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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

OS 31 MELHORES FILMES DE 2012 (ATÉ AGORA)...

Aqui vai a lista daqueles que considero os melhores de 2012, e olha que tem muito, mas são esses apenas que eu lembro. Não há uma ordem específica e essa numeração é só pra facilitar o serviço.

01. OS VINGADORES (THE AVENGERS)
Não que eu seja muito fã desse filme, pelo contrário, depois de tudo melhor absorvido, hoje até acho ele uma abundância de exageros. Mas tudo funciona, até mesmo pela sua construção que partiu de filmes individuais de cada um dos personagens para convergir em uma coisa só. Além de ter sido uma experiência de marketing histórica, também é um agrupamento de exageros que dão certo, principalmente de seu elenco e direção, numa química em cena que, junto com esse espetáculo de efeitos especiais, acaba sendo um deslumbre, como uma jóia caríssima e cafona.

02. BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE (THE DARK KNIGHT RISES)
Christopher Nolan conseguiu mudar os rumos do cinema de ação, mostrando que é possível fazer isso de forma realista e menos fantástica ao mesmo tempo que se explora uma idéia ou mensagem que fuja do banal. A última parte dessa trilogia fechou com chave de ouro e concluiu num encaixe perfeito uma história sobre um mundo corruptível e um personagem sombrio afogado em traumas que consumiram toda uma vida, além de "vilões" que tiveram oportunidade de também expressar o seu ponto de vista dentro de um mundo onde, na verdade, não existem mocinhos e nem bandidos, todo mundo pode ser qualquer um na sua determinada conveniência. Também é um dos raros momentos do cinema que temos uma trilogia de filmes que funcionam como uma história só, com começo, meio e fim, todos eles com suas qualidades particulares, nenhum deles ruim, e todos em total coerência um com o outro. E o melhor de tudo, mesmo se passando em um mundo fantástico e fictício, o pé da realidade é a engrenagem principal de toda essa máquina.

03. 007: OPERAÇÃO SKYFALL (SKYFALL)
Sem dúvida o melhor filme da série até o momento e um grande filme para comemorar os 50 anos do personagem de Ian Fleming. Uma junção de todos os elementos positivos que fazem um filme ser bom, além de uma história que fez James Bond se tornar mais humano e realista do que já vinha sendo nos dois últimos filmes. Também é recheado de inúmeras referências nostálgicas e um excelente recomeço de um personagem que apenas cresceu e melhorou com o tempo. Daniel Craig definitivamente se tornou James Bond, ao ponto dos anteriores se tornarem praticamente esquecíveis, e Javier Barden definitivamente se tornou um rival à altura mostrando mais uma vez que apenas um homem pode ser mais assustador que milhares juntos. Faz referências indiretas a outros filmes com heróis que se encontram na mesma situação vulnerável a erros físicos em um corpo que já não acompanha mais as demandas, como Ethan Hunt em Missão Impossível: Protocolo Fantasma, ou Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge. O próprio diretor Sam Mendes afirmou que este último foi uma forte inspiração. Definitivamente um filme de titãs, sem defeitos, sem exageros, tudo colocado, usado e mostrado na medida exata.

04. O LORAX: EM BUSCA DA TRÚFULA PERDIDA (THE LORAX)
Essa animação baseada no personagem de Dr. Seuss foi inesperada, além de ser bela e colorida, do jeito que o público infantil gosta, ela tem uma linguagem que não subestima esse público de forma alguma, trazendo uma mensagem bonita sobre a sustentabilidade sem soar panfletário e cafona.

05. LINCOLN
Que Steven Spielberg é a Meryl Streep dos diretores todo mundo já sabe. Querido pelos colegas e pelo público, tende a ter seus trabalhos sempre superestimados, mesmo quando ruins. Parece que ninguém tem coragem de criticá-lo, e Lincoln é o típico filme que ninguém mais poderia fazer além dele mesmo. Mas a verdade é que este filme é para Spielberg o que foi A Dama de Ferro para Meryl: o alcance da perfeição técnica. O diretor finalmente, dentro de seu estilo, conseguiu chegar no seu nirvana profissional, aquele ponto que dificilmente será superado, realizando com delicadeza um sonho que ele alimentou e desenvolveu por 15 anos.

06. ARGO
Quem diria que aquele moço bonito que ganhou o Oscar em 1998 de Melhor Roteiro Original por Gênio Indomável (Good Will Hunting, 1997) se tornaria um péssimo ator, ficaria brevemente casado com Jennifer Lopez, teria uma intimidade estuprada pela mídia por praticamente 3 anos consecutivos, se tornaria um diretor/roteirista renomado, além de, enfim, um novo e poderoso nome em Hollywood? Argo é a explicação.

07. AS AVENTURAS DE PI (LIFE OF PI)
É um filme baseado num livro controverso, mas independente disso, é mais uma obra prima delicada e visualmente deslumbrante que tinha que cair nas mãos de Ang Lee. Se tivesse sido desenvolvido por qualquer outro diretor, teria sido uma catástrofe. Somente um diretor como ele e com a experiência como a dele para saber unir mundos e culturas diferentes e traduzí-las em uma linguagem comum sem enaltecer um ou outro.

08. OS MISERÁVEIS (LES MISERABLES)
Ainda não assisti, e provavelmente demorarei bastante para fazer isso porque não tenho paciência com musicais. O filme tem feito bastante sucesso, o que é um fato bem curioso já que é um filme de época (o grande público parece estar tendo aversão a esses filmes ultimamente), é um musical (as pessoas já estão um pouco cansadas depois da overdose do gênero nos últimos anos) e é mais uma adaptação de uma obra que constantemente é adaptada, seja no teatro ou no cinema. Mas as críticas o tem favorecido por completo. Merecido, já que naturalmente é uma obra belíssima de Victor Hugo e uma adaptação aparentemente fiel (como a crítica vem afirmando) ao musical original de Claude-Michel Schönberg e Alain Boublil.

09. LOOPER - ASSASSINOS DO FUTURO (LOOPER)
Também não assisti esse filme sobre viagem no tempo e toda a bagunça que isso envolve, mas desde seu lançamento tem recebido críticas positivas em grande maioria e todo mundo que veio a assistir saiu satisfeito, principalmente a respeito da atuação de Joseph Gordon-Lewitt, que Hollywood anda desesperada para transformar em um grande astro, mas parece que o menino nunca decola do jeito que esperam. Segundo essa matéria, Érico Borgo diz que "o diretor Rian Johnson equilibrou muito bem todos os elementos que tinha à disposição, dando personalidade inesperada a um grande filme de gênero, que certamente se destaca das demais esquecíveis tentativas de ficção contemporânea. E o melhor: não é remake, nem continuação ou adaptação". Ou seja, ao menos uma vez no ano somos agraciados com uma boa ficção científica.

10. TED
Talvez a comédia mais politicamente incorreta de maior sucesso dos últimos anos que se assemelha muito a animações como Uma Família da Pesada (Family Guy). O querido ursinho Ted pegou muita gente desprevinido ao aparecer bebendo, fumando e falando borracha. Ele virou um ícone instantâneo e referência nas rodas de piada, um feito raro ultimamente e que, de certa forma, até relembra um pouco a cafonice legal que era o cinema nos anos 80.

11. PODER SEM LIMITES (CHRONICLES)
Filmes em primeira pessoa, reproduzindo incansavelmente aquela idéia de "filmagens perdidas", tentando a todo custo nos convencer de que aquilo é verdadeiro, se tornaram um pé no saco. Mas esse filme em particular, sobre três amigos que desenvolvem super poderes, mostrando o processo natural do surgimento de heróis e vilões numa dicotomia bastante convincente, é um dos meus favoritos do ano. Considero-o até melhor que Os Vingadores, por exemplo, justamente por unir fantasia e ação de forma simples, numa linguagem que, mesmo cansada, aparenta novidade, tornando-se um produto do gênero melhor do que muito blockbuster por aí. Isso prova mais uma vez que para um filme ser bom não precisa ser caro. Uma pena que pouca gente leva isso a sério.

12. DJANGO LIVRE (DJANGO)
Também não assisti ainda, mas já vem sendo classificado como um dos melhores do Tarantino (parece que todo novo filme do diretor isso acontece). Segundo o próprio diretor, juntamente com Bastardos Inglorios (Inglourious Basterds, 2009), este é o segundo filme de uma trilogia de "vingança histórica" que se finalizará com seu próximo filme, ainda sem título ou data definidos. Isso solidifica mais ainda a teoria de todos os filmes do diretor ocorrem dentro de um mesmo universo, como um quadrinho, havendo uma interconexão subliminar entre todos eles. Não é porque superestimamos, não, mas Tarantino realmente consegue dar um sopro de novidade numa cultura pop estagnada.

13. MOONRISE KINGDOM
Wes Anderson pode cometer erros, mas são belos erros. Seus filmes tem uma linguagem diferente que se aproxima muito do estilo de Tim Burton, mas ao mesmo tempo há uma originalidade mágica e particular de Anderson, que se difere por utilizar a fantasia, o excesso de cor e belezas exóticas para lidar naturalmente com as excentricidades humanas, colocando os personagens em situações sempre estranhas e cômicas, como uma coisa natural do dia a dia. Este filme é, talvez, a excelência de seu estilo, tanto como diretor, quanto como roteirista original.

14. AMOR (AMOUR)
Este filme francês que foge do melodrama cliché, não impede em momento algum as lágrimas de escorrerem, pois a vida é assim, construída de sentimentos, afeto e companheirismo, até um dia que tudo acaba. Esse conto sobre a vida e a morte é, dentro de sua simplicidade, ao mesmo tempo belo e triste, como o próprio título que carrega. Uma crônica triste e real do fim da vida, brilhantemente interpretado pela dupla de protagonistas Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva, e magnificamente conduzido pelo diretor Michael Heneke. Simples, lento e verdadeiro.

