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domingo, 14 de agosto de 2011

EXCELENTES INTERPRETAÇÕES...

★★★★★★★★
Título: Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids)
Ano: 2011
Gênero: Comédia
Classificação: 14 anos
Direção: Paul Feig
Elenco: Kristen Wiig, Maya Rudolph, Melissa McCarthy, Rose Byrne, Wendi McLendon-Covey, Ellie Kemper, Chris O'Dowd, Jon Hamm
País: Estados Unidos
Duração: 125 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Uma mulher que não vem passando pelos melhores dias de sua vida é pega de surpresa e convidada pela sua amiga de infância a ser uma das Madrinhas de Casamento. O grande problema é que as demais Madrinhas ela desconhece e não tem intimidade alguma, o que acaba se tornando uma disputa de interesses e ciúmes para completar os seus dias de inferno.

O QUE TENHO A DIZER...
Missão Madrinha de Casamento foi uma das grandes surpresas de 2011 em comédia. Foi dirigido por Paul Feig, diretor com mais experiência em seriados como The Office e Nurse Jackie. O filme é produzido por Judd Apatow, famoso por comédias similares e de grande sucesso como O Virgem de 40 Anos (The 40 Year Old Virgin, 2005) e Ligeiramente Grávidos (Knocked Up, 2007) - e que vai ter uma continuação esse ano. O filme foi escrito e produzido por Kristen Wiig e Annie Mumolo. Kristen, que também é a atriz principal do filme, está ficando famosa nos cinemas agora, mas já era bem conhecida na TV como humorista e comediante por já estar há 7 anos frente ao Saturday Night Live. Foi muito bem recebido pela crítica e pelo público e chegou até a concorrer ao Oscar por Melhor Atriz Coadjuvante (para Melissa McCArthy) e Melhor Roteiro Original.

O filme é exatamente aquilo que parece ser: engraçado, leve e interessante, com personagens de personalidades bem definidas e que usam uma história simples para mostrar suas relações e crises pessoais. Tudo acontece em volta da personagem principal que é uma mulher vivendo os piores momentos de sua vida antes (e durante) o casamento de sua melhor amiga.

Ele tem sido comparado a outro filme que envolve grupo de amigos, o Se Beber Não Case (The Hangover, 2009/2011), o que não é justo porque este aqui pode parecer um filme de garotas (chickflick, como chamam lá fora), mas não é justamente por ter qualidades que filmes desse gênero costumam ignorar. Se Beber Não Case é uma celebração masculina sem qualquer outro interesse além de fazer as pessoas rirem e se divertirem com situações absurdas envolvendo a cultura às vezes machista e situações clichés de comédia usadas de maneira efetiva, ao contrário de Missão, que não chega a esses níveis absurdos.

A cultura feminina está no filme o tempo todo quando mostram todas as crises de casamento e a cultura de Madrinhas de Casamento, que é muito forte nos Estados Unidos. Mas isso é apenas um pano de fundo. Os dramas pessoais, as dificuldades de alcançar objetivos na vida, crises de relacionamento entre amores e amigos, o sentimento de que o mundo conspira contra suas vontades... tudo isso é universal e todos já passaram por isso ao menos uma vez na vida. O filme mostra isso de forma brilhante e em doses pequenas, sem parecer cafona devido ao bom uso da comédia para aliviar o que poderia ser melodramático e banal, caso o filme fosse um drama. Também não são momentos de graça fútil porque as interpretações desse grande elenco são fantásticas. As atrizes usam diálogos improvisados na maior parte do tempo, o que faz o filme correr naturalmente e sem pretenções ou intenções forçadas de ser engraçado, além disso não ser uma situação muito comum, mas que deu muito certo graças a insistência de Kristen Wiig para que as cenas fossem realizadas assim.

Kristen Wiig brilha e direciona o filme todo numa performance fantástica. Baseado ou não em experiências pessoais, ela veste a personagem perfeitamente. Rose Byrne (mais conhecida pelo seriado Damages) também tem momentos importantes e prova mais uma vez que está ficando melhor a cada novo trabalho. As outras atrizes coadjuvantes são bem colocadas na história, mesmo que algumas fiquem até um pouco subutilizadas, mas todas estão brilhantes de igual para igual e a interpretação de Melissa McCarthy, sem dúvidas, é de ficar impressionado ao mesmo tempo que é absurdamente engraçado, já que a atriz na vida real é completamente diferente da sua personagem masculinizada, rústica e briguenta.

CONCLUSÃO...
Previsível? Sim. Mas adorável do mesmo jeito. É impossível não ficar fascinado por personagens tão carismáticas dentro de momentos simples e naturalmente engraçados que nunca exigem mais do que boas e sinceras interpretações. É a prova de que é possível fazer uma comédia sobre e com mulherse sem parecer estúpido ou sexista.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

MAIS UM GRANDE EFEITO DE MARKETING...

★★★★
Título: Super 8
Ano: 2011
Gênero: Fantasia, Ação, Ficção
Classificação: 12 anos
Direção: J.J. Abrams
Elenco: Joel Courtney, Zach Mills, Rolley Griffiths, Elle Faning, Kyle Chandler
País: Estados Unidos
Duração: 112 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Um grupo de amigos resolve fazer um vídeo caseiro e durante os takes realizados em uma antiga estação de trem, presenciam e sobrevivem a um enorme desastre sobre trilhos que revelará surpreendentes acontecimentos a todos eles.

O QUE TENHO A DIZER...
Sinceramente não gostei desse filme e ninguém pode me culpar por isso.

Estava muito interessado em assistí-lo, por conta do trailer e de todo o mistério envolvido em cima da produção, algo bastante similar com o que J.J. Abrams instruiu ser feito com o material de promoção de Cloverfield (2008), já que ele foi o produtor. E para quem assistiu e gostou de Cloverfield, acreditou que Super 8 pudesse seguir uma premissa similar. O trailer fez o que era suposto, acendendo o fogo da curiosidade em uma campanha maciça, como sempre deve ser feito em circunstâncias como essa. Então ele foi lançado e recebeu dezenas de críticas positivas não apenas pela mída especializada como também do público leigo, mas as pessoas nunca contavam sobre o que era o filme para não estragar as surpresas, como se realmente houvesse algo de muito interessante para esconder.

Ter J.J. Abrams como diretor, roteirista e produtor era um atrativo muito grande, já que ele foi o criador de seriados televisivos que não fizeram estrondoso sucesso, mas que mudaram algumas estruturas narrativas que estavam muito batidas na televisão norte-americana e que ficaram no boca-a-boca da mídia por muito tempo como os seriados Felicity, Alias, Lost e o atual Fringe, dentre outros projetos que fracassaram apenas pela falta de audiência, mas com boas idéias. Depois que ele migrou para o cinema, vem construindo um legado sólido com sua produtora Bad Robot, e tem sido muito bom naquilo que tem se comprometido, chamando atenção de diretores como Spielberg, que também é o produtor deste filme e que garante alguma qualidade. É por isso que penso que este filme foi mais sobrevalorizado por conta dos nomes que estavam contidos nele do que pelo seu potencial, pois há o fato de existir um senso comum de que só porque há o nome de Spielberg, o produto é bom, o que não é verdade. Um filme ter qualidade é uma coisa, um filme ser bom, é outra. E este é uma dessas ocasiões em que o produto tem qualidade, mas não é bom, e no fim foi uma grande decepção e uma perda de tempo comparando com o que eu estava esperando.

