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sexta-feira, 20 de abril de 2012

CUIDADO, CHUCK NORRIS!

★★★★★★
Título: À Toda Prova (Haywire)
Ano: 2012
Gênero: Ação
Classificação: 14 anos
Direção: Steven Soderbergh
Elenco: Gina Carano, Ewan McGregor, Michael Fassbender, Bill Paxton, Michael Douglas
País: Estados Unidos, Irlanda
Duração: 93 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre uma agente que é traída durante uma missão e volta querendo vingança.

O QUE TENHO A DIZER...
Pelo número de filmes que Soderbergh já fez (e a maioria deles muito bons), ele fez questão de querer provar que é um diretor eclético, viajando através dos diferentes gêneros sem esforço, oferecendo abordagens diferenciadas sem sair muito do que é esperado. Ele faz filmes americanos para uma audiência americana diferente, e às vezes filmes hollywoodianos para aqueles que querem algo um pouco diferente do óbvio. E dessa forma Soderbergh provou que pode encabeçar a lista de melhores diretores de seu tempo, mas ao mesmo tempo este é o seu principal problema porque as pessoas geralmente superestimam demais seus filmes, caracterizando-os como obras cinematográficas grandiosas quando muitas vezes é apenas um filme diferenciado.

O diretor realmente começou sua escalada ao sucesso e ao topo dos mais influentes da atualidade com seu filme Sexo, Mentiras e Videotape (Sex, Lies and Videotape, 1989), recebendo uma indicação ao Oscar por Melhor Roteiro Original por ele. Alguns anos e algumas produções pouco lembradas depois, emplacou nas bilheterias e na crítica dois filmes no mesmo ano, Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento (Erin Brockovich, 2000) e Tráfico (Traffic, 2000). Ambos foram ao Oscar, sendo que o primeiro consagrou Julia Roberts como Melhor Atriz daquele ano, e o segundo abocanhou quatro estatuetas, sendo uma delas de Melhor Diretor. Isso foi o suficente para Soderbergh superestimar ele mesmo, lançando um filme por ano e variando entre pequenas e grandes produções, entre público alternativo e popular, mas no geral todo filme novo era um sucesso, fosse de público ou de crítica. Isso foi o suficiente para acreditar que Hollywood estava a seus pés. Ele chegou ao cúmulo de realizar um filme apenas para reunir os amigos e se divertirem, como na continuação absurda e incoerente 12 Homens e Outro Segredo (Ocean's Twelve, 2004). Chegou a fazer ficção científica, arriscou no estilo noir e fez o mais ambicioso de seus projetos até hoje, Che (Che, 2008). Dividido em duas partes, o filme totalizava aproximadamente 4 1/2 horas. Foi pouco foi assistido e lembrado, além de ter sido ignorado pela maioria das premiações e festivais. Foi aí que Hollywood deu sua primeira rasteira, e ele voltou às pequenas e discretas produções.

Para Haywire ele criou um discurso promocional fantástico. Disse que sempre teve vontade de fazer um grande filme de ação e até criticou de maneira generalista, inferiorizando os filmes do gênero de hoje, dizendo que os diretores não sabem fazer mais filmes de ação, apenas explosões, tiros e efeitos especiais. Para quem ouvia essas afirmações imaginava que vinha aí uma grande revolução do gênero e uma obra prima.

Mas não era bem assim. Um bom filme de ação para ele era um com os moldes clássicos, onde o personagem principal bate e arrebenta com os próprios punhos e sem dubles, explosões ou armas. Foi quando conheceu a lutadora de MMA, Gina Carano, e então ele decidiu que era hora de fazê-lo, convidando-a e desenvolvendo o filme especialmente para ela. Ele também chegou a afirmar que sua decisão de resgatar um filme "bate e arrebenta" com uma mulher como personagem principal era que muitos dos filmes de ação usam a sexualidade feminina mais do que seus dons marciais. E assim o filme foi feito. As habilidades de Gina Carano definitivamente excluem dublês, resultando em cenas realistas e intensas.

O filme cumpre o que promete, Sodebergh tenta manter as cenas de ação focadas inteiramente nas lutas e nas sequências de perseguição, nunca usando trilha sonora ou tiros mais do que o necessário para não invadir e encobrir toda a atenção técnica que ele tanto queria experimentar. E funciona, mas não muito. Para uma audiência comum o filme pode não parecer o que esperam, podendo ser frustrante, principalmente se essas declarações do diretor chegaram ao ouvido dessas pessoas antes delas assistirem.

O tema do filme é extremamente previsível e comum, nada que nenhum outro filme de ação já tenha desenvolvido anteriormente, e nós conhecemos Soderbergh o suficiente para saber que toda a complicada trama é apenas para causar a falsa impressão de que seus filmes não são estúpidos.

De qualquer forma, gostei do resultado final e admiro o esforço dele tentar resgatar essas velhas visões técnicas no filme, mas Haywire não sai muito da linha que ele tanto quis ficar de fora. Ele está muito certo ao afirmar que não existem filmes de ação com uma personagem feminina principal interessante, mas ao mesmo tempo é pretencioso demais ele esquecer que antes de Haywire existiu a excelente Trilogia Bourne que revolucionou de alguma forma como os filmes de ação são produzidos hoje em dia, sendo influencia para muitos e poucos conseguindo ser bem sucedidos no resultado final, como, por exemplo, Hanna (2011).

CONCLUSÃO...
É um excelente filme de ação, mas não deve ser assistido como um filme de ação comum. Tem uma narrativa lenta e é um filme muito mais tenso do que frenético. Vale pelas cenas realistas, pois o resto é esquecível já que Gina Carano é muito melhor lutando do que interpretando, e a história do filme não foge muito do habitual dos filmes desse gênero.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

NÃO, NÃO TEM ESTRELAS!

Título: Armadilha (ATM)
Ano: 2011
Gênero: Terror, Suspense, Comédia
Classificação: 12 anos
Direção: David Brooks
Elenco: Alice Eve, Josh Peck, Brian Geraghty
País: Estados Unidos, Canadá
Duração: 90 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre três jovens que ficam presos dentro de um ATM por conta de um maníaco desconhecido que sem razão alguma quer matar todos.

O QUE TENHO A DIZER...
É o filme de estréia do desconhecido David Brooks, com o roteiro assinado por Chris Sparling, o mesmo do tenso e (às vezes) absurdo, porém interessante Enterrado Vivo (Buried, 2010), diretor que ficou queimado em Hollywood por ter enviado e-mails a membros da Academia como que implorando para que considerassem o roteiro de Enterrado Vivo na premiação, o que é expressamente proibido, já que qualquer um dos envolvidos em qualquer produção que tenha essa conduta não apenas é completamente anulado como também todo o filme.

Pra ser sincero, não tem muito o que se falar sobre esse ERRO de filme que nem para ser engraçado frente a tanto absurdo prestou. Eu até hoje não entendo como tive coragem de assistí-lo até o final.

ATM é o acrônimo de automated teller machine, que são os caixas eletrônicos. Também é acrônimo de at the moment (no momento), mas também pode ser o acrônimo de A TERRIBLE MOVIE (um filme terrível) e é exatamente isso, pois sem dúvida alguma ele pode figurar na lista dos piores não apenas da década, mas da história do cinema.

A idéia das pessoas presas dentro de um caixa eletrônico, como acontece com Colin Farrell em uma cabine de telefone no filme Por Um Fio (Phone Boot, 2002), é interessante, mas é só e somente isso. O filme é recheado de gafes gravíssimas, buracos e interpretação amadora e irritante, extremamente previsível e cheio de situações absurdas. Eu poderia pontuar todos esses momentos, mas deixo essa diversão para quem realmente insistir em assistir esta grande peça de porcaria.

O assassino e seu jeitinho Jason de andar é hilário. Se todos tivessem saído correndo provavelmente teriam conseguido dar três voltas por todo o quarteirão enquanto o lerdo nem teria chegado na esquina.

Quando se pensa que o filme não poderia ficar pior, vem o assassino e tenta encher a cabine de água como se fosse um aquário gigante, e assim matar todos afogados. Olha... sinto muito, mas esse filme é vergonhoso e ultrajante.

Quem gostar de uma porcaria dessas ou: 1) porque é pré-adolescente; 2) nunca assistiu filme algum. E acredite, cheguei a ler comentários no IMDb de pessoas que o considerou "fantástico". Essas pessoas estão doentes.

CONCLUSÃO...
Se você tem amor próprio e valoriza seu intelecto, passe longe.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

UM POUCO DE RUINDADE NÃO FAZ MAL A JULIA ROBERTS...

★★★★★★
Título: Espelho, Espelho Meu (Mirror, Mirror)
Ano: 2012
Gênero: Comédia
Classificação: Livre
Direção: Tarsem Singh
Elenco: Julia Roberts, Lily Collins e Armie Hammer
País: Estados Unidos
Duração: 106 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre a Branca de Neve, e se você não conhece essa história, então é hora de diminuir as doses de Rivotril.

O QUE TENHO A DIZER...
O filme não merece tanto o desmerecimento que vem recebendo. Ano passado vi filmes muito piores com direção, roteiro e atuações terríveis e o público enlouquecendo como se estivessem assistindo o melhor filme de suas vidas. Definitivamente não consigo entender o gosto das pessoas. Mas consigo entender porque o diretor Tarsem é tão menosprezado, talvez porque poucos entendam seus conceitos e suas visões artísticas.

