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terça-feira, 12 de dezembro de 2017

DA GÊNESIS AO APOCALIPSE...

★★★★★★★★☆
Título: Mãe! (Mother!)
Ano: 2017
Gênero: Suspense, Drama
Classificação: 14 anos
Direção: Darren Aronofsky
Elenco: Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris, Michelle Pfeiffer, Kristen Wiig
País: Estados Unidos
Duração: 121min.

SOBRE O QUE É O FILME?
O relacionamento de um casal é posto à prova quando um grupo de estranhos os visitam, atrapalhando a vida tranquila que tinham.

O QUE TENHO A DIZER...
Quando Deus criou a Terra, ele deu a Natureza o poder do ciclo perpétuo da vida, e deste ciclo a criação de outras vidas. Mas não era o bastante, e à sua imagem e semelhança, colocou na Terra um homem, chamado Adão para ter alguém que pudesse amá-lo e adorá-lo. Para tirar a solidão de seu filho, dele foi retirada uma costela, e dela Eva foi feita. Ambos podiam usufruir de tudo aquilo que a Natureza poderia oferecer, só não podiam cometer o pecado original. O pecado original retirou de seus filhos a atenção e devoção, e dele nasceram Caim e Abel. A inveja levou o mais novo a matar o irmão mais velho, e assim os pecados foram perpetuados por seus descendentes, geração após geração, que juntos aos sete pecados capitais e a quebra dos 10 mandamentos, gerariam o caos, a guerra e à destruição. Deus não é perfeito, pois sua imagem e semelhança cometeu erros, mas em suas mãos existe o poder para destruir e reconstruir de novo, e para isso ele precisa apenas da materia prima mais pura da Mãe de todas as mães, aquilo que ela sempre ofereceu, mas ele nunca aceitou por ter ficado cego pelas belezas que criou.

E dessa mesma forma, mas contado de uma maneira muito mais peculiar, é que a história do casal interpretado por Javier Bardem e Jennifer Lawrence começa em sua bela casa de campo, afastados de qualquer civilização.

Sim, a base de todo o filme é o resumo dos livros Genesis e Apocalipse, da criação e da destruição. Dizer isso não é um spoiller, mas um favor para a melhor compreensão do filme e dos impactos que ele gera ao longo de suas duas horas. Mas falar sobre a história propriamente dita e suas mais obvias referências, é fazer sentido até aí, porque depois disso o filme é ribanceira abaixo para uma enxurrada de associações, metáforas e alegorias de outras metáforas e alegorias, já que não só da Bíblia que tudo se baseia. Como dito, o filme apenas utiliza o livro religioso como as principais bases da história, mas é possível identificar outras, como a da casa viva, que se torna o reflexo de quem vive nela. E assim como em A Guerra dos Roses (The War Of The Roses, 1989), no qual o cenário se desfalece conforme a relação entre o casal protagonista chega ao ápice da auto-destruição, o mesmo é de ser esperado no filme de Darren Aronofsky, mas com muito mais informações e parenteses até isso acontecer.

Não era de se esperar algo diferente do diretor, o qual também assina o roteiro e a produção, tal qual fez com seus filmes anteriores, e igualmente perturbadores, Requiem Para Um Sonho (2000) e Cisne Negro (2010), além dos questionamentos religiosos e espirituais que ele faz em Noé (2014), algo que ele volta a explorar aqui, mas de maneira muito mais crua e chocante.

Dessa vez o diretor viaja fundo nas entranhas da humanidade, nas suas crenças e descrenças, da sua forma mais simbólica até a mais folclórica. Se em Requiem ele divagou sobre os prazeres pessoais e até que ponto os diferentes personagens estavam dispostos a ir pelos seus sonhos e vontades, e em Cisne ele pegou praticamente a mesma premissa, mas condensou o processo obsessivo na protagonista, aqui ele também volta a dialogar sobre vontades, obsessões e ambições, mas de uma forma tão abrangente e espalhada que é difícil não pensar em mil coisas ao mesmo tempo.