Obviamente que há alguns fatores que chamam bastante a atenção e nos remetem a grandes clássicos do gênero, como E.T. (1982), por exemplo. A direção de arte é belíssima, reproduzindo o fim dos anos 70 da melhor maneira possível. Claro que alguns anacronismos existem, mas são esquecíveis e passam despercebido no olhar mais leigo e imediato. Além disso, a direção de Abrams é muito similar a algumas das características que fizeram de Spielberg uma referência na época, como o uso abusivo de travellings, panorâmicas e a grua. Os travelllings, principalmente na hora de fechar uma cena em um determinado personagem durante um momento de perigo, tensão ou fuga, para aumentar a dramaticidade da situação, é algo que Spielberg usa insistentemente em todos seus filmes e que de certa forma já virou uma piada, pois quem já conhece o seu estilo conseguem antecipar esses momentos tanto quanto o zoom dado em momentos de extremo drama em novelas mexicanas. Talvez Abrams tenha feito isso propositalmente, já que ele mesmo chegou a dizer que ele é um grande fã de Spielberg e o filme é uma homenagem aos primeiros filmes do diretor. Os atores jovens, muito convincentes nos papéis, tem uma química muito perfeita, o que dá aquela sensação-Goonies de nostalgia que não sentimos há muito tempo no cinema. Referências a clássicos estão lá o tempo todo. De Romero a Spielberg, de Ridley Scott a James Cameron, todos complementando as intenções. Logo, tecnicamente, o filme é ótimo.

Mas então ocorre o acidente de trem, e se você não assistiu o filme, não tem problema, porque vou contar detalhes mesmo assim. Primeiro, me desculpe, mas é impossível uma simples caminhonete destruir um trem inteiro daquela forma e transformar tudo em uma grande catástrofe sem precedentes, a física consegue explicar isso melhor do que eu. Segundo, como é possível alguém dirigir um carro diretamente contra um trem e bater contra ele, fazer o trem de 20 vagões explodir, tirá-lo inteiramente do trilho, jogar vagões pelo ar e destruir tudo a sua volta, mas continuar vivo e com apenas alguns arranhões no rosto? Sem sentido. Isso não aconteceria nem mesmo em Indiana Jones de tão inverossímel, forçado e absurdo.

Além do acidente também há o desenvolvimento da história. Demora horas para algo interessante acontecer, mantendo um tédio infinito naquela velha fórmula de suspense de nunca revelar a ameaça por inteiro, apenas por partes, como era feito em Alien (1979), o que é um vício do cinema que não funciona mais tão bem. Depois de uma hora fiquei com sono e desinteressado, as sequências de ação e tensão acabavam tão rápido quanto começavam e o fim foi algo muito decepcionante. Existe esse monstro que faz cachorros desaparecerem, mata e come pessoas e tudo que estiver à sua frente como um o Taz Mania, até o garoto de nobre coração dizer palavras mágicas que vêm de seu mais ingênuo espírito sem precisar de tradutor porque estes sentimentos são universais (???) e esse monstro finalmente para de criar o caos e decide voltar para seu planeta.

O que é isso?

CONCLUSÃO...
Sem dúvida eu esperava algo muito melhor, e isso não é culpa minha, é culpa do material promocional que divulgou o filme como um gênero que ele não tem, com uma narrativa que ele em momento algum faz, e com uma dinâmica que em momento algum acontece, tanto é que quase dormi várias vezes. Talvez se nada disso tivesse sido feito eu teria apreciado de maneira diferente. É um filme para adolescentes, e isso é o ponto positivo dele, mas até mesmo esse público sai do cinema sentindo que algo está faltando e não engolindo muito bem os absurdos porque, embora o filme seja também uma fantasia, ele não é tratado como tal como acontece no clássico incopiável e incomparável Goonies (1982).

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

ESTÁ FALTANDO MALDADE...

★★★★
Título: Professora Sem Classe (Bad Teacher)
Ano: 2011
Gênero: Comédia
Classificação: 14 anos
Direção: Jake Kasdan
Elenco: Cameron Diaz, Lucy Punch, Justin Timberlake, Jason Segel
País: Estados Unidos
Duração: 92 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Uma alpinista social baladeira, quebrada e sem talentos encontra como solução financeira dar aulas para o Ensino Fundamental.

O QUE TENHO A DIZER...
Sempre considerei Cameron Diaz uma boa atriz, até mesmo quando em filmes medianos ou em personagens que não exigiam demais de suas capacidades. Mesmo assim, esporadicamente ela fazia filmes com papéis bastante interessantes como O Casamento do Meu Melhor Amigo (My Best Friend's Wedding, 1997), Quero Ser John Malkovich (Being John Malkovich, 1999), Um Domingo Qualquer (Any Given Sunday, 1999), Gangues de Nova York (Gangs Of New York, 2002), A Caixa (The Box, 2009), dentre outros. Até mesmo em As Panteras (Charlie's Angels, 2000/2003) ela tinha momentos muito engraçados.

Professora Sem Classe parecia ser o filme que ela estava esperando para usar toda sua poderosa beleza e forte presença junto com o humor negro, já que ela anteriormente chegou a experimentar personagens com algum teor similar, mas com excessão de Um Domingo Qualquer, nenhum personagem que ela chegou a fazer foi inteiramente má tal qual a professora má parecia ser.

Bem... a professora é má, mas não totalmente, e muita maldade está faltando aí, como já era de se esperar. A personagem nada mais é que uma mulher amarga que vive uma vida infeliz, quebrada e sem seios fartos, mas que consegue usar Loboutins (a marca de sapatos patrocinou o filme para promover sua coleção de solas vermelhas). Ela não é inteligente o bastante para dar aulas, mas consegue ter o suficiente para ser uma professora. É um filme um tanto decepcionante para aqueles que esperavam não algo muito inteligente, mas ao menos uma personagem que pudesse usar e abusar de tudo aquilo que significa ser maldosa e ruim. Mas o conceito da palavra RUIM deve ser diferente para os roteiristas, pois o desenvolvimento do filme é bastante pobre.
Se ser ruim significa fumar maconha e dormir durante as aulas, por favor, eu já vi piores. Talvez os roteiristas deveriam ter assistido alguns clássicos de Bette Davis como inspiração sobre o que a palavra "má" significa entre os humanos, como nos filmes Servidão Humana/Escravos do Desejo (Of Human Bondage, 1934), A Carta (1940) ou Pérfida (The Little Foxes, 1941), apenas para começar, ou simplesmente prestado mais atenção em seus professores na infância.