Formado no Centro Universitário de Arte e Design de Pasadena, começou sua carreira dirigindo comerciais para a Nike, Coca-Cola e Pepsi (na memorável versão de We Will Rock You, aquele com Enrique Iglesias, Beyonce, Britney Spears e Pink), além de importantes vídeos musicais, incluindo o antológico Losing My Religion, do R.E.M. Sigo sua carreira desde essa época, a qual foi uma grande escola para o amadurecimento de sua atual identidade, visíveis nos filmes A Cela (The Cell, 2000), o pouco visto, menosprezado - e com um terrível título em português - Dublê de Anjo (The Fall, 2006), Imortais (Immortals, 2011) e o atual Espelho, Espelho Meu (Mirror, Mirror, 2012). Ele afirmou em uma entrevista recente ao Hollywood Reporter que procurava projetos que pudessem dar liberdade para extravasar sua identidade mais do que ter um bom roteiro. O braço direito para toda essa sua extravagância foi a figurinista, designer, estilista e diretora artística japonesa Eiko Ishioka, que morreu no começo do ano. Eiko trabalhou com Tarsem em seus quatro filmes, além de também ter sido responsável por Drácula (Bram Stoker's Dracula, 1992). Segundo Tarsem, em uma matéria do MovieLine, não estava nos seus projetos filmar Espelho, Espelho Meu, já que era um filme visualmente orientado, o que ele não queria fazer no momento. Mas resolveu fazê-lo porque Eiko estava com câncer, ele sabia que ela tinha poucos meses de vida e que esta seria a última oportunidade que ele teria de trabalhar com ela, além dela ter expressado o intenso desejo de continuar trabalhando. E assim ele o fez.

O resultado é um filme agradável, direcionado especialmente para crianças, com humor infantil e cores fortes, contrastantes e lúdicas para chamar a atenção desse público em específico, bastante diferente dos trabalhos anteriores tanto de Eiko, quanto de Tarsem (com excessão de Dublê de Anjo). Por essa razão, muitos adultos poderão se sentir entediados ou considerar a história muito fraca. A narrativa é contada pelo ponto de vista da Rainha má, interpretada por Julia Roberts, que mesmo com todo aquele monte de pano ainda é possível notar a mesma requebrada de quadril clássica que lhe deu a fama (depois do sorriso), deixando clara a atuação despretenciosa e que, ao mesmo tempo, oferece os únicos diálogos mais adultos e sarcásticos de todo o filme. Lily Collins (filha do cantor Phill Collins), se encaixa perfeitamente no papel, tendo a doçura e a candidez que a personagem tem tanto nos contos quanto na versão animada da Disney. A história não segue as mesmas características do conto original, mas, depois da trilogia Shrek, nenhum conto de fadas tem mais a obrigação de ser levado a sério. O romance entre Branca de Neve e o Príncipe fica em segundo plano, e a química dos dois é bastante fraca. O Príncipe é representado muito mais como um paspalho do que como um herói, tendo sua alma aventureira e desbravadora substituída por cenas que chegam a ser até constrangedoras para um ator, mas vamos nos manter fiéis ao fato de que este é um filme infantil e tudo é possível.

Os sete anões, com participação e nomes bem diferentes da história original, são aqui apresentados como "bandidos", o que caiu melhor, pois são eles quem treinam e fazem de Branca de Neve tudo aquilo que o Príncipe, nessa história, não é. Embora um tanto diferente dos originais tanto dos irmãos Grimm, quanto da animação da Disney, as mudanças não atrapalham o desenvolvimento da história. O único problema é a falta de comprometimento do roteiro que apresenta as coisas de maneira vaga e em um vai e vem na Floresta Negra que acaba deixando a gente tonto, mas as crianças não prestam atenção nisso, sendo essa a razão do filme estar se saindo tão bem (já arrecadou mais de US$160 milhões em todo o mundo). O final vale até uma apresentação bollywoodiana, já que o diretor é indiano e, como é dito logo no começo do filme, "o reino era um lugar feliz, onde as pessoas cantavam e dançavam dia e noite..."

CONCLUSÃO...
Para quem for assistir para comparar com Branca de Neve e o Caçador (Snow White And The Huntsman, 2012), vai levar um belo tombo do cavalo, pois eles não apresentam nada em comum. Para os adultos que esperam algo exepcional, vão cair do cavalo da mesma forma. Apesar dos defeitos comuns nos filmes de Tarsem, o visual é magnífico e o último trabalho de Eiko Ishioka para ser apreciado em sua totalidade, que com absoluta certeza será muito mais apreciado pelo público infantil do que pelo adulto, que, ao menos no cinema, aparentou ter perdido a alma lúdica já há muito tempo.

sexta-feira, 16 de março de 2012

EU JÁ VI ESSE FILME ANTES...

★★★★
Título: O Despertar (The Awakening)
Ano: 2011
Gênero: Terror, Suspense, Drama
Classificação: 12 anos
Direção: Nick Murphy
Elenco: Rebecca Hall, Dominic West, Imelda Staunton
País: Reino Unido
Duração: 107 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre uma parapsicóloga que desmistifica atividades paranormais e desmascara charlatões, e é convidada a investigar os acontecimentos dentro de uma velha e tradicional escola fundamental.

O QUE TENHO A DIZER...
É engraçado como os filmes mais mal desenvolvidos são feitos por diretores estreiantes como esse, o que passa a impressão de que eles estudam cinema, mas não assistem filmes de maneira crítica, pois utilizam sempre das mesmas fórmulas e caem sempre nas mesmas mesmices e erros. O diretor Nick Murphy, que também assina o roteiro, já havia feito alguns pequenos documentários antes, mas não foi o suficiente, até porque a linguagem é completamente diferente. O filme passou despercebido em vários países, em alguns ele foi lançado diretamente em home video e aqui no Brasil isso só não aconteceu porque falou que tem fantasminha, brasileiro vai correndo.

Há algumas coisas bem interessantes neste filme. Ele é muito bem atuado pelo trio de atores principais e tem uma direção de arte fantástica, com uma cenografia simples, mas que brinca com a atmosfera fria, distante e por vezes sombria, reproduzindo fielmente o tempo numa fotografia bastante objetiva. Não apenas isso, mas a profissão da personagem principal, de desmistificar atividades paranormais e desmascarar charlatões foi muito interessante no meio de tantos filmes lançados nos últimos anos e que ficou cansativo frente a constante repetitividade o que da um ar de novidade (até certo ponto). O mesmo pode ser dito sobre a direção (até certo ponto), que não apenas consegue tirar o melhor de seus atores como também conduzir a história de forma efetiva, segurando a atenção e introduzindo-o na história (até certo ponto).

Mas quando a trama culmina na resolução, me senti desapontado. Enganado, na realidade. Tudo começa com uma cena de sexo desnecessária que foi jogada no meio do filme sem uma razão. Naturalmente já acho cenas de sexo desnecessárias em 98,5% dos filmes, neste caso não apenas não encaixa no desenvolvimento como também não acrescenta nada. Tudo bem que, se formos analisar os personagens, todos eles são completamente estranhos e solitários, numa época em que sexo casual era totalmente contra os princípios sociais e religiosos, e o comportamento da personagem de Rebecca Hall é evidentemente justificável pela solidão e pela falta de uma vida afetiva. De qualquer forma, a cena foi jogada livremente na história. Essa condição solitária dos personagens e a necessidade de afeto poderia ter tido uma abordagem diferente e o significado teria sido o mesmo, porém mais delicado. Portanto, essa cena foi o divisor de águas do filme, porque a partir daí vira um festival de bagunça.

Desde O Sexto Sentido (The Sixth Sense, 1999) este tema sobre fantasmas e crianças já está saturado, e partindo-se do princípio que não há mais muitas novidades ou resoluções interessantes (já que quase todas que conhecemos foram exploradas exaustivamente), os roteiristas estão chegando à conclusão que a saída para isso é misturar as conclusões de todos os filmes em um só, dando a impressão de ser algo novo, quando na verdade não é. O Sexto Sentido (The Sixth Sense, 1999), Ecos do Além (Stir Of Echoes, 1999), Os Outros (The Others, 2001), O Orfanato (The Orphanage, 2007), só pra citar os mais populares. Há um pouco de cada um deles neste filme, mas ao invés de oferecerem algo maravilhosamente surpreendente, apenas tira uma cansada sensação de "outra vez isso?" de quem está assistindo.

O filme se perde nos gêneros num ponto que nem os atores parecem saber mais o que estão fazendo ou para onde devem ir ou o que fazer. A explicação que dão sobre a personagem principal é simplesmente intragável porque só uma pessoa no mais profundo coma para não lembrar de onde veio, para onde foi e o que fez. O mesmo digo sobre o fim descabido, cheio de interrogações pra levantar questionamentos da audiência, fazer ninguém chegar a conclusão alguma e dar a falsa impressão de que é muito inteligente. Já vi esse fim antes também.

CONCLUSÃO...
É decepcionante para um filme que começa muito bem, os roteiristas pegaram o caminho mais difícil para oferecer mais do mesmo. Tem gente que vai gostar, mas uma pessoa mais analítica não engole esse filme de forma alguma.

quarta-feira, 7 de março de 2012

BRUNA E RICCELLI ACERTAM OUTRA VEZ...

