Translate

Mostrando postagens com marcador Judi Dench. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Judi Dench. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

SALVO PELO GONGO...

★★★★★★☆
Título: Assassinato no Expresso do Oriente (Murder On The Orient Express)
Ano: 2017
Gênero: Policial, Suspense, Drama
Classificação: 14 anos
Direção: Kenneth Branagh
Elenco: Kenneth Branagh, Johnny Deep, Tom Bateman, Daisy Ridley, Josh Gad, Michelle Pfeiffer, Penelope Cruz, William Dafoe, Judi Dench, Olivia Colman
País: Reino Unido, Estados Unidos
Duração: 114 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Ao pegar o Expresso do Oriente, o conhecido melhor detetive do mundo, Hercule Poirot, se vê envolvido em um crime à bordo, sobrando a ele resolvê-lo.

O QUE TENHO A DIZER...
Talvez a última vez que uma obra de Agatha Christie tenha sido vista no cinema de grande circuito seja em 1989, na adaptação de O Caso dos Dez Negrinhos/E Não Sobrou Nenhum (Ten Little Niggers/And Then There Were None). Houve uma adaptação britânica de A Casa Torta (Crooked House, 2017), mas longe de ter a mesma divulgação e o mesmo sucesso que esta nova versão de Assassinato no Expresso do Oriente.

Christie tem uma base sólida de fãs que se renova geração após geração, mesmo depois de quatro décadas após sua morte, em 1976. A "dama do crime" sempre foi considerada uma autora perspicaz, e sua fórmula criou um gênero próprio dentro do estilo policial que, embora muito popular principalmente na Europa, tinha uma marca registrada tão forte que suas obras são únicas. Mas como dito, era uma fórmula, da qual Christie utilizou incansavelmente ao longo de sua carreira até o desgaste em meio de seus mais de 80 livros, sendo 33 deles protagonizados pelo seu mais famoso personagem, Hercule Poirot. Por essa razão, ela é considerada muito mais uma novelista do que uma romancista, porque seus livros são de situações afins (há sempre um crime e um assassino a ser descoberto), com narrativas mais sóbrias e diretas, e personagens que raramente saem da bidimensionalidade, tudo isso numa linguagem típica de livros de banca, sempre mais preocupada em desenvolver situações do que personagens. Em suma, suas obras são materiais de entretenimento e nada mais, algo que ela nunca contrariou.

Mas isso não significa que seja literatura ruim, de forma alguma. Suas histórias de crimes mirabolantes são imersivas, e as mais diversas situações e cenários que ela cria são, de fato, de uma perspicácia que sempre pega seu leitor desprevenido, por mais óbvia que possa parecer, além de ter embutido o típico humor britânico que tira a carrancuda seriedade do estilo. Mas quanto mais nos familiarizamos com sua personalidade literária, mais previsível suas histórias se tornam.

Ela não escreveu livros para ela, mas sim para seu público. Tanto que Poirot, ao contrário do que muita gente pode imaginar, não era seu personagem preferido. A verdade é que ela não o suportava e só não o matou antes de Cai O Pano (1975) porque, apesar de ser um personagem detestável (e que ela o fez se tornar mais detestável ao longo dos livros), tinha uma excentricidade cativante e que o público adorava, e matá-lo antes teria provocado a ira de seus leitores.

Por conta da própria estrutura de suas novelas, é notável que sejam materiais melhores adaptados para a televisão do que para o cinema, e é por isso que Christie não é muito levada para as telonas, e poucos são aqueles interessados nisso. Talvez seja essa a grande razão de um hiato de quase três décadas de alguma de suas obras no cinema, e mesmo que a adaptação de Branagh, com roteiro de Michael Green (o mesmo de Logan e Blade Runner 2049), seja bastante fiel (com uma ou outra leve mudança aqui e ali para adequá-lo aos dias atuais) e de uma produção impecável (e que chega até a fazer referências à adaptação de Sidney Lumet, de 1974), é possível ter uma sensação que não desgruda de que algo falta para causar aquele impacto que deveria.

O diretor, assim como o roteiro, se preocuparam demais em transformar Poirot no grande protagonista do cenário. Sim, ele é o protagonista da história e nós já sabemos disso, portanto não era necessário focá-lo a todo instante, até mesmo quando demais personagens estão presentes, interpretados em sua grande maioria por nomes de peso. Atores que, na verdade, parecem estar lá apenas fazendo pontinhas, contendo o seu brilho para não ofuscar o brilho do colega, pois seus personagens tem o espaço constantemente roubado pelo protagonista e suas excentricidades maníaco-obsessivas (como não conseguir comer dois ovos de tamanhos diferentes ou conversar com quem esteja com a gravata torta). Então, no pouco espaço que sobra para eles se destacarem, eles os fazem com afinco.

Dessa forma, mesmo com participações tão breves e personagens que existem apenas para ações chaves na história, e por isso sem grandes profundidades dramáticas ou desenvolvimentos, todos os atores conseguem dar a cada um deles mais do que eles oferecem, como transformar um desenho no papel em uma escultura de barro, pois se não tivesse sido isso, eles poderiam ter sido substituídos por quaisquer outros. E talvez essa tenha sido realmente a função deles, já que o filme dificilmente se sustentaria sozinho, sem grandes nomes para auxiliar.