15. COSMOPOLIS
Só deus sabe o que se passa na cabeça de Cronemberg, é o que todo mundo repetidamente fala. Mas ultimamente tem sido ótimo apreciar as obras desse diretor excêntrico e controverso, já que agora ele aparenta mais coerente e menos bizarro do que era antigamente. Cosmópolis na verdade não é um filme para ser considerado bom ou ruim, mas para ser discutido, que lida com temas atuais como o abuso do poder, a concentração do dinheiro em classes favorecidas, o capitalismo canibal, o inevitável naufrágio do império americano e o crescente poder tecnológico. Tudo de maneira discreta e não panfletária. Também é o exemplo da genialidade do diretor que (propositalmente ou não) utiliza toda a arrogância e defeitos do péssimo ator Robert Pattinson para pintar a caricatura perfeita de um personagem bastante similar ao ator, ao ponto de poder-se imaginar que, enquanto Pattinson acredita estar atuando, Cronemberg o deixa a vontade para ser ele mesmo. Tudo isso a favor da arte. E o que a princípio parecia um grande erro, se tornou uma genial virtude.

16. LOLA VERSUS
Foi um filme bastante controverso. Muita gente não o compreendeu e a crítica negativa corre solta. Este conto de fadas às avessas retrata fielmente os piores dias que todo mundo algum dia já teve, e não importa se a personagem é egocêntrica demais, todos nós somos egocêntricos em maior ou menor grau, e todos nós já ficamos contra o mundo e contra todos, numa distimia típica de quem já teve os dias de Lola. Já bebemos muito e já saimos transando a torto e a direita na tentativa de esquecer um grande amor. E a verdade é que não há nada para se fazer, além de esperar o tempo cuidar de tudo. Vendo por esse ponto de vista, é assim que esse filme delicado e até bastante realista nos coloca cara a cara com nossos piores momentos.

17. MATADOR DE ALUGUEL (KILLER JOE)
Segunda parceria do diretor William Friedkin e do roteirista Tracy Letts, filme o qual também é baseado em uma peça homônima do próprio roteirista. Esse filme sulista gótico mostra Matthew McConaughey em sua melhor fase e, de longe, no seu melhor papel de um anti-herói meticuloso e sádico. É um filme que deixou muita gente chocada por tanto sangue e violência, mas é disso que o sulismo gótico se trata, de situações absurdas e grotescas em um humor cruel que excede o sarcasmo e a ironia, numa brutalidade primitiva, absurda e espontânea por demais.

18. OS INFRATORES (LAWLESS)
É outro filme que deixou muita gente chocada pela sua violência, mas conta uma história da máfia norte-americana pouco conhecida numa época em que foi instituído a Lei Seca, e o comércio de bebidas alcólicas foi proibido em todo o país. Tudo isso baseado na história real dos irmãos Bondurant. O filme escorrega algumas vezes com a caricatura exagerada do ator Tom Hardy ou alguns deslizes irreparáveis no roteiro de Nick Cave, mesmo quando ele acerta estabelecendo os fatos históricos junto com a biografia dos três irmãos. Mas o elenco é o show à parte, com total destaque a Guy Pearce.

19. RUBY SPARKS - A NAMORADA PERFEITA (RUBY SPARKS)
Uma belíssima comédia romântica que não é original ao misturar realidade e fantasia, feita com exaustão no cinema e por Woody Allen, o mestre e precursor do estilo, mas é honesta e carismática, nos colocando para pensar que nunca estamos satisfeitos com aquilo que temos, por mais que seja como queremos.

20. OPERAÇÃO INVASÃO (THE RAID)
Na verdade é um filme de 2011, mas estreiou no Brasil em 2012. Foi muito comparado ao exagero brasileiro chamado Tropa de Elite, mas os dois nada tem a ver um com o outro além da violência gerada pelo confronto de mocinhos (a tropa) e bandidos (os traficantes). O diferencial aqui é a ação e a tensão existente e mantida do início ao fim, além das cenas de luta extremamente bem coreografadas e realistas. Nada de mocinho voando ou dando pirueta, é porrada de gente adulta de verdade. Violência explícita mesmo, tiro no rosto, facada no peito... sem vergonha alguma, além de uma trama de jogo de poder que convence.

21. FRANKENWEENIE
Animação em stop motion dirigida por Tim Burton, estilo de animação venerado pelo diretor e que é sempre feito com muito cuidado por ele. Na verdade é uma animação baseada em um filme dirigido por ele mesmo no início de carreira, lá em 1984. Óbvio que o grande atrativo é sempre a leveza e fantasia que o diretor lida com o gótico e o bizarro, mostrando o lado belo do que é estranho e diferente, e que nem sempre o que não é comum é assustador. Uma grande moral para uma sociedade preconceituosa, e um outro ponto de vista a uma alternativa para público o infantil.

22. O LADO BOM DA VIDA (SILVER LININGS PLAYBOOK)
A consagração de Bradley Cooper e Jennifer Lawrence como astros de Hollywood. Ainda não assisti e nem sei direito do que se trata, mas já é considerado um forte concorrente ao Oscar 2013, tem levado diversos prêmios e recebido uma nota média de 8 pontos tanto pela crítica especializada quanto do público. Pode não ser excelente, mas ruim também não vai ser.

23. HEADHUNTERS (HODEJEGERNE)
Este filme norueguês é de 2011, mas chegou pros lados de cá diretamente em home video apenas em 2012. É aquilo que eu falo, as maiores surpresas no cinema vem do lado de lá do Atlântico e o norte da Europa sempre surpreende com filmes como esse suspense/crime/policial com uma narrativa diferente da que costumamos ver em produções hollywoodianas do gênero. Não há perseguições mirabolantes, atiradores de elite, cenas de luta, explosões e nem um plano definido. Tudo é como um filme de ação deve ser, só que fugindo do óbvio e cliché. Há espaço até para as burrices dos personagens chegando  a ser engraçado em alguns momentos, pois as situações só parecem piorar a cada instante, dando outro elemento de interesse, suspense e surpresa para quem assiste e, sem dúvida, termina tirando uma deliciosa satisfação de que o tempo foi bem gasto.

24. AS VANTAGENS DE SER INVISÍVEL (THE PERKS OF BEING A WALLFLOWER)
Para quem ainda tem dúvidas de que um filme sobre a adolescência pode ser interessante e inteligente, este é um deles, além de ser bem atuado, dirigido e com um roteiro bem próximo do que é o livro (dizem), a trilha sonora é essencial.

25. THE MASTER
Não há como errar com Paul Thomas Anderson, que agora resolve discutir sobre uma das religiões mais controversas da atualidade, a Cientologia, ao basear a história do filme no seu fundador Ron Hubbard.

26. SETE PSICOPATAS E UM SHIH TZU (SEVEN PSYCHOPATHS)
Só pelo elenco se pode imaginar que não será um filme regular. E de fato não é. Dirigido por Martin McDonagh, o mesmo de Na Mira do Chefe (In Bruges, 2008), tem atualmente sido um dos favoritos no circuito não comercial. Enfim, não dá pra falar muito sobre ele, mas para quem gosta de uma boa história descontruída, suja e incorreta, esse filme não faz feio.

27. INDOMÁVEL SONHADORA (BEASTS OF THE SOUTHERN WILD)
Obrigatoriamente no Top 10 de 2012, esse drama do extremo sul dos Estados Unidos vaga entre a realidade e a fantasia em uma delicadeza ímpar. Tudo isso graças à excepcional direção/roteiro de Ben Zeitlin, juntamente com um elenco desconhecido e que inclui a estréia da atriz mirim Quvenzhané Wallis, que com apenas 6 anos (idade que tinha quando ocorreram as filmagens) consegue não apenas carregar todo o filme, mas dominar toda a audiência numa atuação memorável e tão grandiosa quanto a de qualquer outra atriz experiente. Um filme simples e naturalmente emocionante.

28. AS SESSÕES (THE SESSIONS)
Nesse filme tudo é válido pela química entre os atores e a relação pra lá de incomum que eles desenvolvem, um pequeno filme, mas uma grandiosa surpresa do ano.

29. A HORA MAIS ESCURA (ZERO DARK THIRTY)
Primeiro filme de Kathryn Bigelow depois de ter vencido em 2009 com seu outro drama de guerra Guerra ao Terror. Filme controverso, tem comprado uma briga direta com o governo dos Estados Unidos por ter revelado informações sigilosas e retratado ações que a CIA insiste em dizer que são inverídicas. Isso tem exigido a retratação pública dos envolvidos que provavelmente poderão ser interrogados e até mesmo julgados e presos. Tem gente que não gosta muito da diretora e acha que ela tem sido superestimada, ou um produto de James Cameron (já que ela é ex-mulher do diretor). O fato é que, pode ser difícil aceitar, mas ela é uma boa diretora, o Oscar recebido foi válido e se ela é um produto de Cameron, parabéns a ela que aprendeu muito bem e soube fazer as lições de casa certinho.

30. O AMANTE DA RAINHA (EN KONGELIG AFFæRE)
Este filme dinamarquês foi uma grande surpresa ao contar a história do rei Christian VII e do romance entre sua esposa com o físico Johann Friedrich Struensee.

31. FERRUGEM E OSSO (DE ROUILLE ET D'OS)
A performance de Marion Cotillard mais uma vez é o destaque deste filme francês que também conta com o ator belga Matthias Schoenaerts.

OS 26 PIORES FILMES DE 2012 (ATÉ AGORA)...

Aqui vai uma lista dos que considero os 25 piores filmes de 2012 (até agora). Podia ser 10 ou 20, mas é que não consigo me conter!

01. A SAGA CREPÚSCULO: AMANHECER - PARTE 2, O FINAL (THE TWILIGHT SAGA: BREAKING DOWN - PART 2)
Pra começar, não dá pra levar um filme com um título desses a sério, muito menos quando a protagonista definitivamente tem um problema com aquela boca que nunca fecha e um ator principal que acha que atuar é franzir a testa. A questão é que a crítica geral até elogiou (e de uma forma até um tanto irônica), dizendo que é uma das poucas séries que começam péssimas e ficam boas no final. Mas para você chegar nesse "bom final" você tem que passar por toda uma sofrível desgraça, e ninguém precisa disso.

