.

Para realizar este filme Soderbergh e o roteirista Scott Burns quiseram se manter o mais fiel à realidade possível, sendo o filme posteriormente elogiado pela revista New Scientist. O diretor e o roteirista entrevistaram e acompanharam médicos infectologistas, sendo acessorados por um médico infectologias, o Dr. Ian Lipkin, para se atentarem a detalhes científicos e mantê-los o mais correto possível, o que fez com que Soderbergh refilmasse algumas cenas quando estas fugiam do caráter científico real. O vírus mortal retratado no filme é baseado no vírus Nipah, descoberto em 1999 durante um surto na Malásia e que era transmitido para os humanos através de porcos. O realismo do filme não é diminuido pela sua dramaticidade, pelo contrário, embora uma ficção, o filme é uma reprodução de uma possível realidade, por isso acaba sendo assustador.

Nos anos 60 o diretor George Romero escreveu e dirigiu o clássico A Noite Dos Mortos-Vivos (Night Of Living Dead, 1968), o primeiro de sua tão conhecida "Hexologia dos Mortos". Romero afirmou incansavelment durante as décadas que seus filmes não são simplesmente filmes sobre zumbis e que ele não faz esses filmes simplesmente porque as pessoas querem assistir ou porque ele tem uma legião de fãs, mas porque ele sente a necessidade de que algo precisa ser dito naquele momento. É por isso que seus filmes tem um forte conotações político-sociais disfarçados em alegorias e metáforas porque ele sempre acreditou e tentou alertar as pessoas de que o governo pode ser responsável pela maioria das doenças e desastres humanos. E o que ele chama de "doenças" e "desastres" não é simplesmente o que é causado por vírus ou bactérias, mas tudo que nos rodeia e nos fazem doentes, incluindo uns aos outros.

Sodebergh, intencionalmente ou não, esclareceu de fato muito do que Romero tentou dizer, mas enquanto Romero metaforizava as idéias, Soderbergh foi explícito e enfiou o dedo na ferida. E os resultados são trágicos. O filme é desconfortável desde a primeira tossida, e é assim até o final.

Contágio consegue se manter fiel e acurado à realidade científica e na realidade em que vivemos, não medindo esforços e nunca aliviando a audiência da crueldade dos eventos. Enquanto nos filmes de Romero as pessoas saiam com medo e pensando "aquilo poderia acontecer", as pessoas terminam de assistir Contágio pensando "isso realmente pode acontecer". Por isso não é um filme de horror comum, é um drama com fatos reais, mostrando que o grande perigo do ser humano somos nós mesmos, explícito e provocativo. Um filme lento, mas tenso, para um tipo de público diferenciado, assim como costumam ser os filmes do diretor em sua grande maioria.

Duvido que depois de assistir ninguém saia pensando duas vezes antes de pegar em uma maçaneta, cumprimentar alguém ou simplesmente coçar o rosto da forma banal como faziam antes.

CONCLUSÃO...
Duro, realista e provocativo. Uma reprodução bastante fiel da realidade científica e da realidade que vivemos em eventos que realmente podem acontecer, e essa possibilidade nos aterroriza diariamente. Além de mostrar a melhor atuação de Gwyneth Paltrow, já que ela fica doente e morre...

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

UM DOS MELHORES TÍTULOS DE 2011...

★★★★★★★★
Título: Histórias Cruzadas (The Help)
Ano: 2011
Gênero: Drama, Comédia
Classificação: 12 anos
Direção: Tate Taylor
Elenco: Emma Stone, Viola Davis, Octavia Spencer, Bryce Dallas Howard, Jessica Chastain
País: Estados Unidos, Índia, Emirados Árabes Unidos
Duração: 146 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre uma novata escritora branca que resolve escrever um livro contado a vida das empregadas domésticas negras e seus pontos de vista sobre o racismo que sofrem dentro das famílias que trabalham, e o tratamento que recebem daqueles que um dia eram crianças e que elas ajudaram a cuidar e dar a educação.

O QUE TENHO A DIZER...
O filme é baseado no best seller homônimo de Kathryn Stockett e dirigido pelo novato Tate Taylor, sendo este seu segundo trabalho como diretor de longa metragem, por isso a sensação de que o filme funciona mais pelas experientes atrizes que dominam todas as cenas do que pela direção.

A história toma carona na grande revolução social que ocorreu no estado do Mississipi na década de 60 a respeito da segregação racial existente e muito rígida no estado naquela época, onde os negros eram obrigados a ter uma vida social diferente e separada dos brancos, com igrejas, escolas próprias e lugares públicos diferenciados, além de diversas outras regras que eram impostas como leis, com direito a punição a quem descumprisse. Havia regras, por exemplo, que impediam os negros de conversarem com os brancos em lugares públicos, e os negros eram punidos legalmente caso isso acontecesse, como um crime, mesmo que a atitude tivesse partido dos brancos. O Movimento dos Direitos Civis neste estado durou aproximadamente 10 anos e a segregação só teve "fim" com decisão da Suprema Corte em 1969. "Fim" entre aspas porque, embora fosse proibido a distinção de raças em locais públicos, obviamente o racismo ainda continuou forte.

É um daqueles raros filmes sobre mulheres e forte conteúdo social que é prazeroso e gostoso de assistir, quando não deveria ser assim. Como dito, todos os créditos vão para o grandioso elenco que sabia exatamente o que fazer, dando o tom exato que cada personagem precisava de uma forma tão brilhante e expressiva que a presença do diretor parece ter sido dispensada.

Viola Davis (Aibileen Clark) mais uma vez surpreende com uma atuação simples e sutil que transcende uma carga dramática forte apenas com a presença, sobre uma mulher com um coração fragilizado e machucado pelos tempos difíceis, pelo preconceito e ignorância. O mesmo pode ser dito a Octavia Spencer (Mnny Jackson), o que faz das duas personagens principais uma parceria tão intensa e perfeita quanto Thelma & Louise. Bryce Dallas Howard, embora fazendo um papel que tem sua cara, esta bem diferente de seus trabalhos anteriores, tendo sido uma perfeita escolha para o papel da arrogante e racista Hilly Holbrook, que às vezes é carismática e compreensiva, e às vezes é a pior pessoa e mais ignorante que você poderia conhecer, sua atuação é um misto de pequenas e exageradas boas doses, fazendo rir, mas muitas vezes desejando o pior. Jessica Chastain é certamente a personagem mais carismática e engraçada, mas ser engraçada não significa que sua personagem só está lá para alivar o drama, mas mostrar o outro lado dele. Emma Stone é uma boa e jovem atriz, mas sua atuação é um tanto moderna para o filme, não se enquadrando na história e em todo o contexto daquela época. Talvez sua performance tenta tido esse propósito, já que a personagem é jovem e à frente de seu tempo, mas de qualquer forma parece deslocada em um filme que se preocupou demais com importantes detalhes.

É um filme um tanto longo e cansativo (Chris Columbus é um dos produtores, então isso já era experado), oferece cenas hilárias seguidas de outras de dar nó na garganta. A história poderia ter sido mais elaborada e não tratada com o teor simplório como foi, mas a sua importância de mostrar uma outra parte da história norte-americana existe e é real, esclarecendo muitas coisas sobre a cultura não apenas norte-americana, mas ocidental no geral. Os problemas raciais que ocorreram no estado do Mississipi é apenas um fragmento quando comparado com outros lugares e nações, sendo o filme um sinal de emergência para algo que ainda é extremamente atual quando analisamos o progresso social pelo mundo e concluímos que muito do que é mostrado continua acontecendo nos dias de hoje, mesmo que disfarçadamente.

