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sábado, 14 de julho de 2012

MEIO NAS COXAS...

★★★★
Título: Hotel da Morte (The Innkeepers)
Ano: 2011
Gênero: Suspense, Fantasia
Classificação: 14 anos
Direção: Ti West
Elenco: Sara Paxton, Pat Healy, Kelly McGillis
País: Estados Unidos
Duração: 101 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre um hotel tradicional de uma cidade que funcionou por décadas, mas agora, com alguns esparsos hóspedes, ele vai ser fechado, o que faz com que os dois recepcionistas que lá trabalham comecem a investigar fatos misteriosos que aconteceram no passado e que transformaram o hotel em uma lenda fantasmagórica.

O QUE TENHO A DIZER...
Dirigido por Ti West, conhecido por alguns filmes de horror pouco conhecidos no Brasil como o mais recente e ainda inédito no país V/H/S (2012), ou The House Of The Devil (2009), pelo qual ele ficou mais conhecido. Mas são filmes que, digamos, são cultuados mais pelos amantes do gênero, o que criou muita especulação sobre este título que foi promovido erroneamente com trailers, teasers e pôsters como um filme de horror do estilo "mansão mal assombrada", mas que não é, e deixou muita gentre frustrada depois, considerando o filme muito ruim. São nessas horas que eu sou a favor de pedir meu dinheiro de volta porque, embora haja morte no filme e os mistérios sobre o hotel giram em torno disso, o filme não é o que o título e muito menos a imagem macabra do pôster representam.

O filme não é muito ruim, ele só gera uma expectativa diferente, e frustra por oferecer outra. A narrativa é dividida em atos, como se fosse uma peça, o que não tem muito significado no desenvolvimento da história, mas ajuda bastante a dividir o filme em duas partes.

A primeira metade do filme mostra mais a vida rotineira e entediante dos recepcionistas do hotel Claire (Sara Paxton) e Luke (Pat Healy), deixando familiar pra quem assiste como é a rotina de trabalho de cada, a relação de amizade entre eles (com uma leve tensão sentimental), os poucos e irritantes hóspedes que aparecem, a atitude invasiva da balconista do café ao lado que se julga íntima para desabafar seus problemas só porque eles regularmente frequentam o estabelecimento, e até mesmo o esforço de Luke em trazer turistas para o hotel e evitar o seu fechamento publicando um blog sobre os acontecimentos sobrenaturais que ocorrem lá dentro, o que fica evidente no filme que não existe, mas o facínio do recepcionista em comprovar a existência de fenômenos paranormais é tão grande que ele até tem alguns equipamentos de gravação que podem registrar os chamados "sons espectrais". Essa obessão acaba influenciando e despertando o interesse de Claire que, para driblar o tédio de noites sem hóspedes, encostada no balcão, e ocupar a cabeça vazia, resolve utilizar esse tempo livre para ajudar o colega na pesquisa e ir mais a fundo nos mistérios que lá rodeiam e essa fixação acaba fazendo com que ela ouça e veja coisas.
Essa primeira parte pode ser entediante para muitos, mas eu particularmente achei a mais interessante, porque dá tempo de conhecer bastante cada um dos personagens e mostrar um cotidiano sem pressa. O tom é muito mais de comédia por conta da ironia de Luke e do humor corroído pelo tédio de Claire, rendendo até alguns diálogos engraçadinhos.

A segunda parte já entra mais nos mistérios do hotel que envolve uma antiga moradora que havia se matado. Quando uma nova hóspede, a atriz de televisão Leanne Rease-Jones (Kelly McGillis, aquela que fez Top Gun, com Tom Cruise, em 1986), revela que está na cidade para um encontro mediúnico, Claire pede sua ajuda. É nessa parte que a imaginação de Claire começa a tomar conta da realidade e Leanne lhe dá um conselho que crescerá na cabeça da personagem e será chave para o final do filme.

Sem dúvida o filme tem diversos buracos no roteiro e pistas falsas que, no fim das contas, não servem para nada, o que faz muita gente não chegar a uma conclusão definitiva, se perdendo nessa segunda parte sem propósito, numa dúvida evidente entre manter o tom engraçadinho ou o suspense.

Culmina em situações previsíveis e um fim que poderia ser melhor, mas que só não é de todo ruim porque levanta a dúvida de tudo ter realmente acontecido ou ter sido apenas projeções da imaginação fértil e esvaziada de Claire por conta da sua inutilidade no trabalho. E só isso que falei já vai ajudar muita coisa.

O diretor Ti West deu uma entrevista dizendo que o roteiro deste filme foi escrito muito rápido e logo em seguida já foi filmado. Isso explica muita coisa.

CONCLUSÃO...
É fraco e que desaponta mais pela expectativa que ele gera, mas ao mesmo tempo tem uma idéia interessante e vale muito mais ser visto como um suspense fantasioso. A perspectiva muda quando o filme é visto como uma vida rotineira e o que uma cabeça vazia é capaz de fazer pelo subuso.

VAMOS PASSEAR EM CHERNOBYL, ENQUANTO OS MUTANTES SE APRONTAM...

Título: Chernobyl (Chernobyl Diaries)
Ano: 2012
Gênero: Horror
Classificação: 14 anos
Direção: Bradley Parker
Elenco: Dimitri Diatchenko, Ingrid Bolso Berdal, Olivia Dudley, Devin Kelley, Jesse McCartney, Nathan Phillips, Jonathan Sadowski
País: Estados Unidos
Duração: 86 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Seis turistas americanos viajam para o norte da Ucrânia e aceitam o convite de um deles de, com o auxílio de um guia turístico ilegal, irem até a cidade abandonada de Pripyat, local onde moravam os trabalhadores da usina de Chernobyl. Quando a noite cai, descobrem que a cidade esconde muito mais do que imaginavam.

