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terça-feira, 16 de outubro de 2018

VARIAÇÃO DAS VARIAÇÕES...

★★★★★☆
Título: Jurassic World: Reino Ameaçado (Jurassic World: Fallen Kingdom)
Ano: 2018
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia
Classificação: 12 anos
Direção: J. A. Bayona
Elenco: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Rafe Spall, Justice Smith
País: Estados Unidos
Duração: 128 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Ameaçada por um vulcão adormecido, uma cientista é incumbida a voltar para a Ilha Nublar e resgatar o maior número de espécies que conseguir para que uma nova extinção seja evitada.

O QUE TENHO A DIZER...
De volta em 1993, era um tanto óbvio que Jurassic Park se tornaria uma franquia. Mas a primeira trilogia mostrou que, embora o universo seja cativante, não havia história suficiente para tanto. O terceiro filme sofreu enormes críticas negativas, e a promessa de uma quarta aventura foi enterrada junto com o falecimento do autor Michael Crichton, em 2008.

Somente em 2010 as coisas voltaram a ser discutidas, e o sinal verde foi dado depois do 20º aniversário do primeiro filme. Foi então que Jurassic World surgiu, trazendo uma mudança emblemática no nome, pois era tanto uma continuação direta da série, como também um reboot.

O sucesso foi além do imaginado, e o filme arrecadou mais de US$ 1,6 bilhões no mundo todo, superando as expectativas e fazendo tanto estúdio, quanto produtores, confirmarem uma continuação em menos de um mês de exibição.

A tão aguardada continuação se deu principalmente pelo sucesso e química dos protagonistas, interpretados por Chris Pratt e Bryce Dallas Howard. A história em si, que sofreu transformações interessantes, agora partia do princípio que o tão sonhado parque finalmente havia se tornado realidade, e dava um ar de frescor a tudo que já havia sido abordado até então.

O melhor de Jurassic World foi em conseguirem fazer tudo parecer novo mesmo tendo muitas idéias requentadas. As referências constantes, principalmente aos dois primeiros filmes, conseguiram fazê-lo parecer inédito aos olhos dessa geração, mas uma grande homenagem aos olhos da geração que assistiu ao primeiro filme nos cinemas e saiu de queixos caídos com o festival de efeitos especiais e práticos que mudaram para sempre a História do Cinema e de quem presenciou uma experiência que foi única.

A empolgação que cresceu nas pessoas assim que os créditos finais de Jurassic World rolaram, foi a mesma empolgação com a qual Reino Ameaçado foi aguardado ao longo dos três anos que separa um do outro. Mas quando ele foi lançado, muita gente pareceu não ter tido tanta expectativa correspondida como se esperava.

Só que vamos ser verdadeiros e aceitar que já era esperado que, com tanta reciclagem de situações ao longo da série, era inevitável cair nas mesmas fórmulas e nos mesmos clichés que a própria série criou ao longo dos filmes. Aquela impressão de novidade que se teve no filme anterior, agora deu lugar a uma recorrência de deja vus que mais transformaram este segundo filme em uma refilmagem do que qualquer outra coisa.

A repetição de situações, cenas e idéias é tão grande quanto criar uma nova ilha quando a idéia acaba (como eles propõem aqui), ou destruir uma ilha com algum desastre natural para ter um novo ponto de partida na história (como fazem com o vulcão na Ilha Nublar agora, ou como já fizeram com o furacão na Ilha Sorna).

Aquela química interessante que existia entre os protagonistas se foi no momento que Bryce Dallas abandonou os saltos por um par de coturnos. O que acontece entre eles agora é uma tensão sexual infantil e absolutamente sem graça porque o número de personagens é tão grande quanto o número de situações paralelas para, assim, a impressão de dinamismo e ritmo acelerado da história seja mantido mesmo que não se tenha conteúdo suficiente para isso.

Sem falar dos diálogos óbvios na maior parte do tempo, como se o espectador fosse uma pessoa completamente demente e incapaz de assistir um filme sozinho, sem que seja carregado pela mão o tempo todo. Momentos onde muitas vezes só falta um saco de risadas no fundo para sinalizar a hora do espectador achar a situação engraçada, de tão sem graça que era.