CONCLUSÃO...
Não é um uma comédia romântica comum e muito menos um filme de garotas, como alguns podem pensar. Ele não tenta em nenhum momento fazer quem assiste se sentir enganado com um mágico final feliz. É um filme sincero e frágil tanto quanto suas personagens que são uma importante parte da história não apenas dos Estados Unidos, mas dos direitos humanos mundial.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A VERDADEIRA MALVADA...

★★★★★★★★★
Título: Pérfida (The Little Foxes)
Ano: 1941
Gênero: Drama, Romance
Classificação: 12 anos
Direção: William Wyler
Elenco: Bette Davis, Herbert Marshall, Carl Benton Reid, Charles Dingle, Patricia Collinge, Teresa Wright
País: Estados Unidos
Duração: 116 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
O filme retrata a era pós-guerra da comunidade sulista norte-americana na virada do século XX onde nada é mais importante que o dinheiro e o poder para Regina Giddens (Bette Davis). Na tentativa de juntar seus igualmente impiedosos irmãos num plano óbvio para conseguir seu poder e glória, ela usa e abusa de sua ingênua filha, Alexandra Giddens (Teresa Wright) para trazer de volta seu marido, Horace Giddens (Hebert Marshal), o qual estava morando em Baltimore enquanto trata de um sério problema cardíaco. Quando ela não consegue convencer seu marido a lhe dar o dinheiro e vê seus planos indo por água a baixo, ela então coloca em prática uma trama sórdida e calculista.

O QUE TENHO A DIZER...
Adaptado da peça homônima de Lillian Hellman, a qual também escreveu o roteiro desta adaptação, é a terceira de três parcerias de enorme sucesso entre o diretor William Wyler e Bette Davis. Os outros dois filmes foram Jezebel (1938), o qual rendeu a Bette Davis o Oscar de Melhor atriz, e A Carta (The Letter, 1940), que rendeu a Bette sua quinta indicação ao Oscar de Melhor Atriz. Com este filme Bette Davis recebeu a quarta de cinco indicações ao Oscar de Melhor Atriz em cinco anos consecutivos, além de ter lhe rendido, juntamente com sua personalidade difícil, o estigma de 'má', título o qual carrega até hoje, já que esse filme deixou evidente que 'ser má' não é apenas um fetiche cinematográfico, mas também um dom técnico sutil e apurado que compete a uma minoria.

Este filme não apenas é dirigido por um dos maiores diretores de sua geração, como também é considerado por muitos como um dos grandes filmes da história do cinema devido ao seu perfeccionismo técnico em diversos aspectos, a começar pelo seu roteiro baseado numa peça teatral de grande sucesso escrita por Lillian Hellman, uma das mais importantes escritoras responsáveis pela grande transição literária e política feminina na primeira metade do século XX. Sem falar da atuação brilhante de Bette Davis, que está bastante diferente dos papéis que representou antes e posteriormente a esse filme. Seu cuidado na criação da personagem foi tanta que William Wyder chegou a criticá-la tanto pelo excesso de antipatia na caracterização quanto pela maquiagem fria que chegou a ser comparada como a de um Kabuki. Essas diferenças de idéias chegaram a fazer Bette Davis abandonar as filmagens, mas voltou quando ficou sabendo que poderia ser substituída por Katherine Hepburne.

Hoje sabe-se que Bette Davis só conseguiu o papel por ter sido usada como parte de pagamento de uma dívida. De acordo com Samuel Goldwyn Jr., Jack L. Warner deu o passe de Bette Davis da Warner para a Metro Goldwyn Mayer como parte do pagamento de dívidas em jogos que aconteciam entre os grandes chefes de estúdio da época, que eram: Jack L. Warner, Samuel Goldwyn Jr., Harry Cohn, Louis B. Mayer, Darryl F. Zanuck e Carl Laemmle. A quantia da dívida era estimada em US$300.000. Isso rendeu a Bette uma das atuações mais memoráveis na sua lista, sendo considerada de longe a melhor pela maioria dos fãs e críticos, e ela nunca escondeu sua insatisfação por não ter recebido o Oscar por ele.

A magnificência tanto do roteiro do filme quanto da peça teatral está não apenas na falta de discernimento das personagens alegóricas que representam a frieza e o desespero da alta sociedade na manutenção e ostentação do poder, mas também no impacto da industrialização sulista norte-americana durante o período pós-guerra.

O filme é marcado por diálogos impactantes em sequências memoráveis criadas com extrema habilidade por William Wyler e que definitivamente transformou Pérfida em um clássico do cinema e uma referência do - talvez - estilo 'noir'. O filme foi um grande sucesso e recebeu 9 indicações ao Oscar, embora não tenha levado nenhuma estatueta, sendo considerado, juntamente com Cidadão Kane (Citizen Kane, 1942) um dos grandes injustiçados daquele ano e da história da premiação. O filme, sem dúvida, também é uma importante fonte histórica, trazendo embutido fatos importantíssimos da história política, social e do pensamento que fazem o cinema clássico ter a magia e sua importância artística que gradualmente foi diminuindo com o tempo.

CONCLUSÃO...
Além de ser uma importante fonte histórica, é um excelente material do cinema clássico que nos mostra que muito do experimentalismo da época se transformou em referência e é utilizado até os dias de hoje. Sem falar da brilhante atuação de Bette Davis que é impecável do início ao fim.

domingo, 30 de outubro de 2011

FIQUE COM O LIVRO...

★★★
Título: Orgulho e Preconceito (Pride & Prejudice)
Ano: 2005
Gênero: Drama, Romance
Classificação: 12 anos
Direção: Joe Wright
Elenco: Keira Knightley, Matthew Macfadyen, Brenda Blethyn, Rosamund Pike, Talula Riley, Jena Malone, Carey Mulligan, Donald Sutherland
País: França, Reino Unido
Duração: 127 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Tem mil tramas dentro desta obra, mas a central delas (e que, vejam só, nem chega a ser a mais importante) é sobre uma jovem inteligente, impetuosa e instintiva do século XIX que conhece um inglês solteiro, rico, orgulhoso e introvertido, que passa a cruzar o seu caminho e a interferir em sua vida, enquanto ela e seus preconceitos acreditam que o que ele está fazendo é mais para impor sua posição social sobre a dela do que simplesmente por preocupação e pelo amor que nasce.

O QUE TENHO A DIZER...
É o primeiro grande filme de Joe Wright, não quebrando a regra de que os filmes mais fracos costumam ser o de diretores novatos. Porque embora o filme tenha concorrido a 4 Oscars, com excessão da categoria de melhor atriz, nenhum dos outros enaltecem o elenco ou o mérito de um bom filme, não para quem leu o livro e conseguiu captar o mínimo do que Jane Austen quis passar através dele.

Demorei muito tempo para assistir o filme porque nunca gostei da atriz principal e porque também nunca tinha lido o livro, e queria fazer isso primeiro antes de ter alguma opinião. Havia terminado de ler o livro essa semana, em seguida assisti a adaptação para saber se sua qualidade justificaria seu sucesso (custou em torno de US$ 26 milhões e arrecadou mais de US$120 milhões no mundo). As diferenças entre a obra e o filme é gritante. Infelizmente o filme não é bom por diversas razões.

