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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

SÓ ASSISTINDO PRA SABER...

★★★★★★★★★☆
Título: A Chegada (Arrival)
Ano: 2016
Gênero: Ficção Científica, Suspense, Drama
Classificação: 14 anos
Direção: Denis Villeneuve
Elenco: Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Withaker
País: Estados Unidos
Duração: 116 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Uma especialista em linguística é contratada pelo exército norteamericano para tentar decifrar estranhas mensagens recebidas diretamente de extraterrestres cujas naves estão espalhadas em vários pontos do mundo.

O QUE TENHO A DIZER...
A Chegada é um daqueles filmes de ficção-científica que quando acabam deixam o espectador pensando sobre ele. Não de maneira a tentar compreender a história porque seja algo muito complexo, mas de forma reflexiva sobre a vida, sobre a condição humana, e sobre a função de cada um no mundo. Também na tentativa de descobrir qual é a nossa verdadeira parte nele junto com a aceitação dos inevitáveis fins. Não que o filme fale diretamente sobre isso, mas é o sentimento que a protagonista terá, e que o espectador, de alguma forma, irá absorver todas as vezes que ela tiver flashes sobre episódios alegres e tristes vividos, ao mesmo tempo em que tenta aprender a lidar com um sentimento constante sobre uma função maior, a compreensão de que existe algo grandioso a ser feito, mas que ela não consegue entender exatamente o quê.

Nesse ponto, tanto o filme, quanto a personagem de Amy Adams, se assemelham com a jornada de Dra. Ryan Stone em Gravidade (Gravity, 2013), o qual é uma grande metáfora da vida e do renascimento. Aqui essa sensação não é muito diferente, mas ao invés do renascimento, a metáfora é sobre a continuidade da vida e sua relevância.

E assim que o filme acaba, no brevíssimo segundo de silêncio até a trilha sonora voltar a tocar para os créditos finais, não será estranho alguém se encontrar em um estado quase catatônico nesse ínterim, com um breve filme da própria vida rodando na memória em milésimos de segundos. Talvez este seja um dos sentimentos mais fantásticos que esse longa possa despertar naqueles espectadores que conseguirem compreender e mergulharem não apenas na história, mas também nos propósitos dela. De qualquer forma, absorva esse sentimento e abrace essas emoções se por acaso aparecerem, porque é raro quando o cinema atinge esse nível de sinergia com seu espectador. E esse filme consegue, é necessário apenas se conectar a ele.

E para aqueles que não compreenderem a história logo de cara, ou não tiverem essas sensações um tanto trancendentes, acredite, tudo pode ser apreciado de outras maneiras, e à sua forma, porque nada nele é tão complexo como parece ser, mas as discussões sobre a história poderão surgir, e serão produtivas, pois é um filme que ergue questões até triviais, mas assim são justamente por ignorarmos sua existência.

Muito tem sido dito sobre a necessidade de se assistir ao filme outras vezes para um melhor entendimento. A verdade é que a complexidade do filme não é tão grande assim. Mesmo tendo duas narrativas que se intercalam, o roteiro foge bastante da velha fórmula da narrativa desconstruída, propositalmente desconexa, atualmente usada exaustivamente em filmes e séries, enganando o espectador gratuitamente para elevar suspense ou complexidade em coisas simples.

Neste filme o roteirista utiliza uma narrativa não-linear, mas ela definitivamente faz parte real do desenvolvimento da história, e o diretor, Denis Villeneuve, consegue conduzir tudo de maneira muito consistente e sem pressa, com nada ao meio para distrair o espectador à toa. E no fim tudo terá coerência, e garanto que será surpreendente. Basta prestar atenção nos diálogos chaves.

Mas também não se esqueça de prestar atenção na fotografia, que igualmente impressiona por conta de sua estética sempre simétrica e minimalista, mas longe de ser acolhedora ou padronizada. Como o próprio diretor a define, é uma "ficção científica suja", que seria algo como acordar em uma péssima manhã de chuva, disperso na janela do ônibus, por onde se vê apenas nuvens carregadas.

Tudo é muito preciso: as memórias de Louise durante a história; os contatos imediatos dela com os extraterrestres; a comunicação entre eles, que se revela gradualmente; e breves intercursos durante a pesquisa linguística que os personagens fomentam. A construção do filme se autoexplica, e o final nos poupa de longas explicações porque, como dito, o filme já havia feito isso ao longo da história, tratando o espectador com decência, algo que também anda difícil.

É complicado falar de um filme cuja boa porcentagem de sua efetividade seja sinestésica, como ele é. Não é cheio de texturas, formas e cores, mas tem um crescente emocional forte e necessário, ao ponto de sentirmos mínimas sensações, como se a protagonista fosse nós mesmos. Isso se deve pelo incrível trabalho que Amy Adams novamente faz, e também pela própria história em si, que vagarosamente arranca de nós nosso lado mais humano, nos fazendo pensar sobre isso, seja como um coletivo, seja como um indivíduo. Claro que muito também é ajudado pela trilha sonora, que logo no início do filme já faz certa referência a Contatos Imediatos do Terceiro Grau (Close Encounters Of The Third Kind, 1977), mas não demora para se tornar uma sonoridade ao desconhecido: às vezes assustador, às vezes angustiante, às vezes emocionante como esperamos que seja.