Os dinossauros agora também são muito mais simpáticos e não mais répteis de comportamento primitivo. Tem cenas cômicas com dinossauros, cenas fofas com dinossauros, cenas tristes com dinossauros, cenas dramáticas e até uma lágrima de dinossauro que escorre. Dinossauros agora fazem graça, se comunicam com a câmera como se estivessem em um stand up, fingem que estão dormindo e desdenham de suas prezas com um sorriso maroto. Um verdadeiro festival de propagandas clássicas de como enfofar esses animais e fazer as pessoas morrerem de vontade de correr no pet shop mais próximo de casa para comprar um assim que o filme acabar.

Uma ridícula gourmetização para espremer emoção do espectador, risos fáceis daqueles que gostam de humor tonto e assim termos a idéia de que os bichos não são tão ruins assim. Eleva-se o tom cômico e fantasioso e ameniza-se o lado aterrorizante dos dois primeiros filmes originais, e dessa forma cria-se uma fantasia familiar inerte e desinspirada.

Existem momentos intragáveis por conta deste excesso de açúcar. Tudo isso acontece porque, no decorrer da série, os animais passaram a ser tratados como vilões, e não como espécies que simplesmente reagem ao se sentirem ameaçados. E assim como vilões, eles agora precisam de momentos de redenção, como agora ser de praxe o T-Rex sempre salvar o protagonista do perigo (resultando na manjada cena do "rugido do rei"), ou quando o Velociraptor adestrado resolve ficar "do lado do bem" e combater o "dinossauro do mau".

Esse maniqueísmo foi o que definitivamente estragou a série, sua narrativa e várias propostas interessantes que pudessem surgir. Algo que não ofendeu diretamente o que o primeiro Jurassic World apresentou, mas que aqui ofende porque é usado como saída fácil, e não como uma alternativa, um elemento de dispersão raro.

Os verdadeiros vilões da história, que são os humanos, aqui são tratados como cientistas malucos, inescrupulosos, dominados pela ira da ambição capitalista. Exagerados na caricatura, quase memes deles mesmos para serem mais engraçados do que vilões de fato.

Para quem resolver assistir ao menos os dois primeiros filmes originais para relembrar de como foram bons, irão perceber as inúmeras cenas similares que existem entre eles. Na época que foi lançado, o segundo filme já havia sido taxado como uma variação do primeiro, pois tanto seu desenvolvimento quanto diversas cenas eram muito similares. Mas aqui não existe vergonha nisso, sequer na composição do elenco, sempre tendo crianças para darem trabalho, sempre tendo aqueles que ficam pra trás, sempre tendo aqueles que ferem a perna, e (quase) sempre tendo apenas um ator negro para dizer que existe diversidade.

Mas outras referências boas também são perceptíveis, como Indiana Jones e o Templo da Perdição, (o momento em que estão escondidos, assistindo o leilão do alto, assim como vários acontecimentos posteriores, são muito parecidos com a cena em que Indiana assiste ao sacrifício no Templo). Talvez esta seja a referência mais (propositalmente ou não) óbvia delas porque o próprio personagem de Chris Pratt é uma releitura do Professor Jones. Também não pude evitar encontrar similaridades até mesmo nos jogos Resident Evil/Dino Crisis, por levar a situação de sobrevivência para dentro de uma mansão com laboratórios e outras instalações subterrâneas, como acontece nesses jogos, o que deixou a situação interessante.

Como um todo, é o mais fraco filme da franquia. Ainda consegue ser um evento grandioso como sempre é, cheio de espetáculos visuais e assim divertir como pode. Mas tal qual os anos, conseguiu também se distanciar do misto sutil entre ação e fantasia que os primeiros conseguiram ser, ao mesmo tempo que nenhuma, ou qualquer sagacidade deles foi mantida. Tudo poderia ter sido melhor, ou mais palatável, se não tivesse uma linguagem verbal e visual tão infantilizada e didática, elementos que sempre empobrecem filmes que tem o objetivo de atingir o maior número de pessoas possível.

É complicado quando é nítido que algo foi feito em cima de idéias esgotadas e de uma forma que tenta forçar uma conexão com o público que em nenhum momento consegue desenvolver naturalmente, porque todo o encanto se quebra, e a expectativa se afoga. Isso só fortaleceu a idéia de que Michael Crichton deixou um legado importante na ficção científica, mas que não consegue ser longevo.