O que faz esta obra de Jane Austen, em particular, ser um livro fantástico não é a história de amor entre Lizzy (Keira Knightley) e Darcy (Matthew Macfadyen), mas como ela foi capaz de elaborar uma história completa, cheia de personagens memoráveis e subtramas com tão pouco em suas mãos. Mesmo tendo sido escrito no século XIX, percebe-se que a autora teve a intenção de escrevê-lo para que pudesse ser adaptado de alguma forma em um futuro qualquer porque os capítulos são divididos como cenas, de maneira bastante leiga, mas é muito perceptível. Isso já é uma das características visuais principais do livro, e de como Jane Austen não era simplesmente uma autora, mas uma grande observadora social e visionária.

Os que estão familiarizados com seus livros sabem perfeitamente que a falta de lugares e de descrições que situem um personagem em seus cenários são pelo fato de ela ter sido uma escritora caseira e que foi solteira por toda a vida (tanto que ela também é conhecida como "a tia inglesa"). Isso tudo a limitou em seu espaço, não tendo viajado muito ou tido capacidade de conhecer outros lugares. Todas as descrições de lugares que ela faz é muito vago por conta de conhecer apenas os limites da propriedade onde morava. A impressão que se tem durante a leitura é que as descrições de cenários abertos são constantemente interrompidas por diálogos, uma artimanha que ela usa constantemente para evitar se aprofundar sobre uma natureza literária que ela não sabia dominar além de seus limites. Mas ela também era perspicaz o suficiente para fazer isso de uma forma que também desse aos leitores liberdade criativa de construir em suas mentes seus próprios lugares. Mas o maior interesse de Jane Austen foi descrever, através de ações e diálogos, como as pessoas eram capazes de se relacionar umas com as outras dentro da sociedade e de suas diferentes classes sociais numa era cheia de manias e costumes.

Ela era uma grande observadora, sabendo perfeitamente como traçar e transcrever a personalidade das pessoas para seus personagens, dando aos leitores a possibilidade de sempre diferenciá-los através de suas ações e, o mais importante, através dos seus diálogos e como ela os estruturava. Era possível saber a que classe social um personagem pertencia apenas pela forma como seu diálogo era descrito. Os ricos tinham um vocabulário e uma forma de falar mais nobre e fluida, enquanto os da classe média tinham um vocabulário rebuscado, forçado e sem estrutura para parecerem nobres, e os pobres um vocabulário simples, e isso no livro é feito de forma magnífica. Ela podia não ser capaz de descrever lugares, mas podia descrever perfeitamente e pintar com palavras uma personalidade.

Como o título diz, as engrenagens de todo o livro giram em torno das duas palavras, e Jane brinca com elas a todo o tempo e faz delas parte de cada um de seus personagens, às vezes sendo um mérito, às vezes sendo um defeito. Mas o filme não apenas boicota muito do que há no livro como também mal interpreta importantes significados e personagens. Além disso, também há a falta da sutileza, da ironia e do sarcasmo, que são as mais importantes características do estilo austeniano. E mesmo o filme utilizando muitos dos diálogos originais, os atores parecem não saber quem eles estão exatamente interpretando porque nunca dão o impacto ou as sutis características que Jane descreve.

O Sr. Bennet nos livro é descrito como um homem intensamente sarcástico, afogado há anos em um casamento que vagarosamente substituiu o amor pela consideração e conveniência do dia-a-dia, respeitando e sendo compreensível com todos, mas nunca sendo uma figura terna, completamente o contrário do que Donald Sutherland retratou no filme e no seu forçado sotaque britânico. O mesmo pode ser dito sobre outros personagens. Keira Knightley, em meu ponto de vista, não foi a melhor escolha, e sua indicação ao Oscar de 2006 ainda é uma dúvida na minha cabeça porque todos os anos sabemos que há uma campanha silenciosa para apresentar a mais nova estrela em ascenção, e isso não significa que esta pessoa seja boa, mas que tem condições de ser uma estrela, e 2006 foi o ano de Keira, porque sua interpretação no filme é comum, para não dizer irritante e inconveniente perto de uma descrição tão diferenciada existente no livro. O Sr. Darcy é um homem sério e cansado da sociedade hipócrita que o circunda e das formalidades comuns que ele tem que ter por ser uma figura pública. Jane o descreve de tal forma que percebemos que ele é praticamente um sociopata, amando e sendo acompanhado apenas por aqueles que ele tem afeto e convive, mas despreza os que ele não conhece, sendo um homem de poucas palavras, mas nunca grosseiro. Ele é sutil, inteligente e um grande observador, mas Matthew Macfadyen pode até ter uma presença forte, mas sua performance é fria e vazia, e não apenas contida e oprimida como Sr. Darcy realmente é. O Sr. Collins, assim como Jane o descreve, tem uma forçada e inconveniente formalidade, usando um vocabulário difícil quando fala para impressionar e parecer nobre, mas ele não é inseguro, esquisito e cômico como o filme mostra, pelo contrário, a sua seriedade e formalidade é tão imponente que chega a causar vergonha alheia.

Então percebe-se que boa parte do elenco desaponta, deixando os créditos apenas para aqueles mais experientes e que sabiam exatamente o que fazer, como Brenda Blethyn (como Sra. Bennet) e Judi Dench (como Lady Catherine), duas atrizes que dispensam qualquer comentário e que, obviamente, já devem ter lido a obra de Jane Austen incansavelmente, pois a caracterização de ambas é digna do que o livro descreve.

CONCLUSÃO...
Analizando o filme como um todo, acredito que Joe Wright poderia, com certeza, ter aproveitado mais as críticas sociais que Jane Austen joga de maneira tão discreta no livro, as relações entre as pessoas em torno de seus orgulhos e preconceitos, a sutileza e o sarcasmo dos diálogos, além da constante formalidade Britânica, que foi muito ignorada. É um filme pobre, desprezível e esquecível perto da riqueza presente no livro. Ainda está para ser feito uma adaptação digna.

domingo, 23 de outubro de 2011

HORRIBLE MOVIE!

Título: Quero Matar Meu Chefe (Horrible Bosses)
Ano: 2011
Gênero: Comédia
Classificação: 14 anos
Direção: Seth Gordon
Elenco: Jason Bateman, Steve Wiebe, Charlie Day, Kevin Spacey, Jennifer Aniston, Colin Farrel
País: Estados Unidos
Duração: 98 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre 3 amigos que são maltratados pelos seus respectivos patrões e decidem acabar com seus problemas matando cada um deles.

O QUE TENHO A DIZER...
Este é mais um daqueles filmes que eu me pergunto por que assisti. É dirigido pelo novato Seth Gordon, que tinha experiências em direção com episódios de seriados. O trailer é enganoso e promove o filme como uma comédia de humor negro e interessante, já que todo mundo já quis algum dia matar seu chefe.

Mas ao contrário disso é uma comédia trivial e um dos filmes mais horríveis que assisti nos últimos anos, sendo impossível acreditar no alto índice de avaliação que este filme tem recebido pelas pessoas tanto no IMDb quanto no Rotten Tomatoes, além do filme ter arrecadado mais de US$200 milhões no mundo. O que há de errado com essas pessoas? Será que perderam completamente a capacidade de julgamento? O que elas tem assistido ultimamente para inacreditavelmente considerarem este filme algo assistível ou o que seja?