De uma esposa dedicada até a incontrolável ira de uma mãe, da misoginia ao abuso e a violência física. O filme de Arenosfky é perturbador no seu inexplicável trajeto final. Um misto de sensações que extrai e nos joga na cara as piores naturezas humanas. Por situações muito rápidas, Arenofsky tenta até ser didático ao seu espectador com as referências que usa, como quando o personagem de Ed Harris está no banheiro e Lawrence enxerga uma ferida em sua costela, ou quando a própria Lawrence diz próximo ao fim do filme que precisa organizar a bagunça deixada pelo Apocalipse. Apenas dois exemplos de vários espalhados por toda a trajetória do casal.

Essa é a intenção do diretor desde o princípio, tanto que a polêmica criada em torno do filme surgiu justamente pelas pessoas não terem conseguido entender quais eram as alegorias, e aqueles que entenderam consideram o filme uma heresia, uma deturpação religiosa sem fim, dentre outros absurdos.

Mas Mãe! não é apenas de religião ou espiritualidade, mas a consequência de tudo isso e de toda a relação humana, sendo, acima de qualquer coisa, uma ode (ou um novo requiem) ao inconveniente: das heranças culturais machistas; da imposição social; da opressão sexual; da intrusão; do desrespeito; da desvalorização humana; das ilusões sociais; da impotência; da inferiorização; da cultura vazia; da idolatração; da deturpação de valores; do definhamento humano; da exploração; do abuso; da ignorância e incompreensão; do medo, do caos, do pânico e da discriminação; do colapso; da segregação; da re-ascensão conservadora; da intolerância; da violência gratuita e sem propósito; do surto coletivo; do comportamento de rebanho; da perda da fé, da identidade e da esperança, etc... etc...

Das doenças sociais que nos afetam, transformam nosso meio e nos fazem ser o que somos. A imagem e o resultado nu e cru do fim que nós mesmos construímos.

É como o poema transformador do personagem de Javier Bardem, responsável por abrir os olhos daqueles que o leem, assim como os cegos que voltaram a enxergar em Ensaio Sobre A Cegueira, de José Saramago. É a Caixa de Pandora da Mitologia Grega aberta, liberando todos os males e, junto, indo embora a única coisa que não poderia jamais ter saído.

É óbvio que a viagem de Aronofsky é muito mais lisérgica. Segundo ele, é um filme psicológico-delirante, construído para não ter uma lógica óbvia, e quanto mais se tenta encontrar respostas ou significados para ele, mais questionamentos ele cria, numa onda sem fim. É um daqueles típicos filmes que favorecem a masturbação mental, mas que de uma forma intrigante desenvolve questões humanas profundas e de problemas tão atuais e viscerais que chega a ser indigesto. 

Da criação ao apocalipse, da origem ao fim, e do fim ao recomeço. É assim que Mãe! é. Um filme que nem agrada e nem desagrada, e terá uma interpretação diferente para cada pessoa dentro de suas referências principais. Por isso eh um filme desconfortável, polêmico e controverso. Todo o exagero do ser está lá, e a reação exagerada do público quando ele foi lançado, como aconteceu com as vaias em Cannes, apenas faz toda a ficção delirante do longa ser um mero reflexo da nossa mais estúpida realidade.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

ARTIGO DEFINIDO FEMININO PLURAL...

★★★★★★☆☆☆☆
Título: Caça-Fantasmas (Ghostbusters)
Ano: 2016
Gênero: Comédia, Ação
Classificação: 10 anos
Direção: Paul Feig
Elenco: Kristen Wiig, Melissa McCarthy, Kate McKinnon, Leslie Jones
País: Estados Unidos
Duração: 123 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Após uma ameaça sobrenatural, duas pesquisadoras do tema se unem a mais duas mulheres para tentar evitar uma grande gatastrofe.

O QUE TENHO A DIZER...
Desde o segundo filme da série, de 1989, o que mais se falou foi da concepção de um terceiro. Os fãs sempre cobraram Dan Aykroyd (ator/criador/roteirista) e os demais para retomarem a franquia, e a "culpa" de quase 15 anos de atraso foi de Bill Murray, que sempre foi bastante crítico a respeito dos roteiros que recebia e achava que nunca eram bons o suficiente para superarem o segundo filme. Embora não pareça, é algo bastante comum. Foi o que aconteceu com Indiana Jones, que demorou 19 anos para ter o tão esperado quarto filme que hoje é considerado um dos piores da franquia. Portanto, às vezes, o que é bom não deve ser mexido, mesmo que a nostalgia fale mais alto. São para isso que filmes são feitos, para marcarem uma época e serem revisitados quando essa saudade bater. Pensando nisso, talvez Murray não estivesse errado, e nem Aykroyd, que não queria que a franquia fosse simplesmente explorada, por isso que nunca aceitou substituir o papel de Murray, e por isso que o projeto com o elenco original nunca saiu do papel.