O QUE TENHO A DIZER...
Filme de estréia do diretor Bradley Parker, sendo um filme triste de tão fraco que é. E é inacreditavel que o seu roteiro de péssima qualidade tenha sido escrito por 3 pessoas: os irmãos Carey e Shane Van Dyke, e Oren Peli. Oren também é, por sinal, criador e roteirista de toda a série Atividade Paranormal (Paranormal Activity, 2007/2010/2011/2012).

O filme tenta pegar um gancho do clássico de Wes Craven, Quadrilha de Sádicos (The Hills Have Eyes, 1977), que teve uma boa refilmagem em 2006, contando a história de uma família que viaja de Cleveland/Ohio, para San Diego/Califórnia, e após um incidente são obrigados a fazer uma pausa na viagem. Sem saber, acabam parando em uma região habitada por mutantes resultantes da radioatividade de uma antiga vila de testes nucleares, similar às famosas Cidades Teste no deserto de Nevada, nos EUA.

Com este mote, eles tentam contar uma história parecida, mas ao invés de se passar em algum lugar desconhecido, resolvem pegar a cidade abandonada de Pripyat, na Ucrânia, para desenvolver a "história", cidade onde houve o maior acidente nuclear da história por conta da Usina de Chernobyl. Mas ao contrário do filme de horror Wes Craven, que é um clássico e também uma referência do estilo gore por ser violento, sanguinário, assustador e chocante, O Diário Chernobyl é nada.

Ao contrário do que se imagina pelo trailer, que seria um filme documentado tal qual tantos outros anteriores iniciados com A Bruxa de Blair (The Blair Witch Project, 1997), não há documentário algum. A câmera em primeira pessoa é feita por um observador oculto e onipresente só pra ter um tonzinho de realismo e de que tudo lá é de verdade. Não há nada de novo, nem o susto ou o suspense tem algo genuíno, e essa história de superhumanos que atacam pessoas que invadem seu habitat é uma situação que já virou um novo cliché do gênero. Nem os diálogos salvam, com frases reduntantes como "precisamos sair daqui", "ele precisa de um médico", "nós vamos morrer", e coisas do tipo, são usadas incansávelmente e insistentemente. Sem contar que acredito que os roteiristas estavam um pouco desatualizados, já que não é necessário mais entrar ilegalmente na cidade abandonada, já que há uma grande zona que não apresenta mais níveis de perigo radioativo para esse fim, desde que sejam apresentados documentos (que são fáceis de serem retirados) e haja o acompanhamento de um guia credenciado.

O filme é tão ruim que a distribuidora não fez a pré-apresentação para críticos. A sorte é que dura apenas 82 minutos, mas é tempo suficiente para dar uns bons bocejos e umas pescadas grandes, e acordar com os personagens correndo no mesmo lugar, gritando as mesmas coisas, mas cada vez em um número menor, já que vai morrendo um por um, para nossa alegria.

CONCLUSÃO...
Mas nem ao menos quem gosta do gênero pode chegar a gostar desse filme, já que ele é basicamente pro público adolescente e alienado, aqueles que vão ao cinema uma vez ao ano pra comer pipoca de balde e saem de lá dizendo que o filme é o máximo e comentando as melhores partes, dizendo que deu muito medo. Ahn-ham...

quinta-feira, 12 de julho de 2012

PODE RIR, SAM RAIMI...

★★★★★
Título: O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man)
Ano: 2012
Gênero: Ação
Classificação: Livre
Direção: Marc Webb
Elenco: Andrew Garfield, Emma Stone, Rhys Ifans, Sally Field, Denis Leary, Martin Sheen
País: Estados Unidos
Duração: 136 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Conta novamente a mesma história de como um simples estudante que vive solitário, ignorado e zombado por todos, se transforma em um híbrido entre homem e aranha, passando a usar suas novas habilidades para ajudar a combater os crimes e os vilões da cidade.

O QUE TENHO A DIZER...
É difícil começar a escrever sobre esse reboot da série porque o tempo no cinema corre muito mais devagar do que na vida real. O primeiro filme da trilogia de Sam Raimi tem apenas 10 anos de idade, e o terceiro e último episódio tem apenas 5 anos. São raros os filmes que são considerados clássicos praticamente de maneira instantânea, mas, geralmente, além de ser obrigatório a qualidade e alguma certa originalidade em vários quesitos, o tempo também ajuda, já que os clássicos também costumam ser difíceis de ser superados e o público é exigente nesse aspecto.

Ultimamente o cinema hollywoodiano tem sofrido de uma falta de criatividade e ousadia, já que o público que hoje frequenta os cinemas é diferente, tem interesse por pouco e se dispersa muito rápido. A velocidade da informação foi fundamental para as mudanças, e para chamar esse novo público ao cinema foi necessário mudar os padrões, transformando qualquer tema comum em uma grande catástrofe, encontrando nos super-heróis a saída perfeita para conseguir dinheiro fácil já que eles oferecem muita ação recheada por boas histórias, quando antigamente era o contrário. Além disso, voltamos a era das continuações infinitas e também inauguramos uma outra era, a era dos chamados reboots, termo que, traduzido literalmente, significa "reiniciar".