Portanto, salvo pelo gongo, são os atores em suas posições bem coadjuvantes que conseguem segurar todas as pontas mais do que o protagonista e a própria história. Além da direção bastante clássica de Branagh, que raramente - a quase nunca - sai do convencional, deixar tudo muito perfeito e bem alinhado, com ar datado e extremamente politizado, resultado óbvio de sua fissura por Shakespeare por tantos anos (só ele adaptou 5 obras do autor) e que igualmente foi visto em Thor (2011).

Esse protocolo pessoal que parece que o diretor segue não trás uma agilidade necessária para alimentar o clássico suspense do famoso "quem matou", característico das obras de Christie, e quando a história atinge seu clímax, ele não consegue engrandecê-la. Toda a trama construída até então perde forças, e a conclusão não surpreende da forma como o livro consegue fazer. Os acontecimentos se revelam na velocidade de uma leitura, quando ler e ver são duas coisa completamente diferentes, de tempos bastantes distintos.

Do excesso de zelo e ponderação na hora de revelar o corpo esfaqueado, à extrema falta de sutileza ao revelar o crime aos personagens, há um desequilíbrio que tira a surpresa e a expectativa nos momentos onde mais deveriam aparecer. Colocar todos os personagens juntos ao final também careceu de um metrônomo para ajudar no compasso, um momento que se torna o exemplo óbvio do motivo das obras da autora se encaixarem muito melhor na televisão do que no cinema, porque pareceu muito mais a conclusão do último capítulo de um folhetim de Silvio de Abreu do que uma produção de US$55 milhões.

E mesmo com esses defeitos, ainda é um filme atraente porque, tal como os livros, foi feito com nenhuma outra intenção além de entreter com classe. O problema é que Branagh utilizou classe demais.

De qualquer forma, é interessante ter Agatha Christie de volta aos cinemas, e a intenção de Branagh com esse filme é transformá-lo em uma franquia caso fizesse sucesso, e assim explorar o universo de Poirot. Não é à toa que o final do filme é um gancho para Morte Sobre O Nilo, e depois de ter arrecadado mundialmente mais de US$350 milhões, é mais do que óbvio que a continuação recebeu carta verde e já está em pré-produção, com lançamento previsto para 2019.

OBS: detalhe para canção original do filme, apresentada nos créditos finais, cantada por Michelle Pfeiffer.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

BURTON POUCO INSPIRADO...

★★★★★★☆
Título: O Lar das Crianças Peculiares (Miss Peregrine's Home For Peculiar Children)
Ano: 2016
Gênero: Aventura, Fantasia
Classificação: 12 anos
Direção: Tim Burton
Elenco: Asa Butterfield, Eva Green, Chris O'Dowd, Judi Dench, Samuel L. Jackson, Terence Stamp, Ella Purnell
País: Reino Unido, Bélgica, Estados Unidos
Duração: 127 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Um garoto descobre pistas que o levam para um orfanado de crianças peculiares que vivem sempre em um mesmo dia, em uma outra época, sob os cuidados de Sra. Peregrine. Mas aquilo que a princípio era mágico e fantástico, de repente começa a mostrar seus perigos conforme ele descobre e conhece mais sobre cada uma deles.

O QUE TENHO A DIZER...
Numa mistura entre X-Men, Mary Poppins e Peter Pan, existe algo em Miss Peregrine que deixa uma certa frustração no ar. O novo filme de Tim Burton, baseado no primeiro livro de uma trilogia do autor Ransom Riggs, por vezes entrega aquilo que essencialmente faz parte do seu estilo, mas por outras não. Algo que geralmente ocorre nos filmes em que ele é contratado para realizar, e não porque foi um projeto pessoal, como Frankenweenie (2012), Alice (2010), A Noiva Cadáver (2005), ou Batman: O Retorno (1992), para citar apenas alguns.

Existe uma grande diferença entre os projetos pessoais do diretor com os projetos em que ele é encaixado. É o que acontece aqui, uma produção que, mesmo possuindo características de Burton e para ele, por muitas vezes a impressão tida é contrária. Claro que há momentos em que seu estilo se destaca e traz um certo sorriso de satisfação e nostalgia ao ponto de dizermos "ah, isso é Burton!", como os personagens em si, que podem ser bizarros, mas são cativantes; os arbustos em forma de animais no jardim do orfanato, em uma referência a seu clássico Edward Mãos-de-Tesoura (1990); na batalha de bonecos em stop-motion, uma técnica na qual é apaixonado; ou na mesa de jantar, quando ele não tem receio algum de mostrar ao público infantil como Claire (Raffiella Chapman) consegue ser bastante estranha por traz de tanta doçura. Há outros momentos como esse, mas é bem nítido que Burton está pisando em um um terreno que não vemos a paixão pelo projeto sangrar pelos seus olhos.

Há uma certa apatia no ar, uma desconexão entre ele e o resto da equipe, já que a Fox começou a produção em 2011 e Burton só foi contratado em 2014. Boa parte da equipe não é a mesma com quem costuma trabalhar, nem mesmo a trilha sonora ajuda muito, talvez pela falta de Danny Elfman, seu colaborador de décadas. Até a fotografia, mesmo sendo de Bruno Delbonnel, que já trabalhou com ele em Grandes Olhos (Big Eyes, 2014) e Sombras da Noite (Dark Shadows, 2012), é possível sentir que tudo está um pouco mais aguado e/ou distante, tanto quanto esses mesmos filmes também foram, já que não são os seus melhores.