02. O ESPETACULAR HOMEM ARANHA (THE AMAZING SPIDER MAN)
Ele pode até ter algumas pouca qualidades, mas todo mundo sabe que a razão desse filme existir é puramente por dinheiro. Transformar o nerd Peter Parker em um carinha maneiro, que trocou a máquina fotográfica pelo skate, os livros por pornografia na internet e os óculos por um penteado bacana, foi uma das maiores besteiras que a Marvel um dia ousou aprovar. Não tem como negar que o produto é definitivamente inferior aos filmes de Sam Raimi, além de ser um reboot deturpado para agradar apenas uma geração que pouco conhece o herói ou que não tenha qualquer interesse em conhecer.

03. BRANCA DE NEVE E O CAÇADOR (SNOW WHITE AND THE HUNTSMAN)
Eu até dei uma nota boa pra esse filme por uma questão de, digamos, pena da Charlize Theron, porque mesmo sendo coadjuvante, ela é quem carrega o filme nas costas naquilo que pode ser considerado a pior escolha de sua carreira desde quando começou a fazer sucesso. Kristen Stuart está lá, de boca aberta como sempre, e o diretor Rupert Sanders apenas copiou e colou tudo que Peter Jackson fez em O Senhor dos Anéis, só que fez tudo errado, e o resultado é um filme tão falsificado quanto um tênis Bamba do Paraguai.

04. FÚRIA DE TITÃS 2 (WRATH OF THE TITANS)
O que fazer quando um filme ruim faz sucesso mesmo assim? Você faz um filme pior ainda, bagunça a mitologia grega mais do que bagunçou no anterior e dança catira em cima do roteiro para resultar numa porcaria com atuações de causar vergonha até em teatro infantil. Parabéns!

05. BATTLESHIP - A BATALHA DE DOIS MUNDOS (BATTLESHIP)
Olha que grande idéia: pegar aquele jogo de mesa chamada Batalha Naval e fazer um filme sobre isso. Acho que não preciso dizer mais nada, além de ter Rihanna atuando.

06. O DITADOR (THE DICTATOR)
Sasha Baron Cohen não dá mais. Borat (2006) é louvável, Brüno (2009) foi grosseiro e estúpido, e O Ditador nada mais é do que um nada, já que agora Sasha precisa se manter em níveis aceitáveis para não perder aquilo que mais lhe rende: o público norte-americano.

07. FILHA DO MAL (THE DEVIL INSIDE)
Não tem papo! Qualquer filme que tenha exorcismo no título ou que trate desse tema, querendo ou não, VAI usar O Exorcista (The Exorcist, 1973) como referência, e será sempre nada além do que uma pobre tentativa de querer ser tão assustador quanto, e só isso já faz do filme um grande defeito. Nada mais a dizer.

08. OS TRÊS PATETAS (THE THREE STOOGES)
Nada mais patético que os irmãos Farrely e suas comédias banais, mais ainda quando se tenta resgatar três personagens que são ícones da comédia mundial e figuras irreprodutíveis e um filme que de uma grande homenagem se transformou numa grande vergonha.

09. RESIDENT EVIL 5 - RETRIBUIÇÃO (RESIDENT EVIL 5: RETRIBUTION)
Essa série é uma que não devia ter saído do primeiro filme. Além de ter deturpado toda a história original dos games, transformou tudo em um grande circo tecnológico com péssimas atuações, personagens mal construídos, história banal e uma direção que chega a ser tão boa quanto a de Michael Bay (e acreditem, isso não é um elogio para qualquer diretor que se preze). Tudo esse monte de coisa ruim para justificar algumas cenas de ação que muita gente sai do cinema achando legal. Paciência.

10. O QUE ESPERAR QUANDO VOCÊ ESTÁ ESPERANDO (WHAT TO EXPECT WHEN YOU'RE EXPECTING)
Comédia e bebês é sempre um erro. Bebês são fofinhos, mas eles não são atores! Aliás, eles não são nada mais do que parte de cenografia, e essa comédia boba e interminável sobre o trivial dia a dia de cinco casais que tiveram seus primeiros filhos me deixou bocejando. Tanto que demorei quatro dias para ver apenas a metade (porque eu dormia constantemente) e mesmo assim desisti de chegar ao fim. Coragem pra você que quiser assistir mesmo assim.

11. ESTE É MEU GAROTO (THAT'S MY BOY)
Adam Sandler, gente... Ele já está causando constrangimento alheio. Aposentem este homem, por deus!

12. A SOMBRA DO INIMIGO (ALEX CROSS)
É o terceiro livro de James Patterson envolvendo o detetive Alex Cross, os dois primeiros foram os sucessos Beijos Que Matam (1997) e Na Teia da Aranha (Along Came A Spider, 2001). Os livros dele já não são lá essas coisas, os filmes são bem clichés e cópias baratas de Se7en (1995). Sabendo de tudo isso eles bem que podiam ter feito algo melhorzinho dessa vez, não é? Mas não. Resolveram chamar Tyler Perry (quem?) para ser o protagonista de uma história tão mal construída e tão mal atuada que eu definitivamente prefiro cortar meus pulsos.

13. O DIÁRIO CHERNOBYL (CHERNOBYL)
Mais um filme com câmera balançando e jovens tendo as tripas puxadas pra fora por um bando de mutantes que vivem na cidade de Pripryat, onde aconteceu o histórico acidente nuclear de Chernobyl. Quer mais?

14. 2 DIAS EM NOVA YORK (2 DAYS IN NEW YORK)
Eu nunca imaginei que um dia colocaria Julie Delpy numa lista de piores, mas essa continuação de 2 Dias Em Paris (2 Days In Paris, 2007) virou um festival de neurose e gritaria que não consegue em nada ser inteligentemente engraçado o suficiente ou sarcasticamente romântico o bastante como o filme anterior, além de ter aquele insuportável do Chris Rock, o qual sempre me dá a impressão de que cospe enquanto fala. Ela estava completamente descontrolada quando teve essa idéia.

15. QUATRO AMIGAS E UM CASAMENTO (BACHELORETTE)
Um tentativa pobre e bastante frustrada de pegar carona nos sucessos de Se Beber Não Case (The Hangover, 2008) e Missão Madrinha de Casamento (2011), a diferença é que aqui você tem um bando de atrizes sem química alguma em cena, fazendo papel de amigas viciadas em pó. Mijei de rir só de ler, vejam só.

16. ARMADILHA (ATM)
O pior filme do ano, sem dúvida alguma. Recheado de péssimas atuações, de um roteiro sem pé nem cabeça, erros terríveis de continuidade, abstenção total da realidade e um serial killer que adora atacar suas vítimas em caixas eletrônicos e encher as cabines de água até morrerem afogadas (ahn?!).

17. DEUS DA CARNIFICINA (CARNAGE)
Baseado numa peça teatral, o filme se passa inteiramente dentro de um apartamento. Até aí tudo bem. É dirigido por Roman Polanski, tem quatro atores fenomenais, e você pensa: "Hmm, deve ser bom!". Mas não é. Jodie Foster começa a exagerar, Kate Winslet começa a perder o tom, e as duas começam a competir quem é que consegue ser mais caricata e ridícula possível em cima de um texto que já é exagerado por natureza. Ainda bem que o filme é curto.

18. 360
Não poderia ter tido um filme mais inútil que esse. Dirigido por Fernando Meirelles, tem muita gente aí elogiando porque é tiete, igual quem sai do cinema adorando Resident Evil. Mas a realidade é que é um péssimo filme, com um elenco enorme e bom, mas subaproveitado, além de mil histórias paralelas que no fim falam sempre da mesma coisa, quando no fim era preciso contar apenas duas diferentes e se aprofundar melhor em cada uma delas. O simples já é complicado, mas tem gente que gosta de complicar pra dizer que é cult. Dá até preguiça pensar nesse filme.

19. EXCISION
Eu até dei uma nota boa (5) para um filme estranho, esquisito, desconfortável, com uma personagem confusa e um roteiro sem qualquer objetividade. Me arrependo de tê-lo assistido, porque é um filme desagradável até de se lembrar.

20. BUTTER
Fizeram de tudo pra fazer desse filme algo que desse certo de algum jeito. Apresentaram ele ele tudo quanto foi festival de cinema nos Estados Unidos, mas mesmo assim ele só recebeu crítica negativa, não arrecadou nem US$1 milhão de bilheteria e deixou Jennifer Garner mais uma vez chatiada, porque ela não emplaca nada desde que saiu da televisão. Uma pena, tadinha. Eu gosto dela.

21. PROMETHEUS
Essa eu tive que copiar daqui, porque o resumo de todo o erro é excelente: Um dos filmes mais aguardados de 2012, o prólogo da série "Alien" foi a grande decepção daqueles que acreditavam que seria a grande volta de Ridley Scott à ficção científica. Com roteiro frouxo e cheio de furos, a aventura estrelada por Noomi Rapace e Michael Fassbender reúne talvez o time de cientistas mais estúpido da história do cinema em cenas de ação entediantes.

22. ROCK OF AGES - O FILME (ROCK OF AGES)
Constrangedor... Tom Cruise matando a vontade de rock, bebê.

23. 12 HORAS (12 HOURS)
Amanda Seyfried até parecia ser aquela atriz que só iria escolher coisas certas e construir uma carreira brilhante. Só digo uma coisa, ela precisa demitir seu agente, porque ele está acabando com sua carreira, como se ter feito a Chapuzinho Vermelho não bastasse. E o pior de tudo, essa porcaria é dirigida por um brasileiro, sabe? Ai, essas coisas me enterram de vergonha!

24. COMO AGARRAR MEU EX-NAMORADO (ONE FOR THE MONEY)
Eu não assisti, mas todo mundo fala mal. A voz do povo é a voz de deus.
 
25. À BEIRA DO ABISMO (MAN ON THE LEDGE)
Parecido, porém muito inferior ao filme A Tentação (The Ledge, 2011), esse aqui é daqueles de ficar com raiva depois que assiste e só engana quem é tonto. E olha que tem um monte de gente por aí que diz que é bom, hein...