Por conta disso, depois de vários problemas de produção, recusa de roteiro e diretores que entravam e saiam, o projeto finalmente foi parar nas mãos de Paul Feig, em 2014. Feig é um diretor/produtor/roteirista de comédias em Hollywood, conhecido por sempre escalar mulheres como protagonistas de seus filmes/seriados. Foi depois do estrondoso sucesso de Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids, 2013) que ele foi alçado para o primeiro escalão de diretores de Hollywood, e obviamente que a noticia que ele deu quando abocanhou Ghostbusters foi em dizer que o filme não seria uma continuação, e muito menos um remake, mas um projeto totalmente novo e cujo grupo de heróis seria agora feminino.

A princípio todos ficaram interessados, alguns fãs reclamaram aqui e alí, mas no geral a comoção havia sido positiva. Esperava-se um grande sucesso, tanto de público quanto de crítica. Mas não foi bem isso que aconteceu.

O filme foi lançado logo após alguns movimentos de reinvidicação de direitos em Hollywood ganharem força, dentre os quais incluem os movimentos feministas e igualitários, que reinvidicam melhores papéis e equidade nos salários com os homens. Devido à proporção que essas manifestações tomaram, a produção foi apedreijada em seu lançamento pois foi vista como uma "provocação" tanto pelo público conservador, quanto pela crítica conservadora, e o filme foi taxado de produção feminista, que incita o ódio aos homens, e coisas do tipo. Os fãs disseram que o novo filme "estragou" a franquia, e as opiniões foram de mal a pior, principalmente daqueles que não conseguem enxergar que Hollywood sempre foi machista, sexista e preconceituosa, e essas opiniões apenas refletem essa cultura absorvida de que mulheres não podem ser protagonistas, não podem ser heroínas de um filme, não podem ter uma franquia própria, devem ser submissas aos homens a todo o tempo e não podem substituí-los em um remake ou algo do tipo.

O papo chauvinista tomou proporções gigantescas, e o filme gerou uma polêmica desnecessária e negativa, que apenas aumentou o ódio contra as mulheres, ao invés de neutralizar o assunto, ou simplesmente trazer um sopro de novidade, que é o que o filme faz.

O interessante é que ele realmente é uma produção nova e que tem apenas o enredo reaproveitado. Não é uma refilmagem cena-a-cena, como Gus Van Sant fez em Psicose (1998). Não é um remake desnecessário de algum cult do passado, como Footloose (2011). O material aqui é completamente novo, para início de uma nova franquia.

Sim, participações especiais de alguns dos atores originais acontece, bem como referências diretas aos filmes originais também, mas tudo faz parte do processo, homenagens que são necessárias como políticas de boa vizinhança.

O fato é que o filme realmente é uma versão bastante feminina, mas nem por isso seja um filme apenas para elas. No geral, é um filme atual, mas com uma incrível sensação que se tinha nos filmes 80tistas de que aquela absurdez era aceitável, além de poder ser vista por qualquer faixa etária, divertindo todos à sua própria forma. O que Feig faz com o material é bastante interessante. Os diálogos não são ofensivos; as personagens são caricatas sem serem ridículas (bem... boa parte delas); os diálogos parecem improvisados, bem no estilo dos filmes anteriores do diretor; e os efeitos especiais, embora se destaquem (no sentido de artificialidade), são propositalmente lúdicos e engraçados. Não há violência banal, não há uma truculência masculina dominante. Tudo é muito neutro e divertido até mesmo quando o roteiro pisa em alguns buracos, como nunca mais dar atenção ao apresentador do museu.