Mas de qualquer forma, Cameron está ficando cada vez melhor com a idade e o seu tempo de comédia é muito bom, o que dá a impressão de que ela está apenas se divertindo no filme. Lucy Punch, como Amy Squirrel, é incrivelmente engraçada e talentosa. Para aqueles que não a conhecem eu sempre recomendo Adorável Júlia (Being Julia, 2004), em que ela faz uma aspirante a atriz de uma forma impressionante. Justin Timberlake faz a sua parte, assim como o resto do elenco, ajudando a salvar o filme de uma tragédia.

CONCLUSÃO...
No fim das contas é tudo sobre Cameron Diaz. Mesmo o filme sendo ruim, com um roteiro entediante e nem mesmo uma cena memorável ou alguma seqüência admirável, Professora Sem Classe é assistível apenas pela presença da atriz.

sábado, 30 de julho de 2011

DELICIOSAMENTE GROSSEIRO...

★★★★★★★★
Título: Sua Alteza (Your Highness)
Ano: 2011
Gênero: Comédia
Classificação: 16 anos
Direção: David Gordon Green
Elenco: Danny McBride, Natalie Portman, James Franco
País: Estados Unidos
Duração: 102 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
A noiva do príncipe é capturada, e então ele segue na missão de resgatá-la das mãos do mal. Mas junto com ele vai seu irmão inútil e invejoso, que mais atrapalha que ajuda, até encontrarem no meio do caminho uma destemida arqueira, que também tem objetivos similares aos deles.

O QUE TENHO A DIZER...
Do mesmo diretor de Segurando As Pontas (Pineapple Express, 2008), e do medíocre O Babá (The Sitter, 2011), foi escrito por Ben Best e também pelo próprio ator principal, Danny McBride. Sua Alteza é um filme controverso, e a "polêmica" sobre ele começou bem antes de seu lançamento por conta de uma cena de pseudo-nudez de Natalie Portman que precisou ser alterada digitalmente porque o órgão de censura nos EUA achou que seria melhor assim (???). Então colocaram uma tanguinha discreta e o filme também teve algumas cenas cortadas para garantir a saúde dos bons cristãos.

O filme é bastante injustiçado e embora o boca-a-boca sobre ele tenha sido grande, acabou sendo um fracasso de bilheteria (custou mais de US$40 milhões e não arrecadou nem a metade no mundo todo). Mas isso é absolutamente compreensível. É um filme raro de comédia absurda, feito pra usar o humor indescente pra chocar sem medo algum, já que é uma sátira sobre contos e filmes medievais, mas não é tolo e cliché como as sátiras da série Todo Mundo Em Pânico (Scary Movie, 2000/2001/2003/2006) ou similares. O filme satiriza uma época, pessoas e comportamentos. Ele tem sua própria história, seus próprios personagens e originalidade, e obviamente que brinca com clichés o tempo todo (senão não seria uma sátira), fazendo os personagens parecerem realmente patéticos quando agem como heróis que devem completar missões como se estivessem em um jogo de RPG, uma sátira que de certa forma lembra bastante os clássicos de Mel Brooks.

Algumas pessoas tem considerado o filme ofensivo e agressivo pelo uso extensivo de linguagem sexual e até mesmo por algumas cenas explícitas de nudez. Com certeza são. Mas essa resposta negativa tem sido justamente por reflexo da sociedade puritana e hipócrita que por uma razão óbvia: se essas pessoas já chegaram a rir de Eddie Murphy soltando gases na mesa de jantar com sua família por 10 minutos em O Professor Aloprado (The Nutty Professor, 1996/2000) - e eu tenho certeza que riram - então essas pessoas não estão na condição de dizer que Sua Alteza é ofensivo ou agressivo pelo seu conteúdo verbal. Primeiro de tudo porque estou falando de um filme que parece bobo e uma perda de tempo, mas a realidade é que ele é bastante inteligente e interessante e, sem dúvidas, um dos mais engraçados no gênero satírico que já assisti desde... há muito tempo atrás.

É engraçado do começo ao fim, e os diálogos parecem ter sido tirados de um filme pornô. James Franco, como Fabious, o príncipe que está sempre encantado, feliz, motivado e romântico, faz seu personagem ter sido tirado direto de um conto de fadas, até seus movimentos e expressões são totalmente inspirados por tudo o que um Príncipe Encantado representa e faz. Danny McBride, como Tadeous, é completamente o oposto, o verdadeiro anti-herói, cheio de ódio, raiva, rancor e inveja, procurando e fazendo tudo para satisfazer seu próprio ego. Natalie Portman surpreende mais ainda porque esse filme foi lançado logo após seu sucesso de crítica em Cisne Negro (Black Swan, 2010), portanto sua personagem é constrastante, e existe uma boa atriz de comédia dentro dela também.

Todo personagem é ridículo como deveria ser. O filme também é cheio de ação e efeitos especiais. Os roteiristas fizeram o excelente trabalho em criar um conto incomum baseado em mitologia e sexo dentro de um mundo medieval fantasioso e puritano. Por isso é tão engraçado, porque ninguém nunca esperaria personagens tão sérios falando de sexo e genitálias como algo comum e simples.

CONCLUSÃO...
Não é um filme para aqueles que se sentem ofendidos facilmente, mas para aqueles que acharem o seu tom irão adorar.

sábado, 16 de julho de 2011

VIDA DURA...

★★★★★★★★
Título: A Vida Durante A Guerra (Life During Wartime)
Ano: 2009
Gênero: Drama, Comédia
Classificação: 16 anos
Direção: Todd Solondz
Elenco: Shirley Henderson, Ciarán Hinds, Michael Kenneth Williams, Allison Janney, Dylan Riley Snyder, Renée Taylor, Charlotte Rampling
País: Estados Unidos
Duração: 98 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Depois de passar um bom tempo preso por crimes de pedofilia, um pai tenta rever sua família numa época de mudanças em que sua ex-mulher, Trish, está para se casar com outro homem que poderá ser um bom marido e pai para seus dois filhos. A irmã de Trish, Joy, também é assombrada por fantasmas de amores passados. Amigos, família e amantes se esforçam para encontrar o amor, perdão e o significado da vida.

O QUE TENHO A DIZER...
Escrito, dirigod e prouzido por Todd Sonlondz, que costuma lidar com histórias sobre felicidade e dor, perdões, esquecimentos e arrependimentos, engrenagens que movimentaram seus trabalhos anteriores, como Bem-Vindo À Casa de Bonecas (Welcome To Dollhouse, 1995), Felicidade (Happiness, 1998) e Palindromes (2004). É um diretor pouco conhecido por nunca ter feito um trabalho grande e estar sempre ligado a produções pequenas e independentes, mas poderosas nos seus sentidos e mensagens. Este filme, na realidade, é uma continuação ao seu filme Felicidade, porém com um elenco totalmente novo, o que acaba não anulando o filme anterior, mas podendo tratá-los como filmes únicos ou individuais, dependendo do ponto de vista.