★★★★★★★

Título: Onde Está a Felicidade?
Ano: 2011
Gênero: Comédia
Classificação: 12 anos
Direção: Carlos Aberto Riccelli
Elenco: Bruna Lombardi, Bruno Garcia, Marcello Airoldi, Marta Larralde, Maria Pujarte
País: Brasil, Espanha
Duração: 110 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre uma chef de cozinha e também apresentadora de um programa de culinária afrodisíaca que descobre que a emissora onde trabalha será vendida e que seu marido cultiva uma amante virtual. Em uma depressão emocional e crise existencial, resolve juntar suas malas e fazer o caminho de Santiago de Compostela em uma peregrinação para sua redescoberta pessoal e da felicidade.

O QUE TENHO A DIZER...
É o terceiro filme dirigido e produzido por Riccelli, com roteiro e também produção de Bruna Lombardi. Também é o segundo filme dos dois no qual Bruna atua. Assim como O Signo da Cidade (2007), este é grande surpresa. Enquanto o filme anterior era um drama bem feito e com cenas belíssimas sobre um ponto de vista bastante melancólico da cidade de São Paulo e o questionamento difícil entre escolhas e destino, neste filme a comédia gira em torno da felicidade e onde poderemos encontrá-la através de hilários pontos de vista de alguns tipos excêntricos.

Riccelli e Lombardi estão ficando melhores a cada novo trabalho e isso é inquestionável. O trabalho anterior foi interessante e com um bom desenvolvimento de roteiro, mas alguns elementos quebravam a experiência, talvez pelo excesso de exigências da distribuidora (Globo Filmes) e a falta de uma direção mais firme que fizesse os atores oferecerem atuações mais inspiradas. Mas parece que Riccelli aprendeu com a experiência e melhorou sua maneira de conduzir as coisas. Mesmo a Globo Filmes continuar sendo a distribuidora do filme, a confiança tanto de Riccelli quanto Lombardi é muito mais evidente, lidando melhor com problemas e falhas que fizeram de O Signo da Cidade um filme belo, mas frustrante em algumas cenas.

Bruna é bastante influenciada neste filme por Almodóvar e comédia de absurdos, que se misturam com seu próprio estilo em um filme que não se passa em um período ou uma época definida para contar a história de Teodora, a personagem prinicipal. Mesmo parecendo ser mais uma comédia comum, há vários momentos genuinamente engraçados, aém de uma produção de primeira. O equilíbrio existente entre o figurino colorido, diálogos inteligentes e motivados junto com uma peregrinação por um lugar tão mágico quanto Santiago de Compostela fazem do filme algo extremamente prazeroso de se assistir.

Atuado por atores de vários lugares, cada um deles tem sua importância, e os atores convidados são apresentados e colocados em cenas devidas e que não atrapalham o desenvolvimento da história, o que é um alívio, já que geralmente não é assim que acontece quando tentam sempre enfiar participações de atores mais pela popularidade do que pela sua importância na história, uma característica quiçá pobre e ainda mantida pela Globo Filmes. Os demais atores do elenco principal são bem dirigidos e alguns outros que poderiam ser irritantes nunca são exatamente pelo fato de Riccelli ter dado mais atenção às atuações do que se preocupar apenas na perfeição técnica das cenas, diferente do que acontece no filme anterior. Os diálogos são muito interessantes e inteligentes, encaixados em situações absurdas mas com o cuidado de não cair no ridículo, sendo poucos os momentos entediantes. Nunca fui muito fã de Bruno Garcia (Nando) e seus vícios de interpretação, mas ele fez um bom trabalho com cenas que nunca excedem o necessário. Bruna Lombardi, embora nunca tenha sido uma grande atriz, assim como em O Signo da Cidade, mais uma vez oferece uma de suas melhores performances, muito melhor do que quando atuava em novelas.

Mas o ponto de maior destaque do filme é, sem dúvida, o roteiro. O filme não seria o que é se não fosse por ele. Bruna afirmou diversas vezes que foi morar em Los Angeles especificamente para estudar e aprimorar sua escrita e o processo de roteirização. Ela aprendeu bem. Sua forma de escrita é rica, descritiva e cheia de detalhes que enquanto eu assistia ao filme era como se eu estivesse lendo o que acontecia na tela.

Acredito que o único grande problema seria os seus quase 120 minutos, mas Bruna e Riccelli estão entrando no tom certo e se transformando em uma excelente influência no cinema nacional, o que me faz ter certeza de que o amor e a dedicação que eles tem pelo que fazem como artistas e produtores ainda nos presenteará no futuro com maravilhosas surpresas.

CONCLUSÃO...
É um pouco diferente dos padrões das comédias nacionais, extremamente bem produzido e com um humor leve e esperto, com diálogos bem escritos dentro de situações propositalmente exageradas que se equilibram, sendo até por vezes bastante motivador e que merece ser apreciado.

segunda-feira, 5 de março de 2012

HUGO E A SUA FANTÁSTICA FÁBRICA DE MEMÓRIA...

★★★★★★★★
Título: A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
Ano: 2011
Gênero: Fantasia, Aventura, Drama, Comédia
Classificação: Livre
Direção: Martin Scorcese
Elenco: Ben Kingsley, Asa Butterfield, Cloe Grace Moretz, Helen McCrory, Emily Mortimer, Sasha Baron Cohen.
País: Estados Unidos
Duração: 126 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre um órfão que mora numa estação de trem e passa os dia cuidando do relógio da estação e em busca de peças para tentar consertar um autômato deixado por seu pai e que ele acredita conter algum segredo.

O QUE TENHO A DIZER...
É uma bela história sobre o cinema que Martin Scorcese resolveu contar baseado na obra do escritor e ilustrador Brian Selznick, filho de David O. Selznick, grande produtor de Hollywood nos anos 20-50. É uma bela mistura de realidade e fantasia principalmente para aqueles que não estão familiarizados e acreditam que o cinema começou nos Estados Unidos, mas certamente serão poucos que irão assistir ao filme e assimilar este ponto de vista ou até mesmo perceber que estão assistindo a uma alegoria de uma história que não é fictícia. Um maravilhoso tributo ao cinema francês do começo ao fim.

O filme de alguma forma me lembrou bastante os de Jean Pierre Jeunet e Marc Caro, os aspectos visuais, a importância de segmentos da vida cotidiana, personagens incomuns e o uso da fantasia para contar uma história simples que se transforma bela e admirável. Isso acontece talvez pelo fato de Jeunet ser um dos mais importantes diretores franceses contemporâneos e que é claramente inspirado por George Meliés e seu fantástico e colorido mise en scene.

Scorcese oferece à audiência uma tocante e inspirada jornada que apenas um diretor experiente poderia oferecer, misturando o cinema clássico com o que há de mais moderno em tecnologia, resultando numa emocionante tragetória do antigo ao novo num perfeito equilíbrio. O grande problema do filme é ele ficar em um meio termo entre o público adulto e o infantil, além de infelizmente muitos não assimilarem a história e a que ela se refere. Um pouco longo também, como costumam ser os filmes do dirtor. Embora seja admirável essa homenagem e manutenção da memória que Scorcese quis, é uma pena que ela realmente pouco exista de fato. Mas agora está imortalizada e disponível para quem se interesse.

CONCLUSÃO...
Maravilhoso. O filme não é apenas nostálgico por nos levar às raízes do cinema, mas também aquilo que George Meliés exatamente esperava do cinema: uma oportunidade para sonhar novamente.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

SOMOS COMO CACHORROS...

★★★★★★★★★☆
Título: Tiranossauro (Tyrannosaur)
Ano: 2011
Gênero: Drama
Classificação: 16 anos
Direção: Patty Considine
Elenco: Petter Mullan, Olivia Colman, Eddie Marsan
País: Reino Unido
Duração: 92 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre um homem movido pelo ódio e revolta por conta dos duros golpes da vida e, o que tem levado a sua auto-destruição, tem a oportunidade de mudar e ver as coisas por pontos de vista absolutamente diferentes ao se deparar com uma mulher que é o oposto de tudo aquilo que ele está familiarizado.

O QUE TENHO A DIZER...
Filme de estréia do ator Paddy Considine na direção, o qual ele também assina o roteiro original. Tiranossauro foi um sucesso de crítica. Ganhou vários prêmios europeus e foi destaque no Sundance Film Festival ao receber os prêmios de direção e especial de juri aos atores principais. É difícil falar sobre este filme porque é um dos mais fortes, duros e brutos filmes que assisti nos últimos anos, um murro na cabeça logo no seu primeiro minuto. Esteja preparado caso queira assistí-lo porque ele pode surpreendê-lo assim como fez comigo.

Tiranossauro é interessante em vários aspectos. O primeiro deles é que não é um filme fácil de assistir, e mesmo sendo um drama intenso, há pequenos momentos de tensão e surpresas. Além de tudo, o desenvolvimento dos personagens é algo a se considerar porque o filme já começa em um ponto crítico para todos eles.

Às vezes nauseante, porque o filme mostra o pior de todos nós, mas também o melhor. Como li em um comentário, o filme "oferece uma representação pontual dos dois personagens, ficando difícil assistí-lo sem se sentir igualmente tocado e repelido ao mesmo tempo".

Joseph e Hanna são dois personagens que representam dois lados diferentes que se encontram e complementam os medos e as bravuras um do outro. Eles pensam e reagem de maneira diferente, mas acima de tudo eles são humanos e passíveis de mudança até mesmo das suas mais sólidas opiniões. Eles também tem algumas coisas em comum como a descrença sobre algumas coisas. Enquanto Hanna tenta enganar ela mesma a todo tempo, criando um mundo completamente diferente do qual ela vive, Joseph nunca esconde a verdade e todo seu ponto de vista negativo sobre as coisas.