Talvez o que mais "maltrate" o diretor como um todo seja o roteiro de Jane Goldman (ironicamente, a mesma de X-Men: Primeira Classe), que não é ágil, e só vai se tornar um pouco empolgante depois de mais da metade da história, quando quase uma hora e meia se passou e todo mundo já estiver um pouco entediado com tanto vai e vem, principalmente as crianças. O que é outro grande e óbvio problema é que, embora o livro seja direcionado para um publico juvenil e jovem-adulto, o filme poderia ter um tom menos sombrio justamente para agradar os mais pequenos, pois mesmo tendo uma classificação indicativa de 12 anos, foram os mais novos que preencheram boa parte das salas de exibição.

A história a princípio parece simples, mas vai ficando complexa para coisas pequenas e pouco fluida, tendendo a piorar com o desenvolvimento dela mesma. Tudo fica meio confuso quando a intenção era simplesmente entreter, chegando num momento em que o espectador simplesmente se desliga dela e só quer saber como vai terminar. E ainda termina apressada e sem clímax, apenas com tentativas frustradas de um vilão (Samuel L. Jackson) fraco e de motivações vagas querer impressionar a todo custo com entonações vocais, gargalhadas do mal e piadinhas bem chochas. O que salva é que Samuel tem um sarcasmo muito forte e sua presença é sempre grandiosa, salvando uma cena e outra de algum bocejo.

Para as crianças ou adolescentes que pouco prestarão atenção na história mais do que no visual, definitivamente o filme poderia ter tido uma atmosfera mais receptiva, já que a intenção da história é justamente fazer aquilo que Burton sempre faz em seus filmes, mostrar que ser diferente não é um defeito, mas uma qualidade única de cada um, algo que, por incrível que pareça, dessa vez não teve muito sucesso nessa moral que no livro parece ser tão forte, segundo aqueles que leram.

Mesmo sendo mais um filme no currículo de Burton que não impressione tanto quanto outros, de qualquer forma, ainda é uma aventura fantasiosa a ser apreciada por algumas particularidades e por um elenco que, dentro do possível, é carismático em sua maioria, principalmente Eva Green (a mesma do seriado Penny Dreadful), com seus grandes e expressivos peculiares olhos.

É mais uma daquelas produções em que muita gente pode amar e outras odiarem, além de muitos fãs dos livros ficarem desapontados pelo filme não representar as coisas da forma como imaginavam, ou deixar de colocar na história elementos que particularmente gostaram ou se identificaram. Algo compreensível, principalmente no cinema comercial.

CONCLUSÃO...
A história em si é cativante, mas parece não ter o mesmo apelo na tela, e o visual se destaca muito mais do que ela própria, mesmo que menos inspirado do que Burton costuma ser.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

NÃO FAZ A MENOR DIFERENÇA...

★★★★
Título: O Exótico Hotel Marigold 2 (The Second Best Exotic Marigold Hotel)
Ano: 2015
Gênero: Comédia, Romance
Classificação: 12 anos
Direção: John Madden
Elenco: Maggie Smith, Judi Dench, Bill Nighy, Ronald Pickup, Celia Imrie, Dev Patel, Tina Desai
País: Reino Unido, Estados Unidos
Duração: 121 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
O Hotel Marigold é um sucesso, e agora Sonny planeja abrir um segundo Hotel Marigold, mas as coisas não saem exatamente como planejado.

O QUE TENHO A DIZER...
Em 2014, durante seu discurso ao aceitar o Oscar de Melhor Atriz, Cate Blanchett falou da importância das mulheres na indústria cinematográfica e citou sua colega Judi Dench, dizendo que a mesma não estava presente na cerimônia pois, com 80 anos, cumpria sua agenda de filmagens de uma continuação, e que uma mulher na idade dela, fazendo uma continuação, definitivamente significava que mulheres levam público ao cinema e que existem papéis para elas.

A continuação em questão era exatamente esta, que tentou seguir o inesperado sucesso do primeiro filme, lançado em 2011. Blanchett estava certa ao dizer que mulheres são importantes na indústria, talvez até mais que os homens. Basta partir do princípio que os maiores clássicos possuem protagonistas femininas mais fortes do que os próprios homens. Dúvidas sobre isso? Pegue qualquer clássico e faça essa observação. Eu não precisei ir muito longe ... E O Vento Levou (Gone With The Wind, 1939) foi o primeiro que me veio à mente, ou até mesmo seu irmão bastardo, Jezebel (1938), ou qualquer filme de Hitchcock. Sim, são as mulheres quem dominam o cenário cinematográfico, mas o foco ainda é masculino e machista.

Este filme se torna interessante quando observado pelo ponto de vista de Blanchett, principalmente porque a maior parte do seu elenco é feminino e que soma quase meio século de vida. Mas quando comparado com seu original, baseado no livro homônimo de Deborah Moggach, esta continuação perde em conteúdo e no aproveitamento dessas atrizes e atores.

Enquanto no primeiro filme Judi Dench era a protagonista e narradora da história, nesta continuação ela vai para o posto de coadjuvante, entrando em seu lugar Maggie Smith. A troca é justa, já que a acidez e o mau humor da personagem que adora biscoitos foi o que mais chamou a atenção do filme anterior, mas que agora foi acentuado por uma candura que só não chega a ser melada porque Maggie Smith não é qualquer atriz.