Neste filme a história se desenvolve em torno da vida de um garoto e os membros de sua família que estão tentando descobrir os significados de quando e como as pessoas devem alcançar o prazer e a felicidade na vida perdoando e esquecendo situações difíceis o bastante de serem esquecidas ou perdoadas. Complexo, mas uma realidade latente.

Como sempre, Solondz brinca com o humor negro todo o tempo para aliviar o peso dos complexos temas dramáticos, dando o balanço exato e necessário para que verdadeiras discussões muitas vezes pesadas sobre a vida se transformem em algo comum como um café da manhã.

Os personagens são bem construídos, sendo interessante a forma como eles encaram as relações entre eles. Durante todo o filme sempre há o confronto entre dois personagens que discutem em uma mesa ou com algo entre eles, usando o obstáculo como algo onde eles possam colocar e jogar - mas às vezes esconder - todos seus problemas e diferenças, mas ao mesmo tempo bloqueando e impedindo o alcance um do outro, como em um campo de batalha.

Palavras são como armas e assistir esses personagens usando-as como balas de revolver é chocante pois é exatamente o que fazemos na vida real, e nós somos responsáveis por magoar ou machucar uns aos outros por isso. O filme lida com temas complexos, sendo às vezes difícil de ser assistido por conta da crueza, amargura e de diálogos impactantes, mas a verdade é que ninguém pode fugir dessas realidades para sempre.

CONCLUSÃO...
É um filme lento e bastante viceral que lida com temas difíceis como pedofilia, traição, solidão e incompreensão como se estivesse comentando sobre o capítulo da novela do dia. Todd Solondz é único e assim são seus filmes. Ele obriga as pessoas a olharem fatos por um ângulo que sistematicamente ignoramos.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

PRIMEIRA CLASSE COM CLASSE...


★★★★★★★★
Título: X-Men: Primeira Classe (X-Men: First Class)
Ano: 2011
Gênero: Ação, Fantasia, Ficção Científica
Classificação: 12 anos
Direção: Matthew Vaughn
Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Kevin Bacon, Rose Byrne, Jennifer Lawrence, January Jones
País: Estados Unidos
Duração: 132 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Charles Xavier e Erik Lensherr são mutantes que sabem que não são os únicos, e que esta nova raça humana, a chamada Geração X, tem muito a oferecer e ajudar. Eles resolvem criar uma escola para jovens superdotados, mas as coisas não saem como planejado, pois os Estados Unidos, juntamente com União Soviética e Cuba, atravessam por um período delicado, a Guerra Fria, e o uso do poder desses mutantes parece ser interessante para aqueles que querem disseminar o caos e a destruição. E assim uma rachadura na grande amizade entre Xavier e Erik acontece, e essas duas partes tendem a se separar a qualquer instante, dando início a eterna batalha entre Magneto e sua irmandade, e Xavier e seus X-Men.

O QUE TENHO A DIZER...
Dirigido por Matthew Vaughn, diretor de Stardust (2007) e o inesperado Kick-Ass (2010), filme pelo qual ele ficou mais conhecido e que foi o responsável por ter dado a ele a direção de Primeira Classe. O roteiro é assinado por mais três pessoas, além do póprio Matthew Vaughn: Ashley Miller e Zack Stentz (Thor, 2011); Jane Goldman (Kick-Ass, 2010). Como já disse outras vezes, eu costumo duvidar da qualidade de roteiros escritos por mais de uma pessoa, pois demonstra ter sofrido dezenas de transformações em comparação ao protudo original. Mas nesse caso as coisas parecem que funcionaram bem, principalmente por ter sido escrito por mulheres e homens. A presença de roteiristas femininas dão uma sutileza necessária e obrigatória em qualquer adaptação dos X-Men, algo que faltou bastante nos filmes anteriores.

Bryan Singer assina como produtor, tentando retornar ao lar depois de ter abandonado os mutantes para investir no mundo de Kripton com o seu fracassado Superman, O Retorno (Superman Returns, 2006). Segundo Bryan Singer, ele mesmo tinha interesses pessoais em dirigir este filme desde o princípio, mas por conta da sua adaptação de João e o Pé de Feijão, ele acabou sendo substituído por Matthew Vaughn.

Na verdade este filme é um reboot, ou seja, um reinício, já que a primeira trilogia havia findado com X-Men: O Confronto Final (X-Men: Last Stand, 2006). Frente a várias insatisfações dos fãs, do público em geral e do estúdio pelos rumos que a trilogia havia tomado e como ela terminou, acharam que seria uma boa idéia recomeçar do zero. A princípio o reboot seria feito com uma pré-continuação que contasse a história de Magneto, em um spinoff similiar ao de Wolwerine (X-Men Origins: Wolwerine, 2009), tanto que o roteirista Zack Penn até havia sindo contratado para escrever o roteiro. Entretando, durante o desenvolvimento da história, os produtores acharam que seria interessante mudar o foco da história para os primeiros anos da equipe. Zack Penn achou essa idéia muito mais interessante do que a que ele estava desenvolvendo, e assim o filme sobre a Primeira Classe surgiu.

A "primeira classe" ao qual o filme se refere é a primeira turma de mutantes que Xavier uniu. Nos quadrinhos originais a equipe era formada por Cyclops, Jean Grey, Homem Gelo, Fera e Arcanjo. Obviamente que no filme as coisas seriam diferentes.

É difícil falar sobre ele colocando os outros filmes de lado. No meu ponto de vista uma coisa sempre foi muito clara: não importa o quanto Bryan Singer conseguiu fazer de X-Men (2000) e X-2 (2003) dois filmes interessantes e acima da média, ele nunca deveria ter se apropriado dos personagens para criar sua própria história sem respeitar as histórias originais e a cronologia de cada um deles porque agora estão tentando reparar isso numa cadeia cíclica de erros, pegando personagens clássicos e reinventando suas histórias outra vez, negando de uma forma ou de outra todo o desenvolvimento nos quadrinhos em seus mais de 40 anos de existência. Mais seqüências virão, mas como eles irão desenvolver e dar espaço para personagens esquecidos - ou àqueles que já foram apresentados fora de sua cronologia original - será um mistério.

De qualquer forma, Primeira Classe consegue agradar os fãs ao manter alguns personagens e trazer outros, mas ao mesmo tempo pode não ser tão agradável por não ser fiel aos quadrinhos. Para as pessoas que conhecem pouco sobre os mutantes, isso não faz diferença, e analizando o filme por si só, ele realmente oferece o que promete e traz de volta a atmosfera dos dois primeiros filmes que foram perdidos na terceira e útlima parte de 2006.

A história é sólida e consistente, encaixando os mutantes como peças de um jogo de xadrez no histórico período da Guerra Fria, fazendo desta época o marco zero da batalha entre humanos e mutantes, e também entre mutantes e mutantes. O roteiro conduz os fatos de forma linear, e misturar a ficção com bases históricas oferece outra dimensão nesta ficção, se encaixando perfeitamente dentro dos propósitos da história.