O tema é interessante, mas o roteiro é horrível, com personagens irritantes e muito, mas muito mal desenvolvido. Nunca achei Jennifer Aniston engraçada ou interessante mais do que vi em Friends, mas aqui ela excede a linha do que um ator nunca deveria fazer. Acho o mesmo sobre Jason Bateman, ele não é engraçado e nunca consegui entender porque os norte-americanos amam tanto ele. Os únicos atores que salvam alguns minutos são Kevin Spacey e Collin Farrell, ambos parecem apenas estar se divertindo e, mesmo numa caricatura exagerada, eles não fazem força para fazer uma cena ser engraçada, coisa que os demais atores não conseguem.

CONCLUSÃO...
Horrível, sem graça, desconfortável, uma perda de tempo e dinheiro. Terrível! Só pra quem gosta de pastelão vergonhoso mesmo.

domingo, 14 de agosto de 2011

EXCELENTES INTERPRETAÇÕES...

★★★★★★★★
Título: Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids)
Ano: 2011
Gênero: Comédia
Classificação: 14 anos
Direção: Paul Feig
Elenco: Kristen Wiig, Maya Rudolph, Melissa McCarthy, Rose Byrne, Wendi McLendon-Covey, Ellie Kemper, Chris O'Dowd, Jon Hamm
País: Estados Unidos
Duração: 125 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Uma mulher que não vem passando pelos melhores dias de sua vida é pega de surpresa e convidada pela sua amiga de infância a ser uma das Madrinhas de Casamento. O grande problema é que as demais Madrinhas ela desconhece e não tem intimidade alguma, o que acaba se tornando uma disputa de interesses e ciúmes para completar os seus dias de inferno.

O QUE TENHO A DIZER...
Missão Madrinha de Casamento foi uma das grandes surpresas de 2011 em comédia. Foi dirigido por Paul Feig, diretor com mais experiência em seriados como The Office e Nurse Jackie. O filme é produzido por Judd Apatow, famoso por comédias similares e de grande sucesso como O Virgem de 40 Anos (The 40 Year Old Virgin, 2005) e Ligeiramente Grávidos (Knocked Up, 2007) - e que vai ter uma continuação esse ano. O filme foi escrito e produzido por Kristen Wiig e Annie Mumolo. Kristen, que também é a atriz principal do filme, está ficando famosa nos cinemas agora, mas já era bem conhecida na TV como humorista e comediante por já estar há 7 anos frente ao Saturday Night Live. Foi muito bem recebido pela crítica e pelo público e chegou até a concorrer ao Oscar por Melhor Atriz Coadjuvante (para Melissa McCArthy) e Melhor Roteiro Original.

O filme é exatamente aquilo que parece ser: engraçado, leve e interessante, com personagens de personalidades bem definidas e que usam uma história simples para mostrar suas relações e crises pessoais. Tudo acontece em volta da personagem principal que é uma mulher vivendo os piores momentos de sua vida antes (e durante) o casamento de sua melhor amiga.

Ele tem sido comparado a outro filme que envolve grupo de amigos, o Se Beber Não Case (The Hangover, 2009/2011), o que não é justo porque este aqui pode parecer um filme de garotas (chickflick, como chamam lá fora), mas não é justamente por ter qualidades que filmes desse gênero costumam ignorar. Se Beber Não Case é uma celebração masculina sem qualquer outro interesse além de fazer as pessoas rirem e se divertirem com situações absurdas envolvendo a cultura às vezes machista e situações clichés de comédia usadas de maneira efetiva, ao contrário de Missão, que não chega a esses níveis absurdos.

A cultura feminina está no filme o tempo todo quando mostram todas as crises de casamento e a cultura de Madrinhas de Casamento, que é muito forte nos Estados Unidos. Mas isso é apenas um pano de fundo. Os dramas pessoais, as dificuldades de alcançar objetivos na vida, crises de relacionamento entre amores e amigos, o sentimento de que o mundo conspira contra suas vontades... tudo isso é universal e todos já passaram por isso ao menos uma vez na vida. O filme mostra isso de forma brilhante e em doses pequenas, sem parecer cafona devido ao bom uso da comédia para aliviar o que poderia ser melodramático e banal, caso o filme fosse um drama. Também não são momentos de graça fútil porque as interpretações desse grande elenco são fantásticas. As atrizes usam diálogos improvisados na maior parte do tempo, o que faz o filme correr naturalmente e sem pretenções ou intenções forçadas de ser engraçado, além disso não ser uma situação muito comum, mas que deu muito certo graças a insistência de Kristen Wiig para que as cenas fossem realizadas assim.

Kristen Wiig brilha e direciona o filme todo numa performance fantástica. Baseado ou não em experiências pessoais, ela veste a personagem perfeitamente. Rose Byrne (mais conhecida pelo seriado Damages) também tem momentos importantes e prova mais uma vez que está ficando melhor a cada novo trabalho. As outras atrizes coadjuvantes são bem colocadas na história, mesmo que algumas fiquem até um pouco subutilizadas, mas todas estão brilhantes de igual para igual e a interpretação de Melissa McCarthy, sem dúvidas, é de ficar impressionado ao mesmo tempo que é absurdamente engraçado, já que a atriz na vida real é completamente diferente da sua personagem masculinizada, rústica e briguenta.

CONCLUSÃO...
Previsível? Sim. Mas adorável do mesmo jeito. É impossível não ficar fascinado por personagens tão carismáticas dentro de momentos simples e naturalmente engraçados que nunca exigem mais do que boas e sinceras interpretações. É a prova de que é possível fazer uma comédia sobre e com mulherse sem parecer estúpido ou sexista.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

MAIS UM GRANDE EFEITO DE MARKETING...

★★★★
Título: Super 8
Ano: 2011
Gênero: Fantasia, Ação, Ficção
Classificação: 12 anos
Direção: J.J. Abrams
Elenco: Joel Courtney, Zach Mills, Rolley Griffiths, Elle Faning, Kyle Chandler
País: Estados Unidos
Duração: 112 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Um grupo de amigos resolve fazer um vídeo caseiro e durante os takes realizados em uma antiga estação de trem, presenciam e sobrevivem a um enorme desastre sobre trilhos que revelará surpreendentes acontecimentos a todos eles.

O QUE TENHO A DIZER...
Sinceramente não gostei desse filme e ninguém pode me culpar por isso.

Estava muito interessado em assistí-lo, por conta do trailer e de todo o mistério envolvido em cima da produção, algo bastante similar com o que J.J. Abrams instruiu ser feito com o material de promoção de Cloverfield (2008), já que ele foi o produtor. E para quem assistiu e gostou de Cloverfield, acreditou que Super 8 pudesse seguir uma premissa similar. O trailer fez o que era suposto, acendendo o fogo da curiosidade em uma campanha maciça, como sempre deve ser feito em circunstâncias como essa. Então ele foi lançado e recebeu dezenas de críticas positivas não apenas pela mída especializada como também do público leigo, mas as pessoas nunca contavam sobre o que era o filme para não estragar as surpresas, como se realmente houvesse algo de muito interessante para esconder.