Algumas séries de filmes tiveram razões para ter um reinício como, por exemplo, a série Batman, que foi destruída pela falta de visionarismo do diretor Joel Schumacher, que não soube manter o legado deixado pelas duas primeiras adaptações de Tim Burton, e que são hoje consideradas clássicas. O diretor Christopher Nolan surgiu com uma idéia fantástica de manter o tom obscuro de Tim Burton, deixando-o mais denso e pesado, mas em um tom mais realista e menos fantasioso. Essa repaginada deu mais humanidade aos personagens, o que funcionou muito bem na nova trilogia que termina neste ano. O reboot de Batman teve uma razão e sentido muito fortes, já que Nolan quis recomeçar do zero e fazer das continuações não o carnaval que havia se transformado antes, mas uma história única em três partes que foi baseado fortemente na mini-série de quadrinhos O Cavaleiro das Sombras.

Essa mesma tentativa está sendo feita com Homem-Aranha, mas não parece ter sido muito inteligente, pois é como se quisessem apagar da memória das pessoas que houve uma série anterior e de superior qualidade em todos os aspectos, além de deixar evidente que esse reboot nada mais é do que um caça níqueis sem freios.

Os dois primeiros filmes da trilogia de Sam Raimi também já são considerados clássicos, pois o diretor, que também era fã do personagem e dos quadrinhos, tentou ser o mais fiel possível. Algumas mudanças foram feitas, mas necessárias para uma melhor aproximação não apenas do personagem para os cinemas, mas também para o nível de aproveitamento de detalhes que haviam nos quadrinhos para a realidade. Tanto que essas poucas mudanças posteriormente foram incorporadas nas novas versões dos quadrinhos.

Na adaptação de Sam Raimi, a construção do personagem e o desenvolvimento de sua história, desde quando Peter Parker era apenas um estudante até sua transformação em um super-herói, foi gradual, coerente e sem tropeços. Quando Peter é picado pela aranha, desde a forma como isso aconteceu, sua transformação, até as descoberta de suas habilidades, foi tudo justificado e realista. Este foi o grande mérito do experiente roteirista David Koepp que, unido à forma como Raimi contou a história, era como se estivéssemos lendo os quadrinhos, havendo sempre um leve suspense no ar sobre o que é que iria acontecer em seguida. No segundo filme, mas com roteiro de Alvin Sargent, Peter estava em dúvidas entre ser um super-herói ou ter uma vida normal com sua tão amada Mary Jane. Novamente os méritos do diretor e do roteirista se destacam quando pudemos sentir o sofrimento do personagem por não conseguir encontrar um meio termo entre seus dois grandes objetivos. O terceiro filme da série, como Sam Raimi mesmo já chegou a afirmar, foi um grande erro, pois foi feito muito mais pela pressão do estúdio e dos fãs do que por sua própria vontade. Houve a troca de vários profissionais, o tempo entre a pré-produção e o lançamento do filme foi extremamente curto e a queda da qualidade foi nítida, mas nem por isso podemos desmerecer as qualidades dos dois primeiros filmes.

Nesse novo início da série, que agora incorpora o ESPETACULAR no nome, mas de espetacular há nada. O diretor Marc Webb demonstrou não haver experiência suficiente para conduzir um filme que ousou ser melhor que o de Sam Raimi, até mesmo porque ele possui apenas um filme em seu currículo, o delicioso, realista e sutil 500 Dias Com Ela (500 Days Of Summer, 2009), mas realismo e sutileza não se enquadram aqui. O roteiro foi desenvolvido a seis mãos por James Vanderbilt, Alvin Sargent e Steve Kloves. Os mais conhecidos são Steve Kloves e Alvin Sargent, o primeiro escreveu o roteiro de vários filmes da série Harry Potter, e o segundo foi o roteirista dos dois últimos filmes da série de Sam Raimi.

Eu sempre digo que é necessário desconfiar de roteiros que são escritos por mais de uma pessoa. Quando isso acontece geralmente o restuldado não é bom, pois costuma significar que o roteiro não tinha qualidade suficiente, tendo que sofrer várias transformações até o produto final. A regra é clássica e cai como uma luva aqui. A construção do personagem é perdida e a coerência dos acontecimentos não existe. Tudo acontece de forma precipitada e falsa. Tudo bem que já conhecíamos a história, já que ela é a mesma do primeiro filme da trilogia anterior (só muda alguns elementos), mas não era necessário tratar tudo com tanta superficialidade para dar mais atenção às cenas de ação.

Peter Parker, que antes era um jovem bitolado que usava óculos, camisa de cores lisas e engomadas, apaixonado pela vizinha, por fotografias e com os hormônios explodindo pela pele, agora se transformou em um adolescente um pouco rebelde, que passou a usar jaquetas e calça rasgada, trocou os óculos por lentes de contato, sua paixão por skate agora é maior do que pela fotografia, adora internet e pouco demonstra seus sentimentos pela colega de sala que se derrete toda vez que o vê. E o Homem-Aranha... bom, o Homem-Aranha agora pratica pakur com mochila nas costas.

Só nessa construção já observamos muito bem que há nisso uma tentativa de acesso ao público adolescente mais atual e que não enxergava na caracterização de Tobey Maguire um exemplo. Um grande erro, já que a personalidade e as características de Peter Parker nos quadrinhos clássicos é a mais próxima e fiel feita na primeira trilogia. Por isso que a escolha de Tobey foi certeira, porque ele não precisava vestir uma roupa social para mostrar que não se enquadrava entre seus colegas, isso era visível só de olhar para a feição de garoto ingênuo e bonzinho do ator, da mesma forma que só de olhar para os cabelos de Andrew Garfield percebemos que ele faz parte da geração punk-pop.

Portanto, o approach do filme é especificamente para o público adolescente e que agora acompanha as novas aventuras do herói nos quadrinhos e na televisão, e não mais para todos os públicos, como foi na versão de Sam Raimi, havendo uma desconstrução de tudo para o bem do lucro. O que nunca se mostrou necessário, já que a primeira trilogia arrecadou mais de 2,5 bilhões de dólares pelo mundo.