É direcionado para um público mais adulto do que juvenil, embora os jovens irão se exaltar por vários momentos com os personagens e cenas de ação que são frequentes do início ao fim. É um filme violento, comparado com os anteriores, mas não é explícito, e é isso que o caracteriza não apenas como adulto, mas também inteligente, porque a maioria da violência acontece mais na imaginação do que em imagens. Ou seja, eles oferecem o material, e o resto é criado por quem assiste. Isso acaba sendo mais chocante porque atinge as pessoas de forma individual, já que a imaginação é subjetiva.

Michael Vaugh sustenta a direção melhor do que o esperado, usando os elementos primários dos dois primeiros filmes dirigidos por Bryan Singer, mas ao mesmo tempo adicionando características próprias, trazendo um ar novo à série, algo que também havia sido perdido no terceiro episódio de 2006. Ele mesmo afirmou que o filme é fortemente inspirado nos anteriores dirigidos por Bryan Singer.

Os uniformes e o design artístico são maravilhosos, reproduzindo a década de 60 da maneira mais elegante possível. Alguns anacronismos existem, mas não atrapalham. Fãs ficarão impressionados com algumas referências e algumas participações especiais de personagens e atores da série anterior. Incluir Michael Fassbender, Kevin Bacon, Rose Byrne e Jennifer Lawrence na história só complementou as qualidades e o tom adulto do filme. Inclusive, Michael Fassbender estudou a atuação de Ian McKellen nos filmes anteriores durante o período em que se preparava para o papel de Magneto, justamente para que houvesse conexão entre os filmes. Senti que a trilha sonora era às vezes um pouco invasiva, apelando na sinestesia subliminar, mas que é possível ser esquecido perto de tantas qualidades.

O filme perde um pouco o interesse ao chegar próximo ao fim, amenizando a rebeldia de alguns personagens e transformando a separação e a guerra entre Magneto e Xavier algo um tanto pacífico para aqueles que esperavam um genuíno choque de ideologias.

Se o filme receberá uma sequência, é improvável, já que ele custou US$160 milhões e não foi o sucesso esperado nos EUA, embora ele tenha arrecadado mais de US$350 milhões no mundo.

CONCLUSÃO...
No geral, com certeza é a melhor adaptação de quadrinhos de 2011, e pode ser encaixada facilmente entre as melhores adaptações juntamente com as duas primeiras realizadas da série X-Men. Como disse anterioremente, é X-Men retornando à sua forma.

sábado, 2 de julho de 2011

O MELHOR PERSONAGEM MAIS DESVALORIZADO AINDA CONTINUA SENDO O MAIS DESVALORIZADO...

★★★★
Título: Lanterna Verde (Green Lantern)
Ano: 2011
Gênero: Ação, Ficção Científica
Classificação: 12 anos
Direção: Martin Campbell
Elenco: Ryan Reynolds, Blake Lively, Peter Sarsgaard, Mark Strong, Tim Robbins, Angela Bassett
País: Estados Unidos
Duração: 114 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Um piloto de testes ganha de uma raça alienígena um anel com poderes, assim como também o caracteriza como membro de uma esquadrão intergaláctica que tem como objetivo manter a paz no universo.

O QUE TENHO A DIZER...
Sinceramente não sei muito sobre o Lanterna Verde mais do que era mostrado nos desenhos animados da Liga da Justiça. Fãs tem considerado o filme uma adaptação aceitável e que se espelha bastante aos primeiros anos do personagem nos quadrinhos. Mas para mim a sensação é de que algo está faltando, e há diversas razões para isso.
Sendo um filme dirigido por Martin Campbell, o mesmo de excelentes filmes de ação como 007 Contra Goldeneye (Goldeneye, 1995), A Máscara do Zorro (The Mask Of Zorro, 1998), Limite Vertical (Vertical Limit, 2000) e Cassino Royale (Casino Royale, 2006), sinceramente eu esperava algo menos óbvio, mais interessante, cheio de ações intensas, diálogos bem construídos e cenas melhores realizadas, já que os fãs do personagem dizem que Lanterna Verde é um dos melhores e mais desvalorizados personagens da DC Comics. O roteiro foi escrito por quatro pessoas, que já é um número pra lá de necessário para saber que as coisas não estavam boas o bastante, e que do mesmo jeito não ficaram boas no fim.

A intensa produção industrial de filmes baseados em histórias em quadrinhos está criando uma situação como o próprio vilão do filme para a própria industria cinematográfica. Quero dizer: está sendo destrutivo para ela mesma, devorando tudo o que está perto, adaptando tudo e qualquer coisa possível apenas para encher as contas bancárias, dando zero atenção à qualidade.

Quando a nova geração de adaptações de quadrinhos chegou aos cinemas no começo de 2000, os filmes eram ótimos porque haviam sido planejados há anos. Só que o maior medo de todos era: até onde ou quando isso iria? Era apenas uma questão de tempo até essas adaptações virarem algo comum e habitual. E agora esta intensa produção está finalmente mostrando sinais de cansaço. O tempo entre a roteirização e pré-produção, até seu lançamento, está cada vez mais curto, algo em torno de 6 a 8 meses, e não podemos ignorar o fato de que isso acaba refletindo a qualidade. X-Men: Primeira Classe (X-Men: First Class, 2011), por exemplo, estava sendo planejado há anos e se tornou a melhor adaptação de quadrinhos de 2011 até o momento.

Quando vão fazer um filme, os estúdios tentam atingir o maior número de pessoas possível, o que justifica que as histórias não sejam nem adultas o bastante e nem ingênuas demais. Ao mesmo tempo também não pode ser inteligente em demasia e nem estúpido o bastante. Tudo tem que estar NO MEIO. Às vezes funciona, mas às vezes não, como nesse filme. Há também o fato da indústria ter criado um padrão e uma fórmula de adaptar quadrinhos que não está funcionando mais, e isso está ficando preocupante, pois a atenção pela qualidade não está mais como era antes.

Depois de uma hora de filme nada acontece e o vilão Parallax está apenas há algumas horas antes de engolir toda a Terra. É então que você se dá conta de que Lanterna Verde ainda não sabe nada da vida e dos poderes, e ele terá apenas 30 minutos de filme para se transformar no melhor super-herói possível com apenas 2 minutos de treino, conquistar a garota, lutar contra o Homem Elefante e destruir um monstro espacial que nem mesmo o melhor dos Lanternas foi capaz de destruir, como também matou o rei dos Lanternas, chamado Abin Sur. Isso é absurdo! Nem mesmo no desenho animado o Lanterna Verde é tão onipotente.

A melhor parte do filme é quando Parallax diz que Hall (Ryan Reynolds) é nada sem o anel, porque é a pura verdade e essa vulnerabilidade do personagem é o que o coloca junto aos demais na categoria de "heróis que ficam covardes quando perdem os poderes". Dos atores, Peter Sasgard é o único que oferece o tom sério que falta em todo o filme, mas seu talento também é desperdiçado. Os demais oferecem atuações irritantes, como Ryan Reynolds, que mais parece um retardado que descobre que tem poderes do que um adulto irresponsável. Além disso, não há uma única cena que eu pudesse ficar estarrecido ou sem fôlego porque nem mesmo os efeitos especiais são bons o bastante, parecendo muito mais um trabalho corrido feito por um estagiário do que qualquer outra coisa. Talvez isso seja o resultado do curto período de pós-produção e a falta de tempo para testes, como comentei acima.