Ter J.J. Abrams como diretor, roteirista e produtor era um atrativo muito grande, já que ele foi o criador de seriados televisivos que não fizeram estrondoso sucesso, mas que mudaram algumas estruturas narrativas que estavam muito batidas na televisão norte-americana e que ficaram no boca-a-boca da mídia por muito tempo como os seriados Felicity, Alias, Lost e o atual Fringe, dentre outros projetos que fracassaram apenas pela falta de audiência, mas com boas idéias. Depois que ele migrou para o cinema, vem construindo um legado sólido com sua produtora Bad Robot, e tem sido muito bom naquilo que tem se comprometido, chamando atenção de diretores como Spielberg, que também é o produtor deste filme e que garante alguma qualidade. É por isso que penso que este filme foi mais sobrevalorizado por conta dos nomes que estavam contidos nele do que pelo seu potencial, pois há o fato de existir um senso comum de que só porque há o nome de Spielberg, o produto é bom, o que não é verdade. Um filme ter qualidade é uma coisa, um filme ser bom, é outra. E este é uma dessas ocasiões em que o produto tem qualidade, mas não é bom, e no fim foi uma grande decepção e uma perda de tempo comparando com o que eu estava esperando.

Obviamente que há alguns fatores que chamam bastante a atenção e nos remetem a grandes clássicos do gênero, como E.T. (1982), por exemplo. A direção de arte é belíssima, reproduzindo o fim dos anos 70 da melhor maneira possível. Claro que alguns anacronismos existem, mas são esquecíveis e passam despercebido no olhar mais leigo e imediato. Além disso, a direção de Abrams é muito similar a algumas das características que fizeram de Spielberg uma referência na época, como o uso abusivo de travellings, panorâmicas e a grua. Os travelllings, principalmente na hora de fechar uma cena em um determinado personagem durante um momento de perigo, tensão ou fuga, para aumentar a dramaticidade da situação, é algo que Spielberg usa insistentemente em todos seus filmes e que de certa forma já virou uma piada, pois quem já conhece o seu estilo conseguem antecipar esses momentos tanto quanto o zoom dado em momentos de extremo drama em novelas mexicanas. Talvez Abrams tenha feito isso propositalmente, já que ele mesmo chegou a dizer que ele é um grande fã de Spielberg e o filme é uma homenagem aos primeiros filmes do diretor. Os atores jovens, muito convincentes nos papéis, tem uma química muito perfeita, o que dá aquela sensação-Goonies de nostalgia que não sentimos há muito tempo no cinema. Referências a clássicos estão lá o tempo todo. De Romero a Spielberg, de Ridley Scott a James Cameron, todos complementando as intenções. Logo, tecnicamente, o filme é ótimo.

Mas então ocorre o acidente de trem, e se você não assistiu o filme, não tem problema, porque vou contar detalhes mesmo assim. Primeiro, me desculpe, mas é impossível uma simples caminhonete destruir um trem inteiro daquela forma e transformar tudo em uma grande catástrofe sem precedentes, a física consegue explicar isso melhor do que eu. Segundo, como é possível alguém dirigir um carro diretamente contra um trem e bater contra ele, fazer o trem de 20 vagões explodir, tirá-lo inteiramente do trilho, jogar vagões pelo ar e destruir tudo a sua volta, mas continuar vivo e com apenas alguns arranhões no rosto? Sem sentido. Isso não aconteceria nem mesmo em Indiana Jones de tão inverossímel, forçado e absurdo.

Além do acidente também há o desenvolvimento da história. Demora horas para algo interessante acontecer, mantendo um tédio infinito naquela velha fórmula de suspense de nunca revelar a ameaça por inteiro, apenas por partes, como era feito em Alien (1979), o que é um vício do cinema que não funciona mais tão bem. Depois de uma hora fiquei com sono e desinteressado, as sequências de ação e tensão acabavam tão rápido quanto começavam e o fim foi algo muito decepcionante. Existe esse monstro que faz cachorros desaparecerem, mata e come pessoas e tudo que estiver à sua frente como um o Taz Mania, até o garoto de nobre coração dizer palavras mágicas que vêm de seu mais ingênuo espírito sem precisar de tradutor porque estes sentimentos são universais (???) e esse monstro finalmente para de criar o caos e decide voltar para seu planeta.

O que é isso?

CONCLUSÃO...
Sem dúvida eu esperava algo muito melhor, e isso não é culpa minha, é culpa do material promocional que divulgou o filme como um gênero que ele não tem, com uma narrativa que ele em momento algum faz, e com uma dinâmica que em momento algum acontece, tanto é que quase dormi várias vezes. Talvez se nada disso tivesse sido feito eu teria apreciado de maneira diferente. É um filme para adolescentes, e isso é o ponto positivo dele, mas até mesmo esse público sai do cinema sentindo que algo está faltando e não engolindo muito bem os absurdos porque, embora o filme seja também uma fantasia, ele não é tratado como tal como acontece no clássico incopiável e incomparável Goonies (1982).

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

ESTÁ FALTANDO MALDADE...

★★★★
Título: Professora Sem Classe (Bad Teacher)
Ano: 2011
Gênero: Comédia
Classificação: 14 anos
Direção: Jake Kasdan
Elenco: Cameron Diaz, Lucy Punch, Justin Timberlake, Jason Segel
País: Estados Unidos
Duração: 92 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Uma alpinista social baladeira, quebrada e sem talentos encontra como solução financeira dar aulas para o Ensino Fundamental.

O QUE TENHO A DIZER...
Sempre considerei Cameron Diaz uma boa atriz, até mesmo quando em filmes medianos ou em personagens que não exigiam demais de suas capacidades. Mesmo assim, esporadicamente ela fazia filmes com papéis bastante interessantes como O Casamento do Meu Melhor Amigo (My Best Friend's Wedding, 1997), Quero Ser John Malkovich (Being John Malkovich, 1999), Um Domingo Qualquer (Any Given Sunday, 1999), Gangues de Nova York (Gangs Of New York, 2002), A Caixa (The Box, 2009), dentre outros. Até mesmo em As Panteras (Charlie's Angels, 2000/2003) ela tinha momentos muito engraçados.

Professora Sem Classe parecia ser o filme que ela estava esperando para usar toda sua poderosa beleza e forte presença junto com o humor negro, já que ela anteriormente chegou a experimentar personagens com algum teor similar, mas com excessão de Um Domingo Qualquer, nenhum personagem que ela chegou a fazer foi inteiramente má tal qual a professora má parecia ser.

Bem... a professora é má, mas não totalmente, e muita maldade está faltando aí, como já era de se esperar. A personagem nada mais é que uma mulher amarga que vive uma vida infeliz, quebrada e sem seios fartos, mas que consegue usar Loboutins (a marca de sapatos patrocinou o filme para promover sua coleção de solas vermelhas). Ela não é inteligente o bastante para dar aulas, mas consegue ter o suficiente para ser uma professora. É um filme um tanto decepcionante para aqueles que esperavam não algo muito inteligente, mas ao menos uma personagem que pudesse usar e abusar de tudo aquilo que significa ser maldosa e ruim. Mas o conceito da palavra RUIM deve ser diferente para os roteiristas, pois o desenvolvimento do filme é bastante pobre.
Se ser ruim significa fumar maconha e dormir durante as aulas, por favor, eu já vi piores. Talvez os roteiristas deveriam ter assistido alguns clássicos de Bette Davis como inspiração sobre o que a palavra "má" significa entre os humanos, como nos filmes Servidão Humana/Escravos do Desejo (Of Human Bondage, 1934), A Carta (1940) ou Pérfida (The Little Foxes, 1941), apenas para começar, ou simplesmente prestado mais atenção em seus professores na infância.

Mas de qualquer forma, Cameron está ficando cada vez melhor com a idade e o seu tempo de comédia é muito bom, o que dá a impressão de que ela está apenas se divertindo no filme. Lucy Punch, como Amy Squirrel, é incrivelmente engraçada e talentosa. Para aqueles que não a conhecem eu sempre recomendo Adorável Júlia (Being Julia, 2004), em que ela faz uma aspirante a atriz de uma forma impressionante. Justin Timberlake faz a sua parte, assim como o resto do elenco, ajudando a salvar o filme de uma tragédia.