26. A VIAGEM (CLOUD ATLAS)
Posso dizer a verdade? Esse filme é um saco. Um projeto ousado, ambicioso, extravagante e pretensioso dos diretores Tom Tykwer (do ótimo O Perfume e Corra, Lola, Corra), Andy e Lana Wachowski (da trilogia Matrix), que se transformou no maior desastre do ano depois de John Carter. Com um orçamento de mais de US$100 milhões, não arrecadou nem 1/4 desse valor. E aquilo que parecia ser uma viagem conceitual acabou virando uma piada por conta da grandiosidade da idéia promovida perto do inexpressivo retorno obtido. Tem um visual belíssimo, mas é inacreditável que três diretores renomados pudessem realizar um filme tão ruim, com uma história que envolve o passado, presente e futuro que é até bacana, mas não precisava de mil histórias paralelas ou o exagero futurista mostrado e muito menos (pasmem) CENTO E SETENTA E DOIS MINUTOS de duração. Mas pode ter certeza que muita gente vai dizer que é o melhor filme do ano, como muitos vem fazendo, mas isso são pessoas com senso crítico menos aflorado... é compreensível.

domingo, 6 de janeiro de 2013

JAMES BOND TAMBÉM ENVELHECE...

★★★★★★★★★
Título: 007: Operação Skyfall (Skyfall)
Ano: 2012
Gênero: Ação, Suspense
Classificação: 14 anos
Direção: Sam Mendes
Elenco: Daniel Craig, Javier Bardem, Judi Dench, Ralph Fiennes, Naomi Harris, Berenice Marlohe, Albert Finney
País: Reino Unido, Estados Unidos
Duração: 124 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
James Bond morreu e um importante arquivo listando o nome de todos os agentes secretos da MI6 está livre em algum lugar. A MI6 agora é o alvo, assim como M, e os agentes estão sendo mortos um a um até que alguém apareça para impedir.

O QUE TENHO A DIZER...
Este é o 23º filme da franquia, sendo o terceiro estrelando Daniel Craig no papel do agente secreto. 2012 foi também ano de aniversário, ano em que o personagem de Ian Fleming completa 50 anos de existência, e este filme não poderia ser melhor para comemorar isso.

Após o lançamento de Um Novo Dia Para Morrer (Die Another Day, 2002), os produtores Barbara Broccoli e Michael G. Wilson, donos da EON Productions, detentora dos direitos autorais e da marca, estavam descontentes com os rumos que as adaptações estavam tomando e com as constantes críticas negativas. Isso resultou numa mudança brusca envolvendo a quebra de contrato com o ator Pierce Brosnan (ele estava contratado para quatro filmes, mas realizou apenas três) e uma total reformulação de todo o mundo envolvendo James Bond.

Almejando um caráter mais humano e realista do personagem e um filme de ação mais tático e menos tecnológico, a série sofreu um reboot completo. O até então pouco conhecido ator Daniel Craig foi contratado, e para inaugurar essa nova geração de filmes resolveram pegar uma das primeiras adaptações como ponto de partida, e assim Casino Royale (2006) ressurgiu. A idéia de reformular a série deu tanto certo que o filme foi um estrondoso sucesso de crítica e público e Daniel Craig, que a princípio não parecia uma boa escolha por não ter nenhum traço de galã romântico como seus antecessores tinham, automaticamente se tornou um dos favoritos justamente por dar essa imagem mais sisuda e psicologicamente complexa do personagem, trocando os aparatos tecnológicos e armas pela força bruta, aparentando ser um espião menos experiente e mais vulnerável, que deixou de lado o smoking para suar a camisa. Não somente isso, Casino Royale também foi responsável por mostrar como James Bond se tornou o que é após a perda de Vesper Lynd, seu primeiro grande amor depois da insuperável morte de sua segunda e última esposa, Tereza Tracy. Vesper morre durante uma viagem a Veneza, por conta da organização Quantum, o que no filme também acaba sendo uma referência direta ao passado original de Bond, já que Tracy fora assassinada durante a lua de mel numa emboscada.

Empolgados com o sucesso, Quantum Of Solace (2008) foi lançado dois anos depois, sendo uma sequencia direta de Casino Royale, o que nunca aconteceu nos filmes de Bond, além de também não ser baseado em nenhuma das obras de Ian Fleming, mostrando um lado mais perturbado e sedento por vingança do personagem, se tornando um assassino frio e corruptível, tanto que ele perde sua licença para matar. O público não aceitou muito bem, pois não soube compreender e ligar um filme ao outro e todo o processo natural pelo qual James Bond passou para adotar uma postura mais sombria. Mesmo sendo bem sucedido, não fez tanto sucesso como o anterior e as críticas foram mistas, e mais uma vez os produtores resolveram repensar nos rumos que o espião teria nos filmes seguintes. Isso colocou novamente em dúvida se Daniel Craig seria substituído ou não, mas posteriormente isso mostrou ser apenas boato da mídia e em 2010 a pré-produção de Skyfall teve início. O lançamento então foi agendado para 2012 para coincidir com o 50º aniversário do personagem.

Os produtores afirmaram categoricamente que, embora ele tenha diversas referências de filmes anteriores para homenagear o meio século de vida de Bond, Skyfall é uma história independente e não é uma sequência das histórias desenvolvidas em Casino Royale e Quantum Of Solace. Eles afirmaram também que os filmes de Bond não serão mais sequenciais como na tentativa desenvolvida nos dois filmes anteriores, embora a possibilidade de Skyfall ser a primeira parte de uma trilogia não esteja descartada.

A história dessa vez envolve diretamente os erros humanos dentro da MI6, quando um hard drive da organização é roubado contendo uma lista com o nome e perfil de todos os agentes secretos infiltrados em organizações terroristas, colocando não apenas a vida de todos em risco, mas de todo o serviço secreto britânico naquilo considerado como o maior vazamento de segurança nacional já ocorrido. Durante a busca pela lista, a companheira de campo de Bond, Eve (e que posteriormente vem a ser uma grande surpresa), por pressões de M, erra o alvo e acerta Bond com um tiro letal. Com o tiro, o agente cai em um rio e desaparece, sendo tido como morto. Junto a isso, M sofre pressões políticas para se aposentar forçadamente, e os atentados contra a MI6 e seus agentes começa. Percebendo que todos se tornaram alvos, Bond ressurge para caçar e interromper uma sequencia de eventos desastrosos.

É claro que indiretamente podemos dizer que Skyfall é novamente um "novo reinício", e esse novo reboot de certa forma acaba coincidindo alguns fatos com demais outras franquias que passaram por isso, como o ocorrido em Batman, quando o Cavaleiro das Trevas ressurge após um longo período desaparecido, fora de forma e destreinado, ou Missão Impossível, quando Ethan Hunt agora trabalha com uma grande e nova equipe, além de ter que lidar com os problemas da idade.

Um dos grandes fatores positivos da série é essa articulação de se transformar e se adaptar aos novos tempos e audiências, e essa característica mais realista dada ao personagem foi fundamental para isso. Desde o primeiro filme com Daniel Craig, o espião agora não é mais um galã invencível, ele é um homem de carne e osso que se machuca, sangra e sofre com o avançar da idade. Dessa vez Bond está destreinado, fora de forma (nem tanto assim) e sem resistência, que agora erra alvos e precisa de ajuda para cumprir missões. Bond se aproximou bastante de Ethan Hunt em Missão Impossível: Protocolo Fantasma (MI: Ghost Protocol, 2011), um herói que agora, mais velho, perdeu certas habilidades e comete erros. Essa proximidade entre esses dois personagens e aquilo que suas franquias se transformaram é exatamente o que os filmes de ação estavam precisando para quebrar um pouco os clichês e suas ordens, além de brincar um pouco com a realidade, assim como quando mostraram que Bruce Wayne sofre de artrose nos joelhos.

Por conta disso, essa questão idade X capacidade vem sendo recorrente nos últimos filmes, como uma forma de ironizar os diferentes tempos. Mas nesse filme isso se tornou mais enfático e é citado o tempo todo, seja de forma direta, ou indireta em piadinhas internas que confrontam o antigo com o novo, já que agora James Bond finalmente envelheceu e não tem mais as habilidades e reflexos de outrora, além de também estar tendo que lidar com as mudanças do mundo moderno e as substituições de sua equipe por outros mais novos, já que todos envelheceram junto com ele. Isso tudo é sentido desde a trilha sonora de Thomans Newman, que introduz o eletrônico em um trabalho que sempre foi mais clássico e tradicional, até nas próprias atuações de Daniel Craig e Judi Dench, que vira e mexe lancetam aquele olhar já cansado, de que o corpo não mais aguenta tanta demanda.

A direção de Sam Mendes também é algo à parte, e digamos que perfeccionista. Sem dúvida um acréscimo tão importante quanto o de Martin Campbell e Marc Forster nos dois filmes anteriores. Quem conhece os demais filmes do diretor já está familiarizado com a maneira sucinta como ele gosta de trabalhar. Os diálogos sem muitos cortes, a ausência de cenas e situações desnecessárias, sendo direto e focado dentro de tomadas longas e planos sempre amplos, nada muito fechado ou limitado, mas também nada muito ousado ou moderno demais, tudo dentro do meio termo esperado e que é fluido e coerente com todo o resto em duas horas de filme que passa sem ser notado.

Outro grande diferencial na série e também uma excelente novidade é que o filme não se desenvolve inteiramente em cenas de ação ou perseguições elaboradas como nos anteriores, dessa vez tudo parece ser mais simples, mas muito mais tenso, que cresce em um suspense um tanto inédito numa franquia baseada inteiramente na ação. Isso também é graças ao desenvolvimento bem construído de todas as tramas paralelas que se desenvolvem, além de obviamente incluir Javier Barden como o vilão. Ele faz Silva, um ex-agente 00 que alimenta profundos rancores de M e suas determinações que quase custaram sua vida.