O terceiro filme desta nova trilogia já foi anunciado, e agora resta saber o que de novo eles podem apresentar, ou se será apenas mais um festival de variação das variações.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

DUAS DÉCADAS DE POUCA EVOLUÇÃO...

★★★★★★★
Título: O Mundo dos Dinossauros (Jurassic World)
Ano: 2015
Gênero: Ação, Comédia, Suspense
Classificação: 12 anos
Direção: Colin Trevorrow
Elenco: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Vincent D'Onofrio, Ty Simpkins, Nick Robinson, Judy Greer
País: Estados Unidos, China
Duração: 124 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
O sonho de John Hammond se concretizou, e o parque agora está aberto ao público.

O QUE TENHO A DIZER...
Quando Jurassic Park foi lançado em 1993, eu tinha apenas 12 anos. Todo o mundo ficou boquiaberto. Não é à toa que Bryce Dallas, a atriz do novo filme, comparou a importância do primeiro filme com a chegada do homem à Lua, porque foi uma revolução naquilo que se conhecia sobre efeitos especiais. Spielberg, juntamente com a Industrial Light & Magic, fizeram um favor à humanidade em recriar os animais pré históricos de forma tão realista e convincente porque foi o mais próximo daquilo que poderíamos chegar dos extintos animais que, com excessão dos fósseis, o resto era muito mais parte do imaginário humano.

Embora haja muita informação incorreta sobre eles, Jurassic Park virou referência até na ciência. Óbvio que uma moldada aqui e alí foi necessária para ficarem mais bonitos na tela, o que é algo natural dentro do cinema, mas depois disso os paleontólogos parecem ter se empenhado muito mais em provar a imprecisão dos detalhes justamente para evitar aquilo que o personagem Alan Grant propõe logo no começo do filme, de que o trabalho dos paleontólogos estaria em extinção com o avanço da tecnologia.

A primeira verdade é que o público pouco se importa com isso, pois preciso ou não, tudo era coerente com a proposta do livro de Michael Crichton.

Foi um filme revolucionário, bonito, assustador e com aquelas pitadas absurdas típicas de Spielberg. Foi feito com esmero nos detalhes, e por isso é emocionante. Uma ode à fantasia e um épico de ação que firmou o diretor como um mestre do gênero (algo que ele infelizmente se distanciou com o tempo).

Lembro que quando me falaram do filme pela primeira vez, a única coisa que perguntei foi se os dinossauros faziam aqueles movimentos "tremidos", em referência à técnica de stop motion. Essa técnica era a única noção que tínhamos sobre dinossauros e efeitos especiais nessa escala naquela época, ainda a mesma utilizada em O Elo Perdido, clássica série dos anos 70.

Como éramos bobinhos.

O significado que a computação gráfica e a tecnologia visual teve no cinema com o filme de Spielberg foi tão importante quanto foi o stop motion no início do século XX com Viagem à Lua, (Le Voyage Dans La Lune, 1902), do francês George Meliès. E eu chorei de emoção quando vi algo tão fantástico. Era como se eu estivesse lá, dentro do parque. Não havia nada mais realista na época do que o ator deitado sobre a barriga do Tricerátopes em animatronic, ou do Tiranossauro em computação gráfica correndo atrás do jipe no meio da mata, arrebentando árvores caídas e dando cabeçadas em tudo que via pela frente numa fúria instintiva que não dava tempo de piscar os olhos. E eu choro até hoje quando assisto porque, embora mais de 20 anos se passaram, esse clássico da fantasia de ação ainda impressiona mais do que muitos filmes atuais, incluindo os demais da própria franquia.

O segundo filme, também dirigido por Spielberg, utilizou os mesmos elementos do primeiro, mas o diretor fez algo mais, e só a sequência inicial já indicava isso, em que uma garotinha é atacada por uma colônia de Compsognathus. E assim foi. O suspense e o horror na luta pela sobrevivência foram intensificados de tal forma que o corpo doía na poltrona do cinema de tanta tensão, como na sequência de mais de 15 minutos de desastres, um seguido do outro, sem tempo pra respirar. Como não ter suado frio com Juliane Moore estabacada inconsciente na janela do caminhão pendurado em um precipício, em que o vidro trincava aos poucos com seu peso?

E eu chorei de novo, porque era o cinema fazendo comigo aquilo que ele deve fazer por excelência: impressionar.