CONCLUSÃO...
No fim das contas é tudo sobre Cameron Diaz. Mesmo o filme sendo ruim, com um roteiro entediante e nem mesmo uma cena memorável ou alguma seqüência admirável, Professora Sem Classe é assistível apenas pela presença da atriz.

sábado, 30 de julho de 2011

DELICIOSAMENTE GROSSEIRO...

★★★★★★★★
Título: Sua Alteza (Your Highness)
Ano: 2011
Gênero: Comédia
Classificação: 16 anos
Direção: David Gordon Green
Elenco: Danny McBride, Natalie Portman, James Franco
País: Estados Unidos
Duração: 102 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
A noiva do príncipe é capturada, e então ele segue na missão de resgatá-la das mãos do mal. Mas junto com ele vai seu irmão inútil e invejoso, que mais atrapalha que ajuda, até encontrarem no meio do caminho uma destemida arqueira, que também tem objetivos similares aos deles.

O QUE TENHO A DIZER...
Do mesmo diretor de Segurando As Pontas (Pineapple Express, 2008), e do medíocre O Babá (The Sitter, 2011), foi escrito por Ben Best e também pelo próprio ator principal, Danny McBride. Sua Alteza é um filme controverso, e a "polêmica" sobre ele começou bem antes de seu lançamento por conta de uma cena de pseudo-nudez de Natalie Portman que precisou ser alterada digitalmente porque o órgão de censura nos EUA achou que seria melhor assim (???). Então colocaram uma tanguinha discreta e o filme também teve algumas cenas cortadas para garantir a saúde dos bons cristãos.

O filme é bastante injustiçado e embora o boca-a-boca sobre ele tenha sido grande, acabou sendo um fracasso de bilheteria (custou mais de US$40 milhões e não arrecadou nem a metade no mundo todo). Mas isso é absolutamente compreensível. É um filme raro de comédia absurda, feito pra usar o humor indescente pra chocar sem medo algum, já que é uma sátira sobre contos e filmes medievais, mas não é tolo e cliché como as sátiras da série Todo Mundo Em Pânico (Scary Movie, 2000/2001/2003/2006) ou similares. O filme satiriza uma época, pessoas e comportamentos. Ele tem sua própria história, seus próprios personagens e originalidade, e obviamente que brinca com clichés o tempo todo (senão não seria uma sátira), fazendo os personagens parecerem realmente patéticos quando agem como heróis que devem completar missões como se estivessem em um jogo de RPG, uma sátira que de certa forma lembra bastante os clássicos de Mel Brooks.

Algumas pessoas tem considerado o filme ofensivo e agressivo pelo uso extensivo de linguagem sexual e até mesmo por algumas cenas explícitas de nudez. Com certeza são. Mas essa resposta negativa tem sido justamente por reflexo da sociedade puritana e hipócrita que por uma razão óbvia: se essas pessoas já chegaram a rir de Eddie Murphy soltando gases na mesa de jantar com sua família por 10 minutos em O Professor Aloprado (The Nutty Professor, 1996/2000) - e eu tenho certeza que riram - então essas pessoas não estão na condição de dizer que Sua Alteza é ofensivo ou agressivo pelo seu conteúdo verbal. Primeiro de tudo porque estou falando de um filme que parece bobo e uma perda de tempo, mas a realidade é que ele é bastante inteligente e interessante e, sem dúvidas, um dos mais engraçados no gênero satírico que já assisti desde... há muito tempo atrás.

É engraçado do começo ao fim, e os diálogos parecem ter sido tirados de um filme pornô. James Franco, como Fabious, o príncipe que está sempre encantado, feliz, motivado e romântico, faz seu personagem ter sido tirado direto de um conto de fadas, até seus movimentos e expressões são totalmente inspirados por tudo o que um Príncipe Encantado representa e faz. Danny McBride, como Tadeous, é completamente o oposto, o verdadeiro anti-herói, cheio de ódio, raiva, rancor e inveja, procurando e fazendo tudo para satisfazer seu próprio ego. Natalie Portman surpreende mais ainda porque esse filme foi lançado logo após seu sucesso de crítica em Cisne Negro (Black Swan, 2010), portanto sua personagem é constrastante, e existe uma boa atriz de comédia dentro dela também.

Todo personagem é ridículo como deveria ser. O filme também é cheio de ação e efeitos especiais. Os roteiristas fizeram o excelente trabalho em criar um conto incomum baseado em mitologia e sexo dentro de um mundo medieval fantasioso e puritano. Por isso é tão engraçado, porque ninguém nunca esperaria personagens tão sérios falando de sexo e genitálias como algo comum e simples.

CONCLUSÃO...
Não é um filme para aqueles que se sentem ofendidos facilmente, mas para aqueles que acharem o seu tom irão adorar.

sábado, 16 de julho de 2011

VIDA DURA...

★★★★★★★★
Título: A Vida Durante A Guerra (Life During Wartime)
Ano: 2009
Gênero: Drama, Comédia
Classificação: 16 anos
Direção: Todd Solondz
Elenco: Shirley Henderson, Ciarán Hinds, Michael Kenneth Williams, Allison Janney, Dylan Riley Snyder, Renée Taylor, Charlotte Rampling
País: Estados Unidos
Duração: 98 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Depois de passar um bom tempo preso por crimes de pedofilia, um pai tenta rever sua família numa época de mudanças em que sua ex-mulher, Trish, está para se casar com outro homem que poderá ser um bom marido e pai para seus dois filhos. A irmã de Trish, Joy, também é assombrada por fantasmas de amores passados. Amigos, família e amantes se esforçam para encontrar o amor, perdão e o significado da vida.

O QUE TENHO A DIZER...
Escrito, dirigod e prouzido por Todd Sonlondz, que costuma lidar com histórias sobre felicidade e dor, perdões, esquecimentos e arrependimentos, engrenagens que movimentaram seus trabalhos anteriores, como Bem-Vindo À Casa de Bonecas (Welcome To Dollhouse, 1995), Felicidade (Happiness, 1998) e Palindromes (2004). É um diretor pouco conhecido por nunca ter feito um trabalho grande e estar sempre ligado a produções pequenas e independentes, mas poderosas nos seus sentidos e mensagens. Este filme, na realidade, é uma continuação ao seu filme Felicidade, porém com um elenco totalmente novo, o que acaba não anulando o filme anterior, mas podendo tratá-los como filmes únicos ou individuais, dependendo do ponto de vista.

Neste filme a história se desenvolve em torno da vida de um garoto e os membros de sua família que estão tentando descobrir os significados de quando e como as pessoas devem alcançar o prazer e a felicidade na vida perdoando e esquecendo situações difíceis o bastante de serem esquecidas ou perdoadas. Complexo, mas uma realidade latente.

Como sempre, Solondz brinca com o humor negro todo o tempo para aliviar o peso dos complexos temas dramáticos, dando o balanço exato e necessário para que verdadeiras discussões muitas vezes pesadas sobre a vida se transformem em algo comum como um café da manhã.

Os personagens são bem construídos, sendo interessante a forma como eles encaram as relações entre eles. Durante todo o filme sempre há o confronto entre dois personagens que discutem em uma mesa ou com algo entre eles, usando o obstáculo como algo onde eles possam colocar e jogar - mas às vezes esconder - todos seus problemas e diferenças, mas ao mesmo tempo bloqueando e impedindo o alcance um do outro, como em um campo de batalha.