O cinema voltou a produzir grandes vilões. Depois do Coronel Hans Landa, de Christopher Waltz em Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, 2009), os vilões passaram a ter uma maior profundidade psicológica e perversa dividida em diversas camadas numa sexualidade discutível. Silva é um híbrido de gentileza e monstruosidade tal qual o personagem de Christopher Waltz, ou de Guy Pearce em Os Infratores (Lawless, 2012), mas mesmo sendo parecidos esses personagens se diferem pelos tons e maneirismos desenvolvidos com naturalidade pelos atores, sendo assustadores por serem convincentes. Não é à toa que Javier Barden está fortemente cogitado ao Oscar de Coadjuvante, pois o vilão que ele desenvolveu é tão assustador quanto o que ele criou em Onde Os Fracos Não Tem Vez (No Country For Old Man, 2007).

CONCLUSÃO...
Em termos de ação, ainda considero Casino Royale um grande filme, mas Skyfall se provou o melhor de toda a franquia por ser uma junção de excelentes fatores positivos e que crescem incansavelmente durante todo o filme. Definitivamente a nova safra de filmes do espião tem melhorado a cada novo episódio e embora seja um gênero de ação fictício, esses elementos mais realistas tem humanizado o personagem cada vez mais, o que tem deixado Bond não apenas mais carismático, mas algo mais próximo do verdadeiro.

sábado, 5 de janeiro de 2013

MAIS PRA MARGARINA QUE MANTEIGA...

★★★★
Título: Butter
Ano: 2011
Gênero: Comédia
Classificação: 14 anos
Direção: Jim Field Smith
Elenco: Jennifer Garner, Ty Burrell, Alicia Silverstone, Bob Corddry, Hugh Jackman, Yara Shahidi
País: Estados Unidos
Duração: 90 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Numa época em que as esculturas em manteiga não são mais tão populares numa pequena cidade do Iowa, a mulher de um famoso escultor vê sua vida virar de ponta cabeça quando descobre que seu marido foi pressionado a passar o posto dominado por ele há 15 anos para alguém novo e desconhecido na tentativa de rejuvenecer um tradicional concurso local. Sua ambição e obsessão aumentam principalmente quando ela descobre que seus dias como importante figura pública local estão ameaçados por uma garotinha de apenas onze anos.
O QUE TENHO A DIZER...
Assim como a personagem diz logo no começo do filme, pouca gente sabe, mas esculturas em manteiga é uma cultura particular bastante popular no estado de Iowa, nos Estados Unidos, sendo uma das poucas tradições interessantes desse país que realmente demandam um rígido controle do material artístico e técnica, coisas que pouco se vê nessa nação. Mas é claro que eles dão mais ênfase ao Super Bowl do que a essa pitoresca arte que movimenta milhões de pessoas, mas não tantos milhões de dólares como o futebol americano.
Butter começou a se disseminar pela mídia bem cedo. Em 2008 ele fez parte da famosa e anual lista de roteiros mais populares que não foram produzidos em Hollywood ao ponto de chamar a atenção da atriz Jennifer Garner, que o escolheu para ser o primeiro filme de sua produtora, a Vandalia Films, dando início à produção em 2010. Em 2011 o filme estava pronto, foi lançado no Festival de Telluride e incansavelmente recorrente nos demais festivais nacionais americanos na tentativa de encaixá-lo em algum lugar. Mas a recepção sempre amena fez seu lançamento comercial ser adiado por diversas vezes.
Jennifer Garner interpreta Laura Pickler, mulher ambiciosa do famoso escultor de manteiga, Bob Pickler (Ty Burrell, de Modern Family). O casal é o melhor exemplo da família americana que uma pequena cidade do Iowa poderia ter e ela não podia ser mais orgulhosa por isso. Bob domina esse estranho meio artístico há 15 anos, até que um dia ele se vê forçado a abandonar o posto para dar oportunidade a escultores mais novos e desconhecidos para que a imagem de um anual e já cansado concurso de esculturas da cidade seja renovada. Laura não consegue admitir a idéia, já que toda a sua vida e imagem foram construídas em cima disso. Obsessiva na idéia de manter o título, resolve se candidatar sozinha no concurso. Porém a certeza de ganhar se torna ameaçada quando uma garota de apenas 11 anos se revela como sua maior e principal rival.
Por conta de um tema incomum e uma trama absurda que envolveria a obsessão de uma mulher por algo bastante banal e os caminhos tortuosos que ela estaria disposta a passar para conseguir seus objetivos, o filme aparentava ser uma comédia inspirada, além de uma grande oportunidade de retorno para a atriz que, depois de ter saído de uma carreira de enorme sucesso na televisão com seriado Alias e colhido um modesto sucesso nos cinemas, passou a amargar seguidos fracassos em filmes tolos e personagens pouco carismáticos. Hollywood tentou encaixar a atriz em tudo quanto pode, desde tentar transformá-la em uma estrela de filmes de ação até fazer o público engolí-la a seco como uma nova Namoradinha da América, e no fim das contas não conseguiram enquadrá-la em lugar algum, deixando a atriz numa crise com personagens que raramente se encaixam em seu perfil.
A verdade é que o filme não é nada do que parecia. Nem mesmo seu grande elenco o salva de tragédias, que conta com a belíssima Olivia Wilde, o sempre galã Hugh Jackman (um tanto irreconhecível) e Alicia Silverstone numa atuação despretenciosa como há muito não se via e cheia de vontade de que o filme dê certo (o que me dá até pena, já que seu último sucesso nos cinemas foi ainda na década de 90). Ele perde o tom e diversas oportunidades de ser sarcástico ou carregado no mesmo humor negro e absurdo de Alexander Payne em Eleição (Election, 1999), filme o qual Butter até parece se inspirar no início, mas que posteriormente tanto o diretor quanto o roteiro desperdiçam toda e qualquer situação para isso.
Além disso, Jennifer Garner não aparenta estar a vontade. Para quem a conhece de trabalhos anteriores, ou até mesmo do seriado pelo qual ficou famosa, sabe que ela consegue atuar (como a delicadeza com que ela trata seu papel no filme Juno, de 2007) e até possui uma veia cômica para papéis que exijam isso (como no familiar De Repente 30, de 2004), mas o que lhe falta é direção para amenizar seus exageros e destacar suas qualidades que, volto a dizer, se perderam nessa bagunça em que a enfiaram na tentativa de a rotularem em um estilo.
Sem dúvida é um filme cuja incompetência tanto do roteiro quanto da direção o transformaram em algo desnecessário, com personagens apagados e alguns até mesmo inúteis, perdido entre um meio termo adulto/sarcástico e infantil/familiar que desempolga e até constrange, numa crise de identidade constante tal qual a atriz principal atualmente se encontra.
CONCLUSÃO...
Fraco e esquecível, tinha todas as ferramentas para ser um filme inesperado, recheado de humor negro e sarcasmo, mas que perde toda oportunidade ao tenta atingir todo tipo de público e não fim não acertar ninguém.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

L'AMOUR TOUJOURS L'AMOUR

★★★★★★★★★☆
Título: Amor (Amour)
Ano: 2012
Gênero: Drama
Classificação: 16 anos
Direção: Michael Haneke
Elenco: Emmanuelle Riva, Jean-Louis Trintignant, Isabelle Huppert
País: Áustria, França, Alemanha
Duração: 127 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Anne e Georges é um casal idoso feliz, que vivem do amor, companheirismo e cumplicidade, mas que agora terão de lidar com dificuldades que colocarão esta relação de longa data a prova.
O QUE TENHO A DIZER...
O filme é dirigido e escrito por Michael Haneke. Embora seja um diretor alemão bastante ativo, é ultimamente mais lembrado por seu penúltimo filme, A Fita Branca (The White Ribbon, 2009), filme pelo qual concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2010, além de ter vencido diversos outros importantes prêmios por todo o mundo.
Até agora o filme não apenas tem sido bem recepcionado pela crítica como também pelo público, e foi um dos destaques no festival de Cannes, ganhando a Palma de Ouro.
Conta a história de Georges (Jean-Louis Trintignant) e Anne (Emmanuelle Riva), um casal francês de idosos que foram importantes professores de música nos anos 80. Eles vivem uma vida comum e feliz, baseada no amor construído pelas afinidades e no companheirismo de longa data. Porém, numa manhã, Anne sofre um acidente vascular cerebral devido ao entupimento de uma artéria. Por conta disso ela perde os movimentos do lado direito do corpo e ambos vêem suas vidas e decisões mudarem radicalmente. Tentando ultrapassar e romper os obstáculos das novas dificuldades, Georges está disposto a ir até suas últimas consequências dos limites físicos e psicológicos para manter Anne não apenas o mais próximo possível, mas viva, assim como a necessidade e o amor de um pelo outro.
Amor é um filme que, dentro de sua simplicidade, é ao mesmo tempo belo e triste, como o próprio título que carrega. Ele já começa num clima de leve angústia, e dessa forma ele se mantém até o fim reproduzindo as tristes naturezas da vida. O plural é adequado, já que ele é um conto sobre o envelhecer e a morte na forma mais verdadeira possível, cheio de simbolismos discretos e verdadeiros sobre a natural necessidade do ser humano pelo amor e companheirismo e da dependência que desenvolvemos uns aos outros até a triste hora da morte.
De alguma forma o filme me lembra de Baleias de Agosto (The Whales Of August, 1989), com Bette Davis e Lillian Gish, que trata do envelhecer e da vida metódica de duas irmãs que chegaram ao fim de sua tragetória, e nada mais resta para elas do que aguardar o triste momento da partida no companheirismo uma da outra, por maiores que fossem as diferenças entre ambas.
Haneke desenvolve o filme de maneira bastante lenta e pausada, preso dentro de um espaço e tempo, conseguindo transpor efetivamente a realidade de personagens dentro de suas limitações da idade, da força de vontade de viver e manter os laços da cumplicidade. Eles tentam correr contra (ou a favor) de um relógio biológico que não espera, e que inevitavelmente irá parar em um inesperado momento.
Numa ironia da vida, os próprios atores são aquilo que vivem e suas atuações extrapolam o limite entre a pessoa e o personagem. Emmanuelle Riva tem sido ovacionada pela crítica por sua interpretação, tanto que sua vaga para as finalistas ao Oscar é praticamente garantida, e não por menos. Sua atuação ultrapassa o convincente, sendo um retrato fidedigno de pessoas que vivem situações semelhantes numa doença cujas sequelas são extremamente limitantes, tanto para quem sofre, como para quem cuida. Sem dúvida sua atuação viceral é emocionante e sensível em todos os momentos e aspectos, dando um nó na garganta de como o ser humano, sim, é frágil e vulnerável. O mesmo a ser dito sobre Jean-Louis Trintignant, que volta a atuar depois de um hiato de sete anos. Seu personagem é exatamente o que Anne diz em um determinado momento do filme, às vezes um monstro, porém gentil, e ele vaga nessa personalidade contraditória magistralmente. As dificuldades físicas do ator não é uma atuação, mas ele as utiliza como um complemento e uma extensão dos sofrimentos que seu personagem passa, o que torna a experiência muito mais triste e sincera (atenção para a cena entre Georges e o pombo, que demorou dois dias e foi filmada 12 vezes).
O filme é construído de forma até bastante teatral, em um cenário que nunca sai dos limites do apartamento onde os protagonistas vivem, mostrando o dia a dia e a lenta degradação pela qual a situação de ambos os leva, dando pouco enfoque a momentos nostálgicos, já que eles causariam mais sofrimento além do sofrimento pelo qual já estão vivendo. Isso também alivia o espectador de cargas dramáticas desnecessárias e do melodrama cliché, sendo delicado nas abordagens e verdadeiro sem ser apelativo.
Enfim, um retrato triste, porém real, de um destino inevitável que todos nós estamos fadados, em menor ou maior grau.
CONCLUSÃO...
Um dos poucos filmes que mostram de forma bastante explícita e fidedigna a vida como de fato é no fim de sua tragetória, além da necessidade que temos do companheirismo e da dificuldade de aceitar o fim inesperado e inevitável. Por um momento o filme tenta surpreender em uma situação um tanto desnecessária ao chegar no seu ápice, podendo quebrar um pouco toda a delicadeza construída, transformando uma situação comum em um ato desesperado, mas mesmo assim ainda mantendo seu lado simbólico relevante. Lento e sem pressa, para que toda a situação seja sentida e absorvida, para que a vida tenha tempo de ser revista e repensada.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A CORRIDA MALUCA DO OSCAR 2013...