A princípio o filme me lembrou bastante Um Dia De Fúria (Falling Down, 1993) porque todos nós temos um pouco de William Foster em nós, mas embora o personagem de Michael Douglas represente o que se passa na nossa cabeça durante um dia de completa raiva e estresse, se você quiser saber o que pessoas comuns poderiam fazer nos verdadeiros dias de fúria, sem dúvida, Joseph e Hanna são os exemplos mais próximos.

Apesar da fúria, do ódio e rancor, as razões de cada um se tornam claras nos momentos certos graças ao desenvolvimento da trama e do roteiro. Há um momento em que Joseph nos compara a cachorros, dizendo que precisamos ter consciência de quanto um cachorro necessita ser maltratado para ficar com medo e atacar outras pessoas, e ao mesmo tempo o tanto que esse mesmo cachorro precisa ser convencido de que outras pessoas não estão lá para maltratá-lo. Isso é o que nós somos.

Mas o filme não seria o que é se não fosse pela suas atuações. Francamente as melhores atuações do ano. Esqueça os favoritos do Oscar 2012, Petter Mullan (Joseph) e Olivia Colman (Hanna) estão fantásticos, oferecendo atuações viscerais de duas pessoas mentalmente perturbadas por traumas adquiridos durante suas vidas e que atingiram um ponto onde não podem mais enxergar qualquer perspectiva. Olivia Colman, uma atriz britânica mais conhecida no outro continente por personagens cômicos, representa de forma tão sutil e ao mesmo tempo emocionalmente densa, expressando as dificuldades de sua personagem em sentimentos mistos de maneira perfeita. Não podendo esquecer também o ator Eddie Marsan, o qual apenas a presença em cena já deixa evidente a instabilidade mental e a perversidade de seu personagem. Sem dúvida, as performances salvam o filme de qualquer imperfeição, além de melhorar o que já tinha de perfeito.

CONCLUSÃO...
Se você não está em condições de assistir um drama pesado e caótico, coloque este filme de lado, mas não esqueça dele porque vale ser assistido. Mas se você está procurando atuações de primeira e uma boa obra dramática que pode ter o poder de transformar a angústia em importantes lições a serem aprendidas, este é o filme.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

UM TANTO NIILISTA...

★★★★★★★★
Título: Direito de Amar (A Single Man)
Ano: 2009
Gênero: Drama
Classificação: 14 anos
Direção: Tom Ford
Elenco: Colin Firth, Julianne Moore, Matthew Goode
País: Estados Unidos
Duração: 99 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Depois da morte repentina de seu namorado, um professor inglês e bem conceituado ainda sofre com a perda, amargando em uma depressão que o está levando a pensamentos suicidas por não ter mais perspectivas positivas sobre sua vida.

O QUE TENHO A DIZER...
É interessante saber que este filme foi dirigido pelo famoso estilista americano, Tom Ford, responsável por ter revitalizado a marca Gucci nos anos 90 e que é casado com o ex-editor da Vogue, o jornalista Richard Buckley, há mais de duas décadas. Com este filme o estilista e empresário se consagra como um homem multimídia, já que seu filme de estréia (e único até hoje) não faz feio. Mais impressionante ainda é saber que o roteiro também é assinado inteiramente por ele, baseado no livro de Christopher Isherwood, autor do conhecidíssimo no meio artístico, Cabaret.

Apesar dos esforços, o filme mais consagrou Collin Firth do que Tom Ford, já que o ator concorreu ao seu primeiro Oscar, além de ter concorrido em diversas premiações e ganhado outras. Tom Ford foi ignorado pelo Oscar e Globo de Ouro, mas chegou a ganhar alguns prêmios consideráveis.

A obra original conta a história de George, um professor inglês que se muda para a Califórnia e constrói uma vida acadêmica de muito sucesso. Lá ele conhece Jim, o grande amor de sua vida. O livro, lançado em 1964, é considerado como "a primeira grande obra moderna do movimento de Liberação Gay", já que ele antecedeu esse movimento que começou no final da década de 60 e durou até meados do começo dos anos 70, tendo remanescentes até hoje, como as paradas gays anuais existentes em várias cidades de diversos países do mundo. Tanto que o fato da obra se passar no estado da Califórnia é um tanto proposital, já que é onde está a cidade de São Francisco, conhecida como a "capital mundial gay", que aderiu ao movimento e, consequentemente, à grande revolução sexual que ocorreu nos EUA nos anos 70.

Nunca li o livro, então não posso dar uma opinião a respeito da sua adaptação. Para Ford sua adaptação foi um projeto pessoal e que ele considera autobiográfico, chegando a dizer que "assistir ao filme é estar dentro de sua cabeça por uma hora e meia", o que soa um pouco estranho e presunçoso, pois embora um filme seja a visão do diretor sobre uma obra, o roteiro não é uma obra original. Mas é compreensível o que ele diz, já que em uma entrevista ao The Wall Street Journal ele completou afirmando que há muitas similaridades entre ele e o personagem, admitindo que ele e o protagonista são meticulosos e que também já se sentiu isolado e depressivo em alguns momentos da vida.

Mas assistindo ao filme como um filme, e não como uma adaptação, a experiência é bastante interessante já que Ford foi delicado em dialogar sobre o tema, o relacionamento amoroso do personagem, as dificuldades que ele enfrenta com ele mesmo e os fantasmas sociais, tratando tudo de forma bastante natural, evitando ao máximo os clichés tanto na caracterização dos personagens quanto das situações. Embora delicado no tratamento, a carga dramática é pesada e bastante pessimista por estar a todo momento nos colocando na condição depressiva do personagem, tanto que a fotografia do filme é apagada, embassada e incômoda. Isso não é à toa, e notamos isso principalmente quando George se encontra em momentos absolutamente breves de intensa satisfação e a imagem se torna absurdamente nítida, com cores vivas que chegam a arder os olhos.

Mas o filme não fala somente sobre o sofrimento de um homem que perdeu alguém que amava, mas também uma representação das dificuldades de ser gay na sociedade que vivemos. É interessante que logo no começo do filme George diz que, ao acordar, ele não se reconhece, descobrindo quem ele realmente é quando ele está rigorosamente como a sociedade quer vê-lo. Só essa narrativa já significa muito dessas dificuldades que ainda existem nos dias de hoje. O sofrimento que o personagem sente significa mais do que é suposto, também significa, acima de tudo, a falta de objetividade de uma sociedade medíocre e hipócrita que se esconde por detrás de julgamentos e preconceitos, o que faz o filme ser bastante atual mesmo sendo retradado em uma época diferente.

Tom Ford afirmou diversas vezes que não é um filme gay e que ele nunca pensou em fazê-lo como um exemplo dessa cultura, já que ele é algo pessoal e abstraído dos clichés que filmes com essa temática costumam utilizar como uma assinatura. De qualquer forma, é impossível evitar comparações e alguns questionamentos.

Talvez seja por isso que o filme tenha sido considerado um tanto quanto superficial, pois tem uma visão bastante particular e restrita, como um chiste, mas neste caso sobre algo triste.

CONCLUSÃO...
Um filme sutil e denso, que trata de temas como a homossexualidade e o amor no seu estado mais romântico, duro e realista.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

FIQUEM COM A VERSÃO SUECA!

★★★
Título: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres (The Girl With The Dragon Tattoo)
Ano: 2011
Gênero: Drama, Policial, Suspense
Classificação: 16 anos
Direção: David Fincher
Elenco: Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer, Robin Wright, Stellan Skarsgard
País: Estados Unidos
Duração: 156 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre um jornalista que, ao ser contratado para investigar o desaparecimento de uma mulher há 40 anos, acaba se deparando e sendo auxiliado por uma hacker introspectiva e anti-social que não apenas sabe muito mais do que ele imagina como também tem segredos e um passado violento.

APENAS UM PARÊNTESES...
Para aqueles que não sabem, este filme é uma adaptação norte-americana da primeira parte da trilogia de livros sueca, Millennium, do autor Stieg Larsson. A trilogia já foi adaptada para o cinema pelos diretores suecos Niels Arden Oplev e Daniel Alfredson em 2009, o que faz dessa versão também um remake. A trilogia de livros fez muito sucesso no mundo, e os filmes principalmente na Suécia. Mas o autor não pode presenciar isso, já que ele veio a falecer por problemas cardíacos pouco tempo depois de ter finalizado o terceiro livro. A intenção de Stieg Larsson era de que Millennium fosse uma série de livros muito maior e não apenas uma trilogia, tanto que, após sua morte, foram encontradas anotações e esboços de histórias seguintes, parece até que o quarto livro já havia sido começado. A trilogia original sueca, após ter sido lançada no cinema, foi relançada como mini-série televisiva com as versões extendidas dos filmes, contendo cenas e seqüencias que ficaram fora das versões que passaram nos cinemas. Para se ter uma idéia, a versão extendida do original sueco deste filme possui 182 minutos. Stieg chegou a afirmar que a personagem principal da trilogia, a heroína Lisbeth Salander, foi inspirada em uma garota, também chamada Lisbeth, que ele viu ser violentada e morta quando pequeno e, sem poder ter feito nada, aquela memória ficou muito presente em sua vida. Foi então que não apenas a personagem nasceu, mas também os livros.