Também há nuances sobre a Física Quântica e dimensões paralelas, mas sem ser citados diretamente, tratados de forma mais subliminar, como uma ferramenta de linguagem capaz de viajar o tempo, e não da maneira massante e confusa como em Interstellar (2014). E também sem viagens físicas de fato, como em Contato (1997), seu filme-primo, já que a trama parte do mesmo princípio.

Aliás, mesmo que A Chegada faça parte de um mesmo gênero e beba das mesmas fontes dos filmes citados, em momento algum soa mais do mesmo, ou uma repetição do mesmo tema, ao invés disso, causa a natural impressão de ser algo original em muito tempo.

CONCLUSÃO...
A Chegada pode não ser o melhor filme do ano, nem ter o melhor roteiro do ano ou a melhor direção. Mas tudo foi feito de forma tão bem organizada que não existe uma coisa que possamos dizer que é desnecessário. É um filme com raras qualidades, e relevante, que ficará flutuando na memória por um bom tempo. Tudo é bem dosado e as coisas estão nos devidos lugares, vagando entre a ficção científica, o suspense e o drama de forma tão natural que não conseguir ter um misto de sensações em algum momento, e depois cair em emoções bastante sinceras, é praticamente impossível.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

BOM PRA QUEM GOSTA...

★★★★★★★☆☆☆
Título: Missão: Impossível - Nação Secreta (Mission: Impossible - Rogue Nation)
Ano: 2015
Gênero: Ação
Classificação: 12 anos
Direção: Christopher McQuarrie
Elenco: Tom Cruise, Rebecca Fergusson, Simon Pegg, Jeremy Renner, Ving Rhames
País: Estados Unidos,
Duração: 131 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Ethan Hunt agora trava uma batalha com uma organização que ninguém acredita que existe, justo em um momento em que a divisão do serviço de inteligência para a qual trabalha está a um passo de ser extinta.

O QUE TENHO A DIZER...
Que a série Missão Impossível é a maior herança que Tom Cruise deixará para sua filha Suri, não há dúvidas. Está entre as 20 maiores franquias da história, arrecadando mais de US$2 bilhões pelo mundo, do qual boa fatia dela é do próprio ator, que produz a série há quase 20 anos e que começará a produção do sexto filme em 2016.

Mesmo tendo sido um sucesso de bilheteria, depois da festa de absurdos e da cachoeira de críticas negativas em Missão: Impossível 2 (2000), a série quase morreu. Então, seis anos depois, J.J. Abrams foi chamado para o terceiro filme, considerado por muitos o melhor. Protocolo Fantasma (2011), o quarto filme, conseguiu ser tão equivalente quanto, e também trazia algumas novidades, como o fato de Ethan Hunt não ser mais jovem e seu corpo já não responder tão bem às exigências como antigamente, se tornando um cara passível de erros e alguns pequenos deslizes. Isso trouxe uma pitadinha de realismo pra série que nunca poupou nos absurdos e impossibilidades, além de ter feito de Ethan uma equipe fixa que agora conta com o especialista em tecnologia, Benjie (Simon Pegg) e o espião backup, Brandt (Jeremy Renner), além de seu fiel companheiro de anos, Luther (Ving Rhames).

Nação Secreta segue o mesmo estilo de sempre. Novo diretor no pedaço, novo roteiro, mesma fórmula. Ethan pega a deixa do filme anterior e dá andamento nas investigações de uma organização chamada Sindicato, um grupo terrorista que possui o mesmo nível de treinamento da divisão em que Hunt faz parte, porém utilizada para o crime organizado e terrorismo. Mas sua existência nunca foi comprovada, o que não convence o diretor da CIA, Alan Hunley (Alec Baldwin), de que investigações sobre a organização devam continuar. Pelo contrário, Hunley acredita que a Divisão de Missões Impossíveis seja ultrapassada e deva ser extinta por conta das constantes e complicadas situações na qual Ethan e sua turma tem deixado a CIA perante outros países, sendo o ponto alto da situação o ataque ao Kremlin que ocorreu no filme anterior. A divisão é dissolvida, Ethan está sozinho e apátrido justamente quando está prestes a descobrir quem está por trás da organização.

Hmm... parece que vimos um outro filme parecido este ano. Sim, este filme se chama Spectre. A similaridade entre as histórias é grande, tanto que o filme de 007 foi criticado por isso. Mas deixando essa comparação que a nada leva, Nação Secreta consegue ser o típico filme de ação por ação, que não há motivos para prestar atenção na história, nas continuidades e muito menos nas leis da física. É um filme que quem parar para prestar atenção nos pormenores ficará louco e achará tudo uma grande bobagem.