O Hotel Marigold é um sucesso, mas a gente não sabe bem até onde porque nunca o vemos lotado e cheio de hóspedes além daqueles que moram e trabalham lá, que é todo o elenco do filme. O casal indiano, formado por Sonny (Dev Patel) e Sunaina (Tina Desai), estão de volta e se tornam o tema central, e o segundo Hotel Marigold do título absurdamente vira trama secundária.

Dentro da história do casal, Sonny tem três grandes conflitos: seu casamento, a compra de um imóvel que será o segundo hotel e seu ciúmes de Sunaina com seu amigo. O personagem de Patel, que no primeiro filme tinha um humor exagerado e inconveniente que funcionava, agora está chato e completamente irritante. Ele grita, gesticula demais, faz drama com qualquer coisa e não para de falar. Seu desenvolvimento é tenebroso. Para ajudar, Richard Gere cai de paraquedas para usar seus poderes de galã na história, tão perdido que às vezes a sensação que se tem é que ele nem sabe onde a câmera está. E os velhinhos do Hotel Marigold, onde estão? Perdidos. Jogados por aí.

O primeiro filme não foi genial e nada demais, mas foi prazeroso, diferente, voltado para um público maduro que carece de produtos direcionados a eles. Era nítida a vontade de todo o elenco de fazer o filme funcionar, algo que não se repete aqui. A história é entediante, com subtramas que tentam roubar as tramas centrais e coadjuvantes que tentam sobressair mais que os protagonistas. Realmente não dá pra entender muito bem o que o roteirista Ol Parker realmente tentou com tudo isso. Se no primeiro filme houve um questionamento muito interessante sobre a vida e até que ponto ela é relevante e longeva, aqui tudo gira em torno de relacionamentos vazios ou na tentativa de existirem. Ou seja, se tornou uma comédia romântica formalmente britânica qualquer.

É possível contar nos dedos de uma mão quantas vezes ele será realmente engraçado, e boa parte dessas vezes será com Maggie Smith, como quando ela se irrita ao explicar que um chá é uma infusão em água fervente, logo no começo do filme. Mas só.

CONCLUSÃO...
Esta continuação não chega a ser exatamente um filme apreciável. Ele é tão perdido em suas próprias idéias que se torna entediante e esquecível. Engraçado que as idéias podiam ser muito melhor aproveitadas por uma infinidade de temas, até porque o elenco é excepcional. Mas preferiram se manter na zona confortável da vazia trivialidade. No fim o filme não faz jus ao discurso de Blanchett, e na verdade, ele não faz a menor diferença.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

APAIXONANTE E INSPIRADORA...

★★★★★★★★★☆
Título: Philomena
Ano: 2013
Gênero: Drama
Classificação: 14 anos
Direção: Stephen Frears
Elenco: Judi Dench, Steve Coogan
País: Reino Unido, França, Estados Unidos
Duração: 98 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre uma mulher que, cinquenta anos depois, com a ajuda de um jornalista, resolve ir atrás de seu filho dado para adoção aos 3 anos de idade.

O QUE TENHO A DIZER...
Dirigido por Stephen Frears, aclamado diretor de títulos como Ligações Perigosas (Dangerous Liaisons, 1988), Os Imorais (The Grifters, 1990), Herói Por Acidente (Accidental Hero, 1992), A Rainha (The Queen, 2006) e outros títulos menos ou mais conhecidos, menos ou mais apreciados, com pouco ou grande sucesso.

Independente disso, o estilo do diretor em explorar figuras únicas, martirizadas ou marcadas por grandes situações da vida, ou até mesmo pela relação com tipos oportunistas sórdidos, cruéis e maldosos, bem como a forma como tudo isso é superado, está sempre nos seus filmes, sejam eles com cargas dramáticas mais acentuadas, ou atenuadas por uma leve ironia cômica. Este é o caso de Philomena, que embora conte um drama real e devastador, consegue ser construído de forma muitas vezes motivadora, nunca esquecendo do drama pessoal da personagem de fato, o que também aconteceu em seus filmes anteriores mais recentes como O Retorno de Tamara (Tamara Drewe, 2010) e Chéri (2009).

Curiosamente o filme é baseado na história real de Philomena Lee, uma irlandesa que, na década de 50 e aos 18 anos, engravidou acidentalmente por consequência daquilo que para ela foi apenas um beijo e uma demonstração de afeto, quando, na verdade, foi uma relação sexual casual que ela não se atentou por desconhecimento e inocência. Sem saber que filhos eram feitos assim, a barriga cresceu e, por recomendação do próprio médico da família, seu pai a mandou para a Abadia de Sean Ross, pois naquela época era um insulto e uma vergonha para a família e para os católicos romanos uma mulher solteira engravidar, já que provava um ato sexual consumado antes do casamento e a perda da pureza cristã. Por isso, mulheres como ela eram colocadas longe da sociedade, e assim Philomena foi enclausurada na Abadia juntamente com outras jovens na mesma situação, onde teve seu filho Anthony e sofreu com a severa educação das Freiras do Sagrado Coração de Jesus e Maria. Depois que seu filho nasceu, ela teve direito a visitá-lo uma vez ao dia por apenas uma hora, e quando ele completou três anos, as freiras o entregaram para adoção a uma família norte-americana sem o conhecimento ou consentimento da mãe. O "engraçado" é que Philomena aceitou todo este sofrimento por realmente acreditar que aquilo era uma penitência necessária para o perdão de seus pecados, por ter descoberto o prazer sexual e ter tido um filho, muito embora o prazer sexual ela categoricamente afirma ter sido a maior e melhor descoberta de sua vida. Posteriormente a isso e aproveitando de sua religiosidade, as freiras aterrorizaram Philomena de arder no fogo do inferno caso ela não assinasse um documento que renunciava seu filho e a proibia, para o resto da vida, de procurar seu paradeiro. Como a personagem diz no próprio filme, ela não foi coagida, ela assinou por vontade própria, pois era naquilo que acreditava. Quase dez anos depois, ela saiu da Abadia, casou e mais quarenta anos se passaram para finalmente quebrar o voto de silêncio e aceitar o fato de que nada daquilo foi pecado. Ela contou a verdade para sua filha, que se engajou em descobrir o paradeiro de seu irmão. Na vida real ela afirma que também contou ao seu marido anos antes de revelar a sua filha, mas o mesmo apenas disse que o que está no passado é do passado, e nunca mais comentou sobre isso.