Há algumas piadinhas feministas diretas e indiretas, mas que estão anos luz de serem tão ofensivas como as piadas machistas que habitualmente somos obrigados a engolir de outros filmes. Talvez a mais importante delas seja o papel de Chris Hemsworth, como o secretário Kevin. Loiro, alto, bonito, sensual, forte e burro, aquilo que seria uma mulher caso seu papel fosse feminino. É uma resposta inteligente ao sexismo existente, sutil e bem usado, bem como todas as protagonistas o tratarem simplesmente como um objeto de desejo, tal qual os homens fariam caso seus papéis fossem masculinos.

Seria incômodo se fosse verdade. E é exatamente por isso que, nesses momentos pontuais, o filme realmente incomoda àqueles que tem problemas com gêneros.

A história segue exatamente o mesmo caminho da história original, de cientistas que acreditam em entidades sobrenaturais e que tem dificuldade para provarem isso publicamente até que um cataclisma ameace todos.

Particularmente esperava um filme fraco, com piadas infames. Elas existem, bem como as piadas clichés, ou como diz a personagem em uma das cenas finais: piadas clássicas que sempre funcionam. Mas funcionam por causa das atrizes. Kristen Wiig e Melissa McCarthy tem uma química surpreendente, e mesmo que ambas repitam aqui quase os mesmos tipos que fizeram em Missão Madrinha de Casamento, elas juntas sempre funcionam. O bom é que McCarthy conseguiu deixar sua personagem durona sem masculinizá-la, como costuma fazer, e Leslie Jones complementa o grupo muito bem quando sua personagem finalmente engata na história, um tipo mandona e matrona, mas que surge entre elas no susto, sem um motivo muito bem definido, consequências do roteiro um pouco esburacado. Infelizmente o mesmo não pode ser dito de Kate McKinnon, que parece deslocada na personagem Holtzmann, sem graça e à parte, que a todo momento tenta conquistar no exagero, forçando caretas e expressões que não apenas colocam-na como uma aloprada inútil, como também as demais parecem não dar a mínima para o que ela faz. E o mesmo faz os espectadores. Poderiam ter escalado outra atriz, alguém que fosse mais naturalmente cômica.

No geral, o que se pode dizer é que Feig é um diretor feminino, no sentido de que ele realmente sabe lidar com as mulheres, abstrair o ambiente que as oprimem, dar uma leveza imponente e situações cômicas sem ser apelativo. Ele realmente consegue empoderá-las. Ainda é um homem por trás das mulheres, mas o que o diferencia dos outros é a maneira feminina como ele pensa e as dirige, e a grande discussão de gênero em Hollywood no momento, em sua essência, é sobre isso.

Por algumas vezes a impressão que se tem é que o filme se arrasta. Poderiam ter utilizado técnicas de passagem de tempo para acelerar a introdução, seja para encurtar a longa duração, ou para ter dado mais espaço aos momentos de ação ao invés de jogá-los todos para o final. Diverte mesmo assim, e a baxíssima pontuação do filme nos websites especializados são dos odiadores que irão sempre odiar. Como disse Melissa, este filme não estraga os filmes anteriores, como muita gente ofensivamente manifestou nas redes sociais. Os filmes originais estão lá, e são apenas os machistas e sexistas que querem opinar sobre isso.

E infelizmente é assim que o filme foi promovido, tanto que o título em português sequer traz o artigo definido feminino no plural para definir que AS caça-fantasmas são mulheres.

Sim, a resposta ao filme é conclusivamente mais machista do que qualquer intenção feminista que o filme pudesse ter.

CONCLUSÃO...
Embora massacrado pela crítica e por machistas de plantão, não apenas é muito melhor do que a mídia promoveu como também poderia ser uma excelente nova oportunidade para o início de uma nova franquia. Também é uma grande homenagem aos filmes originais, principalmente na parte estética e participações, que inclui a do Boneco de Marshmellow. Engraçado e nostálgico, mas que tropeçou no meio do caminho por uma inútil discussão de gênero, mas que ganhou relevância, nos mostrando que há muito caminho a ser percorrido para que essa dominância masculina seja enfraquecida.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

AMIGOS COM SEXO...

★★★
Título: Solteiros Com Filhos (Friends With Kids)
Ano: 2011
Gênero: Comédia, Drama
Classificação: 14 anos
Direção: Jennifer Westfeld
Elenco: Jennifer Westfeldt, Adam Scott, Kristen Wiig, Jon Hamm, Maya Rudolph e Chris O'Dowd, Megan Fox
País: Estados Unidos
Duração: 107 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre um casal de amigos que resolvem ter um filho, mas sem as obrigações conjugais que estragariam suas relações.