O QUE TENHO A DIZER...
A versão norte-americana saiu exatamente como eu esperava desde quando publicaram a notícia de que ele estava em produção. A versão de David Fincher sem dúvida é mais leve, limpa e bonita do que a versão sueca de Niels Arden Oplev, e essa é a gigante diferença entre as duas produções, e também é a gigante diferença entre o que é produzido em Hollywood e o que é produzido fora de lá.

Meus comentários sobre o filme é APENAS sobre o filme em si e não como uma adaptação, então não importa no momento qual foi a adaptação mais fiel ao livro ou não, mas ao invés disso, qual deles tem um melhor desenvolvimento já que os dois usam exatamente a mesma fonte. E para ser sincero, eu poderia escrever um livro ou uma tese de mestrado só pontuando os defeitos da versão norte-americana, mas vou tentar não ser tão duro quando eu deveria.

Infelizmente este não é um caso como, por exemplo, do filme Capote (2005) e o similiar Confidencial (Infamous, 2006), no qual ambos contam a mesma história, mas sobre pontos de vista diferentes, já que esses dois filmes contam a respeito do mesmo período em que Truman Capote escrevia sua grande obra, A Sangue Frio. No caso, este remake norte-americano nada mais é que apenas e unicamente mais um dispensável produto, assim como dezenas de outras adaptações hollywoodianas de filmes estrangeiros muito melhores nas suas versões originais.

Admiro muito David Fincher, sinceramente. Ele fez excelentes trabalhos que se transformaram em referência. Deu também outra dimensão a um gênero que estava estagnado, recriando de certa forma a fórmula de serial killers, fazendo a palavra "suspense" ganhar outra profundidade em filmes como Se7en (1995), Clube Da Luta (Fight Club, 1999) e até mesmo O Quarto Do Pânico (Panic Room, 2002), filmes que mudaram a forma como o gênero passou a ser produzido desde então. Por essa razão, fazer uma versão americana do livro de Stieg Larsson (ou um remake da versão sueca, como preferir) ficou um pouco vago nas mãos habilidosas de David Fincher. Talvez o motivo para isso seja pelo fato de este ser o único suspense policial realmente interessante a ter surgido após Se7en e ser tão bom quanto ele (se não for melhor).

Não há grandes diferenças no desenvolvimento da história entre ambos, mas há uma grande diferença técnica. É impossível evitar comparações porque não é simplesmente uma disputa entre um filme de baixo orçamento versus um filme de grande orçamento, estamos falando de arte e da capacidade de transformar um livro complexo em um filme que não soe banal. Em uma mão temos a versão sueca que, apesar de seu baixo orçamento (custou em torno de US$13 milhões), é parte de uma bem escrita, produzida e dirigida trilogia de sucesso (arrecadou mais de US$100 milhões no mundo). Na outra mão temos apenas uma garrafa de água cara (custou US$90 milhões e arrecadou US$232 milhões no mundo, sem descontar os gastos de promoção).

A versão sueca não teve medo de ser chocante, e como disse antes, a versão americana é mais leve, acessível e também mais didática, feita para aqueles que não gostam de pensar muito enquanto assistem um filme com uma temática um pouco mais complexa, como disse um comentário que li sobre o filme: Hollywood emburrece as coisas, fazendo tudo ser mais acessível e de fácil digestão para uma criança de 10 anos.

O filme original é muito mais elaborado, dando atenção apenas aos fatos mais importantes do livro, conectando as diferentes tramas existentes de forma eficiente do começo ao fim em uma história redonda que se desenvolve sem esforços em um roteiro bem elaborado e detalhado, uma edição precisa e uma direção que entendeu perfeitamente a fonte do trabalho e o que fazer. Da mesma forma sobre as atuações. Rooney Mara e Daniel Craig fizeram um bom trabalho, ambos são os mais próximos daquilo que teríamos de Lisbeth e Mikael caso Noomi Rapace e Michael Nyqvist, da versão sueca, nunca tivessem existido. Rapace e Nyqvist mostram uma química que nunca acontece entre Craig e Mara na versão norte-americana.

A cena de abertura da versão de David Fincher é incrívelmente desnecessária e que nos dá a falsa impressão de que o filme será tudo o que não é. Ele chegou a afirmar que a abertura é justamente a forma como ele conseguiu expressar o que se passa dentro da cabeça de Lisbeth, o que é bastante efetivo para um video clip da versão de Trent Reznor e Karen O de "Imigrant Song", do Led Zepellin. Para mim a abertura foi simplesmente uma forma de complementar e desculpar a audiência da falta da chocante audacidade, crueza e realismo de uma personagem que foi muito bem explorada na versão sueca. Até mesmo a tatuagem dela está mais sutil, ou melhor dizendo, esquecível. A imagem de Lisbeth na versão sueca é incômoda, suja, fedida a cigarro e que desperta preconceitos porque contém nela todos os elementos da agressividade da cultura punk e é essa a forma como a personagem se comunica. Na versão norte-americana isso só acontece na apresentação da personagem, no resto do filme isso é descartado e ela simplesmente se transforma em uma mocinha mal vestida com um cabelo mal cortado.

Fincher também chegou a dizer várias vezes que ele não assistiu a versão sueca, mas há cenas tão similares entre os dois filmes que chamá-las de IDÊNTICAS não seria exatamente uma ofensa. Parece que Fincher fez algumas mudanças aqui e alí apenas para dizer que é diferente e chamar aquilo de seu. Ok, então vamos acreditar que o que ele afirmou é verdade, neste caso ele deveria ter assistido a versão sueca para saber como o filme deveria ter sido feito de verdade.

Enquanto a versão de Niels Oplev é tensa e mantém a atenção do começo ao fim por eventos e subtramas que estão amarradas de forma brilhante e nunca esquecendo da importância dos dois personagens, a versão de Fincher é tediosa e a cronologia da trama é disconexa. A forma como ele mostra como Lisbeth e Mikael se conectam um com o outro é muito superficial e parece tão sem importância que se há algo ele conseguiu fazer muito bem nesse filme foi transformar Lisbeth em uma coadjuvante qualquer, além do fato dele revelar todos os detalhes errados em todos os momentos errados, efetivamente destruindo qualquer mistério ou suspense da história. Há uma cena em particular na qual Lisbeth e Mikael fazem sexo. A forma como isso acontece na versão sueca é muito mais dura, seca e direta, em um lugar sujo e desconfortável. Na versão norte-americana rola até uma troca de olhares, uma paquera, um sorriso e uma paixão numa cama macia com lençóis de algodão. É uma das cenas mais simbólicas descritas no livro, já que é o momento que vemos quem Lisbeth realmente é e o que sente, e definitivamente quando ela resolve agir e pensar como um homem. Ficou evidente que Fincher não sabia o que estava fazendo.

Os dois filmes também são muito longos, mas a narrativa e a dinâmica da versão sueca prende a atenção ao ponto de não perceber que o filme dura 2 1/2 horas, enquanto na versão norte-americana, quando você dá graças a deus por ter acabado, não acabou, tem ainda um bom pedaço pela frente.

Fiquei completamente desapontado com a versão de Fincher, principalmente porque vem recebendo mais atenção que a versão original. Não havia razões para a existência desse remake já que não há algum grande ou relevante ponto de vista em momento algum. Uma grande perda de tempo e dinheiro, uma vergonhosa e mal feita cópia da versão sueca. O mais revoltante é que a versão de Fincher será mais popular e ainda chamada de original, acredite.

Aqueles que estão chamando o filme de "maravilhosa adaptação" ou "o melhor filme do ano", certamente não assistiram a trilogia sueca, ou não se importaram com isso. Esse filme só me fez pensar em como o remake de Psicose (Psycho, 1998), de Gus Van Sant, agora parece tão bom.

CONCLUSÃO...
Se eu visse alguém na locadora segurando esse filme, eu tiraria na hora, e colocaria a versão sueca no lugar.

domingo, 15 de janeiro de 2012

CONHEÇA O MAIS NOVO GRANDE SUPER HERÓI DO SÉCULO PASSADO...

★★★★★★
Título: Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras (Sherlock Holmes: A Game Of Shadows)
Ano: 2011
Gênero: Ação, Aventura, Suspense, Comédia
Classificação: 12 anos
Direção: Guy Ritchie
Elenco: Robert Downey Jr., Jude Law, Noomi Rapace, Jared Harris, Kelly Reilly, Rachel McAdams
País: Estados Unidos
Duração: 129 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Continuação do primeiro Sherlock Holmes, em que o detetive e seu fiel companheiro se reunem novamente para encontrar e derrotar o mais temível de seus adversários, o Professor Moriarty.

O QUE TENHO A DIZER...
O primeiro Sherlock Holmes não apenas tirou Guy Ritchie da sombra de Madonna sobre seus trabalhos, mas também reforçou a idéia de que ícones problemáticos como Robert Downey Jr., Jude Law e até mesmo Guy Ritchie, continuam se dando bem nas bilheterias, deixando claro que problemas pessoais vendem e que o público adora esses tipos: os homens gostam porque eles são a representação da masculinidade moderna, e as mulheres porque eles expõem a brutalidade e a natureza masculina. Downey Jr. com seus históricos problemas com drogas, sua prisão e o hiato em uma carreira que havia sido dada como morta, Jude Law com seus problemas extra-conjugais e sua panca de eterno amante, e Guy Ritchie, bom... além de ser taxado como homofóbico, briguento e violento, também era casado com Madonna.