O mesmo pode ser dito para as cenas de ação e aos efeitos especiais. Nenhuma cena de ação supera às dos filmes de Raimi, que souberam fazer jus à geração pós-Matrix e misturar malabarismos e câmera lenta num balé de efeitos que dá prazer aos olhos, mostrando os detalhes das acrobacias do herói e que não eram apenas as teias o grande motivo dele ser considerado um homem aranha. Nesta versão de Marc Webb, não há nada prazeroso ou espetacular além do estiligue humano, coisa que já havia sido mostrada antes. Nem mesmo os malabarismos em primeira pessoa foram usados com tanta intensidade como foi proposto no trailer, o que é bastante frustrante para quem esperava muito por isso, como eu, me sentindo enganado quando o filme acabou.

Os fãs sempre quiseram o Lagarto para ser um dos vilões na época em que Sam Raimi era responsável pela franquia. Ele mesmo chegou a declarar que embora Lagarto fizesse parte da lista dos grandes vilões clássicos do herói, ele não seria interessante na adaptação para o cinema pois não teria a grandiosidade que merecia devido a dificuldade da construção de sua história e da sua caracterização. Raimi estava certo. A construção da história do personagem até sua transformação como vilão é banal, sendo desenvolvida como se fosse apenas uma angústia adolescente de fazer o que não deve de pirraça por conta da castração de uma vontade. A caracterização feita inteiramente por computação gráfica é estranha, parecendo um boneco de plástico tal qual aconteceu com Hulk, com uma feição mais parecida com a de uma múmia mascarada do que de um lagarto assustador e nojento, como era nos quadrinhos. Sem contar que qualquer semelhança entre o desenvolvimento das histórias dele e do Duente Verde no primeiro filme de Raimi é mera coincidência (!).

E na boa, nenhum vilão pode ser levado a sério quando sua primeira frase de impacto é: "você me deteve uma vez, mas não vai me deter de novo", como é a primeira frase do Lagarto ao estar cara a cara com o herói.

Sem contar das várias situações de deja vu. Como a inspiração da máscara, ou as frases: "você terá muitos inimigos", "pegue sua máscara, você precisará dela" e "a cidade precisa de você".

A única sequencia que achei genuinamente interessante é quando Stan Lee faz uma aparição com fones de ouvido, ouvindo uma música clássica. Sem dúvida a melhor das aparições que ele já fez nos filmes. Para quem não sabe, Stan Lee é o criador dos grandes heróis da Marvel, e é sempre o velhinho que aparece rapidamente nos filmes que tenham seus super-heróis.

Mas as atuações valem o filme. Embora Andrew Garfield mostre uma faceta mais atual, ele é convincente como um adolescente incompreendido e traumatizado. Emma Stone, como Gwen Stacy, o primeiro grande amor de Peter Parker, é a verdadeira mocinha, e mesmo Emma sendo uma das novas estrelas em ascenção por ser boa atriz e não ter uma beleza padrão, ela não se sobrepõe sobre os demais quando aparece. Claro que Sally Field, como a Tia May, dispensa comentários, mesmo Tia May tendo 20 anos a menos nessa versão, o que Raimi provou que idade não limita nada quando Dr. Octopus sequestra a velhinha no seu segundo filme.

Marvel e Sony já declararam que haverá mais duas continuações, mas acho que já ficou muito claro que a minha preferência não é pela trilogia anterior, mas pelos dois primeiros filmes de Raimi, já que, além de ter sido uma excelente adaptação bastante fiel em sua essência, também foi dirigido por um grande diretor que conhecia a fonte, sabia desde o princípio como tudo deveria ser feito, para quais públicos direcionar e soube conduzir com maestria cenas e seqüencias que dificilmente serão superadas.

CONCLUSÃO...
Para os fãs ou aqueles que tem conhecimento dos quadrinhos clássicos e se sentiu satisfeito pelo menos com algum dos filmes da trilogia anterior, essa nova versão da mesma história é fraca e insossa, deixando de lado um personagem com características incomuns de lado para dar e chamar atenção de um público novato e que desconhece suas origens em uma história vazia e com a cenas de ação que não impressionam tanto quanto muita gente imaginou. Além do fato evidente de que esse reboot é só para gerar mais alguns milhões de dólares e nada mais.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

AMIGOS COM SEXO...

★★★
Título: Solteiros Com Filhos (Friends With Kids)
Ano: 2011
Gênero: Comédia, Drama
Classificação: 14 anos
Direção: Jennifer Westfeld
Elenco: Jennifer Westfeldt, Adam Scott, Kristen Wiig, Jon Hamm, Maya Rudolph e Chris O'Dowd, Megan Fox
País: Estados Unidos
Duração: 107 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre um casal de amigos que resolvem ter um filho, mas sem as obrigações conjugais que estragariam suas relações.

O QUE TENHO A DIZER...
Está virando regra que todo filme que tenha "FRIENDS WITH" no título original seja ruim. Hollywood ainda insiste nessa idéia de criar a comédia romântica e misturar relações e sentimentos em cima de melhores amigos, quando na realidade a gente sabe que as coisas são diferentes.

Há um determinado ponto no filme em que os dois melhores amigos resolvem fazer o filho, se beijam, e ela diz: "É como beijar um irmão". Pois é, a sensação é realmente essa, agora imagine fazer sexo com seu melhor amigo quando há outras formas conceptivas sem a necessidade do método arcaico e ultrajante para os dois, mas que precisava existir, senão o filme não seria uma comédia, e muito menos romântica.