O QUE TENHO A DIZER...
Está virando regra que todo filme que tenha "FRIENDS WITH" no título original seja ruim. Hollywood ainda insiste nessa idéia de criar a comédia romântica e misturar relações e sentimentos em cima de melhores amigos, quando na realidade a gente sabe que as coisas são diferentes.

Há um determinado ponto no filme em que os dois melhores amigos resolvem fazer o filho, se beijam, e ela diz: "É como beijar um irmão". Pois é, a sensação é realmente essa, agora imagine fazer sexo com seu melhor amigo quando há outras formas conceptivas sem a necessidade do método arcaico e ultrajante para os dois, mas que precisava existir, senão o filme não seria uma comédia, e muito menos romântica.

Escrito, dirigido, produzido e atuado por Jennifer Westfeldt, que vem de uma geração de comediantes da mesma de Kristen Wiig - que atuou e escreveu o engraçado Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids, 2011). Aliás, boa parte dos atores principais de Missão também estão neste filme, como: Maya Rudolph, Jon Hamm, Chris O'Dowd, além da própria Kristen Wiig.

Há conversinhas sobre casais, filhos, sexo no casamento, sexo fora do casamento, quantidade de sexo antes e depois do casamento, formas de se fazer sexo, como chachoalhar uma criança quando ela chora, gente que sai de cena chorando, gente que sai da mesa jogando o guardanapo pra dar tom mais teatral e dramático, mais sexo, gente que volta pra mesa, sexo, intervalinho pra dizer que a comida estava ótima, crises de paixonite aguda, mais sexo... e assim vai.

Enfim, o tema central da história só firma mais a idéia de que um filho muitas vezes é uma decisão um tanto egoísta, como os personagens deixam evidente. A decisão foi tomada porque de certa forma houve uma pressão social ao verem todos os melhores amigos casados e com filhos, aí surgiu a decisão da mulher porque ela estava ficando velha e com a necessidade fisiológica aflorando e o homem acreditava que já estava na hora de deixar um legado. Não foi irresponsável, mas egoísta, como costuma ser.

Essa questão de amigos terem filhos é real, eu mesmo já tive essa discussões, mas o filme poderia ter sido melhor se tivesse tratado do assunto com mais verossimilhança e não numa tentativa forçada de ser um bate-papo sexual bem humorado sobre isso e, no fundo, levando a lugar algum.

Ele se perde em seqüências que não servem para nada, dando a falsa impressão de que o filme é mais longo do que seus 102 minutos cansativos e bocejantes. Nem mesmo as atuações ajudam muito com uma Jennifer Westfeldt com sua sempre cara de garota complacente e compreensiva, Adam Scott no clichê de garotão esperto e garanhão que sabe ser brincalhão com as crianças, Maya Rudolph nos seus ataques de histeria e Kristen Wiig se esforçando pra não soltar uma piada. Se por acaso tivesse sido um curta-metragem com os primeiros 15 minutos e os 10 minutos de discussão na mesa de Ano Novo, talvez teria sido melhor, pois o que estraga é justamente o tempo que se perde levando a nada.

Obviamente que o casal de amigo também se desgasta, e se apaixona e o filho faz nascer o amor, fazendo o filme terminar... em sexo.

CONCLUSÃO...
O filme é muito mais sobre amigos e sexo do que amigos e filhos. Ou seja, faça muito sexo, até mesmo com seu melhor amigo, que uma hora um filho aparece e, quem sabe, o amor também.

domingo, 14 de agosto de 2011

EXCELENTES INTERPRETAÇÕES...

★★★★★★★★
Título: Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids)
Ano: 2011
Gênero: Comédia
Classificação: 14 anos
Direção: Paul Feig
Elenco: Kristen Wiig, Maya Rudolph, Melissa McCarthy, Rose Byrne, Wendi McLendon-Covey, Ellie Kemper, Chris O'Dowd, Jon Hamm
País: Estados Unidos
Duração: 125 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Uma mulher que não vem passando pelos melhores dias de sua vida é pega de surpresa e convidada pela sua amiga de infância a ser uma das Madrinhas de Casamento. O grande problema é que as demais Madrinhas ela desconhece e não tem intimidade alguma, o que acaba se tornando uma disputa de interesses e ciúmes para completar os seus dias de inferno.