Mas colocando isso de lado, o primeiro filme foi um ar fresco para o personagem que havia se tornado obsoleto tanto quanto James Bond durante os anos. Da mesma forma como Daniel Craig renovou o espião mais amado do mundo, Guy Ritchie e Downey Jr. renovaram o detetive mais amado do mundo.

Fãs dos livros gostaram da abordagem feita pelo diretor e pelo ator, embora muitos ainda continuem questionando a presença e o tamanho da importância dada a alguns fatos e personagens no primeiro filme, como Irene Adler (Rachel McAdams), já que esta personagem é mencionada apenas em uma história do detetive. A presença de Rachel McAdams também trouxe uma outra dimensão ao primeiro filme porque ela era a melhor parceira que Sherlock Holmes poderia ter nos filmes, tal qual Marion foi para Indiana Jones. Irene era mencionada pelo próprio Sherlock nas histórias como "a mulher", pois ela representava tudo aquilo que Sherlock gostava nas mulheres, e uma personagem que ele realmente amou. Não pude deixar de esconder meu desapontamento quando fiquei sabendo que a presença dela em O Jogo das Sombras seria importante, mas breve... muito breve. O começo do filme é ao mesmo tempo um dos pontos mais altos da história, pois é neste momento que temos a verdadeira noção tanto da astúcia de Irene quanto da força de Moriarty.

No lugar de Rachel, agora há Noomi Rapace representando a cigana Simza Heron, uma personagem que aparece e desaparece do filme e ninguém nem nota. Se muitos fãs se incomodaram e disseram que Irene Adler foi sem utilidade no primeiro filme, esses fãs agora terão razões de sobra para fazer o mesmo com a personagem de Noomi Rapace, já que ela nem existe nos contos de Conan Doyle, além de nenhum filme que assisti ultimamente ter uma personagem tão inútil e que não havia nada para contribuir para o desenvolvimento do filme como a personagem Sim Heron.

O nome de Noomi Rapace nos créditos do filme foi uma maneira indireta de promover a atriz sueca pela mundo e ligar seu nome ao remake de Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, de David Fincher, já que ela é a atriz principal do original sueco. Foi tão comercialmente feito dessa maneira que Os Homens foi lançado no dia 14 de dezembro, e Sherlock no dia 16 de dezembro. Aqui no Brasil os posters de O Jogo das Sombras e o remake de Os Homens ficavam estrategicamente dispostos nos cinemas de maneira intencional. Vi muita gente parando em frente e dizendo algo do tipo "a atriz desse filme é a que fez o original desse outro filme aqui".

Enfim... embora tenha sido usado mais como um objeto promocional e uma estratégia comercial, O Jogo das Sombras é um bom filme de ação. As cenas em câmera lenta e as que representam a resolução lógica e o lado prático de Sherlock Holmes foram mantidas e melhoradas, e para mim são as melhores cenas de todo o filme, além da história linear e bem desenvolvida. Mas acho que alguns exageros tornaram Sherlock Holmes muito mais um novo grande super herói politicamente incorreto do que apenas um detetive dedutivo e esperto que prevê acontecimentos por calcular meticulosamente as possibilidades.

Muitas pessoas adoram a excentricidade de Downey Jr. e sua maneira cínica de atuar, mas pessoalmente não gosto deste constante hábito que ele tem de sempre atuar como se tudo fosse um grande circo e ele estivesse zombando do público o tempo todo, porque é assim que ele tem feito em todos seus últimos filmes. Jude Law é sempre ótimo, e Jared Harris, como Moriarty, é sem dúvida o maior vilão que você nunca deveria ter conhecido.

Sinto que aconteceu nesse filme o mesmo que aconteceu com o filme de Soderbergh, 12 Homens e Outro Segredo (Ocean's 12, 2004), um filme feito para reunir a 'galera' que curtiu ter trabalhado junta, cheio de diálogos improvisados e piadas internas, deixando o público muitas vezes sem entender o que estão fazendo ou dizendo. Mas o filme segue como deveria e mantém o que promete nas suas 2 horas de duração provando que Guy Ritchie pode deixar de ser diretor de filmes cult de ação pelos quais ele ficou conhecido e se transformar em um excelente diretor de blockbusters sem perder seu estilo próprio.

CONCLUSÃO...
Bom filme de ação, com muitos exagero desnecessários. Provavelmetne no próximo filme Sherlock Holmes irá aprender a voar. Ainda prefiro e acho o primeiro genial, mas quem quer apenas se divertir vai curtir.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

ALERTA VERMELHO...

★★★★★★★★
Título: Contágio (Contagion)
Ano: 2011
Gênero: Suspense, Drama
Classificação: 12 anos
Direção: Steven Soderbergh
Elenco: Matt Damon, Jude Law, Kate Winslet, Marion Cotiliard, Lawrence Fishburne, Gwyneth Paltrow
País: Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos
Duração: 106 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Um vírus mortal e de alto grau de contágio começa a se espalhar e a matar milhões de pessoas pelo mundo ao mesmo tempo que inicia-se uma guerra social e política para a contenção da ameaça.

O QUE TENHO A DIZER...
Aqui é Steven Soderbergh mais uma vez mostrando-se eclético ao realizar um gênero que ele ainda não explorou com pronfundidade. Embora o filme tenha sido promovido como um filme de horror, na realidade é um suspense dramático, viajando um pouco pelo gênero promovido algumas vezes, mas ao contrário do terror que estamos acostumados a ver, neste filme em particular o diretor trata do medo iminente e invisível, do perigo real e que temoriza milhares de pessoas.

Para realizar este filme Soderbergh e o roteirista Scott Burns quiseram se manter o mais fiel à realidade possível, sendo o filme posteriormente elogiado pela revista New Scientist. O diretor e o roteirista entrevistaram e acompanharam médicos infectologistas, sendo acessorados por um médico infectologias, o Dr. Ian Lipkin, para se atentarem a detalhes científicos e mantê-los o mais correto possível, o que fez com que Soderbergh refilmasse algumas cenas quando estas fugiam do caráter científico real. O vírus mortal retratado no filme é baseado no vírus Nipah, descoberto em 1999 durante um surto na Malásia e que era transmitido para os humanos através de porcos. O realismo do filme não é diminuido pela sua dramaticidade, pelo contrário, embora uma ficção, o filme é uma reprodução de uma possível realidade, por isso acaba sendo assustador.

Nos anos 60 o diretor George Romero escreveu e dirigiu o clássico A Noite Dos Mortos-Vivos (Night Of Living Dead, 1968), o primeiro de sua tão conhecida "Hexologia dos Mortos". Romero afirmou incansavelment durante as décadas que seus filmes não são simplesmente filmes sobre zumbis e que ele não faz esses filmes simplesmente porque as pessoas querem assistir ou porque ele tem uma legião de fãs, mas porque ele sente a necessidade de que algo precisa ser dito naquele momento. É por isso que seus filmes tem um forte conotações político-sociais disfarçados em alegorias e metáforas porque ele sempre acreditou e tentou alertar as pessoas de que o governo pode ser responsável pela maioria das doenças e desastres humanos. E o que ele chama de "doenças" e "desastres" não é simplesmente o que é causado por vírus ou bactérias, mas tudo que nos rodeia e nos fazem doentes, incluindo uns aos outros.

Sodebergh, intencionalmente ou não, esclareceu de fato muito do que Romero tentou dizer, mas enquanto Romero metaforizava as idéias, Soderbergh foi explícito e enfiou o dedo na ferida. E os resultados são trágicos. O filme é desconfortável desde a primeira tossida, e é assim até o final.

Contágio consegue se manter fiel e acurado à realidade científica e na realidade em que vivemos, não medindo esforços e nunca aliviando a audiência da crueldade dos eventos. Enquanto nos filmes de Romero as pessoas saiam com medo e pensando "aquilo poderia acontecer", as pessoas terminam de assistir Contágio pensando "isso realmente pode acontecer". Por isso não é um filme de horror comum, é um drama com fatos reais, mostrando que o grande perigo do ser humano somos nós mesmos, explícito e provocativo. Um filme lento, mas tenso, para um tipo de público diferenciado, assim como costumam ser os filmes do diretor em sua grande maioria.

Duvido que depois de assistir ninguém saia pensando duas vezes antes de pegar em uma maçaneta, cumprimentar alguém ou simplesmente coçar o rosto da forma banal como faziam antes.

CONCLUSÃO...
Duro, realista e provocativo. Uma reprodução bastante fiel da realidade científica e da realidade que vivemos em eventos que realmente podem acontecer, e essa possibilidade nos aterroriza diariamente. Além de mostrar a melhor atuação de Gwyneth Paltrow, já que ela fica doente e morre...

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

UM DOS MELHORES TÍTULOS DE 2011...

★★★★★★★★
Título: Histórias Cruzadas (The Help)
Ano: 2011
Gênero: Drama, Comédia
Classificação: 12 anos
Direção: Tate Taylor
Elenco: Emma Stone, Viola Davis, Octavia Spencer, Bryce Dallas Howard, Jessica Chastain
País: Estados Unidos, Índia, Emirados Árabes Unidos
Duração: 146 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre uma novata escritora branca que resolve escrever um livro contado a vida das empregadas domésticas negras e seus pontos de vista sobre o racismo que sofrem dentro das famílias que trabalham, e o tratamento que recebem daqueles que um dia eram crianças e que elas ajudaram a cuidar e dar a educação.