Isso tudo significa que o filme não é bom porque força no argumento e nos acontecimentos, e as coisas acontecem incrivelmente rápidas apenas nos últimos 20 minutos em um filme de quase duas horas de duração. É difícil aceitar isso. Tem também uma cena de 5 segundos sobre o Anel Amarelo que não tem conexão com coisa alguma, algo do tipo: "Oh, esquecemos de dar um argumento sobre o Anel Amarelo! Tudo bem, vamos colocar essa cena e tudo vai ficar bem e talvez resolvemos esse assunto no segunod filme. As pessoas nem vão notar!"

CONCLUSÃO...
Um filme chato e mal feito. Poderia ter sido excelente, mas nem mesmo 4 roteiristas foram suficientes para dar o tom. Os fãs podem aceitá-lo como uma adaptação fiel pelos elementos usados para definir o personagem e seus poderes, mas como um filme é uma das piores adaptações feitas nos últimos 10 anos, aparentando muito mais uma adptação meia-boca dos anos 90. No fim é apenas mais um caça-níqueis, um filme para satisfazer fãs dos quadrinhos que se entusiasmam fácil e para pessoas que se satisfazem com qualquer coisa, mas não para despertar o interesse daqueles que não conhecem os quadrinhos ou que buscam assistir um filme de ação de qualidade.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

UMA FÓRMULA FÁCIL QUE INSULTA MINHA INTELIGÊNCIA...

★★★
Título: Amor E Outras Drogas (Love And Other Drugs)
Ano: 2010
Gênero: Comédia, Romance
Classificação: 14 anos
Direção: Edward Zwick
Elenco: Jake Gyllenhaal, Anne Hatthaway, Oliver Platt, Hank Azaria
País: Estados Unidos
Duração: 112 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Uma jovem que sofre de Parkinson acaba conhecendo um representante de medicamentos, construindo com ele uma relação de sexo sem amor.

O QUE TENHO A DIZER...
Aqui vai uma receita de como fazer uma comédia romântica com um casal bastante chato. Só será preciso de alguns ingredientes:

01) A bunda de Jake Gyllenhaal;
02) Os peitos de Anne Hatthaway;
03) Muitas cenas de sexo para atrair espectadores masculinos que estão lá apenas por suas mulheres, porque homens são sexuais;
04) Muito drama para atrair as espectadoras femininas que, até aquele momento, não estavam interessadas nos peitos de Anne Hatthaway, porque mulheres são emocionais;
05) Uma discussão infame sobre amor, levando a lugar algum;
06) Uma doença bastante incomum, porque o câncer já é cliché, então... pegue a Doença de Parkinson que ocorre 99,9% das vezes na população idosa, mas que no filme pode ocorrer em 0,01% da população jovem porque é muito mais bonito uma atriz de 27 anos com Parkinson do que um velho Clint Eastwood de 81 anos;
07) Um gordo chato que posa de engraçado para (tentar) fazer o tempo de comédia funcionar;
08) Algumas desnecessárias guerras entre os sexos para discussões posteriores;
09) Alguma falta de racionalidade;
10) Personagens seguros como rochas que são capazes de machucarem uns aos outros o tempo todo mas que, no fundo, tem almas sensíveis;
11) Finalmente: o nascimento do amor, não interessa os obstáculos.

Pronto. Misture tudo e o sucesso é garantido.

CONCLUSÃO...
Um filme terrível usando a mesma fórmula terrível visando um terrível lucro.

sábado, 18 de junho de 2011

FILME DE AÇÃO DISFARÇADO EM UM CONCEITO INEXISTENTE...

★★★★★
Título: Sucker Punch - Mundo Surreal (Sucker Punch)
Ano: 2011
Gênero: Ação, Fantasia
Classificação: 14 anos
Direção: Zack Snyder
Elenco: Emily Browning, Abbie Cornish, Jena Malone, Vanessa Hudgens, Jamie Chung, Carla Gugino, Oscar Isaac, Jon Hamm
País: Estados Unidos, Canadá
Duração: 110 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Uma jovem é presa em uma instituição de cuidados mentais por seu padrasto abusivo. Para escapar da realidade ela mergulha em uma realidade alternativa, que também será responsável por auxiliá-la a escapar da prisão.

O QUE TENHO A DIZER...
Dirigido, escrito e produzido por Zack Snyder, o mesmo de 300 (2006) e Watchmen (2009), foi um dos maiores fracassos do cinema nos últimos anos frente a expectativa que o estúdio e a distribuidora tiveram ao promovê-lo como "o novo filme visualmente fantástico do mesmo diretor de 300". Os boatos e as expectativas surgiram com um ano de antecedência com a divulgação e o lançamento do trailer na ComicCon 2010, causando furor entre os que participavam do evento no dia e posteriormente na internet. O fato é que depois que o filme foi lançado, ninguém entendeu muito bem o enredo ou o motivo de tudo, e ele não tirou nada mais do que um suspiro de insatisfação da audiência. O filme foi um fiasco. Custou mais de US$80 milhões, e com muito custo conseguiu arrecadar suadamente um pouquinho mais que isso no mundo todo.

Filmes e imaginação andam lado a lado, logo, um filme sobre uma garota que usa a imaginação para escapar da realidade não é algo muito original e ao mesmo tempo é perigoso pelo fato de filmes serem naturalmente produtos da imaginação. Sucker Punch segue basicamente algumas das idéias de A Origem (Inception, 2010) na tentativa de misturar fantasia/realidade, mas ao contrário do filme de Christopher Nolan, este filme oferece um produto fantasioso muito mais eficiente porque consegue ser tão surreal quanto ele poderia. Mas ele deveria ter se mantido assim do começo ao fim, pois a tentativa de transformá-lo em um filme de ação diferenciado falha fortemente e estraga todo o produto que ele tenta valorizar durante suas quase duas horas de duração.

Snyder fez uma promoção massiva do filme dando explicações mirabolantes sobre uma coisa que no fim era nada mais que um filme cheio de sequência de ação espetaculares, visual deslumbrante e jovens representando diferentes fetiches para atrair a massa masculina. Todo esse imenso pacote decorado mesmo assim entedia e nos faz pensar sobre a razão de sua existência, e tudo não passa de uma elucubração banal do diretor.

Li muitas resenhas de pessoas leigas dizendo que para apreciá-lo é preciso entendê-lo. Não consegui compreender isso muito bem, porque pra mim foi exatamente o contrário, e eu só apreciei justamente porque não fiz questão de entendê-lo, pois há nada para entender. Não existe fundamentos questionáveis como Matrix (1999), ele é simplesmente um monte de nada para uma masturbação mental gratuita e sem sentido, um produto tipicamente pop. Por isso que a audiência não entendeu o filme, porque foi acreditando que dentro de todo esse surrealismo existia uma grande moral. A tentativa do diretor foi a ganância de fazer de Sucker Punch um filme cult e até mesmo uma nova referência do gênero na década, dando perspectivas profundas para um filme de ação que não tem nada sólido a oferecer.