Se no segundo filme houve um festival de máscaras e de situações do tipo eu-sou-você-que-não-é-você-mas-é-ele-porque-ele-sou-eu (situação que volta brevemente nesse filme), aqui o festival são das viagens expressas. Um momento o personagem está nos Estados Unidos, no segundo seguinte está em Viena. Um momento em Viena, logo em seguida em Marrocos. Como se ir do Brasil ao Japão fosse apenas uma questão de chamar um taxi. Mas enfim...

É evidente que o título da franquia não nos esconde em momento algum que o que mais teremos do início ao fim serão absurdos, como a missão suicida, aquela que sempre algum personagem afirma ser impossível de ser executada, mas para Hunt isso é praticamente uma piada tanto quanto a maneira "trivial" com que ele lida logo na sequência inicial, em que Ethan se pendura do lado de fora de um avião em decolagem. A cena, vale dizer, não é computação gráfica, e quem está pendurado é o próprio ator, e não um dublê. Ele realizou a cena cinco vezes, tudo isso para uma sequência que dura menos de um minuto porque Cruise sabe que as pessoas pagam para assistirem esse tipo de coisa, da mesma forma que pagaram para vê-lo escalar o arranhacéu Burj Khalifa, em Dubai, no filme anterior.

Cruise pode ter as pirações que for com sua Cientologia, pode se comportar como maluco pulando em sofá e chacoalhando Oprah Winfrey pelas mãos, pode sempre estar fazendo as mesmas caras de meio sorriso e olhos cerrados, mas ele é um hitmaker com louvor. Ou seja, ele sabe exatamente do que o público gosta, desde a deixa para um alívio cômico no roteiro até na meticulosidade de como lidar com uma gigantesca produção. Ele sabe o que faz, o que deve ser feito e como ser feito para atingir a massa. E quando o filme começa a derrapar feio, seja em absurdos ou na história que pouco importa, os buracos são preenchidos com boas cenas de ação que facilmente fazem qualquer pessoa perder completamente a visão periférica, e tudo isso seria um grande defeito se o filme não fosse do gênero que é.

Claro que, em comparação com o filme anterior, faltou um pouco mais daquele humor metacrítico de que até Ethan envelhece e enferruja (há apenas uma referência a isso, quando tenta pular um carro), ou de uma pitada a menos de absurdez, como a de aguentar mais de três minutos embaixo d'água, algo que é difícil até mesmo para qualquer mestre em apnéia desportiva. Sem falar da equipe que ficou subaproveitada, e de um agente de campo forte e resistente como é Brendt, que se transformou em um conselheiro sem função alguma na história. Há também o não justificado desfalque da personagem Jane Carter (Paula Patton), que havia sido um grande acréscimo em Protocolo Fantasma, no qual tinha um gancho que garantia sua participação na sequência. Ela era uma boa promessa para a série, mas sequer é citada. Rebecca Fergusson faz um excelente papel, e as cenas parecem que até engrandecem quando ela está presente, só que tenha paciência, porque o filme é longo, muito longo.

Enfim, não há muito mais o que falar sobre Nação Secreta mesmo. Sem dúvida, quem pagou teve exatamente o que quis assistir, e quem não assistiu é porque realmente não se interessa.

CONCLUSÃO...
Por alguns exageros aqui e desfalques ali, não consegue superar o anterior. É um bom filme para quem gosta do gênero, e péssimo para aqueles que não gostam de corrida e tiroteios. Tom Cruise sabe o que faz, é um entertainer nato, nem que precise colocar a vida em risco para uma sequência de menos de 1 minuto.

domingo, 29 de novembro de 2015

O FILHO DO MEIO...

★★★★★★
Título: Os Vingadores: Era de Ultron (The Avengers: Age Of Ultron)
Ano: 2015
Gênero: Herói, Ação, Fantasia
Classificação: 12 anos
Direção: Joss Weadon
Elenco: Robert Downey Jr., Chris Evans,  Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Scarlet Johansson, Jeremy Renner, Elizabeth Olsen, Aaron Taylor-Johnson, Paul Bettany
País: Estados Unidos
Duração: 141min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Quando Tony Stark e Bruce Banner decidem retomar um projeto de manutenção de ordem e paz chamado Ultron, a situação sai do controle de forma totalmente contrária do que esperavam.

O QUE TENHO A DIZER...
A Era de Ultron é parte da Fase 3 do universo cinematográfico da Marvel. Fases divididas para que o público compreenda melhor a sequência de filmes e séries que terão uma conclusão em comum. É como se cada um dos filmes fosse uma edição especial de quadrinhos com elementos chaves que direcionam cada próximo capítulo da história.