Escrito, dirigido, produzido e atuado por Jennifer Westfeldt, que vem de uma geração de comediantes da mesma de Kristen Wiig - que atuou e escreveu o engraçado Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids, 2011). Aliás, boa parte dos atores principais de Missão também estão neste filme, como: Maya Rudolph, Jon Hamm, Chris O'Dowd, além da própria Kristen Wiig.

Há conversinhas sobre casais, filhos, sexo no casamento, sexo fora do casamento, quantidade de sexo antes e depois do casamento, formas de se fazer sexo, como chachoalhar uma criança quando ela chora, gente que sai de cena chorando, gente que sai da mesa jogando o guardanapo pra dar tom mais teatral e dramático, mais sexo, gente que volta pra mesa, sexo, intervalinho pra dizer que a comida estava ótima, crises de paixonite aguda, mais sexo... e assim vai.

Enfim, o tema central da história só firma mais a idéia de que um filho muitas vezes é uma decisão um tanto egoísta, como os personagens deixam evidente. A decisão foi tomada porque de certa forma houve uma pressão social ao verem todos os melhores amigos casados e com filhos, aí surgiu a decisão da mulher porque ela estava ficando velha e com a necessidade fisiológica aflorando e o homem acreditava que já estava na hora de deixar um legado. Não foi irresponsável, mas egoísta, como costuma ser.

Essa questão de amigos terem filhos é real, eu mesmo já tive essa discussões, mas o filme poderia ter sido melhor se tivesse tratado do assunto com mais verossimilhança e não numa tentativa forçada de ser um bate-papo sexual bem humorado sobre isso e, no fundo, levando a lugar algum.

Ele se perde em seqüências que não servem para nada, dando a falsa impressão de que o filme é mais longo do que seus 102 minutos cansativos e bocejantes. Nem mesmo as atuações ajudam muito com uma Jennifer Westfeldt com sua sempre cara de garota complacente e compreensiva, Adam Scott no clichê de garotão esperto e garanhão que sabe ser brincalhão com as crianças, Maya Rudolph nos seus ataques de histeria e Kristen Wiig se esforçando pra não soltar uma piada. Se por acaso tivesse sido um curta-metragem com os primeiros 15 minutos e os 10 minutos de discussão na mesa de Ano Novo, talvez teria sido melhor, pois o que estraga é justamente o tempo que se perde levando a nada.

Obviamente que o casal de amigo também se desgasta, e se apaixona e o filho faz nascer o amor, fazendo o filme terminar... em sexo.

CONCLUSÃO...
O filme é muito mais sobre amigos e sexo do que amigos e filhos. Ou seja, faça muito sexo, até mesmo com seu melhor amigo, que uma hora um filho aparece e, quem sabe, o amor também.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

BEM VINDOS AO EXÓTICO HOTEL MARIGOLD...

★★★★★★
Título: O Exótico Hotel Marigold (The Best Exotic Marigold Hotel)
Ano: 2011
Gênero: Drama, Comédia
Classificação: 12 anos
Direção: John Madden
Elenco: Judi Dench, Tom Wilkinson, Bill Nighy, Penelope Wilton, Maggie Smith, Ronald Pickup, Celie Imrie
País: Reino Unido
Duração: 124 min

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre sete pessoas já na terceira idade que, por razões específicas e individuais, resolvem ir para a Índia passar uma temporada no chamado "The Best Exotic Marigold Hotel" e ao chegar lá descobrem que o hotel não era aquilo que esperavam, mas que irá ser responsável por significativas mudanças em suas vidas.

O QUE TENHO A DIZER...
Este é um daqueles filmes feitos raramente para agradar um público que é pouco agradado no cinema, o das pessoas já vividas e experientes. Não digo que seja um filme apenas para a terceira idade, porque até mesmo eu gosto de dramas/comédias como esses, sobre a busca da felicidade, do amor, do auto conhecimento, da redescoberta e de uma razão de existência por um ponto de vista mais superficial e realista de discussão. Filmes deste gênero costumam ser bons, pois reúnem um elenco de atores mais velhos e subutilizados na indústria cinematográfica e, muitas vezes, mesmo o roteiro ou seu desenvolvimento sendo fracos, a vontade desses atores de fazerem tudo dar certo é tão grande que o resultado acaba sendo extremamente agradável.

O filme, baseado no livro homônimo de Deborah Moggach, é dirigido por John Madden, aquele responsável pelo bontinho e esquecível, embora referência do cliché moderno, Shakespeare Apaixonado (Shakespeare In Love, 1998). Lembra deste filme? Aquele que através de um maciço marketing conseguiu levar sete estatuetas no Oscar, incluindo a de melhor atriz para Gwyneth Paltrow, que venceu as concorrentes Cate Blanchett, Fernanda Montenegro, Meryl Streep e Emily Watson. Pois é... Hoje sabemos que, na dúvida de quem deveria ter levado o prêmio, resolveram entregar para a pior. Porém, mágoas passadas.

O Exótico Hotel Marigold não supreende, mas é extremamente agradável e sincero. A história começa como um Short Cuts - Cenas da Vida (Short Cuts, 1993) às avessas. Short Cuts foi um filme dirigido pelo antológico Robert Altman que foi responsável por dividir algumas águas no cinema norte-americano, naquela narrativa onde é contada a história de vários personagens distintos que se cruzam em uma situação comum no final, fómula de surpresa que foi insistentemente utilizada em filmes posteriores como Magnolia (1999), Crash (2004) e Babel (2006), apenas citando alguns dos mais conhecidos já que a lista é extremamente extensa após o filme de Altman. Logo, neste filme tudo começa com essa premissa. Todos os personagens distintos já são colocados em uma situação que os une para só depois as histórias individuais serem desenroladas.