O terceiro filme foi abandonado por Spielberg. Embora ele assinasse a produção, houve rumores de que ele nunca sequer pisou nos sets de filmagem, e o diretor Joe Johnston ficou um tanto perdido, bem como o roteiro. Por isso a existência do filme é quase esquecida. Esquecida, inclusive, neste novo filme.

O quarto filme é uma sequência, mas também pode ser considerado um reboot, não apenas pela mudança simbólica do nome como também pelo grande hiato de 22 anos da série.

O parque finalmente está aberto ao público, e realmente é emocionante ver logo nos primeiros minutos, ao som da clássica trilha sonora de John Williams (mas agora rearranjada por Michael Giacchino), o sonho de John Hammond concretizado com as belíssimas tomadas aéreas da nova Ilha Nublar e nas grandiosas escalas que firmam a idéia de como somos tão pequenos e frágeis que nem sequer os melhores engenheiros de estrutura do mundo são capazes de atestar nossa segurança.

Não é necessário ter assistido os filmes anteriores para entender esse, a não ser para identificar as referências jogadas aleatoriamente o tempo todo sobre eles, como preciosos souvenirs para agradar os fãs mais vorazes.

A história já começa com várias autocríticas (e também metacríticas) que se estendem por todo o filme. A principal delas é de que os dinossauros não impressionam mais. E essa é a segunda verdade.

Em 1993 as pessoas lotaram os cinemas para verem o que nunca haviam visto, e hoje elas lotam o cinema porque são fãs e esperam ver algo a mais. Na história a situação é a mesma, e por essa razão criaram um novo personagem projetado pela engenharia genética, chamado de Indominus Rex, um tipo maior, mais assustador, mais inteligente, mais tudo aquilo que alguém poderia imaginar. Seu nome parece até piada, e de fato vira dentro da metacrítica. Ele é a nova atração no intuito de manter o interesse dos visitantes (e também daqueles que estão no cinema). Justificam também que a tal falta de precisão histórica dos dinossauros é pelas modificações genéticas que eles sofreram em laboratório.

Mas espera... o primeiro filme também falava que as sequências genéticas haviam sido completadas com outra espécie, bem como os filmes seguintes também abordaram a evolução natural que eles tiveram, ou o ecossistema auto suficiente que se desenvolveu na Ilha Sorna. Então essas informações não são novas, são apenas reafirmadas para refrescar a memória de quem não lembra e informar aqueles que não sabem. Assim como também não é novo o fato do Indominus ser maior, mais rápido e até mais esperto que o Tiranossauro, porque no terceiro filme houve o Spinossauro, que nem sequer é citado no filme além de uma breve aparição de seu esqueleto.

Embora pareça, Indominus não é um dinossauro, essa é a terceira verdade. Da mesma forma como o espectador pode pensar isso, essa afirmação é feita diversas vezes durante o filme. É a metacrítica novamente, justificando os erros do filme dentro do próprio filme. Isso até ajuda a história, mas não exonera a produção de defeitos, até porque o estreante não pode ofuscar a estrela principal que é o Tiranossauro.

Se dizem as más linguas que Spielberg abandonou completamente o terceiro episódio da franquia, aqui é evidente sua presença. Basta notar as formas como as cenas tentam gerar impacto. São cenas clássicas de Spielberg. É como se ele tivesse pego a câmera das mãos do diretor Colin Trevorrow e falado: Deixa que eu faço isso!

Não há como negar que a história tenta se embrenhar na atualidade ao mesmo tempo que almeja conquistar um público que não é mais familiarizado com sutilezas. A linguagem do cinema hoje está mais dinâmica, mais bruta e pesada, sem tempo para diálogos de duplo sentido ou uma ironia mais refinada. Se em 1993 era assustador um Tiranossauro devorar um homem que esperava sentado em uma privada para ter um efetivo alívio cômico na brutalidade, hoje isso causa apenas risadas e nada mais. E voltando na idéia de que dinossauros não impressionam mais, é por isso que o tom cômico aqui é maior. E graças a Chris Pratt, encarnando um tipo Indiana Jones de ser, que o humor de todo o filme parece muito mais parte da personalidade descontraída e aventureira do herói que ele interpreta do que um simples pastelão insosso.