Uma das outras coisas negativas é sobre as intenções sexuais incoerentes. Zack Snyder chegou a afirmar que depois de 300, um filme bastante sexista por ser formado apenas por um elenco masculino e sobre o poder masculino, ele queria fazer um filme que fosse o contrário, com um elenco e um tema que valorizasse o poder feminino. Se o filme pretende ser a respeito da independência e desse poder, por que reduzir as personagens em exemplos fetichistas? Se o filme é sobre as mulheres se libertarem da opressão masculina, por que fazer tudo para satisfazer basicamente o público masculino? A dura sequência inicial do filme mostra essa constante batalha das mulheres em cima dessas questões, mas posteriormente a isso as personagens continuam cada vez mais se transformando em meros produtos da cultura sexista e, em algumas partes, parecendo até misógeno.

A princípio pode parecer um filme impressionante e cheio de fundamentações subliminares, mas depois descobre-se que é apenas um produto obsoleto e o caminho fácil encontrado para um filme de ação aparentar ter conteúdo.

Sem dúvida impressiona pelas espetaculares cenas de ação, e Snyder já demonstrou ser um diretor competente. Os efeitos especiais e o conceito visual sem dúvida são um dos melhores desde Matrix, 300, dentre outros. Tecnicamente é um filme perfeito, e fãs de histórias em quadrinhos e video games ficarão encantados, mas o filme deve ser assistido e apreciado apenas por essas qualidades.

CONCLUSÃO...
Tinha tudo para ser um filme de ação perfeito, mas seu argumento em cima de razões vazias simplesmente resulta em um produto frustrante, fazendo do filme apenas uma coleção de vídeos musicais cheios de efeitos especiais. Apenas e unicamente isso.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

EU PREFIRO MEUS SONHOS...

★★★★★★
Título: A Origem (Inception)
Ano: 2010
Gênero: Ação, Ficção
Classificação: 14 anos
Direção: Christopher Nolan
Elenco: Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Lewitt, Ellen Page, Tom Hardy, Ken Watanabe, Cillian Murphy, Tom Berenger, Marion Cotillard, Pete Postlethwaite, Michael Caine
País: Estados Unidos, Reino Unido
Duração: 148 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Em um futuro não muito distante, a tecnologia passa a ser usada para invadir a mente das pessoas e controlá-las, habilidade de poucos espiões corporativos para investigar e roubar idéias do subconsciente das pessoas durante o sono profundo, quando a mente está mais vulnerável a ataques. Essa habilidade fez um desses espiões sofrer conseqüências graves com isso e até perder tudo aquilo que ele mais amou. Após uma condenação, ele tem a oportunidade de se redimir realizando um último trabalho, mas ao contrário de roubar uma idéia, ele terá de fazer o contrário, implantar uma.

O QUE TENHO A DIZER...
Todo ano eu pego um filme pra Cristo, principalmente quando são esses blockbusters ovacionados pela crítica e que arrecadam milhões e milhões em bilheteria, porque eles são responsáveis por fazer o que esse filme diz muito bem: implantar uma idéia. São esses filmes que plantam aquela sementinha da tendência das próximas temporadas. O que de novo terá nesses filmes? A narrativa, histórias, efeitos inovadores, mais ou menos explosões... o quê? Alguns chegam a não ser originais, inovam uma idéia.

A Origem pode ser o filme mais bem sucedido de 2010, mas não para mim. Não questiono a qualidade do filme como um gênero de ação, mas como um filme de ficção que, depois de Matrix, este aqui parece muito mais ilógico exatamente pelo fato de tentar ser realista e extremamente coeso e coerente, o que nunca cabe em uma fantasia, principalmente quando ela trata diretamente da imaginação. O que quero dizer com isso é que o diretor e roteirista Christopher Nolan tenta tratar do assunto como uma realidade possível, dando tantas explicações sobre os fatos mas com fundamentos que ele tirou mais da sua cabeça do que de qualquer outro lugar. Ele mesmo declarou que a idéia de A Origem surgiu de filmes como O 13º Andar (The 13th Floor, 1999) e Cidade das Sombras (Dark City, 1998), além do já citado Matrix. Ele é tão inspirado por eles que algumas referências são muito claras, principalmente do já clássico dos irmãos Wachowski, como: os botões vermelho e azul (assim como as pílulas vermelha e azul), o arquiteto sendo a figura mestre, o grupo em que cada um tem uma habilidade específica, a idéia (significando o vírus), os soldados dos sonhos (como os anti-virus), o totem (como o telefone), entre outros...

Isso tudo, fora outros acontecimentos, deixa claro que é apenas mais uma cópia modificada, o que faz desse filme, para mim, uma grande farsa.

Quem presta atenção nos sonhos ou está familiarizado com o básico desse processo natural do (in)consciente do ser humano sabe que o filme está correto em alguns pontos, mas algumas outras características sólidas e fundamentais falham no processo de reprodução disso. Os sonhos possuem, sim, diferentes níveis de consciência, como o filme orienta. Quando estamos em um sonho lúcido, somos capazes de controlá-lo e direcionar eventos e acontecimentos, e isso vai depender da habilidade e do controle de cada um. É por isso que somos capazes de ter um sonho lúcido e, mesmo se acordarmos, conseguir voltar para ele até mesmo de onde paramos se quisermos.

No sonho inconsciente você é incapaz de controlar, assim como você é incapaz de lembar detalhes, apenas fragmentos. É por isso que geralmente acordamos quando morremos ou caímos, porque nos sonhos inconscientes somos incapazes de nos "defender", e nosso cérebro entende a situação como emergencial e de fuga, havendo liberação de adrenalina e todas aquelas substâncias malucas que a gente produz em situações de perigo.

O mundo do sonho inconsciente, onde a maior parte do filme se passa e tenta reproduzir já que os personagens estão em um estado de pré-coma (estado em que não temos consciência), é muito mais confuso e caótico do que parece. Poderia ter sido muito mais explorado se não tivesse sido dada tanta atenção às sequências de ação. A única parte do filme que realmente se parece com um sonho caótico é quando o trem atravessa uma avenida. Naquele momento eu pensei que as coisas passariam a ser visualmente interessantes, mas não foi.

Dando mais atenção a ação do que para a ciência, os personagens possuem uma mala mágica que conecta várias pessoas no sonho de alguém sem fundamento algum. Em Matrix existe aquela máquina gigante que é conectada no cérebro para transferí-los a um mundo imaginário previamente construído por uma máquina, fazendo com que duas ou mais pessoas dividam o mesmo ambiente virtual. Isso faz Matrix ser muito mais aceitável na explicação do que A Origem, pois cientistas acreditam que dividir um mesmo sonho seja possível já que o cérebro é movido por impulsos elétricos. Logo, se tivermos uma placa mestre capaz de unificar e decodificar esses impulsos, isso seria possível. Mas em A Origem o que realmente os conecta? Apenas um poderoso sedativo? Eles são super-heróis ou o quê? Não existe uma base científica, mesmo que posteriormente fosse transformada para o bem da ficção.