Marvel criou um universo gigante no cinema, até mesmo com franquias que diretamente não fazem parte dele, como X-Men, já que a Fox detém seus direitos (tanto que o termo "mutante" não é, e nem pode ser, usado nos outros filmes), contribuindo consideravelmente para aquilo já considerado um novo gênero no cinema: os filmes de super heróis. Tanto que sua rival, a DC Comics, juntamente com a Warner, agora engataram para projetos semelhantes aos feitos pela Marvel para pegar sua fatia no mercado nesse novo gênero e criar seu próprio universo dentro do cinema.

Pode parecer um pouco confuso e complexo para quem não assistiu todos os filmes das fases anteriores, que teve início com o primeiro Homem de Ferro (Iron Man, 2008), mas nada é muito consistente porque o produto principal de todos eles é o entretenimento nu e cru.

O que beneficia quem assistiu todos os filmes (e que agora inclui as séries de televisão também) é a conexão até natural que existe entre eles, com referências e elementos que surgem em breves momentos durante as histórias. Para aqueles que são fãs de quadrinhos, ver os heróis personificados é delirante, e para aqueles que não são, terão uma idéia muito próxima de como a Marvel nos quadrinhos funciona.

Diferente do que vem acontecendo no Netflix, que tem expandido mais ainda esse universo com outros heróis da marca por pontos de vista mais violentos e adultos, o tom no cinema é sempre mais brando para atingir o maior público, que inclui crianças e adolescentes, os maiores consumidores do gênero, e é isso que, em partes, acaba estragando o resultado.

É o que acontece aqui.

Tal qual o filme anterior, Ultron é recheado de cenas de ação, com piadas previsíveis, fáceis e bobas entre uma atitude heroica e outra, dispersas e sem timing. Mas esse excesso de atenção ao público infantojuvenil acaba ferindo o público adulto mais do que aconteceu no primeiro filme, subestimando a inteligência com inúmeras piadinhas que não causam nem um sorriso amarelo sequer, o que fica óbvio desde o princípio que o único entretenimento são os efeitos especiais e somente isso.

É cansativo todo momento ver Tony Stark (Robert Downey Jr.) por dentro da armadura, tecendo comentários tão espirituosos quanto apresentadores da Rede TV, ou Thor (Chris Hemsworth) querendo ser engraçado e Capitão America (Chris Evans) sendo dramático em seus discursos motivadores que batem continência ao suicídio. Em um filme cuja história tende a ser rasa e pouco importante, havia espaço de sobra para um humor mais inteligente e sagaz, algo que o vilão Ultron (James Spader) até consegue ser no começo, mas de repente cai no pastiche tanto quanto sua mirabolante idéia de extingir a raça humana da Terra. E então o inevitável acontece: o vilão perde a força na trama e se torna tão esquecível ao ponto de praticamente sumir, deixando um buraco sem razão para os heróis fazerem tudo que estão fazendo.

É praticamente regra toda segunda parte de uma trilogia ser mais equilibrada por ser a ponte de transição entre um filme e outro, e Ultron é um deles. Por isso, peca justamente ao tentar manter esse nível de equilíbrio em excesso: nunca revelando muito para não estragar surpresas futuras, ou nunca tentando ser melhor que o primeiro filme no medo de não conseguir garantir que Guerras Infinitas, que será lançado em duas partes em 2017 e 2018, consiga ser superior que os anteriores. A saga dos Vingadores precisa acabar coesa e respeitada, e fazer desse segundo filme algo ameno e um tanto indiferente é estratégico.

No primeiro filme tudo era empolgante, embora rápido demais, o que fazia o espectador muitas vezes não saber quem estava fazendo o quê. Talvez tenham ficado mais atentos a isso dessa vez, e a câmera lenta se tornou uma excelente ferramenta em algumas sequências não apenas para intensificar alguns efeitos como também nos dá tempo de apreciar melhor o que cada um faz em ação.

Mas a empolgação também não dura muito. Cheio de diálogos chochos e um desenvolvimento bastante desinteressante que chega até a envolver um draminha conflituoso entre eles que não convence, entre um bocejo e outro, nem mesmo a trilha sonora de Danny Elfman consegue ser um aditivo importante e uma identidade, como já foi em filmes como Batman (de Tim Burton) ou Homem Aranha (de Sam Raimi). Com excessão de uma sequência ou outra, como no primeiro minuto de abertura em uma cena sem cortes, mostrando cada um dos vingadores agindo coordenadamente no campo de batalha, ou a mesma interação durante um ataque de androides, nada mais é muito impressionante. Nem mesmo quando Ultron transforma a cidade fictícia de Sokovia em uma ilha flutuante, como que para justificar a destruição em massa sem gerar polêmica, já que o primeiro filme foi bastante criticado por tanta destruição gratuita no cenário de Nova York.

Outra vez há espaço para todos os personagens, e como prometido deram uma participação maior a Hawkeye (Jeremy Renner). Os irmãos Maximoff (Elizabeth Olsen e Aaron Taylor-Johnson) foram bastante subutilizados, e a química da equipe já não é mais tão forte como no primeiro filme, uma impressão que até ajuda a trama, como também ajuda a tentativa de não haver um personagem principal mais destacado que outro.