Sua história é realmente impressionante, pois é uma daquelas situações que acreditamos ser parte apenas de um drama fictício exagerado. Obviamente que o filme não é verdadeiramente fiel a história real, como o fato de ter sido Jane, sua filha, quem descobriu o paradeiro de Anthony - que agora se chama Michael Hess - e não o jornalista Martin Sixmith, bem como algumas outras situações mostradas, como a sequência final, que também é apenas uma fictícia interpretação para que o conflito final e esperado da personagem possa ser consumado e o ciclo dramático completado, tal qual expressado por ela mesma em um dos diálogos com o jornalista antes do grand finale.

A importância de Sixmith na biografia é ter sido ele o grande responsável em traçar toda a trajetória de Michael desde sua adoção, e por ter levado a história a conhecimento público com o livro The Lost Child Of Philomena Lee, publicado em 2009, no qual o filme é baseado. Sixmith também afirmou que a forma como ele é interpretado no filme é parcialmente correta, sendo verdadeira a maneira como ele é intolerante com as injustiças, mas que ele não é uma pessoa tão raivosa e grosseira como o filme mostra.

Mas ao comparar o desenvolvimento do filme com a biografia de Philomena, que pode ser encontrada de forma suscinta ou extensa pela internet em diversas versões e websites, o roteiro realmente consegue abraçar todos os principais fatos vividos por ela e encaixá-los na história de maneira simbólica e verdadeira, mesmo que em situações fictícias. Ou seja, embora os roteiristas (que inclui o próprio ator principal) tenham feito algumas livres e anacrônicas interpretações para o bem do desenvolvimento da adaptação, a história de Philomena está na tela o tempo todo e em seus 98 minutos, seja em fatos ou na sua personalidade otimista e marcante.

Como em grande parte dos filmes de Frears, este segue linear e sem pressa, mas o grande diferencial é a pontualidade dos fatos e a forma objetiva com que ele trata o roteiro, utilizando alguns flash backs (sendo muitos deles verdadeiros) apenas para complementar o passado da personagem em um filme com uma duração satisfatória, que carrega o espectador de forma envolvente sem subestimá-lo e comover sem ser piegas ou tendencioso, numa trajetória contada numa narrativa delicada e honesta. Também não é uma comédia, como pressupõe-se pelo marketing, mas emocionante em sua mais pura forma, que realmente levará alguns às lágrimas mais pela pureza e grandiosidade da personagem em lidar com situações tão difíceis do que pela grande tragédia da personagem em si. É um dos melhores filmes do diretor em anos, e que também mantém a mesma situação de dúvida que em A Rainha, por também não ser tendencioso a uma determinada idéia. Neste filme anterior o diretor manteve uma certe imparcialidade de julgamento sobre a culpa ou não da família real na morte de Diana, da mesma forma essa imparcialidade é mantida neste filme em não julgar a igreja católica ou as decisões de seus seguidores. Ele mostra os dois lados da moeda, o lado de uma mulher fiel e o lado do homem ateu e científico, há o conflito de ambos a todo instante, mas é decisão do espectador em escolher o lado.

Mais impressionante ainda é ver Judy Dench oferecer uma das interpretações mais leves, carismáticas e emocionantes em uma carreira cheia de personagens tipicamente londrinos e sisudos. A personagem, que se alto denomina "uma caipira", não é dotada de tanta malícia e sarcasmo como o personagem de Martin Sixmith (Steve Coogan), mas sua pureza e ingenuidade natas conseguem dar outras dimensões a coisas comuns e banais, como no momento em que ela narra empolgadamente para Sixmith um livro de ficção romântica barata, mas que para ela é parte de uma magnífica fantasia inesperada e que se torna bela e incomum pela forma como ela a interpreta. Seu desconhecimento frente a outras coisas também não a transforma em alguém ignorante, mas em uma pessoa com maravilhosos e surpreendentes pontos de vista constantemente adquiridos pela observação e curiosidade pela vida, mesmo que limitados, mas simples, com um olhar até infantil e singelo. A inspiração oferecida pela personagem é vasta, como a sua total incapacidade de vingança, de cultivar a mágoa ou manifestar a raiva até mesmo por pessoas que foram responsáveis por grandes momentos de dor em sua vida. Essa filosofia tão nobre e particular demonstrada por ela é o verdadeiro conceito sobre a crença divina e a busca pela paz espiritual, transcendendo qualquer linha religiosa ou dogmas. Philomena poderia ser uma pessoa amargurada e rancorosa, mas acredita no poder do perdão não porque isso seja fácil ou porque é isso que ela espera das pessoas em troca, mas porque é isso que lhe dá forças para viver, pois como ela mesma diz, a raiva deve ser exaustante.