Palavras são como armas e assistir esses personagens usando-as como balas de revolver é chocante pois é exatamente o que fazemos na vida real, e nós somos responsáveis por magoar ou machucar uns aos outros por isso. O filme lida com temas complexos, sendo às vezes difícil de ser assistido por conta da crueza, amargura e de diálogos impactantes, mas a verdade é que ninguém pode fugir dessas realidades para sempre.

CONCLUSÃO...
É um filme lento e bastante viceral que lida com temas difíceis como pedofilia, traição, solidão e incompreensão como se estivesse comentando sobre o capítulo da novela do dia. Todd Solondz é único e assim são seus filmes. Ele obriga as pessoas a olharem fatos por um ângulo que sistematicamente ignoramos.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

PRIMEIRA CLASSE COM CLASSE...


★★★★★★★★
Título: X-Men: Primeira Classe (X-Men: First Class)
Ano: 2011
Gênero: Ação, Fantasia, Ficção Científica
Classificação: 12 anos
Direção: Matthew Vaughn
Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Kevin Bacon, Rose Byrne, Jennifer Lawrence, January Jones
País: Estados Unidos
Duração: 132 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Charles Xavier e Erik Lensherr são mutantes que sabem que não são os únicos, e que esta nova raça humana, a chamada Geração X, tem muito a oferecer e ajudar. Eles resolvem criar uma escola para jovens superdotados, mas as coisas não saem como planejado, pois os Estados Unidos, juntamente com União Soviética e Cuba, atravessam por um período delicado, a Guerra Fria, e o uso do poder desses mutantes parece ser interessante para aqueles que querem disseminar o caos e a destruição. E assim uma rachadura na grande amizade entre Xavier e Erik acontece, e essas duas partes tendem a se separar a qualquer instante, dando início a eterna batalha entre Magneto e sua irmandade, e Xavier e seus X-Men.

O QUE TENHO A DIZER...
Dirigido por Matthew Vaughn, diretor de Stardust (2007) e o inesperado Kick-Ass (2010), filme pelo qual ele ficou mais conhecido e que foi o responsável por ter dado a ele a direção de Primeira Classe. O roteiro é assinado por mais três pessoas, além do póprio Matthew Vaughn: Ashley Miller e Zack Stentz (Thor, 2011); Jane Goldman (Kick-Ass, 2010). Como já disse outras vezes, eu costumo duvidar da qualidade de roteiros escritos por mais de uma pessoa, pois demonstra ter sofrido dezenas de transformações em comparação ao protudo original. Mas nesse caso as coisas parecem que funcionaram bem, principalmente por ter sido escrito por mulheres e homens. A presença de roteiristas femininas dão uma sutileza necessária e obrigatória em qualquer adaptação dos X-Men, algo que faltou bastante nos filmes anteriores.

Bryan Singer assina como produtor, tentando retornar ao lar depois de ter abandonado os mutantes para investir no mundo de Kripton com o seu fracassado Superman, O Retorno (Superman Returns, 2006). Segundo Bryan Singer, ele mesmo tinha interesses pessoais em dirigir este filme desde o princípio, mas por conta da sua adaptação de João e o Pé de Feijão, ele acabou sendo substituído por Matthew Vaughn.

Na verdade este filme é um reboot, ou seja, um reinício, já que a primeira trilogia havia findado com X-Men: O Confronto Final (X-Men: Last Stand, 2006). Frente a várias insatisfações dos fãs, do público em geral e do estúdio pelos rumos que a trilogia havia tomado e como ela terminou, acharam que seria uma boa idéia recomeçar do zero. A princípio o reboot seria feito com uma pré-continuação que contasse a história de Magneto, em um spinoff similiar ao de Wolwerine (X-Men Origins: Wolwerine, 2009), tanto que o roteirista Zack Penn até havia sindo contratado para escrever o roteiro. Entretando, durante o desenvolvimento da história, os produtores acharam que seria interessante mudar o foco da história para os primeiros anos da equipe. Zack Penn achou essa idéia muito mais interessante do que a que ele estava desenvolvendo, e assim o filme sobre a Primeira Classe surgiu.

A "primeira classe" ao qual o filme se refere é a primeira turma de mutantes que Xavier uniu. Nos quadrinhos originais a equipe era formada por Cyclops, Jean Grey, Homem Gelo, Fera e Arcanjo. Obviamente que no filme as coisas seriam diferentes.

É difícil falar sobre ele colocando os outros filmes de lado. No meu ponto de vista uma coisa sempre foi muito clara: não importa o quanto Bryan Singer conseguiu fazer de X-Men (2000) e X-2 (2003) dois filmes interessantes e acima da média, ele nunca deveria ter se apropriado dos personagens para criar sua própria história sem respeitar as histórias originais e a cronologia de cada um deles porque agora estão tentando reparar isso numa cadeia cíclica de erros, pegando personagens clássicos e reinventando suas histórias outra vez, negando de uma forma ou de outra todo o desenvolvimento nos quadrinhos em seus mais de 40 anos de existência. Mais seqüências virão, mas como eles irão desenvolver e dar espaço para personagens esquecidos - ou àqueles que já foram apresentados fora de sua cronologia original - será um mistério.

De qualquer forma, Primeira Classe consegue agradar os fãs ao manter alguns personagens e trazer outros, mas ao mesmo tempo pode não ser tão agradável por não ser fiel aos quadrinhos. Para as pessoas que conhecem pouco sobre os mutantes, isso não faz diferença, e analizando o filme por si só, ele realmente oferece o que promete e traz de volta a atmosfera dos dois primeiros filmes que foram perdidos na terceira e útlima parte de 2006.

A história é sólida e consistente, encaixando os mutantes como peças de um jogo de xadrez no histórico período da Guerra Fria, fazendo desta época o marco zero da batalha entre humanos e mutantes, e também entre mutantes e mutantes. O roteiro conduz os fatos de forma linear, e misturar a ficção com bases históricas oferece outra dimensão nesta ficção, se encaixando perfeitamente dentro dos propósitos da história.

É direcionado para um público mais adulto do que juvenil, embora os jovens irão se exaltar por vários momentos com os personagens e cenas de ação que são frequentes do início ao fim. É um filme violento, comparado com os anteriores, mas não é explícito, e é isso que o caracteriza não apenas como adulto, mas também inteligente, porque a maioria da violência acontece mais na imaginação do que em imagens. Ou seja, eles oferecem o material, e o resto é criado por quem assiste. Isso acaba sendo mais chocante porque atinge as pessoas de forma individual, já que a imaginação é subjetiva.

Michael Vaugh sustenta a direção melhor do que o esperado, usando os elementos primários dos dois primeiros filmes dirigidos por Bryan Singer, mas ao mesmo tempo adicionando características próprias, trazendo um ar novo à série, algo que também havia sido perdido no terceiro episódio de 2006. Ele mesmo afirmou que o filme é fortemente inspirado nos anteriores dirigidos por Bryan Singer.