É um filme que começa meio confuso, um tanto perdido entre não saber entre que tom da comédia ou do drama levar, com algumas piadinhas britânicas que chegam ao pé da cafonice e da obviedade colocando cada personagem em situações triviais e pouco relevantes. Mas conforme os minutos vão passando, as coisas vão se equilibrando, nos levando a uma viagem bastante pessoal à Índia por sete pontos de vista distintos. Demora algum tempo para que seja possível se identificar com eles e praticamente impossível se identificar apenas com um, já que os dramas vividos por cada personagem é bastante comum no dia a dia das pessoas como um todo. Quando o filme engata, ele é prazeroso, triste e divertido.

São duas as narrativas utilizadas, a narrativa objetiva e a subjetiva pelo ponto de vista da personagem Evelyn Greenslade (vivida por Judi Dench), já que ela mantém atualizado diariamente um blog no qual ela relata as experiências que está vivendo durante sua temporada na Índia. Às vezes a edição um tanto quanto rápida e com cortes muito bruscos entre uma seqüência e outra podem acabar deixando confuso aqueles que se distraírem por alguns segundos. No geral não parece um filme feito para o cinema, mas um longo episódio de um seriado familiar da ABC, com uma trilha sonora de Thomas Newman (mestre na orquestração dramática) que não chega a ser invasiva, mas que se alguém chorar pode ter certeza que é por causa dela.

Obviamente o filme termina com lições aprendidas e o encontro de tudo aquilo que passaram a vida procurando, mas só foram encontrar durante uma viagem distante. Mas sem dúvida, mesmo com erros ou defeitos, tudo passa batido com a presença de grandes atores e citar apenas um é ser injusto com os demais.

CONCLUSÃO...
Deve ser apreciado porque não é sobre um filme qualquer, mas um daqueles com um elenco que realmente tem uma história pra contar e deve ser assistido não apenas pelo grupo de idosos do SESC, mas também pelos netos e bisnetos para que estes já cresçam sabendo que envelhecer é muito mais do que acrescentar números na idade, mas história e conhecimento.

terça-feira, 19 de junho de 2012

AGORA PODE CASAR...

★★★★★★★★
Título: Estômago
Ano: 2007
Gênero: Drama
Classificação: 14 anos
Direção: Marcos Jorge
Elenco: João Miguel, Fabiula Nascimento, Babu Santana, Carlo Briani, Zeca Cenovicz
País: Brasil, Itália
Duração: 113 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre um cearense que muda para a cidade grande sem dinheiro e comida, e passa a trabalhar como cozinheiro de um boteco em troca de comida e moradia. Com o tempo seus salgados fazem sucesso, ele recebe uma proposta melhor de emprego e passa a trabalhar em um restaurante mais familiar, aprendendo os truques e receitas da boa culinária. E com a comida ele conquista as pessoas e domina o espaço onde está, aprendendo, inclusive, a se aproveitar das pessoas que se aproveitam dele.

O QUE TENHO A DIZER...
Estômago é o filme de estréia de Marcos Jorge, com roteiro assinado por ele, Fabrízio Donvito, Cládia Natividade e Lusa Silvestre, todos estreantes, em uma co-produção Brasil/Itália. O filme foi bastante elogiado em 2007 quando recebeu quatro prêmios no Festival Internacional de Cinema do Rio (Melhor Filme, Ator, Diretor e prêmio especial ao ator coadjuvante Babú Santana) e também foi indicado a outros prêmios nacionais e internacionais.

Este filme é um dos exemplos de que, ao contrário da maioria dos filmes norte-americanos, os diretores e roteiristas estreantes e brasileiros sabem muito mais o que fazer e onde explorar, sendo seus filmes de estréia muitas vezes até melhores que os seguintes. Assisti este filme por acaso na TV, e assim como muitos comentários que li sobre ele depois, também achei que seria mais um filme comum que fosse falar de migração, sexo e a dificuldade de comunicação entre uma língua regional e outra. Mas me enganei profundamente. É um excelente drama com momentos de humor negro. Outros momentos não chegam a ser de suspense, mas existe algo que deixa a linha de narrativa tensa por algumas informações aleatórias jogadas durante o decorrer da história, mas que vão fazendo sentido conforme a trama se desenvolve.

O título do filme não é à toa, porque ele literalmente mexe com esse órgão que, ao mesmo tempo que nos satisfaz, também pode nos dar as piores sensações, é por ele que nós também conquistamos, mas pode ser por ele que também criamos antipatia. Essa contradição é jogada de forma brilhante na tela o tempo todo, seja por imagens belas em situações porcas ou imagens nauseantes em situações belas, graças à direção precisa de Marcos Jorge, cenas que ao mesmo tempo que te dão água na boca, logo em seguida dão vontade de cuspir. Como um Romeu & Julieta, mas tira-se o Queijo-Minas e coloca-se o Gorgonzola, como é dito no próprio filme.

Brincar com essas sensações e com o antagônico é algo que virou muito característico do cinema nacional, que foi importado do Francês, mas que tem dado excelentes resultados. Existem várias momentos brilhantes assim, mas uma das seqüências que provavelmente está entre as mais memoráveis é quando a personagem de Fabiula Nascimento (antes de ficar famosa na novela Avenida Brasil) come uma coxinha com um prazer de dar água na boca, e logo em seguida, e sem vergonha de ser nojenta, grita literalmente de boca cheia com Nonato (João Miguel), explicando que putanesca é um termo "italiano e muito chique". Essa cena, feita com muita simplicidade e que só funciona pelo talento da atriz e do diretor por captar a imagem certa e no ângulo correto, resumem todas as qualidades do filme.