Não há como não se apaixonar ou se emocionar por uma personagem e uma mulher tão grandiosa como Philomena Lee. Inspiradora e motivadora, uma grande lição de vida, daquilo que chamamos de fé e perdão, mas que raramente sabemos qual o seu verdadeiro significado.

CONCLUSÃO...
Não há dúvidas de que este longa seja um dos grandes destaques e também um dos melhores títulos de 2013, justamente por conta da sua história e da interpretação de Judi Dench ao ponto de, na lista dos melhores, todos os outros demais títulos serem até ser bons, mas Philomena será o único a ficar na memória de quem assistir, e não por ser chocante, pois não é, mas por ser, dentro de toda sua tristeza e tragédia, uma belíssima e inspiradora história de perseverança, amor, perdão e fé.

domingo, 6 de janeiro de 2013

JAMES BOND TAMBÉM ENVELHECE...

★★★★★★★★★
Título: 007: Operação Skyfall (Skyfall)
Ano: 2012
Gênero: Ação, Suspense
Classificação: 14 anos
Direção: Sam Mendes
Elenco: Daniel Craig, Javier Bardem, Judi Dench, Ralph Fiennes, Naomi Harris, Berenice Marlohe, Albert Finney
País: Reino Unido, Estados Unidos
Duração: 124 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
James Bond morreu e um importante arquivo listando o nome de todos os agentes secretos da MI6 está livre em algum lugar. A MI6 agora é o alvo, assim como M, e os agentes estão sendo mortos um a um até que alguém apareça para impedir.

O QUE TENHO A DIZER...
Este é o 23º filme da franquia, sendo o terceiro estrelando Daniel Craig no papel do agente secreto. 2012 foi também ano de aniversário, ano em que o personagem de Ian Fleming completa 50 anos de existência, e este filme não poderia ser melhor para comemorar isso.

Após o lançamento de Um Novo Dia Para Morrer (Die Another Day, 2002), os produtores Barbara Broccoli e Michael G. Wilson, donos da EON Productions, detentora dos direitos autorais e da marca, estavam descontentes com os rumos que as adaptações estavam tomando e com as constantes críticas negativas. Isso resultou numa mudança brusca envolvendo a quebra de contrato com o ator Pierce Brosnan (ele estava contratado para quatro filmes, mas realizou apenas três) e uma total reformulação de todo o mundo envolvendo James Bond.

Almejando um caráter mais humano e realista do personagem e um filme de ação mais tático e menos tecnológico, a série sofreu um reboot completo. O até então pouco conhecido ator Daniel Craig foi contratado, e para inaugurar essa nova geração de filmes resolveram pegar uma das primeiras adaptações como ponto de partida, e assim Casino Royale (2006) ressurgiu. A idéia de reformular a série deu tanto certo que o filme foi um estrondoso sucesso de crítica e público e Daniel Craig, que a princípio não parecia uma boa escolha por não ter nenhum traço de galã romântico como seus antecessores tinham, automaticamente se tornou um dos favoritos justamente por dar essa imagem mais sisuda e psicologicamente complexa do personagem, trocando os aparatos tecnológicos e armas pela força bruta, aparentando ser um espião menos experiente e mais vulnerável, que deixou de lado o smoking para suar a camisa. Não somente isso, Casino Royale também foi responsável por mostrar como James Bond se tornou o que é após a perda de Vesper Lynd, seu primeiro grande amor depois da insuperável morte de sua segunda e última esposa, Tereza Tracy. Vesper morre durante uma viagem a Veneza, por conta da organização Quantum, o que no filme também acaba sendo uma referência direta ao passado original de Bond, já que Tracy fora assassinada durante a lua de mel numa emboscada.

Empolgados com o sucesso, Quantum Of Solace (2008) foi lançado dois anos depois, sendo uma sequencia direta de Casino Royale, o que nunca aconteceu nos filmes de Bond, além de também não ser baseado em nenhuma das obras de Ian Fleming, mostrando um lado mais perturbado e sedento por vingança do personagem, se tornando um assassino frio e corruptível, tanto que ele perde sua licença para matar. O público não aceitou muito bem, pois não soube compreender e ligar um filme ao outro e todo o processo natural pelo qual James Bond passou para adotar uma postura mais sombria. Mesmo sendo bem sucedido, não fez tanto sucesso como o anterior e as críticas foram mistas, e mais uma vez os produtores resolveram repensar nos rumos que o espião teria nos filmes seguintes. Isso colocou novamente em dúvida se Daniel Craig seria substituído ou não, mas posteriormente isso mostrou ser apenas boato da mídia e em 2010 a pré-produção de Skyfall teve início. O lançamento então foi agendado para 2012 para coincidir com o 50º aniversário do personagem.

Os produtores afirmaram categoricamente que, embora ele tenha diversas referências de filmes anteriores para homenagear o meio século de vida de Bond, Skyfall é uma história independente e não é uma sequência das histórias desenvolvidas em Casino Royale e Quantum Of Solace. Eles afirmaram também que os filmes de Bond não serão mais sequenciais como na tentativa desenvolvida nos dois filmes anteriores, embora a possibilidade de Skyfall ser a primeira parte de uma trilogia não esteja descartada.