Enquanto Matrix trata de um mundo gerado eletronicamente, em A Origem eles tratam de sonhos que possuem cidades, pessoas, telefones celulares que funcionam, explosivos, batidas de carro, pessoas morrendo e sangrando e tudo mais... mas nunca há o poder da imaginação. Trabalhar com o tema da implantação de uma idéia, de como fazê-la ser uma semente que cresça na mente e se transforme em algo real, é muito interessante, e as barreiras para impedir isso poderiam ter sido qualquer coisa além de um monte de soldados armados atirando e explodindo o que tivesse pela frente. Poderia ter sido um dinossauro, um escudo invisível, um Pokemon, ou até mesmo a avó de calcinha. Estamos falando de SONHOS e da IMAGINAÇÃO, e não da Guerra do Golfo. Há uma seqüencia do filme em que eles precisam estar em determinado lugar em um tempo determinadíssimo e que os personagens acreditam que não terão tempo para isso. Oras, estamos falando de sonhos, e no sonho, se eu quiser estar em qualquer lugar AGORA, eu vou sem precisar lutar com todo mundo antes.

É inegável que seja uma idéia refeita, a mesma coisa que Avatar é para Pochahontas. Mas este filme não me acrescentou nada novo ou incrivelmente interessante que eu não tenha visto anteriormente. Filmes com temáticas semelhantes sobre o poder da imaginação como Dublê de Anjo (The Fall, 2006), Mácara de Espelho (Mirror:Mask, 2005), ou até mesmo A Cela (The Cell, 2002), que não tem uma história tão boa, mas possui seqüências surrealistas que conseguem dar uma idéia mais fiel sobre como são os sonhos inconscientes, conseguem ter muito mais sucesso nessa tentativa do que A Origem, o que é uma vergonha, já que são filmes de orçamento muito menores e nem por isso deixam de ser visualmente muito mais deslumbrantes. Tudo que este filme poderia ter sido, mas não é.

A mídia considerou o filme como um dos melhores de 2010 e um dos melhores do gênero de todos os tempos, e isso sinceramente insulta minha inteligência porque não há nada novo, e o que poderia ser novo é tão absurdo que vejo como é fácil enganar o público mais leigo. Mas a indústria necessita produzir dinheiro de algo tempos em tempos, e acharam em A Origem uma grante máquina de dinheiro.

CONCLUSÃO...
Tecnicamente é fantástico e um excelente filme de ação, mas como ficção científica é uma enganação. Muita coisa para nada, ou, talvez, muita coisa para, no fim, o filme explicar que é extremamente difícil plantar uma idéia tanto quanto eu convencer você de que o filme não é tão bom quanto parece.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

COMO ACEITAR ALGUÉM COM TODOS SEUS DEFEITOS E BAGAGENS...

★★★★★★★★★☆
Título: 2 Dias Em Paris (2 Days In Paris)
Ano: 2007
Gênero: Comédia, Romance
Classificação: 14 anos
Direção: Julie Delpy
Elenco: Julie Delpy, Adam Goldberg, Albert Delpy, Marie Pillet, alexia Landeau, Alexandre Nahon
País: França, Alemanha
Duração: 96 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Marion (Julie Delpy) e Jack (Adam Goldberg) moram em Nova York e estão juntos há dois anos. Marion é francesa, e Jack é americano. Ambos vão para a França passar dois dias em Paris para que ela possa visitar e rever seus familiares e amigos e para que Jack aproveite não apenas a viagem, mas para também conhecê-los e revisitar passados de Marion que ela não esperava encontrar.

O QUE TENHO A DIZER...
O que dizer sobre Julie Delpy? Depois de assistir Antes do Amanhecer (Before Sunrise, 1995) e Antes do Pôr do Sol (Before Sunset, 2004), ambos de Richard Linklater, resolvi ir atrás de outros filmes estrelados por ela. O talento é inegável. Ela não somente é atriz, como também é diretora, escritora, produtora e compositora, e no caso desse filme, além de ter feito tudo isso, também encontrou tempo para editá-lo.

Para quem já assistiu os dois filmes de Linklater, encontrará em 2 Dias Em Paris muitas semelhanças, já que eles são a grande fonte de inspiração de Julie Delpy, mas se achar que é a mesma coisa, estará enganado. Se achar que passará 96 minutos apenas ouvindo diálogos, está certo, mas se achar que ficará entediado, está enganado. Se achar que é uma história de amor, está certo, só que se achar que é uma história comum, está enganado.

Mesmo sendo uma comédia romântica, ele é surpreendente o tempo todo, sendo leve e engraçado sem perder o tom realista e sincero. Os diálogos irônicos são excelentes e constantes do início ao fim, com momentos realmente hilários e inteligentes sem ser cliché. Também é um filme bastante pessoal, já que aparenta incluir várias experiências pessoais de Julie Delpy. Inclusive, os atores que fazem seus pais no filme são seus pais na vida real, o ator e diretor de teatro Alber Delpy e a atriz Marie Pillet (falecida recentemente).

O maior atrativo do filme são as reflexões desenvolvidas pela personagem principal sobre a comunicação deficiente, a falta de compreensão e a dificuldade de casais aceitarem os defeitos e as experiências passadas uns dos outros, sem ser taxativo, piegas ou dramático. O humor negro de Jack e o humor auto-depreciativo e neurótico de Marion resultam em diálogos rápidos, sutis e complexos na abordagem das relações modernas e como as pessoas mudam conforme as circunstâncias. Ao mesmo tempo também há espaço para a dificuldade de comunicação e compreensão entre Jack e os familiares e amigos franceses de Marion, se tornando um avesso ao habitué de comédias românticas que transformam Paris no cenário do amor, e a obsessão dos personagens por suas diferenças é tão grande que o encanto da cidade é perdido, virando um campo de batalha e em uma personagem viva, tal qual Viena foi para os filmes de Richard Linklater, mas por uma perspectiva mais analítica e nada romãntica.

A seqüência final é uma das mais bonitas, sinceras e honestas entre os filmes do gênero, e resumem o filme em uma análise moderna e direta de Marion sobre a construção, a manutenção e o fim de um relacionamento, bem como a possibilidade de um recomeço e os fatores que fazem isso valer a pena. Uma lição de moral certeira e uma reflexão construtiva que deve ser levada em consideração por todos aqueles que ainda não sabem, ou acreditam saber, o que é uma relação.

CONCLUSÃO...
Recomendo para aqueles que gostam do gênero, mas estão cansados de assistir a mesma coisa. Uma comédia romântica que oferece muito mais do que pode ser esperado e que consegue atingir um nível reflexivo como poucas outras conseguem.

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