Quando a temporada de verão dos Estados Unidos acaba, começa a de premiações. Os filmes que entrarão nesse seleto grupo são sempre bastante previsíveis porque premiações comerciais são assim. Todo ano filmes são escolhidos como favoritos sem uma razão muito específica. Geralmente são selecionados mais por qualidades que mantenham os padrões de exportação da ilusão hollywoodiana. Por isso que raramente entram na lista comédias mais sarcásticas, filmes independentes, chocantes ou politicamente incorretos, justamente para dar lugar àquilo que eles julgam como os mais perfeitos exemplos do que de melhor deve ser mostrado sobre a cultura norte-americana.
 
Esse ano houve algumas mudanças nas regras da Academia, uma delas é a data de divulgação dos indicados que foi novamente alterada (ela já havia sido em 2004), antecipando o anúncio para o começo de Janeiro. Isso acaba aumentando um pouco mais as expectativas de uma festa que não surpreende mais, já que os indicados serão apresentados antes da entrega (ou na mesma data) de outros prêmios também importantes como Critics Choice, Independent Spirit, BAFTAs, SAGs e Globo de Ouro.
 
Com a temporada de premiações 2013 oficialmente aberta, já é possível prever o que vai entrar ou não na corrida do Oscar por conta da previsibilidade não apenas da crítica, mas também pelas listas de outros prêmios, já que alguns dos filmes ainda estão inéditos para o público no Brasil. Como sempre, nada vai fugir da zona de conforto, sendo mais um ano fraco, chato e familiar.
 
MELHOR FILME
Numa época em que Estados Unidos passa por um período de descrença, esse ano a tendência é para os filmes com temáticas cheias de sonhos e esperança porque é isso que eles fazem em períodos como esse. Portanto, a chance é maior para filmes como: Indomável Sonhadora (Beasts Of The Southern Wild, 2012), A Vida de Pi (Life Of Pi, 2012), Moonrise Kingdom (2012) e Os Miseráveis (Les Miserables, 2012), além da tentativa de resgatar heróis do passado na falta de exemplos atuais, como Lincoln (2012).
 
Entram também alguns "cults" na intenção apenas de aumentar as perspectivas. O mais forte talvez seja a busca implacável por Bin Laden em A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty, 2012), já que a Academia também adora consagrar aquilo que enalteça a cultura local. A lista segue com The Master (2012) e Django Livre (Django, 2012), que poderão ser substituídos por algum outro título como a comédia romântica O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook, 2012) ou da persistência em promover o sucesso inesperado de Argo (2012).
 
Mesmo que a campanha seja grande para esses blockbusters, O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises, 2012), Os Vingadores (The Avengers, 2012) e o atual e elogiadíssimo 007: Operação Skyfall (Skyfall, 2012) poderão ficar de fora já que desde o absurdo de Titanic (1997) a Academia tem dado preferência aos mais consagrados pela crítica ao invés dos mais consagrados pelo público, como uma forma de "compensar" os títulos e promover os menos populares, já que é sabido que o interesse do público por títulos pouco conhecidos aumenta depois que entram na lista do Oscar.

MELHOR DIRETOR
Aposto que o trofeuzinho será disputado pelo trio principal:
 
1) Kathryn Bigelow (A Hora Mais Escura/Zero Dark Thirty), que volta ao tema de guerra e terrorismo que a colocou na história da Academia por ter sido a primeira mulher a receber o prêmio de Melhor Diretor em 2008 por Guerra Ao Terror (The Hurt Locker).

2) Ang Lee (A Vida de Pi/Life Of Pi), que depois de O Tigre e o Dragão (Crouching Tigger, Hidden Dragon, 2000) amargou com altos e baixos, mas é daqueles diretores que a Academia adora e sempre que possível vai colocar ele lá porque é o exemplo mais forte que liga a cultura ocidental e oriental da forma mais acessível possível, e o cara realmente merece.
 
3) Steven Spielberg (Lincoln) é a Meryl Streep dos diretores. Grande produções biográficas tem sempre sua vez, ainda mais quando é sobre um dos heróis patriotas mais influentes da cultura norte-americana dirigido por um grande nome. Pronto, fórmula da predileção feita.
 
Pode ser que uma surpresa aconteça com Ben Affleck (Argo), já que também adoram consagrar bons mocinhos que saibam fazer corretamente a lição de casa, como ele vem fazendo. Até porque faz tempo que Hollywood procura transformar algum jovem diretor em um grande ícone à sua imagem e semelhança.
 
Fora isso a lista pode ser completada por Tom Hooper (Os Miseráveis/Les Miserables), David Russel (O Lado Bom Da Vida/Silver Linings Playbook) ou Quentin Tarantino (Django Livre/Django), se ele tiver muita sorte.
 
Há possibilidades também para Wes Anderson (Moonrise Kingdom), que há muito já deveria ser figura carimbada na lista, ou Paul Thomas Anderson (The Master).
 
Não vai ter espaço para Christopher Nolan (O Cavaleiro das Trevas Ressurge/Dark Knight Rises), nem Sam Mendes (007: Operação Skyfall/Skyfall)  e muito menos para o sempre-independente Todd Solondz (Dark Horse), ou o meu preferido do ano, William Friedkin (Matador de Aluguel/Killer Joe), já que ele não se encaixa nos padrões de Hollywood.

MELHOR ATOR
Também com um triozinho matador liderado por Bradley Cooper, que agora oficialmente consagra sua ascenção como astro de Hollywood. O cara saiu de um seriado de televisão de sucesso (Alias, 2001-2006) para astro em Se Beber Não Case (The Hangover, 2009) e se arriscar como produtor no sucesso Sem Limites (Limitless, 2011) e O Lado Bom da Vida, filme pelo qual ele com certeza será indicado este ano. Só por ele já sair dessa zona de conforto, já é admirável.
 
Daniel Day-Lewis (Lincoln) e Joaquin Phoenix (The Master) vira e mexe aparecem na lista, mas nunca ganham. O primeiro por talvez já ter vencido duas vezes, e o segundo por talvez ser problemático, o que não preenche muito os requisitos dos bons moços. Mas por interpretar uma figura bastante popular e eles adorarem caracterizações e atuações sob boas maquiagens, Day-Lewis pode levar sua terceira estatátua pra casa assim.
 
Ainda podem entrar na lista, mas sem grandes chances de ganhar: John Hawkes (The Sessions), Hugh Jackman (Os Miseráveis/Les Miserables), Denzel Washington (Flight) e Matthew McConaughey (Matador de Aluguel/Killer Joe), o que seria muito merecido numa fase que está sendo, sem dúvidas, a melhor do ator.

Jean-Louis Trintignant não poderia ficar de fora por sua belíssima atuação em Amor (Amour), e tão grandiosa quanto de sua companheira de cena, Emmanuelle Riva, mas talvez fique. Torcemos que não.
 
Antes do filme ser lançado muita gente já cogitava Anthony Hopkins em Hitchcock, mas além da campanha do filme estar bastante fraca, Anthony costuma ter seus repentes de homem inglês e esnobar a Academia. Logo... é improvável.

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Confesso que sei pouco sobre eles, mas entre os mais cotados estão Alan Arkin (Argo), Philip Seymour Hoffman (The Master), Javier Bardem (007: Operação Skyfall), Tommy Lee Jones (Lincoln) e Robert De Niro (O Lado Bom da Vida).
 
Talvez há chances novamente para Chistopher Waltz na sua segunda parceria com Tarantino em Django Livre (lembrando que ele venceu em 2010 na mesma categoria por Bastardos Inglórios, primeira parceria dos dois),  Matthew McConaughey por Magic Mike e Bruce Willis (Moonrise Kingdom). Eu facilmente encaixaria Guy Pierce e seu personagem perverso em Os Infiltrados (Lawless, 2012), mas ele ficará de fora absolutamente, já que darão preferência a Javier Barden, e ambos personagens possuem características similares.

MELHOR ATRIZ
Não, esse ano não teremos Meryl Streep, muito embora ela concorra ao Globo de Ouro por Um Divã Para Dois (Hope Springs), mas estou certo de que esse ano ela não entre na lista, pois a disputa já está acirrada sem ela.
 