A história dessa vez envolve diretamente os erros humanos dentro da MI6, quando um hard drive da organização é roubado contendo uma lista com o nome e perfil de todos os agentes secretos infiltrados em organizações terroristas, colocando não apenas a vida de todos em risco, mas de todo o serviço secreto britânico naquilo considerado como o maior vazamento de segurança nacional já ocorrido. Durante a busca pela lista, a companheira de campo de Bond, Eve (e que posteriormente vem a ser uma grande surpresa), por pressões de M, erra o alvo e acerta Bond com um tiro letal. Com o tiro, o agente cai em um rio e desaparece, sendo tido como morto. Junto a isso, M sofre pressões políticas para se aposentar forçadamente, e os atentados contra a MI6 e seus agentes começa. Percebendo que todos se tornaram alvos, Bond ressurge para caçar e interromper uma sequencia de eventos desastrosos.

É claro que indiretamente podemos dizer que Skyfall é novamente um "novo reinício", e esse novo reboot de certa forma acaba coincidindo alguns fatos com demais outras franquias que passaram por isso, como o ocorrido em Batman, quando o Cavaleiro das Trevas ressurge após um longo período desaparecido, fora de forma e destreinado, ou Missão Impossível, quando Ethan Hunt agora trabalha com uma grande e nova equipe, além de ter que lidar com os problemas da idade.

Um dos grandes fatores positivos da série é essa articulação de se transformar e se adaptar aos novos tempos e audiências, e essa característica mais realista dada ao personagem foi fundamental para isso. Desde o primeiro filme com Daniel Craig, o espião agora não é mais um galã invencível, ele é um homem de carne e osso que se machuca, sangra e sofre com o avançar da idade. Dessa vez Bond está destreinado, fora de forma (nem tanto assim) e sem resistência, que agora erra alvos e precisa de ajuda para cumprir missões. Bond se aproximou bastante de Ethan Hunt em Missão Impossível: Protocolo Fantasma (MI: Ghost Protocol, 2011), um herói que agora, mais velho, perdeu certas habilidades e comete erros. Essa proximidade entre esses dois personagens e aquilo que suas franquias se transformaram é exatamente o que os filmes de ação estavam precisando para quebrar um pouco os clichês e suas ordens, além de brincar um pouco com a realidade, assim como quando mostraram que Bruce Wayne sofre de artrose nos joelhos.

Por conta disso, essa questão idade X capacidade vem sendo recorrente nos últimos filmes, como uma forma de ironizar os diferentes tempos. Mas nesse filme isso se tornou mais enfático e é citado o tempo todo, seja de forma direta, ou indireta em piadinhas internas que confrontam o antigo com o novo, já que agora James Bond finalmente envelheceu e não tem mais as habilidades e reflexos de outrora, além de também estar tendo que lidar com as mudanças do mundo moderno e as substituições de sua equipe por outros mais novos, já que todos envelheceram junto com ele. Isso tudo é sentido desde a trilha sonora de Thomans Newman, que introduz o eletrônico em um trabalho que sempre foi mais clássico e tradicional, até nas próprias atuações de Daniel Craig e Judi Dench, que vira e mexe lancetam aquele olhar já cansado, de que o corpo não mais aguenta tanta demanda.

A direção de Sam Mendes também é algo à parte, e digamos que perfeccionista. Sem dúvida um acréscimo tão importante quanto o de Martin Campbell e Marc Forster nos dois filmes anteriores. Quem conhece os demais filmes do diretor já está familiarizado com a maneira sucinta como ele gosta de trabalhar. Os diálogos sem muitos cortes, a ausência de cenas e situações desnecessárias, sendo direto e focado dentro de tomadas longas e planos sempre amplos, nada muito fechado ou limitado, mas também nada muito ousado ou moderno demais, tudo dentro do meio termo esperado e que é fluido e coerente com todo o resto em duas horas de filme que passa sem ser notado.

Outro grande diferencial na série e também uma excelente novidade é que o filme não se desenvolve inteiramente em cenas de ação ou perseguições elaboradas como nos anteriores, dessa vez tudo parece ser mais simples, mas muito mais tenso, que cresce em um suspense um tanto inédito numa franquia baseada inteiramente na ação. Isso também é graças ao desenvolvimento bem construído de todas as tramas paralelas que se desenvolvem, além de obviamente incluir Javier Barden como o vilão. Ele faz Silva, um ex-agente 00 que alimenta profundos rancores de M e suas determinações que quase custaram sua vida.

O cinema voltou a produzir grandes vilões. Depois do Coronel Hans Landa, de Christopher Waltz em Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, 2009), os vilões passaram a ter uma maior profundidade psicológica e perversa dividida em diversas camadas numa sexualidade discutível. Silva é um híbrido de gentileza e monstruosidade tal qual o personagem de Christopher Waltz, ou de Guy Pearce em Os Infratores (Lawless, 2012), mas mesmo sendo parecidos esses personagens se diferem pelos tons e maneirismos desenvolvidos com naturalidade pelos atores, sendo assustadores por serem convincentes. Não é à toa que Javier Barden está fortemente cogitado ao Oscar de Coadjuvante, pois o vilão que ele desenvolveu é tão assustador quanto o que ele criou em Onde Os Fracos Não Tem Vez (No Country For Old Man, 2007).