Ultron não consegue em nenhum momento ser superior ao filme de estréia, ele nem mesmo se esforça. O diretor e roteirista Joss Wedon pode ter feito um bom material para aqueles que acompanham esses heróis no cinema, justificando a saída de alguns personagens e a entrada de outros (já que nos quadrinhos a rotatividade de heróis na equipe sempre foi grande), além de ter dado importantes prévias dos rumos que as próximas duas partes podem tomar a partir das visões e delírios que cada um deles tiveram ao serem enfeitiçados pela Feiticeira Escarlate, as únicas cenas mais relevantes de todo o filme dentro do contexto do Universo no cinema. Portanto o resultado é um filme caro e fraco, não ao ponto de ser decepcionante, mas um mais do mesmo como sempre.

CONCLUSÃO...
Repetindo o sucesso do filme anterior, arrecadando pelo mundo aproximadamente US$1.5 bilhões, o sucesso se deve mais pela curiosidade do que pela qualidade, já que não consegue ser superior ao primeiro filme em nenhum aspecto. Nem ao menos tenta. Tanto é assim que não foi tão marcante como o primeiro, de onde quer que você fosse ouvia alguém comentar a respeito. Foi algo consumido em massa, mas digerido muito rapidamente.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

TIME QUE GANHA NÃO SE MEXE...

★★★★★★★★
Título: Trapaça (American Hustle)
Ano: 2013
Gênero: Drama, Comédia
Classificação: 14 anos
Direção: David O. Russel
Elenco: Christian Bale, Amy Adams, Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Jeremy Renner, Robert De Niro
País: Estados Unidos
Duração: 138 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Irving e Sydney são um casal de trapaceiros forçados a ajudar o agente do FBI, Richie, a coletar provas contra o Prefeito e desarmar um esquema mafioso e de corrupção em cadeia.

O QUE TENHO A DIZER...
Onde ou quem é que tenha dito a David O. Russel que "time que está ganhando não se mexe", ele ouviu muito bem. Ele dirige e escreve este novo filme e, tal qual seu anterior, O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook, 2012), volta a trabalhar com Bradley Cooper e Jennifer Lawrence, bem como a maioria dos demais atores que trabalharam com ele em filmes anteriores, com excessão de Jeremy Renner. Mas os movimentos que ele utilizou nesse tabuleiro de xadrez em Hollywood foi diferente. Embora novamente tenha pego os dois atores que ele ajudou a consagrar, aqui eles não atuam em parceria (aparecem juntos em apenas uma única cena muito breve), além de terem uma participação mais coadjuvante. Isso já torna o filme interessante, porque não abusa da exploração do sucesso de ambos. E mesmo atualmente sendo os atores mais requisitados, também optaram por um filme menor e papéis menores, mas nem por isso desinteressantes. Isso é muito relevante e mostra a maturidade de ambos. Bradley Cooper, mais experiente, já apresentava essa tendência quando começou a investir como produtor (aqui ele assina como co-produtor), e Jennifer vem sabendo escolher bem os papéis que caem em suas mãos (ou seu agente que é bom demais), e ela caiu nas graças do público e da crítica e se tornou a nova "Namoradinha da América".

A história deste filme nada tem a ver com o anterior, embora os personagens sejam tão problemáticos quanto (principalmente as personagens femininas), e não é uma história tão real como dizem no princípio, informação que virou moda hoje em dia até mesmo na ficção. A trama é apenas um esboço do esquema Árabe ocorrindo no final dos anos 70 e começo de 80, em que o FBI iniciou uma investigação pontual e depois a expandiu para incluir outros esquemas de corrupção. O roteiro do filme já estava pronto havia anos e ficou em oitavo lugar na Lista Negra de Hollywood no ano de 2010, que é uma lista divulgada todos os anos sobre os melhores roteiros que não foram produzidos.

Como é de costume nos filmes de Russel, o que manda não é o roteiro, ele é apenas uma linha guia. Quem manda são os atores e seus shows particulares, pois há muitos improvisos em ações e diálogos (mesmo assim o filme está presente na temporada de premiações na categoria Roteiro Original), o que, particularmente, faz dele algo muito mais interessante, pois foge de marcações e deixa os atores livres e ainda sim encarnados em seus personagens, demonstrando um outro domínio de técnica.

Falando em técnica, é um dos filmes tecnicamente perfeitos do ano, daqueles feitos realmente para serem enquadrados na temporada de premiações. Isso é bom porque é prazeroso ver tanta qualidade, mas ao mesmo tempo soa plástico demais por conta desse excesso de qualidade.