Ângulos fechados, ampliando as imagens e sensações como uma lupa. A câmera lenta para se observar e degustar cada detalhe. Tudo é feito de maneira que nada passe despercebido.

Nonato é extremamente introspectivo, introvertido, ignorante, tímido, obediente e incapaz de questionar ou ter senso crítico. É tratado o tempo todo como um nada qualquer, até lhe explicarem que culinária é como uma arte, e precisa ser desenvolvida. Quando Nonato desenvolve o seu gosto pela boa comida e pela bebida, aprendendo a fazer a mistura correta dos ingredientes, apurando seu olfato e paladar, ele coleciona um arsenal de armas que usará como em um campo de guerra quando percebe que pode dominar e manipular as pessoas pelo... estômago.

Há uma certa didática no filme, sim, ao detalhar demais a importância dos temperos certos, do tempo de cozimento, da fritura do alho, bem como as notas exaladas pelo vinho e a importância da sua qualidade no acompanhamento. Mas isso tudo tem o propósito de tratar a audiência como leiga para que ela tenha a mesma sensação que o personagem principal, tanto nos momentos em que ele aprende, quanto nos momentos que ele tenta fazer outros compreenderem essas diferenciações, como no fabuloso banquete que ele organiza no ápice do filme, seqüência em que ele deixa evidente que conhecimento no meio de tanta ignorância é o poder. É neste momento que todas as dificuldades do filme são reveladas, as de linguagem, comunicação, conhecimento e o senso comum, principalmente quando é servido o Carpaccio e quando Bujiú (Babu Santana) pergunta por que Nonato não serviu tudo de uma vez ao invés da "frescura" de servir os pratos em seqüência.

CONCLUSÃO...
Fantástico e nada sutil. Às vezes cru, às vezes cozido. Às vezes bem acompanhado, às vezes desce a seco. Tem um dos melhores finais que já vi, não chega a ser original, mas com certeza surpreende como se fosse uma primeira vez.

domingo, 10 de junho de 2012

ÀS VEZES FILMES VAZIOS FAZ BEM...

★★★★★★
Título: Para Sempre (The Vow)
Ano: 2012
Gênero: Comédia, Romance
Classificação: 12 anos
Direção: Michael Sucsy
Elenco: Rachel McAdams, Chaning Tatum, Sam Neil, Jessica Lange
País: Estados Unidos
Duração: 104 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre um casal que sofre um acidente de carro e agora o rapaz terá de reconquistar sua amada novamente, já que as sequelas a levaram a ter uma consistente perda de memória do passado.

O QUE TENHO A DIZER...
Adivinha o que acontece quando você pega o mais novo garotão de Hollywood (ou assim estão querendo fazê-lo insistentemente) e a mais nova "Namoradinha da América" (caso ela não fosse canadense), juntam os dois em uma comédia romântica que é lançada no dia dos namorados e promovida como "inspirado em eventos reais"? Quem disser que é uma bilheteria de mais de US$191 milhões mundialmente, acertou.

Não que o filme seja bom, mas é aquela água com açúcar que todo mundo já sabe que vai ser. Ele poderia ser muito ruim, mas por uma questão de probabilidade e sorte é aquele tipo de filme que, mesmo tendo sido feito repetindo-se incansavelmente a mesma fórmula, raramente sai sem defeitos de fábrica, e nunca há uma explicação lógica quando isso acontece. O que favorece o filme, e que o deixa prazeroso de assistir, é que em momento algum ele esconde isso de você. Logo no começo já sabemos que vai ser um filme fofo, com situações ora engraçadas, ora de lágrimas, e que farão todos os casais ficarem mais abraçados enquanto estiverem assistindo, e quem não estiver acompanhado, bom... irá chupar o dedo e desejar que estivesse.

Dizem que a história é "inspirada em eventos reais", e realmente é. O casal da realidade é Kim e Krickitt Carpenter, mas só pela forma como é colocado a inspiração já deixa clara a distância entre o que foi real e o que é ficção, e é óbvio que o filme faz tudo parecer muito mais difícil e mágico, pra no final todo mundo poder suspirar. EMBORA o final seja, digamos, um pouquinho supreendente.

Eu particularmente gostei, não pelo filme, nem pela história, mas a forma como ela é conduzida, e principalmente por Rachel McAdams, que é sempre carismática com seu jeitinho doce e natural, além de ser boa atriz, embora ainda não tenha sido aproveitada em um filme que realmente fizesse jus de seus talentos dramáticos. Channing Tatum é aquela coisa... não sabe atuar, não sabe falar, é amarrado, mal consegue andar direito e parece que tá com a boca sempre inchada, e quando tenta ser engraçado é de um jeito pastelão porque, pasmem, as mulheres adoram um homem bonito e bobão.

Não há muito o que dizer. O filme foi feito pra isso, e é assim que ele é e deveria ser, afinal, clichés de filme não são nada comparado ao Dia dos Namorados.

CONCLUSÃO...
Assista sem medo, seja você homem ou mulher, acompanhado ou sozinho. Alguns filmes vazios também fazem bem quando assistidos com parcimônia, esse é um deles.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

A SÍNDROME DE CARRIE ESTÁ DE VOLTA...

★★★★★★★★
Título: Poder Sem Limites (Chronicle)
Ano: 2012
Gênero: Ação, Suspense, Ficção
Classificação: 12 anos
Direção: Josh Trank
Elenco:Dane DeHaan, Alex Russell, Michael B. Jordan, Ashley Hinshaw, Michael Kelly
País:Estados Unidos, África do Sul
Duração: 84 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre um grupo de jovens que, após serem expostos a uma forma de vida indefinida, desenvolvem poderes psíquicos.