O QUE TENHO A DIZER...
Missão Madrinha de Casamento foi uma das grandes surpresas de 2011 em comédia. Foi dirigido por Paul Feig, diretor com mais experiência em seriados como The Office e Nurse Jackie. O filme é produzido por Judd Apatow, famoso por comédias similares e de grande sucesso como O Virgem de 40 Anos (The 40 Year Old Virgin, 2005) e Ligeiramente Grávidos (Knocked Up, 2007) - e que vai ter uma continuação esse ano. O filme foi escrito e produzido por Kristen Wiig e Annie Mumolo. Kristen, que também é a atriz principal do filme, está ficando famosa nos cinemas agora, mas já era bem conhecida na TV como humorista e comediante por já estar há 7 anos frente ao Saturday Night Live. Foi muito bem recebido pela crítica e pelo público e chegou até a concorrer ao Oscar por Melhor Atriz Coadjuvante (para Melissa McCArthy) e Melhor Roteiro Original.

O filme é exatamente aquilo que parece ser: engraçado, leve e interessante, com personagens de personalidades bem definidas e que usam uma história simples para mostrar suas relações e crises pessoais. Tudo acontece em volta da personagem principal que é uma mulher vivendo os piores momentos de sua vida antes (e durante) o casamento de sua melhor amiga.

Ele tem sido comparado a outro filme que envolve grupo de amigos, o Se Beber Não Case (The Hangover, 2009/2011), o que não é justo porque este aqui pode parecer um filme de garotas (chickflick, como chamam lá fora), mas não é justamente por ter qualidades que filmes desse gênero costumam ignorar. Se Beber Não Case é uma celebração masculina sem qualquer outro interesse além de fazer as pessoas rirem e se divertirem com situações absurdas envolvendo a cultura às vezes machista e situações clichés de comédia usadas de maneira efetiva, ao contrário de Missão, que não chega a esses níveis absurdos.

A cultura feminina está no filme o tempo todo quando mostram todas as crises de casamento e a cultura de Madrinhas de Casamento, que é muito forte nos Estados Unidos. Mas isso é apenas um pano de fundo. Os dramas pessoais, as dificuldades de alcançar objetivos na vida, crises de relacionamento entre amores e amigos, o sentimento de que o mundo conspira contra suas vontades... tudo isso é universal e todos já passaram por isso ao menos uma vez na vida. O filme mostra isso de forma brilhante e em doses pequenas, sem parecer cafona devido ao bom uso da comédia para aliviar o que poderia ser melodramático e banal, caso o filme fosse um drama. Também não são momentos de graça fútil porque as interpretações desse grande elenco são fantásticas. As atrizes usam diálogos improvisados na maior parte do tempo, o que faz o filme correr naturalmente e sem pretenções ou intenções forçadas de ser engraçado, além disso não ser uma situação muito comum, mas que deu muito certo graças a insistência de Kristen Wiig para que as cenas fossem realizadas assim.

Kristen Wiig brilha e direciona o filme todo numa performance fantástica. Baseado ou não em experiências pessoais, ela veste a personagem perfeitamente. Rose Byrne (mais conhecida pelo seriado Damages) também tem momentos importantes e prova mais uma vez que está ficando melhor a cada novo trabalho. As outras atrizes coadjuvantes são bem colocadas na história, mesmo que algumas fiquem até um pouco subutilizadas, mas todas estão brilhantes de igual para igual e a interpretação de Melissa McCarthy, sem dúvidas, é de ficar impressionado ao mesmo tempo que é absurdamente engraçado, já que a atriz na vida real é completamente diferente da sua personagem masculinizada, rústica e briguenta.

CONCLUSÃO...
Previsível? Sim. Mas adorável do mesmo jeito. É impossível não ficar fascinado por personagens tão carismáticas dentro de momentos simples e naturalmente engraçados que nunca exigem mais do que boas e sinceras interpretações. É a prova de que é possível fazer uma comédia sobre e com mulherse sem parecer estúpido ou sexista.

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