Russel novamente abusa da câmera na mão, mas seu esquema de direção firme, porém adaptável, faz todas as atuações - sem excessão - serem pontuais e muito bem colocadas em cena. É nítido como sua visão sobre o produto final era algo muito sólido porque o filme flui sem tropeços graças a seu roteiro, direção e principalmente pela edição, que se não fosse tão exata frente a tantas histórias e reviravoltas que acontecem facilmente teria tirado o filme do trilho. Não há engasgos ou momentos em que o espectador se sinta perdido na história frente a tantas tramas paralelas e tantos personagens com personalidades tão distintas e muito bem exploradas e desenvolvidas. Os improvisos, que são marcas do diretor, que já declarou que sua preocupação com os personagens é maior do que com seus diálogos, faz o filme fugir do que está originalmente descrito e previsto, tomando um rumo natural, como se os personagens criassem vida própria.

A trilha sonora original, assinada pelo sempre magnífico Danny Elfman, nunca é invasiva e sempre um grande complemento para todo o desenvolvimento, mas o que mais chama atenção, sem dúvida, é o desenho de produção. Belíssimo no figurino e cenários, reproduzido bem a década de 70 e o exagero estiloso da época. Ainda sobre o desenho de produção, não podemos evitar de perceber que em alguns momentos soa mais moderno e atual que a própria década reproduzida, até porque sabemos que a tecnologia cosmética e têxtil da época era muito diferente da utilizada hoje e no filme, algo que parece ser um pouco ignorado, o que resulta em um anacronismo sobre as diferenças de qualidade, cores e texturas que não atrapalha, mas frustra um pouco na tentativa de ser fidedigno.

As atuações são excelentes em todos os aspectos, mesmo quando há a esquisitice exagerada de Christian Bale em engordar absurdamente para o papel, uma atitude muito mais para chamar atenção sobre seu comprometimento do que um grande adicional ao personagem, porque era dispensável. Bale nunca foi um galã para ter que sofrer grandes transformações para dar mais foco a seu talento do que para uma beleza que ele nunca teve, mas ele aparenta gostar desses processos metamórficos, já que é o terceiro filme com Russel que ele se propõe a isso. Mas com excessão dessas decisões dispensáveis e particulares do ator, sua performance é notável, e seu personagem, tal qual é dito até mesmo no filme, consegue atrair a simpatia mesmo sendo esquisito e às vezes asqueroso, justamente por ser um homem sensível e inteligente. Mas sem dúvida quem rouba toda e qualquer cena é Amy Adams, que nunca peca pelo excesso. Sua personagem começa o filme fraca, apenas chamando atenção por ser belíssima, envolvente e bastante sexualizada, mas conforme o filme desenvolve notamos que ela é composta de várias camadas, e que, no fundo, ela tem mais profundidade do que aparenta, além de ser uma mulher frustrada por nunca ter sido realmente amada e valorizada pela sua essência e capacidade. O desenvolvimento da sua personagem é tão brilhante que em determinadas cenas Amy consegue transpor todas essas frustrações, anseios e até poucas felicidades e prazeres de uma única vez, o que deixa evidente em como sua personagem é complexa, com um misto de emoções e sensações que a perturbam. Não é à toa que, juntamente com Cate Blanchett ou Kate Winslet, ela também é considerada por alguns como uma nova Meryl Streep (esta será sua quinta indicação ao Oscar).

Agora, muito tem se falado sobre a atuação de Jennifer Lawrence, mas particularmente acredito que seja mais uma superestimação por conta de sua grande exposição do que uma personagem realmente marcante. Todos já sabemos que ela é talentosa, mas os surtos dramáticos em cena não são muito diferentes do que os mostrados em O Lado Bom da Vida, algo que futuramente deixará de ser convincente pra ser um vício de interpretação, caso ela se acomode nesse exagero. Há poucos momentos em que sua personagem é dominante, e são momentos típicos e clichés para serem apresentados no telão do Oscar quando seu nome for bradado entre os indicados. Há até um beijo na boca de Amy Adams, que pode soar irônico e até engraçado, mas um tanto fora de contexto. De qualquer forma, a personagem é tão complexa quanto a de Amy (ou talvez até muito parecida), mas é tão coadjuvante que se fosse dispensada não atrapalharia a trama, ela só existe para dar uma profundidade dramática maior aos conflitos do personagem de Christian Bale, como se os que ele já possui não fossem bastante. Ela venceu prêmios importantes na categoria Atriz Coadjuvante, e tem grandes chances de novamente receber o Oscar pela sua atuação, mesmo porque esta categoria não esteja muito bem servida este ano.

É um filme longo (mais de duas horas) e que demora pra engatar na trama propriamente dita, uma primeira parte para apresentar e se aprofundar nos personagens e uma segunda para chegar na trama principal de fato, mas tudo é tão bem construido e costurado que essa divisão parece até muito simplópria no meio de tanta qualidade, além de tudo ser muito bem escrito e detalhado, ninguém precisa se esforçar pra entender o que acontece na trama principal ou entre os personagens, algo raro em filmes comerciais com tendência a aparentarem complexos demais só para enganar bobo.