O QUE TENHO A DIZER...
O filme é baseado no best seller homônimo de Kathryn Stockett e dirigido pelo novato Tate Taylor, sendo este seu segundo trabalho como diretor de longa metragem, por isso a sensação de que o filme funciona mais pelas experientes atrizes que dominam todas as cenas do que pela direção.

A história toma carona na grande revolução social que ocorreu no estado do Mississipi na década de 60 a respeito da segregação racial existente e muito rígida no estado naquela época, onde os negros eram obrigados a ter uma vida social diferente e separada dos brancos, com igrejas, escolas próprias e lugares públicos diferenciados, além de diversas outras regras que eram impostas como leis, com direito a punição a quem descumprisse. Havia regras, por exemplo, que impediam os negros de conversarem com os brancos em lugares públicos, e os negros eram punidos legalmente caso isso acontecesse, como um crime, mesmo que a atitude tivesse partido dos brancos. O Movimento dos Direitos Civis neste estado durou aproximadamente 10 anos e a segregação só teve "fim" com decisão da Suprema Corte em 1969. "Fim" entre aspas porque, embora fosse proibido a distinção de raças em locais públicos, obviamente o racismo ainda continuou forte.

É um daqueles raros filmes sobre mulheres e forte conteúdo social que é prazeroso e gostoso de assistir, quando não deveria ser assim. Como dito, todos os créditos vão para o grandioso elenco que sabia exatamente o que fazer, dando o tom exato que cada personagem precisava de uma forma tão brilhante e expressiva que a presença do diretor parece ter sido dispensada.

Viola Davis (Aibileen Clark) mais uma vez surpreende com uma atuação simples e sutil que transcende uma carga dramática forte apenas com a presença, sobre uma mulher com um coração fragilizado e machucado pelos tempos difíceis, pelo preconceito e ignorância. O mesmo pode ser dito a Octavia Spencer (Mnny Jackson), o que faz das duas personagens principais uma parceria tão intensa e perfeita quanto Thelma & Louise. Bryce Dallas Howard, embora fazendo um papel que tem sua cara, esta bem diferente de seus trabalhos anteriores, tendo sido uma perfeita escolha para o papel da arrogante e racista Hilly Holbrook, que às vezes é carismática e compreensiva, e às vezes é a pior pessoa e mais ignorante que você poderia conhecer, sua atuação é um misto de pequenas e exageradas boas doses, fazendo rir, mas muitas vezes desejando o pior. Jessica Chastain é certamente a personagem mais carismática e engraçada, mas ser engraçada não significa que sua personagem só está lá para alivar o drama, mas mostrar o outro lado dele. Emma Stone é uma boa e jovem atriz, mas sua atuação é um tanto moderna para o filme, não se enquadrando na história e em todo o contexto daquela época. Talvez sua performance tenta tido esse propósito, já que a personagem é jovem e à frente de seu tempo, mas de qualquer forma parece deslocada em um filme que se preocupou demais com importantes detalhes.

É um filme um tanto longo e cansativo (Chris Columbus é um dos produtores, então isso já era experado), oferece cenas hilárias seguidas de outras de dar nó na garganta. A história poderia ter sido mais elaborada e não tratada com o teor simplório como foi, mas a sua importância de mostrar uma outra parte da história norte-americana existe e é real, esclarecendo muitas coisas sobre a cultura não apenas norte-americana, mas ocidental no geral. Os problemas raciais que ocorreram no estado do Mississipi é apenas um fragmento quando comparado com outros lugares e nações, sendo o filme um sinal de emergência para algo que ainda é extremamente atual quando analisamos o progresso social pelo mundo e concluímos que muito do que é mostrado continua acontecendo nos dias de hoje, mesmo que disfarçadamente.

CONCLUSÃO...
Não é um uma comédia romântica comum e muito menos um filme de garotas, como alguns podem pensar. Ele não tenta em nenhum momento fazer quem assiste se sentir enganado com um mágico final feliz. É um filme sincero e frágil tanto quanto suas personagens que são uma importante parte da história não apenas dos Estados Unidos, mas dos direitos humanos mundial.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A VERDADEIRA MALVADA...

★★★★★★★★★
Título: Pérfida (The Little Foxes)
Ano: 1941
Gênero: Drama, Romance
Classificação: 12 anos
Direção: William Wyler
Elenco: Bette Davis, Herbert Marshall, Carl Benton Reid, Charles Dingle, Patricia Collinge, Teresa Wright
País: Estados Unidos
Duração: 116 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
O filme retrata a era pós-guerra da comunidade sulista norte-americana na virada do século XX onde nada é mais importante que o dinheiro e o poder para Regina Giddens (Bette Davis). Na tentativa de juntar seus igualmente impiedosos irmãos num plano óbvio para conseguir seu poder e glória, ela usa e abusa de sua ingênua filha, Alexandra Giddens (Teresa Wright) para trazer de volta seu marido, Horace Giddens (Hebert Marshal), o qual estava morando em Baltimore enquanto trata de um sério problema cardíaco. Quando ela não consegue convencer seu marido a lhe dar o dinheiro e vê seus planos indo por água a baixo, ela então coloca em prática uma trama sórdida e calculista.

O QUE TENHO A DIZER...
Adaptado da peça homônima de Lillian Hellman, a qual também escreveu o roteiro desta adaptação, é a terceira de três parcerias de enorme sucesso entre o diretor William Wyler e Bette Davis. Os outros dois filmes foram Jezebel (1938), o qual rendeu a Bette Davis o Oscar de Melhor atriz, e A Carta (The Letter, 1940), que rendeu a Bette sua quinta indicação ao Oscar de Melhor Atriz. Com este filme Bette Davis recebeu a quarta de cinco indicações ao Oscar de Melhor Atriz em cinco anos consecutivos, além de ter lhe rendido, juntamente com sua personalidade difícil, o estigma de 'má', título o qual carrega até hoje, já que esse filme deixou evidente que 'ser má' não é apenas um fetiche cinematográfico, mas também um dom técnico sutil e apurado que compete a uma minoria.

Este filme não apenas é dirigido por um dos maiores diretores de sua geração, como também é considerado por muitos como um dos grandes filmes da história do cinema devido ao seu perfeccionismo técnico em diversos aspectos, a começar pelo seu roteiro baseado numa peça teatral de grande sucesso escrita por Lillian Hellman, uma das mais importantes escritoras responsáveis pela grande transição literária e política feminina na primeira metade do século XX. Sem falar da atuação brilhante de Bette Davis, que está bastante diferente dos papéis que representou antes e posteriormente a esse filme. Seu cuidado na criação da personagem foi tanta que William Wyder chegou a criticá-la tanto pelo excesso de antipatia na caracterização quanto pela maquiagem fria que chegou a ser comparada como a de um Kabuki. Essas diferenças de idéias chegaram a fazer Bette Davis abandonar as filmagens, mas voltou quando ficou sabendo que poderia ser substituída por Katherine Hepburne.

Hoje sabe-se que Bette Davis só conseguiu o papel por ter sido usada como parte de pagamento de uma dívida. De acordo com Samuel Goldwyn Jr., Jack L. Warner deu o passe de Bette Davis da Warner para a Metro Goldwyn Mayer como parte do pagamento de dívidas em jogos que aconteciam entre os grandes chefes de estúdio da época, que eram: Jack L. Warner, Samuel Goldwyn Jr., Harry Cohn, Louis B. Mayer, Darryl F. Zanuck e Carl Laemmle. A quantia da dívida era estimada em US$300.000. Isso rendeu a Bette uma das atuações mais memoráveis na sua lista, sendo considerada de longe a melhor pela maioria dos fãs e críticos, e ela nunca escondeu sua insatisfação por não ter recebido o Oscar por ele.

A magnificência tanto do roteiro do filme quanto da peça teatral está não apenas na falta de discernimento das personagens alegóricas que representam a frieza e o desespero da alta sociedade na manutenção e ostentação do poder, mas também no impacto da industrialização sulista norte-americana durante o período pós-guerra.

O filme é marcado por diálogos impactantes em sequências memoráveis criadas com extrema habilidade por William Wyler e que definitivamente transformou Pérfida em um clássico do cinema e uma referência do - talvez - estilo 'noir'. O filme foi um grande sucesso e recebeu 9 indicações ao Oscar, embora não tenha levado nenhuma estatueta, sendo considerado, juntamente com Cidadão Kane (Citizen Kane, 1942) um dos grandes injustiçados daquele ano e da história da premiação. O filme, sem dúvida, também é uma importante fonte histórica, trazendo embutido fatos importantíssimos da história política, social e do pensamento que fazem o cinema clássico ter a magia e sua importância artística que gradualmente foi diminuindo com o tempo.

CONCLUSÃO...
Além de ser uma importante fonte histórica, é um excelente material do cinema clássico que nos mostra que muito do experimentalismo da época se transformou em referência e é utilizado até os dias de hoje. Sem falar da brilhante atuação de Bette Davis que é impecável do início ao fim.

domingo, 30 de outubro de 2011

FIQUE COM O LIVRO...

★★★
Título: Orgulho e Preconceito (Pride & Prejudice)
Ano: 2005
Gênero: Drama, Romance
Classificação: 12 anos
Direção: Joe Wright
Elenco: Keira Knightley, Matthew Macfadyen, Brenda Blethyn, Rosamund Pike, Talula Riley, Jena Malone, Carey Mulligan, Donald Sutherland
País: França, Reino Unido
Duração: 127 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Tem mil tramas dentro desta obra, mas a central delas (e que, vejam só, nem chega a ser a mais importante) é sobre uma jovem inteligente, impetuosa e instintiva do século XIX que conhece um inglês solteiro, rico, orgulhoso e introvertido, que passa a cruzar o seu caminho e a interferir em sua vida, enquanto ela e seus preconceitos acreditam que o que ele está fazendo é mais para impor sua posição social sobre a dela do que simplesmente por preocupação e pelo amor que nasce.