E vale ser dito: é nesse filme que descobrimos porque Pratt se tornou o novo astro de ação. Mas não daquela ação bate-e-arrebenta de Dwayne Johnson ou Jason Stathan, mas aquela mais caricata, embutida de humor físico e carismático. É o Harrison Ford da nova geração. Até Bryce Dallas tenta retomar um tipo de heroína atualmente esquecido no cinema, daquela que arregaça as mangas, mas não tira o salto alto por nada, uma Willie Scott atualizada. Aliás, os sapatos da personagem é o que mais se ouvia comentar na sala, e que até rende uma cena rápida e bem feita em câmera lenta enquanto bate os saltos em fuga do Tiranossauro, num estilo meio Brian De Palma em Femme Fatale (2002). É a piada pronta, a sátira e o cliché para que não nos esqueçamos em momento algum que o Mundo dos Dinossauros é unica e exclusivamente um entretenimento.

Por isso, o que vemos ao longo das duas horas são os mesmos clichés e personagens estereotipados de sempre, e que sempre fizeram parte não apenas dos filmes da série como também desse gênero de ação com certo tom satírico que Spielberg definiu tão bem com seus filmes nas décadas de 80 e 90. Há o herói charmoso e engraçado, a mocinha que grita mas é dura na queda, o bandido que quer ficar rico, os pamonhas que morrem fácil e as crianças que dão trabalho. O maniqueísmo é óbvio, e os estereótipos que facilmente geram conflitos no arco dramático para convergirem ao final feliz são clássicos. Sim, igual ao primeiro. Igual ao segundo. E esta é a quarta verdade.

A quinta verdade é que ele vai agradar qualquer tipo de pessoa porque ele foi construído para isso. Não há ousadias. É tudo parte de uma fórmula pronta, repetida diversas vezes, e executada corretamente, como um prato aprovado no MasterChef. Realmente há exageros desnecessários, como a dos animais passarem a se comunicar como se estivessem numa reunião na praça. Mas isso é o cinema blockbuster em sua forma mais óbvia, não há como ser diferente, por mais que pudessem ter sido, já que tiveram 22 anos anos para isso. 

O defeito maior de tudo fica a cargo de tanta informação ao mesmo tempo deixar tudo muito raso, principalmente na relação entre os personagens, ou a presença das crianças também nem causar o mesmo impacto de fragilidade que tinha nos dois primeiros filmes. Não há sequencias que realmente impressionam e tiram o fôlego como já tiveram no passado, com excessão do ataque das aves, algo introduzido no terceiro filme e usado em larga proporção agora. O espectador até se esforça para se sentir impressionado, e os efeitos especiais também, principalmente dos animatronics, que parecem reais.

Ainda acredito que o 3D tem muito a evoluir, e no caso desse filme essa tecnologia mais incomoda do que ajuda. Ela nos dá noção de profunidade, mas diminui muito a qualidade visual do filme. Perde-se muitos detalhes do próprio cenário e suas composições, principalmente quando (como sempre) o dia vira noite no ápice da ação para facilitar o uso da computação gráfica, e tudo com o óculos desconfortável mais parece um filtro mau usado do Instagram do que uma experiência imersiva. Logo, se puder evitar as cópias 3D, evite.

O resultado de tudo é apenas uma leve satisfação. A intenção da franquia sempre foi entreter e nos levar para um mundo até então desconhecido, mas que hoje, depois de ter sua fórmula repetida diversas vezes, virou algo familiar e previsível que ainda diverte, mas muito mais no sentimento nostálgico do que naquele sabor de novidade.

CONCLUSÃO...
22 anos podem ter reacendido o interesse pelas pessoas nos dinossauros de Spielberg, mas não fizeram tão bem assim à franquia, já que a produção ainda se utiliza das mesmas fórmulas de sempre para construir sua narrativa e os personagens rasos, muito embora Chris Pratt e Bryce Dallas conseguiram até fazer milagres com pouco e entregar momentos cômicos sem soarem pastelões ou fora de lugar. Cheio de piadas prontas e referências aos filmes anteriores, diverte muito mais como uma sátira de ação, até porque com tanta metacrítica embutida para justificar seus erros e defeitos, fica difícil não interpretá-lo assim.

sábado, 21 de abril de 2012

TUDO É PELA METADE...