Os uniformes e o design artístico são maravilhosos, reproduzindo a década de 60 da maneira mais elegante possível. Alguns anacronismos existem, mas não atrapalham. Fãs ficarão impressionados com algumas referências e algumas participações especiais de personagens e atores da série anterior. Incluir Michael Fassbender, Kevin Bacon, Rose Byrne e Jennifer Lawrence na história só complementou as qualidades e o tom adulto do filme. Inclusive, Michael Fassbender estudou a atuação de Ian McKellen nos filmes anteriores durante o período em que se preparava para o papel de Magneto, justamente para que houvesse conexão entre os filmes. Senti que a trilha sonora era às vezes um pouco invasiva, apelando na sinestesia subliminar, mas que é possível ser esquecido perto de tantas qualidades.

O filme perde um pouco o interesse ao chegar próximo ao fim, amenizando a rebeldia de alguns personagens e transformando a separação e a guerra entre Magneto e Xavier algo um tanto pacífico para aqueles que esperavam um genuíno choque de ideologias.

Se o filme receberá uma sequência, é improvável, já que ele custou US$160 milhões e não foi o sucesso esperado nos EUA, embora ele tenha arrecadado mais de US$350 milhões no mundo.

CONCLUSÃO...
No geral, com certeza é a melhor adaptação de quadrinhos de 2011, e pode ser encaixada facilmente entre as melhores adaptações juntamente com as duas primeiras realizadas da série X-Men. Como disse anterioremente, é X-Men retornando à sua forma.

sábado, 2 de julho de 2011

O MELHOR PERSONAGEM MAIS DESVALORIZADO AINDA CONTINUA SENDO O MAIS DESVALORIZADO...

★★★★
Título: Lanterna Verde (Green Lantern)
Ano: 2011
Gênero: Ação, Ficção Científica
Classificação: 12 anos
Direção: Martin Campbell
Elenco: Ryan Reynolds, Blake Lively, Peter Sarsgaard, Mark Strong, Tim Robbins, Angela Bassett
País: Estados Unidos
Duração: 114 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Um piloto de testes ganha de uma raça alienígena um anel com poderes, assim como também o caracteriza como membro de uma esquadrão intergaláctica que tem como objetivo manter a paz no universo.

O QUE TENHO A DIZER...
Sinceramente não sei muito sobre o Lanterna Verde mais do que era mostrado nos desenhos animados da Liga da Justiça. Fãs tem considerado o filme uma adaptação aceitável e que se espelha bastante aos primeiros anos do personagem nos quadrinhos. Mas para mim a sensação é de que algo está faltando, e há diversas razões para isso.
Sendo um filme dirigido por Martin Campbell, o mesmo de excelentes filmes de ação como 007 Contra Goldeneye (Goldeneye, 1995), A Máscara do Zorro (The Mask Of Zorro, 1998), Limite Vertical (Vertical Limit, 2000) e Cassino Royale (Casino Royale, 2006), sinceramente eu esperava algo menos óbvio, mais interessante, cheio de ações intensas, diálogos bem construídos e cenas melhores realizadas, já que os fãs do personagem dizem que Lanterna Verde é um dos melhores e mais desvalorizados personagens da DC Comics. O roteiro foi escrito por quatro pessoas, que já é um número pra lá de necessário para saber que as coisas não estavam boas o bastante, e que do mesmo jeito não ficaram boas no fim.

A intensa produção industrial de filmes baseados em histórias em quadrinhos está criando uma situação como o próprio vilão do filme para a própria industria cinematográfica. Quero dizer: está sendo destrutivo para ela mesma, devorando tudo o que está perto, adaptando tudo e qualquer coisa possível apenas para encher as contas bancárias, dando zero atenção à qualidade.

Quando a nova geração de adaptações de quadrinhos chegou aos cinemas no começo de 2000, os filmes eram ótimos porque haviam sido planejados há anos. Só que o maior medo de todos era: até onde ou quando isso iria? Era apenas uma questão de tempo até essas adaptações virarem algo comum e habitual. E agora esta intensa produção está finalmente mostrando sinais de cansaço. O tempo entre a roteirização e pré-produção, até seu lançamento, está cada vez mais curto, algo em torno de 6 a 8 meses, e não podemos ignorar o fato de que isso acaba refletindo a qualidade. X-Men: Primeira Classe (X-Men: First Class, 2011), por exemplo, estava sendo planejado há anos e se tornou a melhor adaptação de quadrinhos de 2011 até o momento.

Quando vão fazer um filme, os estúdios tentam atingir o maior número de pessoas possível, o que justifica que as histórias não sejam nem adultas o bastante e nem ingênuas demais. Ao mesmo tempo também não pode ser inteligente em demasia e nem estúpido o bastante. Tudo tem que estar NO MEIO. Às vezes funciona, mas às vezes não, como nesse filme. Há também o fato da indústria ter criado um padrão e uma fórmula de adaptar quadrinhos que não está funcionando mais, e isso está ficando preocupante, pois a atenção pela qualidade não está mais como era antes.

Depois de uma hora de filme nada acontece e o vilão Parallax está apenas há algumas horas antes de engolir toda a Terra. É então que você se dá conta de que Lanterna Verde ainda não sabe nada da vida e dos poderes, e ele terá apenas 30 minutos de filme para se transformar no melhor super-herói possível com apenas 2 minutos de treino, conquistar a garota, lutar contra o Homem Elefante e destruir um monstro espacial que nem mesmo o melhor dos Lanternas foi capaz de destruir, como também matou o rei dos Lanternas, chamado Abin Sur. Isso é absurdo! Nem mesmo no desenho animado o Lanterna Verde é tão onipotente.

A melhor parte do filme é quando Parallax diz que Hall (Ryan Reynolds) é nada sem o anel, porque é a pura verdade e essa vulnerabilidade do personagem é o que o coloca junto aos demais na categoria de "heróis que ficam covardes quando perdem os poderes". Dos atores, Peter Sasgard é o único que oferece o tom sério que falta em todo o filme, mas seu talento também é desperdiçado. Os demais oferecem atuações irritantes, como Ryan Reynolds, que mais parece um retardado que descobre que tem poderes do que um adulto irresponsável. Além disso, não há uma única cena que eu pudesse ficar estarrecido ou sem fôlego porque nem mesmo os efeitos especiais são bons o bastante, parecendo muito mais um trabalho corrido feito por um estagiário do que qualquer outra coisa. Talvez isso seja o resultado do curto período de pós-produção e a falta de tempo para testes, como comentei acima.

Isso tudo significa que o filme não é bom porque força no argumento e nos acontecimentos, e as coisas acontecem incrivelmente rápidas apenas nos últimos 20 minutos em um filme de quase duas horas de duração. É difícil aceitar isso. Tem também uma cena de 5 segundos sobre o Anel Amarelo que não tem conexão com coisa alguma, algo do tipo: "Oh, esquecemos de dar um argumento sobre o Anel Amarelo! Tudo bem, vamos colocar essa cena e tudo vai ficar bem e talvez resolvemos esse assunto no segunod filme. As pessoas nem vão notar!"

CONCLUSÃO...
Um filme chato e mal feito. Poderia ter sido excelente, mas nem mesmo 4 roteiristas foram suficientes para dar o tom. Os fãs podem aceitá-lo como uma adaptação fiel pelos elementos usados para definir o personagem e seus poderes, mas como um filme é uma das piores adaptações feitas nos últimos 10 anos, aparentando muito mais uma adptação meia-boca dos anos 90. No fim é apenas mais um caça-níqueis, um filme para satisfazer fãs dos quadrinhos que se entusiasmam fácil e para pessoas que se satisfazem com qualquer coisa, mas não para despertar o interesse daqueles que não conhecem os quadrinhos ou que buscam assistir um filme de ação de qualidade.

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