Esse ano foi o ano das revelações do ano passado, Jessica Chastain (A Hora Mais Escura) e Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida), por conta disso elas poderão disputar a tapas o prêmio já que a Academia adora favorecer atrizes jovens, bonitas, boas e que finalmente se destacam por algum papel inusitado, como a dar "boas vindas" ao sucesso e ao reconhecimento.
 
A garotinha Quvenzhané Wallis, de apenas 9 anos, tem grandes chances de entrar na lista por sua estréia em Indomável Sonhadora. Não é do feitio da Academia nomear e muito menos premiar crianças, mas pode ser que esse ano seja uma surpresa, já que definitivamente o papel desempenhado pela atriz mirim é equivalente ao de uma atriz adulta e experiente.
 
Dependendo do bom humor do juri, pode ter espaço para as francesas Marion Cotillard (Ferrugem e Osso) e Emanuele Riva (Amor). Helen Mirren pode e não pode entrar, já que a campanha do filme Hitchcock tem sido bem fraca.

Helen Hunt poderia entrar na lista por The Sessions, mas o juri provavelmente irá jogá-la para a categoria de Atriz Coadjuvante porque é isso que eles fazem quando querem dar algum prêmio de consolação.

Ainda há a possibilidade para Naomi Wats (O Impossível/Lo Imposible) e menos para Maggie Smith (O Quarteto/The Quartet) e Rachel Weisz (The Deep Blue Sea).

Gostei muito do desempenho de Zoe Kazan em A Namorada Perfeita (Ruby Sparks), mas foi um filme que chegou, passou e se foi sem ninguém perceber. Mas talvez a atriz consiga alguma indicação na categoria de Melhor Roteiro Original, já que o roteiro também é dela e o juri adora temáticas que misturam fantasia e realidade.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Amy Adams (The Master), Anne Hathaway (Os Miseráveis) e Helen Hunt (The Sessions) serão figuras um tanto obrigatórias.
 
Talvez Ann Dowd (Compliance) ou Maggie Smith (O Exótico Hotel Marigold/The Best Exotic Marigold Hotel) também entrem, e pouco provável que Nicole Kidman (The Paperboy) ou Lorraine Toussaint (Middle Of Nowhere) completem a lista.
 
Agora, se levarem em conta o histórico da atriz Sally Field, já que ela venceu duas vezes como Melhor Atriz nas únicas duas vezes que foi indicada, talvez ela leve uma terceira estatueta por Lincoln, o que acho bastante justo.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

ANIMAIS DO SELVAGEM EXTREMO SUL...

★★★★★★★★★☆
Título: Indomável Sonhadora (Beasts Of The Southern Wild)
Ano: 2012
Gênero: Drama
Classificação: 12 anos
Direção: Benh Zeitlin
Elenco: Quvenzhané Wallis, Dwight Henry, Gina Montana
País: Estados Unidos
Duração: 93 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Hushpuppy é uma garotinha de seis anos de idade que vive numa região pantaneira no sul de Louisiana chamada Bathtub, seu pai está bastante doente, ao mesmo tempo que a aldeia sofre com as ameaças de enchentes e a relocação dos habitantes para um abrigo.

O QUE TENHO A DIZER...
É filme de estréia de Benh Zeitlin, o qual também assina o roteiro juntamente com sua amiga pessoal, Lucy Alibar, autora da peça "Juicy And Delicious", obra na qual o filme foi baseado. É também o primeiro longa metragem da produtora Court 13, também do diretor, que tem como filosofia realizar grandes histórias sobre pequenos grupos, revivendo seus extremos ao invés de apenas contá-las, produzindo filmes de baixo orçamento dotados de grande sentimento e desafios, mas acima de tudo, feitos para o grande público.

Sem dúvida é um dos filmes mais poéticos, belos e sensíveis de 2012, além de ser uma grande surpresa, já que, nos Estados Unidos, dificilmente são produzidos filmes com essa estrutura narrativa diferente e qualidades à parte. Ou seja, não chega a ser ousado o bastante para ter aquele apelo alternativo, ou precário o suficiente das produções independentes (embora ele seja um), mas também não fica muito distante do emocionalismo Hollywoodiano, estacionando em um meio termo que sabe se apropriar de todas essas qualidades nos momentos exatos.

Indomável Sonhadora é um drama sulista e que mostra a realidade de uma cultura e de uma sociedade aberta e receptiva, porém bastante tradicionalista. Conta a história de Hushpuppy (Quvenzhané Wallis), uma criança de seis anos abandonada pela mãe e que vive com seu pai Wink (Dwight Henry) em uma pequena comunidade pantaneira no sul da Louisiana, esquecida e isolada do resto do mundo por conta das barragens ao redor do território. A aldeia é chamada de Bathtub (banheira), por conta das constantes ameaças de enchentes por chuvas ou, no futuro, pelo derretimento das calotas polares, como diz sua professora em uma das aulas. Mas uma tempestade se aproxima e a aldeia é inundada pela água do mar. Pessoas morreram e o sal está acabando com a mata, as árvores e os animais de fome. Wink decide fazer algo a respeito disso, e com o auxílio de amigos ele destrói uma parte da barragem com dinamites para que a água escoe da aldeia. Após esse incidente, os moradores são despejados do território e enviados a um abrigo. Enquanto isso a relação entre Hushpuppy e seu pai está em crise, já que ele está gravemente doente e esconde isso dela, que descobre por conta do seu próprio senso de observação, mas acredita na sua ingenuidade que essa doença seja por conta de um coração que ficou machucado quando sua mãe os abandonou, mulher que ele referia ser tão bela que quando passava conseguia colocar água em ebulição.

O filme começa com uma observação sensível da relação da personagem com os animais, e de como ela gosta de observá-los para saber o que pensam e como agem. Ela diz que o coração de todos batem igual, porém a linguagem desses órgãos é diferente, e que a única coisa em comum a todos é a fome e as demais necessidades básicas. Portanto, descobrindo isso ela acaba por descobrir a natureza de todo animal, além de sua própria realidade.

A história é narrada pelo ponto de vista da personagem principal, que intervém frequentemente na história com suas constantes observações do mundo que a rodeia, das lições aprendidas, ensinamentos adquiridos, anseios, frustrações e desejos. Claro que imagina-se como é possível uma garota de seis anos ser tão poética e coerente enquanto narradora, mas ingenuamente infantil e sensível enquanto personagem. Mas a narrativa funciona como uma tradução de tudo que é visto e absorvido por ela. Benh Zeitlin teve um cuidado bastante delicado ao utilizar duas linguagens de filmagem, fazendo com que todas as imagens mostradas representassem a visão subjetiva da personagem, ao mesmo tempo que ele soube direcionar diversas sequencias, bem como as atuações, de forma tão natural e local que o filme também soa como um documentário, facilitando a compreensão de como todas essas informações são processadas na cabeça da personagem e dentro de sua realidade infantil e fantástica.

Embora a aldeia no filme seja fictícia elas são referências a aldeias que realmente existem em um território chamado Terrebonne Parish e Montegut, também no sul de Luisiana, lugares onde as filmagens foram realizadas. E a tempestade é uma referência ao furação Katrina que atingiu os EUA em 2005 e matou mais de 1.800 pessoas. Portanto, embora o filme seja um drama fantasioso, ele é baseado em situações reais de uma pequena população que luta para manter suas tradições e raízes, e que por mais miserável que a vida possa ser, eles possuem liberdade e riquezas dentro de uma natureza selvagem que faz parte de suas vidas e culturas que não seriam encontradas em qualquer outro lugar, sendo como tirar um peixe da água.

Por isso que nesse selvagem extremo sul as pessoas devem agir de forma igualmente selvagem, pois só assim para sobreviverem a condições tão difíceis e ao mesmo tempo encontrar prazer e a imensa razão de manter a vida nessas condições. Isso é observado na forma pedagógica pouco convencional na qual o pai de Hushpuppy a condiciona, tanto que cada um vive em uma casa, para que ela aprenda a viver de forma independente o mais cedo possível. A brutalidade rústica com que ele ensina e mostra a realidade são para prepará-la para ter forças e condições suficientes para sobreviver, bem como conquistar os prazeres de tudo isso e se conectar diretamente com sua natureza.

Hushpuppy, em paralelo com os acontecimentos ao seu redor, vive em sua fantasia um crescente confronto com os Auroques, animais selvagens ancestrais do gado doméstico, difíceis de serem domados e que são apresentados pela professora como animais tão ferozes que conseguiam se alimentar de bebês e matar os homens das cavernas por eles serem pequenos e fracos. No momento em que a relação entre ela e seu pai começa a ficar conflituosa, em sua cabeça tudo está ruindo como as calotas polares, liberando os Auroques, numa metáfora ao amadurecimento precoce e a conquista de força e coragem pela qual terá que passar. Ela também descobre no decorrer de seu amadurecimento que os animais selvagens conseguem sentir o cheiro de corações fracos, dos quais eles se alimentam. Mas sua personagem se torna tão forte e grandiosa no decorrer do filme que uma das sequências finais, quando em sua imaginação ela fica frente a frente com um Auroque, toda essa condição poética que se desenvolve durante o filme se concluí numa cena belíssima e emocionante, intensificados por uma trilha sonora simples, inocente e motivadora, tal qual a personagem.

A atriz mirim estreante, Quvenzhané Wallis, que por sinal é uma moradora local de Montegut (bem como a maioria do elenco), é o destaque de todo o filme, não apenas pelo fato de ser a atriz principal, mas pela seriedade com que ela desempenha o papel com apenas cinco anos de idade, numa sensibilidade incomum e tão realista que é impossível não se sensibilizar.