O QUE TENHO A DIZER...
É o primeiro grande filme de Joe Wright, não quebrando a regra de que os filmes mais fracos costumam ser o de diretores novatos. Porque embora o filme tenha concorrido a 4 Oscars, com excessão da categoria de melhor atriz, nenhum dos outros enaltecem o elenco ou o mérito de um bom filme, não para quem leu o livro e conseguiu captar o mínimo do que Jane Austen quis passar através dele.

Demorei muito tempo para assistir o filme porque nunca gostei da atriz principal e porque também nunca tinha lido o livro, e queria fazer isso primeiro antes de ter alguma opinião. Havia terminado de ler o livro essa semana, em seguida assisti a adaptação para saber se sua qualidade justificaria seu sucesso (custou em torno de US$ 26 milhões e arrecadou mais de US$120 milhões no mundo). As diferenças entre a obra e o filme é gritante. Infelizmente o filme não é bom por diversas razões.

O que faz esta obra de Jane Austen, em particular, ser um livro fantástico não é a história de amor entre Lizzy (Keira Knightley) e Darcy (Matthew Macfadyen), mas como ela foi capaz de elaborar uma história completa, cheia de personagens memoráveis e subtramas com tão pouco em suas mãos. Mesmo tendo sido escrito no século XIX, percebe-se que a autora teve a intenção de escrevê-lo para que pudesse ser adaptado de alguma forma em um futuro qualquer porque os capítulos são divididos como cenas, de maneira bastante leiga, mas é muito perceptível. Isso já é uma das características visuais principais do livro, e de como Jane Austen não era simplesmente uma autora, mas uma grande observadora social e visionária.

Os que estão familiarizados com seus livros sabem perfeitamente que a falta de lugares e de descrições que situem um personagem em seus cenários são pelo fato de ela ter sido uma escritora caseira e que foi solteira por toda a vida (tanto que ela também é conhecida como "a tia inglesa"). Isso tudo a limitou em seu espaço, não tendo viajado muito ou tido capacidade de conhecer outros lugares. Todas as descrições de lugares que ela faz é muito vago por conta de conhecer apenas os limites da propriedade onde morava. A impressão que se tem durante a leitura é que as descrições de cenários abertos são constantemente interrompidas por diálogos, uma artimanha que ela usa constantemente para evitar se aprofundar sobre uma natureza literária que ela não sabia dominar além de seus limites. Mas ela também era perspicaz o suficiente para fazer isso de uma forma que também desse aos leitores liberdade criativa de construir em suas mentes seus próprios lugares. Mas o maior interesse de Jane Austen foi descrever, através de ações e diálogos, como as pessoas eram capazes de se relacionar umas com as outras dentro da sociedade e de suas diferentes classes sociais numa era cheia de manias e costumes.

Ela era uma grande observadora, sabendo perfeitamente como traçar e transcrever a personalidade das pessoas para seus personagens, dando aos leitores a possibilidade de sempre diferenciá-los através de suas ações e, o mais importante, através dos seus diálogos e como ela os estruturava. Era possível saber a que classe social um personagem pertencia apenas pela forma como seu diálogo era descrito. Os ricos tinham um vocabulário e uma forma de falar mais nobre e fluida, enquanto os da classe média tinham um vocabulário rebuscado, forçado e sem estrutura para parecerem nobres, e os pobres um vocabulário simples, e isso no livro é feito de forma magnífica. Ela podia não ser capaz de descrever lugares, mas podia descrever perfeitamente e pintar com palavras uma personalidade.

Como o título diz, as engrenagens de todo o livro giram em torno das duas palavras, e Jane brinca com elas a todo o tempo e faz delas parte de cada um de seus personagens, às vezes sendo um mérito, às vezes sendo um defeito. Mas o filme não apenas boicota muito do que há no livro como também mal interpreta importantes significados e personagens. Além disso, também há a falta da sutileza, da ironia e do sarcasmo, que são as mais importantes características do estilo austeniano. E mesmo o filme utilizando muitos dos diálogos originais, os atores parecem não saber quem eles estão exatamente interpretando porque nunca dão o impacto ou as sutis características que Jane descreve.

O Sr. Bennet nos livro é descrito como um homem intensamente sarcástico, afogado há anos em um casamento que vagarosamente substituiu o amor pela consideração e conveniência do dia-a-dia, respeitando e sendo compreensível com todos, mas nunca sendo uma figura terna, completamente o contrário do que Donald Sutherland retratou no filme e no seu forçado sotaque britânico. O mesmo pode ser dito sobre outros personagens. Keira Knightley, em meu ponto de vista, não foi a melhor escolha, e sua indicação ao Oscar de 2006 ainda é uma dúvida na minha cabeça porque todos os anos sabemos que há uma campanha silenciosa para apresentar a mais nova estrela em ascenção, e isso não significa que esta pessoa seja boa, mas que tem condições de ser uma estrela, e 2006 foi o ano de Keira, porque sua interpretação no filme é comum, para não dizer irritante e inconveniente perto de uma descrição tão diferenciada existente no livro. O Sr. Darcy é um homem sério e cansado da sociedade hipócrita que o circunda e das formalidades comuns que ele tem que ter por ser uma figura pública. Jane o descreve de tal forma que percebemos que ele é praticamente um sociopata, amando e sendo acompanhado apenas por aqueles que ele tem afeto e convive, mas despreza os que ele não conhece, sendo um homem de poucas palavras, mas nunca grosseiro. Ele é sutil, inteligente e um grande observador, mas Matthew Macfadyen pode até ter uma presença forte, mas sua performance é fria e vazia, e não apenas contida e oprimida como Sr. Darcy realmente é. O Sr. Collins, assim como Jane o descreve, tem uma forçada e inconveniente formalidade, usando um vocabulário difícil quando fala para impressionar e parecer nobre, mas ele não é inseguro, esquisito e cômico como o filme mostra, pelo contrário, a sua seriedade e formalidade é tão imponente que chega a causar vergonha alheia.

Então percebe-se que boa parte do elenco desaponta, deixando os créditos apenas para aqueles mais experientes e que sabiam exatamente o que fazer, como Brenda Blethyn (como Sra. Bennet) e Judi Dench (como Lady Catherine), duas atrizes que dispensam qualquer comentário e que, obviamente, já devem ter lido a obra de Jane Austen incansavelmente, pois a caracterização de ambas é digna do que o livro descreve.

CONCLUSÃO...
Analizando o filme como um todo, acredito que Joe Wright poderia, com certeza, ter aproveitado mais as críticas sociais que Jane Austen joga de maneira tão discreta no livro, as relações entre as pessoas em torno de seus orgulhos e preconceitos, a sutileza e o sarcasmo dos diálogos, além da constante formalidade Britânica, que foi muito ignorada. É um filme pobre, desprezível e esquecível perto da riqueza presente no livro. Ainda está para ser feito uma adaptação digna.

domingo, 23 de outubro de 2011

HORRIBLE MOVIE!

Título: Quero Matar Meu Chefe (Horrible Bosses)
Ano: 2011
Gênero: Comédia
Classificação: 14 anos
Direção: Seth Gordon
Elenco: Jason Bateman, Steve Wiebe, Charlie Day, Kevin Spacey, Jennifer Aniston, Colin Farrel
País: Estados Unidos
Duração: 98 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre 3 amigos que são maltratados pelos seus respectivos patrões e decidem acabar com seus problemas matando cada um deles.

O QUE TENHO A DIZER...
Este é mais um daqueles filmes que eu me pergunto por que assisti. É dirigido pelo novato Seth Gordon, que tinha experiências em direção com episódios de seriados. O trailer é enganoso e promove o filme como uma comédia de humor negro e interessante, já que todo mundo já quis algum dia matar seu chefe.

Mas ao contrário disso é uma comédia trivial e um dos filmes mais horríveis que assisti nos últimos anos, sendo impossível acreditar no alto índice de avaliação que este filme tem recebido pelas pessoas tanto no IMDb quanto no Rotten Tomatoes, além do filme ter arrecadado mais de US$200 milhões no mundo. O que há de errado com essas pessoas? Será que perderam completamente a capacidade de julgamento? O que elas tem assistido ultimamente para inacreditavelmente considerarem este filme algo assistível ou o que seja?

O tema é interessante, mas o roteiro é horrível, com personagens irritantes e muito, mas muito mal desenvolvido. Nunca achei Jennifer Aniston engraçada ou interessante mais do que vi em Friends, mas aqui ela excede a linha do que um ator nunca deveria fazer. Acho o mesmo sobre Jason Bateman, ele não é engraçado e nunca consegui entender porque os norte-americanos amam tanto ele. Os únicos atores que salvam alguns minutos são Kevin Spacey e Collin Farrell, ambos parecem apenas estar se divertindo e, mesmo numa caricatura exagerada, eles não fazem força para fazer uma cena ser engraçada, coisa que os demais atores não conseguem.

CONCLUSÃO...
Horrível, sem graça, desconfortável, uma perda de tempo e dinheiro. Terrível! Só pra quem gosta de pastelão vergonhoso mesmo.
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