CONCLUSÃO...
Em termos de ação, ainda considero Casino Royale um grande filme, mas Skyfall se provou o melhor de toda a franquia por ser uma junção de excelentes fatores positivos e que crescem incansavelmente durante todo o filme. Definitivamente a nova safra de filmes do espião tem melhorado a cada novo episódio e embora seja um gênero de ação fictício, esses elementos mais realistas tem humanizado o personagem cada vez mais, o que tem deixado Bond não apenas mais carismático, mas algo mais próximo do verdadeiro.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

BEM VINDOS AO EXÓTICO HOTEL MARIGOLD...

★★★★★★
Título: O Exótico Hotel Marigold (The Best Exotic Marigold Hotel)
Ano: 2011
Gênero: Drama, Comédia
Classificação: 12 anos
Direção: John Madden
Elenco: Judi Dench, Tom Wilkinson, Bill Nighy, Penelope Wilton, Maggie Smith, Ronald Pickup, Celie Imrie
País: Reino Unido
Duração: 124 min

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre sete pessoas já na terceira idade que, por razões específicas e individuais, resolvem ir para a Índia passar uma temporada no chamado "The Best Exotic Marigold Hotel" e ao chegar lá descobrem que o hotel não era aquilo que esperavam, mas que irá ser responsável por significativas mudanças em suas vidas.

O QUE TENHO A DIZER...
Este é um daqueles filmes feitos raramente para agradar um público que é pouco agradado no cinema, o das pessoas já vividas e experientes. Não digo que seja um filme apenas para a terceira idade, porque até mesmo eu gosto de dramas/comédias como esses, sobre a busca da felicidade, do amor, do auto conhecimento, da redescoberta e de uma razão de existência por um ponto de vista mais superficial e realista de discussão. Filmes deste gênero costumam ser bons, pois reúnem um elenco de atores mais velhos e subutilizados na indústria cinematográfica e, muitas vezes, mesmo o roteiro ou seu desenvolvimento sendo fracos, a vontade desses atores de fazerem tudo dar certo é tão grande que o resultado acaba sendo extremamente agradável.

O filme, baseado no livro homônimo de Deborah Moggach, é dirigido por John Madden, aquele responsável pelo bontinho e esquecível, embora referência do cliché moderno, Shakespeare Apaixonado (Shakespeare In Love, 1998). Lembra deste filme? Aquele que através de um maciço marketing conseguiu levar sete estatuetas no Oscar, incluindo a de melhor atriz para Gwyneth Paltrow, que venceu as concorrentes Cate Blanchett, Fernanda Montenegro, Meryl Streep e Emily Watson. Pois é... Hoje sabemos que, na dúvida de quem deveria ter levado o prêmio, resolveram entregar para a pior. Porém, mágoas passadas.

O Exótico Hotel Marigold não supreende, mas é extremamente agradável e sincero. A história começa como um Short Cuts - Cenas da Vida (Short Cuts, 1993) às avessas. Short Cuts foi um filme dirigido pelo antológico Robert Altman que foi responsável por dividir algumas águas no cinema norte-americano, naquela narrativa onde é contada a história de vários personagens distintos que se cruzam em uma situação comum no final, fómula de surpresa que foi insistentemente utilizada em filmes posteriores como Magnolia (1999), Crash (2004) e Babel (2006), apenas citando alguns dos mais conhecidos já que a lista é extremamente extensa após o filme de Altman. Logo, neste filme tudo começa com essa premissa. Todos os personagens distintos já são colocados em uma situação que os une para só depois as histórias individuais serem desenroladas.

É um filme que começa meio confuso, um tanto perdido entre não saber entre que tom da comédia ou do drama levar, com algumas piadinhas britânicas que chegam ao pé da cafonice e da obviedade colocando cada personagem em situações triviais e pouco relevantes. Mas conforme os minutos vão passando, as coisas vão se equilibrando, nos levando a uma viagem bastante pessoal à Índia por sete pontos de vista distintos. Demora algum tempo para que seja possível se identificar com eles e praticamente impossível se identificar apenas com um, já que os dramas vividos por cada personagem é bastante comum no dia a dia das pessoas como um todo. Quando o filme engata, ele é prazeroso, triste e divertido.

São duas as narrativas utilizadas, a narrativa objetiva e a subjetiva pelo ponto de vista da personagem Evelyn Greenslade (vivida por Judi Dench), já que ela mantém atualizado diariamente um blog no qual ela relata as experiências que está vivendo durante sua temporada na Índia. Às vezes a edição um tanto quanto rápida e com cortes muito bruscos entre uma seqüência e outra podem acabar deixando confuso aqueles que se distraírem por alguns segundos. No geral não parece um filme feito para o cinema, mas um longo episódio de um seriado familiar da ABC, com uma trilha sonora de Thomas Newman (mestre na orquestração dramática) que não chega a ser invasiva, mas que se alguém chorar pode ter certeza que é por causa dela.

Obviamente o filme termina com lições aprendidas e o encontro de tudo aquilo que passaram a vida procurando, mas só foram encontrar durante uma viagem distante. Mas sem dúvida, mesmo com erros ou defeitos, tudo passa batido com a presença de grandes atores e citar apenas um é ser injusto com os demais.

CONCLUSÃO...
Deve ser apreciado porque não é sobre um filme qualquer, mas um daqueles com um elenco que realmente tem uma história pra contar e deve ser assistido não apenas pelo grupo de idosos do SESC, mas também pelos netos e bisnetos para que estes já cresçam sabendo que envelhecer é muito mais do que acrescentar números na idade, mas história e conhecimento.
Add to Flipboard Magazine.