★★★★★
Título: 50% (50/50)
Ano: 2011
Gênero: Drama, Comédia
Classificação: 12 anos
Direção: Jonathan Levine
Elenco: Joseph Gordon-Lewitt, Seth Rogen, Anna Kendrick, Bryce Dallas Howard, Angelica Houston
País: Estados Unidos
Duração: 100 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre um rapaz que descobre que está com um câncer raro na coluna e tem 50% de chances de se curar.

O QUE TENHO A DIZER...
Bom... filmes sobre doença é complicado quando ele já foi incansavelmente explorado de todas as formas possíveis e imagináveis, principalmente quando é sobre câncer, qualquer que seja ele.

Embora o papel principal não era pra ser de Joseph Gordon-Lewitt, foi evidente mesmo assim os esforços sobrenaturais que tentaram fazer no ano passado de tentar consolidá-lo com essa comédia (sim, comédia) boba que já foi vista antes. Fizeram de tudo para colocar tanto ele quanto o filme nas melhores premiações, mas não conseguiu nada mais importante que de duas indicações ao Globo de Ouro (Melhor Ator Comédia e Melhor Filme Comédia). Will Reiser até conseguiu abocanhar um Independent Spirit Award e um National Board Of Review de melhor roteiro original, até parecendo que ano passado não teve nada melhor.

50% foi do jeito que fiquei depois que terminei de assisti-lo. Não é ruim, mas não é bom. Não é maravilhoso, mas não é horroroso. Meio drama, meio comédia. Nada nele é por inteiro, tudo é pela metade. A direção frouxa e sem uma orientação definida fez do filme um caos, já que o roteiro autobiográfico de Will Reisner também falha bastante na tentativa de misturar drama e comédia usando um tema tão difícil como esse levando a momentos de inevitável cliché.

Além de tudo, o elenco principal atua os mesmos personagens que já interpretaram em um breve passado, recortando e colando as performances, só mudando o nome. Joseph sendo a personificação do sofrimento e da incompreensão como em (500) Dias Com Ela (500 Days Of Summer, 2009); Seth Rogen sendo aquele personagem chato e exagerado que tenta ser "engraçado", aquele tipo de ator que sempre é contratado ou enfiado em um filme pra tenta fazer as pessoas rirem e aliviar o tom dramático; Bryce Dallas Howard agindo como a mesma garotinha fresca e egoísta; Anna Kendrick repete a mesma insegura, eufórica e entusiasta como em Amor Sem Escalas (Up In The Air, 2009); e claro, Angelica Houston sempre sobrando e sendo subaproveitada em papéis esquecíveis como a mãe. Mesmo repetindo os mesmos estilos, nenhum deles oferece uma atuação realmente brilhante.

O resultado é o mesmo filme de câncer e as dificuldades para sobreviver a ele. Javier Barden já fez isso, Meryl Streep também, Susan Sarandon, Michael Keaton, Emma Thompson, Debra Winger... e a lista vai embora. Este filme é apenas mais um, mais uma vez usando a doença para terem oportunidade de mostrar os personagens se entorpecendo de maconha como se isso fosse uma grande piada engraçada. Parece simples e honesto, mas ao invés disso é descartável, tentando com muito esforço ser alguma coisa. Há alguns momentos engraçados, mas nenhum deles pelas tentativas frustradas de Seth Rogen. Alguns outros momentos bem tristes, mas muito mais pelo uso correto e efetivo de cenas impactantes junto com a trilha sonora apelativa.

CONCLUSÃO...
Um filme que não é tudo aquilo que dizem e tentaram promover, mas engana bem aqueles que não estão acostumados ou não ligam em assistir a mesma coisa sempre. Não chega a ser uma perda de tempo, mas também não serve pra ser uma primeira escolha ou muito menos deixar de fazer algo para assistí-lo. Feito pra ser assistido numa tarde chuvosa de domingo.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

UM DOS MELHORES TÍTULOS DE 2011...

★★★★★★★★
Título: Histórias Cruzadas (The Help)
Ano: 2011
Gênero: Drama, Comédia
Classificação: 12 anos
Direção: Tate Taylor
Elenco: Emma Stone, Viola Davis, Octavia Spencer, Bryce Dallas Howard, Jessica Chastain
País: Estados Unidos, Índia, Emirados Árabes Unidos
Duração: 146 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre uma novata escritora branca que resolve escrever um livro contado a vida das empregadas domésticas negras e seus pontos de vista sobre o racismo que sofrem dentro das famílias que trabalham, e o tratamento que recebem daqueles que um dia eram crianças e que elas ajudaram a cuidar e dar a educação.