CONCLUSÃO...
Como um todo, Trapaça é um filme sólido e respeitável, com qualidades técnicas que chegam a ser deslumbrantes e uma trama que envolve vagarosamente e surpreende, mesmo que sua conclusão já seja previsível. Merece figurar entre os melhores do ano e entre as listas da temporada de premiações, deverá ganhar em algumas categorias principais, mas não podemos ignorar também o fato de que o cinema de Hollywood anda cada ano mais fraco e sem grandes surpresas, por isso que a atenção e superestimação a poucos títulos aconteçam.

sábado, 1 de dezembro de 2012

A FÓRMULA BOURNE...

★★★★★★★
Título: O Legado Bourne (The Bourne Legacy)
Ano: 2012
Gênero: Ação
Classificação: 14 anos
Direção: Tony Gilroy
Elenco: Jeremy Renner, Rachel Weisz, Edward Norton, Donna Murphy, Stacy Keach
País: Estados Unidos
Duração: 135 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Jason Bourne ainda vive, mas enquanto isso o agente Aaron Cross descobre que é mais uma peça de uma trama conspiratória e ele também está na mira da queima de arquivo.

O QUE TENHO A DIZER...
Baseado nos livros do escritor norte-americando Robert Ludlun, a Trilogia Bourne foi um grande sucesso tanto de crítica quando de público. Após a morte de Ludlun, em 2001, o escritor Eric Van Lustbader conseguiu permissão para dar continuidade à vida do personagem, publicando mais sete livros entre 2004 e 2012.

O primeiro filme da série, A Identidade Bourne (The Bourne Identity, 2002) foi dirigido por Doug Liman e roteiro de Tony Gilroy. O filme estrelava Matt Damon no papel do agente secreto em busca da sua identidade e Franka Potente como sua companheira Mary. Foi uma das maiores surpresas daquele ano, arrecadando mais de US$210 milhões no mundo, o que foi o suficiente para o estúdio dar sinal verde para a segunda parte.

A Supremacia Bourne (The Bourne Supremacy, 2004) deu continuidade na tragetória do ex-agente. Doug Liman saiu da direção para a produção executiva, dando lugar para o competente Paul Greengrass, o qual foi responsável por intensificar a linguagem dinâmica do filme, dando uma identidade mais forte e expressiva que no filme anterior. Tony Gilroy assinou novamente o roteiro, e o filme arrecadou mais de US$280 milhões no mundo.

A terceira e última parte, O Ultimato Bourne (The Bourne Ultimatum, 2007) fechou a trilogia com chave de ouro. Paul Greengrass continuou na direção, Doug Liman se manteve como produtor executivo e Tony Gilroy foi auxiliado por Scott Z. Burns e George Nolfi no roteiro. A última parte é considerada por muitos como o melhor filme da série. Embora os dois primeiros tenham feito muito sucesso nos cinemas, eles posteriormente viraram febre nas video locadoras, o que levou a última parte a arrecadar mais de US$440 milhões no mundo.

Negar que a Trilogia Bourne é excepcional chega a ser leviano. Foi uma das raras ocasiões no cinema comercial Hollywoodiano em que a qualidade da produção é inquestionável, bem como uma série coesa, sólida e coerente que, ao contrário de muitas outras franquias, não foi apenas ação pela ação.

Os personagens e a trama se desenvolveram em fatos e sequências que superavam seus próprios limites numa sucessão crescente e em um dinamismo de tirar o fôlego graças a edição em total sintonia com o estilo de filme que se propunha. Sem dúvida alguma o trio Greengrass, Liman e Gilroy conseguiram fazer da trilogia um dos melhores filmes de ação do cinema atual. Dizer isso não é exagero, já que houve uma mudança radical na forma como os filmes de ação posteriores a eles passaram a ser produzidos. Ou seja, a trilogia se tornou uma referência sólida numa época em que o cinema comercial perece de qualidade e boas idéias.

Na tentativa de retomar a série graças a onda de reboots que dominaram a indústria nos últimos anos, Tony Gilroy resolveu continuar o legado. O questionamento a princípio foi: como dar continuidade a uma trilogia que superou seus próprios limites?

A idéia parecia tão absurda que, ao ser questionado sobre isso, o diretor Paul Greengrass até brincou dizendo que o título do quarto filme deveria ser "A REDUNDÂNCIA BOURNE".

A princípio Gilroy queria manter Matt Damon, já que o autor Eric Van Lustbader deu continuidade à saga do personagem após a morte de Ludlun, rendendo até agora mais 7 livros. Damon achou melhor não voltar para a franquia, e por sua atuação ter sido bastante elogiada e a resistência dos fãs a sua substituição, o roteirista resolveu expandir o universo Bourne e, embora o titulo se refira ao primeiro livro de Eric Van Lustbader, o filme nada tem a ver com ele. Ao contrário disso, ele conta uma história paralela aos eventos do último filme.