Muito bem recebido pela crítica e pelo público, ele foi um dos grandes destaques em premiações como Cannes e Sundance. Tem se tornado um dos favoritos para a temporada de premiações 2013, que começou com as indicações ao Independent Spirit Awards, no qual o filme está concorrendo nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Fotografia e, obviamente, Melhor Atriz. Há uma grande campanha para que ele seja lembrado em premiações mais comerciais como Globo de Ouro e Oscar, e talvez seja bem sucedido, já que que o filme teve um orçamento de apenas US$1.8 milhões (fundos dos quais, segundo o diretor, foram de grande dificuldade conseguir) e uma estréia bastante limitada em Julho (apenas 4 cinemas), mas já arrecadou até o momento mais de US$11 milhões, além de estar emocionando muita gente.

CONCLUSÃO...
Muito poético e sensível, um dos grandes filmes independentes do ano. Emocionante e motivador através de uma cultura sulista norte-americana que não é vista com frequência. Atuações fantásticas, com destaque para a atriz mirim estreiante, além de roteiro e direção que souberam manter um realismo em um equilíbrio entre o ponto de vista observador e o ativo.

sábado, 1 de dezembro de 2012

A FÓRMULA BOURNE...

★★★★★★★
Título: O Legado Bourne (The Bourne Legacy)
Ano: 2012
Gênero: Ação
Classificação: 14 anos
Direção: Tony Gilroy
Elenco: Jeremy Renner, Rachel Weisz, Edward Norton, Donna Murphy, Stacy Keach
País: Estados Unidos
Duração: 135 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Jason Bourne ainda vive, mas enquanto isso o agente Aaron Cross descobre que é mais uma peça de uma trama conspiratória e ele também está na mira da queima de arquivo.

O QUE TENHO A DIZER...
Baseado nos livros do escritor norte-americando Robert Ludlun, a Trilogia Bourne foi um grande sucesso tanto de crítica quando de público. Após a morte de Ludlun, em 2001, o escritor Eric Van Lustbader conseguiu permissão para dar continuidade à vida do personagem, publicando mais sete livros entre 2004 e 2012.

O primeiro filme da série, A Identidade Bourne (The Bourne Identity, 2002) foi dirigido por Doug Liman e roteiro de Tony Gilroy. O filme estrelava Matt Damon no papel do agente secreto em busca da sua identidade e Franka Potente como sua companheira Mary. Foi uma das maiores surpresas daquele ano, arrecadando mais de US$210 milhões no mundo, o que foi o suficiente para o estúdio dar sinal verde para a segunda parte.

A Supremacia Bourne (The Bourne Supremacy, 2004) deu continuidade na tragetória do ex-agente. Doug Liman saiu da direção para a produção executiva, dando lugar para o competente Paul Greengrass, o qual foi responsável por intensificar a linguagem dinâmica do filme, dando uma identidade mais forte e expressiva que no filme anterior. Tony Gilroy assinou novamente o roteiro, e o filme arrecadou mais de US$280 milhões no mundo.

A terceira e última parte, O Ultimato Bourne (The Bourne Ultimatum, 2007) fechou a trilogia com chave de ouro. Paul Greengrass continuou na direção, Doug Liman se manteve como produtor executivo e Tony Gilroy foi auxiliado por Scott Z. Burns e George Nolfi no roteiro. A última parte é considerada por muitos como o melhor filme da série. Embora os dois primeiros tenham feito muito sucesso nos cinemas, eles posteriormente viraram febre nas video locadoras, o que levou a última parte a arrecadar mais de US$440 milhões no mundo.

Negar que a Trilogia Bourne é excepcional chega a ser leviano. Foi uma das raras ocasiões no cinema comercial Hollywoodiano em que a qualidade da produção é inquestionável, bem como uma série coesa, sólida e coerente que, ao contrário de muitas outras franquias, não foi apenas ação pela ação.

Os personagens e a trama se desenvolveram em fatos e sequências que superavam seus próprios limites numa sucessão crescente e em um dinamismo de tirar o fôlego graças a edição em total sintonia com o estilo de filme que se propunha. Sem dúvida alguma o trio Greengrass, Liman e Gilroy conseguiram fazer da trilogia um dos melhores filmes de ação do cinema atual. Dizer isso não é exagero, já que houve uma mudança radical na forma como os filmes de ação posteriores a eles passaram a ser produzidos. Ou seja, a trilogia se tornou uma referência sólida numa época em que o cinema comercial perece de qualidade e boas idéias.

Na tentativa de retomar a série graças a onda de reboots que dominaram a indústria nos últimos anos, Tony Gilroy resolveu continuar o legado. O questionamento a princípio foi: como dar continuidade a uma trilogia que superou seus próprios limites?

A idéia parecia tão absurda que, ao ser questionado sobre isso, o diretor Paul Greengrass até brincou dizendo que o título do quarto filme deveria ser "A REDUNDÂNCIA BOURNE".

A princípio Gilroy queria manter Matt Damon, já que o autor Eric Van Lustbader deu continuidade à saga do personagem após a morte de Ludlun, rendendo até agora mais 7 livros. Damon achou melhor não voltar para a franquia, e por sua atuação ter sido bastante elogiada e a resistência dos fãs a sua substituição, o roteirista resolveu expandir o universo Bourne e, embora o titulo se refira ao primeiro livro de Eric Van Lustbader, o filme nada tem a ver com ele. Ao contrário disso, ele conta uma história paralela aos eventos do último filme.

O personagem principal agora é Aaron Cross, um agente da Operação Outcome, programa secreto científico de defesa que está fazendo testes bioquímicos em seus agentes para aumentar suas capacidades físicas e mentais. Porém, durante seu treinamento no Alaska, vem a tona os escândalos envolvendo os programas Blackbriar e Treadstone, revelados por Jason Bourne na última parte da Trilogia. Juntamente a isso, um vídeo comprometedor envolvendo uma relação próxima entre os chefes de pesquisa do programa Treadstone e Outcome vaza na internet. Com medo das pesquisas do programa Outcome serem descobertas durante as investigações sobre a Tredstone, o coronel da CIA Eric Byer (Edward Norton) decide apagar todas as evidências, começando pela eliminação de todos os agentes em treinamento. Aaron sobrevive a várias tentativas de assassinato, e no interesse de sobreviver, ele descobre que entrou de gaiato nos fatos conspiratórios envolvendo Jason Bourne.

A nova trama apresentada no roteiro de Gilroy (que agora também assina a direção) foi uma guinada interessante, já que os três primeiros filmes naturalmente deram gancho para que isso pudesse acontecer, já que Jason Bourne não era o único agente que participou de um programa secreto, bem como a Treadstone também não era o único programa existente. Bourne não aparece em nenhum momento, mas o personagem é citado diversas vezes.

A história se amarra bem com os filmes anteriores. Ao mesmo tempo que é uma continuação, consegue realmente ser um filme novo, mas não diferente. Jeremy Renner é competente ao dar essa continuidade ao legado de Bourne, mas a posição do seu personagem na história não tem uma conexão muito bem fundamentada entre sua situação e os acontecimentos revelados por Jason, o que faz sua fuga constante parecer meio superficial. Como o roteiro apresenta uma nova história, o desenvolvimento é mais lento tal qual o primeiro filme, dando mais atenção aos fatos do que em sequencias de ação bem arquitetadas, pra dar profundidade nos fatos e justificar as razões de tudo.

Claro que algumas cenas típicas de Jason Bourne são repetidas aqui, como as perseguições e o jeitão truculento de fugir pulando muro, arrebentando portas e pulando de janelas, exigindo ao máximo dos atores num dinamismo constante e bem editado feito por Greengrass no segundo e terceiro filme, mas não de maneira igualmente mirabolante. O interessante é que Aaron também tem uma forma diferente de lutar. Enquanto Jason tem um semblante mais fechado e era mais adestrado na hora de improvisar armas de luta (como usar livros, revistas e o que tivesse por perto, numa técnica de luta que realmente existe, o que deixava algumas cenas até mais empolgantes e engraçadas), Aaron é de um semblante mais sereno, mas que bate no oponente pra cair, sem muitos rodeios.

Jeremy Renner pode não ser um galã como Matt Damon, mas é um bom ator, e mais, competente quando se trata de um personagem que utiliza todas suas capacidades físicas tanto quanto Damon fez.

Quem já assistiu seus outros filmes de ação, como sua pequena porém relevante participação em Os Vingadores (The Avengers, 2012), ou até mesmo em Missão Impossível: Protocolo Fantasma (Mission: Impossible - Ghost Protocol, 2011), sabe que ele está muito bem preparado pra encabeçar a franquia. Sem contar que já está prometido que sua participação em Os Vingadores 2 será maior, além de Tom Cruise estar bastante motivado em passar a franquia de Missão Impossível para o ator, que também terá uma participação muito maior no quinto filme da série, ainda em planejamento.

Rachel Weisz também é igualmente boa e todo mundo já sabe disso, mas assim como no primeiro filme, temos uma personagem feminina apenas para o personagem ter com quem dividir suas cenas e criar inevitáveis clichés heroicos e sentimentais porque no fim das contas ela não é lá tão importante na história, entrando meio de sopetão e ajudando em coisas que o personagem tinha condições de encontrar outras maneiras pra se dar bem.

Sem dúvida Gilroy retoma uma fórmula que funciona e consegue fazer do filme um novo início mais discreto e menos esbanjador que os anteriores, mas que tem condições de evoluir pra algo bem interessante e tão grandioso quanto porque as possibilidades que foram abertas agora são infinitas, basta saber aproveitá-las.

Há uma grande expectativa de que as histórias de Aaron e Jason se cruzem no futuro ao ponto de os dois personagens trabalharem juntos, mas isso é incerto. Tão incerto quanto saber se a franquia realmente continuará nas mãos de Tony Gilroy.

CONCLUSÃO...
É uma expansão bem introduzida do universo Bourne, um filme menor e mais discreto que os anteriores, a princípio mais focado na história e no desenvolvimento, como que dar tempo pro expectador conhecer o novo herói e se acostumar com ele, o que funciona, mas deixar a desejar para os que assistirem esperando a metralhadora de cenas de ação que foram os dois últimos filmes dirigidos por Paul Greengrass. Para quem chegou até o Ultimato, não custa nada dar uma olhada no Legado. Uma história e personagens que tem possibilidades de crescer, como também poder se interagir com os acontecimentos dos filmes anteriores. Basta saber se a franquia vai realmente continuar.
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