O QUE TENHO A DIZER...
O filme é baseado no best seller homônimo de Kathryn Stockett e dirigido pelo novato Tate Taylor, sendo este seu segundo trabalho como diretor de longa metragem, por isso a sensação de que o filme funciona mais pelas experientes atrizes que dominam todas as cenas do que pela direção.

A história toma carona na grande revolução social que ocorreu no estado do Mississipi na década de 60 a respeito da segregação racial existente e muito rígida no estado naquela época, onde os negros eram obrigados a ter uma vida social diferente e separada dos brancos, com igrejas, escolas próprias e lugares públicos diferenciados, além de diversas outras regras que eram impostas como leis, com direito a punição a quem descumprisse. Havia regras, por exemplo, que impediam os negros de conversarem com os brancos em lugares públicos, e os negros eram punidos legalmente caso isso acontecesse, como um crime, mesmo que a atitude tivesse partido dos brancos. O Movimento dos Direitos Civis neste estado durou aproximadamente 10 anos e a segregação só teve "fim" com decisão da Suprema Corte em 1969. "Fim" entre aspas porque, embora fosse proibido a distinção de raças em locais públicos, obviamente o racismo ainda continuou forte.

É um daqueles raros filmes sobre mulheres e forte conteúdo social que é prazeroso e gostoso de assistir, quando não deveria ser assim. Como dito, todos os créditos vão para o grandioso elenco que sabia exatamente o que fazer, dando o tom exato que cada personagem precisava de uma forma tão brilhante e expressiva que a presença do diretor parece ter sido dispensada.

Viola Davis (Aibileen Clark) mais uma vez surpreende com uma atuação simples e sutil que transcende uma carga dramática forte apenas com a presença, sobre uma mulher com um coração fragilizado e machucado pelos tempos difíceis, pelo preconceito e ignorância. O mesmo pode ser dito a Octavia Spencer (Mnny Jackson), o que faz das duas personagens principais uma parceria tão intensa e perfeita quanto Thelma & Louise. Bryce Dallas Howard, embora fazendo um papel que tem sua cara, esta bem diferente de seus trabalhos anteriores, tendo sido uma perfeita escolha para o papel da arrogante e racista Hilly Holbrook, que às vezes é carismática e compreensiva, e às vezes é a pior pessoa e mais ignorante que você poderia conhecer, sua atuação é um misto de pequenas e exageradas boas doses, fazendo rir, mas muitas vezes desejando o pior. Jessica Chastain é certamente a personagem mais carismática e engraçada, mas ser engraçada não significa que sua personagem só está lá para alivar o drama, mas mostrar o outro lado dele. Emma Stone é uma boa e jovem atriz, mas sua atuação é um tanto moderna para o filme, não se enquadrando na história e em todo o contexto daquela época. Talvez sua performance tenta tido esse propósito, já que a personagem é jovem e à frente de seu tempo, mas de qualquer forma parece deslocada em um filme que se preocupou demais com importantes detalhes.

É um filme um tanto longo e cansativo (Chris Columbus é um dos produtores, então isso já era experado), oferece cenas hilárias seguidas de outras de dar nó na garganta. A história poderia ter sido mais elaborada e não tratada com o teor simplório como foi, mas a sua importância de mostrar uma outra parte da história norte-americana existe e é real, esclarecendo muitas coisas sobre a cultura não apenas norte-americana, mas ocidental no geral. Os problemas raciais que ocorreram no estado do Mississipi é apenas um fragmento quando comparado com outros lugares e nações, sendo o filme um sinal de emergência para algo que ainda é extremamente atual quando analisamos o progresso social pelo mundo e concluímos que muito do que é mostrado continua acontecendo nos dias de hoje, mesmo que disfarçadamente.

CONCLUSÃO...
Não é um uma comédia romântica comum e muito menos um filme de garotas, como alguns podem pensar. Ele não tenta em nenhum momento fazer quem assiste se sentir enganado com um mágico final feliz. É um filme sincero e frágil tanto quanto suas personagens que são uma importante parte da história não apenas dos Estados Unidos, mas dos direitos humanos mundial.
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