O personagem principal agora é Aaron Cross, um agente da Operação Outcome, programa secreto científico de defesa que está fazendo testes bioquímicos em seus agentes para aumentar suas capacidades físicas e mentais. Porém, durante seu treinamento no Alaska, vem a tona os escândalos envolvendo os programas Blackbriar e Treadstone, revelados por Jason Bourne na última parte da Trilogia. Juntamente a isso, um vídeo comprometedor envolvendo uma relação próxima entre os chefes de pesquisa do programa Treadstone e Outcome vaza na internet. Com medo das pesquisas do programa Outcome serem descobertas durante as investigações sobre a Tredstone, o coronel da CIA Eric Byer (Edward Norton) decide apagar todas as evidências, começando pela eliminação de todos os agentes em treinamento. Aaron sobrevive a várias tentativas de assassinato, e no interesse de sobreviver, ele descobre que entrou de gaiato nos fatos conspiratórios envolvendo Jason Bourne.

A nova trama apresentada no roteiro de Gilroy (que agora também assina a direção) foi uma guinada interessante, já que os três primeiros filmes naturalmente deram gancho para que isso pudesse acontecer, já que Jason Bourne não era o único agente que participou de um programa secreto, bem como a Treadstone também não era o único programa existente. Bourne não aparece em nenhum momento, mas o personagem é citado diversas vezes.

A história se amarra bem com os filmes anteriores. Ao mesmo tempo que é uma continuação, consegue realmente ser um filme novo, mas não diferente. Jeremy Renner é competente ao dar essa continuidade ao legado de Bourne, mas a posição do seu personagem na história não tem uma conexão muito bem fundamentada entre sua situação e os acontecimentos revelados por Jason, o que faz sua fuga constante parecer meio superficial. Como o roteiro apresenta uma nova história, o desenvolvimento é mais lento tal qual o primeiro filme, dando mais atenção aos fatos do que em sequencias de ação bem arquitetadas, pra dar profundidade nos fatos e justificar as razões de tudo.

Claro que algumas cenas típicas de Jason Bourne são repetidas aqui, como as perseguições e o jeitão truculento de fugir pulando muro, arrebentando portas e pulando de janelas, exigindo ao máximo dos atores num dinamismo constante e bem editado feito por Greengrass no segundo e terceiro filme, mas não de maneira igualmente mirabolante. O interessante é que Aaron também tem uma forma diferente de lutar. Enquanto Jason tem um semblante mais fechado e era mais adestrado na hora de improvisar armas de luta (como usar livros, revistas e o que tivesse por perto, numa técnica de luta que realmente existe, o que deixava algumas cenas até mais empolgantes e engraçadas), Aaron é de um semblante mais sereno, mas que bate no oponente pra cair, sem muitos rodeios.

Jeremy Renner pode não ser um galã como Matt Damon, mas é um bom ator, e mais, competente quando se trata de um personagem que utiliza todas suas capacidades físicas tanto quanto Damon fez.

Quem já assistiu seus outros filmes de ação, como sua pequena porém relevante participação em Os Vingadores (The Avengers, 2012), ou até mesmo em Missão Impossível: Protocolo Fantasma (Mission: Impossible - Ghost Protocol, 2011), sabe que ele está muito bem preparado pra encabeçar a franquia. Sem contar que já está prometido que sua participação em Os Vingadores 2 será maior, além de Tom Cruise estar bastante motivado em passar a franquia de Missão Impossível para o ator, que também terá uma participação muito maior no quinto filme da série, ainda em planejamento.

Rachel Weisz também é igualmente boa e todo mundo já sabe disso, mas assim como no primeiro filme, temos uma personagem feminina apenas para o personagem ter com quem dividir suas cenas e criar inevitáveis clichés heroicos e sentimentais porque no fim das contas ela não é lá tão importante na história, entrando meio de sopetão e ajudando em coisas que o personagem tinha condições de encontrar outras maneiras pra se dar bem.

Sem dúvida Gilroy retoma uma fórmula que funciona e consegue fazer do filme um novo início mais discreto e menos esbanjador que os anteriores, mas que tem condições de evoluir pra algo bem interessante e tão grandioso quanto porque as possibilidades que foram abertas agora são infinitas, basta saber aproveitá-las.

Há uma grande expectativa de que as histórias de Aaron e Jason se cruzem no futuro ao ponto de os dois personagens trabalharem juntos, mas isso é incerto. Tão incerto quanto saber se a franquia realmente continuará nas mãos de Tony Gilroy.

CONCLUSÃO...
É uma expansão bem introduzida do universo Bourne, um filme menor e mais discreto que os anteriores, a princípio mais focado na história e no desenvolvimento, como que dar tempo pro expectador conhecer o novo herói e se acostumar com ele, o que funciona, mas deixar a desejar para os que assistirem esperando a metralhadora de cenas de ação que foram os dois últimos filmes dirigidos por Paul Greengrass. Para quem chegou até o Ultimato, não custa nada dar uma olhada no Legado. Uma história e personagens que tem possibilidades de crescer, como também poder se interagir com os acontecimentos dos filmes anteriores. Basta saber se a franquia vai realmente continuar.
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