O QUE TENHO A DIZER...
Filme de estréia do diretor Josh Trank, baseado em uma história escrita por ele e Max Landis. Segue a mesma premissa dos atuais filmes de baixo orçamento intencionados a lucrar, o que não é uma tarefa fácil, mas o cinema já provou que tem espaço para isso, basta ter uma boa idéia e uma câmera digital na mão. E assim o fez, custando "apenas" US$12 milhões e arrecadando mais de US$126 milhões mundialmente, o que já fez a Fox dar sinal verde para uma continuação.

A onda, iniciada com o inesperado sucesso de A Bruxa de Blair (The Blair Witch Project, 1999), demorou bastante para ser reproduzida em escala comercial, como a tetralogia Atividade Paranormal (Paranormal Activity, 2007/2010/2011/2012), REC (2007), Cloverfield (2008), Contatos de 4º Grau (The 4th Kind, 2009), Fenômenos Paranormais (Grave Encounters, 2011); O Túnel (The Tunnel, 2011), Apollo 18 (2011), dentre outros. Embora o estilo terror seja predominante, essa forma de narrativa acabou sendo explorada por outros gêneros, como, por exemplo, nos excelentes seriados The Office e The Comeback. São filmes de baixo orçamento e com péssima qualidade de imagem, mas que acabam sendo por vezes muito mais interessantes que os filmes tradicionais de grandes estúdios, pois para a idéia não parecer batida e uma mera reprodução do pai de todos (A Bruxa de Blair), é como se fosse uma obrigação ter sempre um tom de originalidade ao menos na história a ser contada.

A história pega carona no sucesso de adaptações de super-heróis de histórias em quadrinhos, mas nem pelas questões de baixa produção este filme pode ser considerado inferior, muito pelo contrário. Embora essa visão subjetiva da câmera seja por vezes cansativa e um tanto absurda a idéia de "salve a câmera custe o que custar", como é dito em Cloverfield, esse formato conseguiu dar um tom de realidade a uma fantasia que se desenvolve com naturalidade, prendendo a atenção e sendo até bastante convincente ao mostrar toda a tragetória do surgimento de um super herói, não parecendo tão plástico e artificial como são as adaptações de quadrinhos.

O que mais achei interessante de tudo é o desenvolvimento dos personagens, que é bastante rico, e os acontecimentos envolvendo cada um deles, além da falsa impressão do que cada um deles poderia fazer com o poder, como o personagem Steve (Michael B. Jordan), por exemplo, que é presidente do grêmio estudantil e sonha construir carreira política. A partir deste cliché imaginamos que ele poderia usar o novo dom para se promover e garantir seus objetivos, mas ele é o personagem mais sensato e que menos usa seus poderes. Ou o personagem Matt (Alex Russell), o mais bonitão da turma, que poderia se tornar exibicionista e arrogante, o que não acontece.

O único personagem cliché que acaba fazendo exatamente o que se espera é o personagem Andrew (Dane DeHaan), mas vejo o personagem mais como uma homenagem e uma referência à personagem Carrie, de Stepehen King. Aliás, foi uma bela e bem feita referência e não simplesmente uma cópia mal feita e preguiçosa. Mas até aí, só quem leu o livro ou assistiu ao filme de Brian De Palma, de 1976, para compreender o que estou querendo dizer.

Os efeitos visuais muitas vezes impressionam, mas ao mesmo tempo o excesso de chroma key é nítido, mas nada atrapalha, e fazia tempo que não assistia uma fantasia tão convincente. Vi na tela aquilo que sempre quis que acontecesse comigo quando era adolescente, vivia no mundo da fantasia e que sonhava ser alguém importante e poderoso, o que de certa forma fez do filme algo bastante nostálgico e emocionante, talvez tenha sido por isso que gostei tanto.

CONCLUSÃO...
Vai agradar em cheio aos fãs de histórias fantásticas envolvendo poderes e o processo auto conhecimento que segue a partir daí. Pra mim é atualmente o melhor filme do gênero, conseguindo ser muitas vezes melhor do que qualquer adaptação de super-herói feita até o momento quando analisamos pelo ponto de vista de desenvolvimento de história. Como disse antes, dá um tom realista a uma fantasia, mostrando de forma natural o processo e o surgimento de um super-herói de maneira muito mais realista, convincente e efetiva do que todos os outros filmes de grande orçamento já tentaram fazer.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

ATÉ CHUCK NORRIS SAI CORRENDO...

★★★★★★★★
Título: Operação Invasão (Serbuan Maut)
Ano: 2011
Gênero:Ação, Policial, Suspense
Classificação:16 anos
Direção:Gareth Evans
Elenco:Iko Uwais, Joe Taslim, Yayan Ruhian, Ray Sahetapy, Iang Darmawan
País:Indonésia
Duração: 101 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre uma equipe de força especial que é incumbida de invadir e esvaziar a todo custo um prédio de 30 andares tomado por um chefe e sua enorme facção criminosa de assassinos e traficantes.

O QUE TENHO A DIZER...
O filme fez parte da seleção oficial de Sundance e ganhou outros prêmios internacionais, sendo atualmente considerado por muitos como um dos melhores filmes do gênero dos últimos anos, o que vem chamando a atenção das pessoas nos países em que está sendo divulgado, e também no boca a boca. Dirigido e escrito pelo galês Gareth Evans e estrelado por Iko Uwais, é a segunda parceria dos dois. O diretor o conheceu durante as filmagens de um documentário sobre Pencak Silat, uma arte marcial tradicional na Indonésia. A primeira parceria é no filme Merantau (Merantau, 2009), e a continuação de The Raid, a qual será a terceira parceria, está prevista para ser lançada em 2013. Seus filmes ganharam fama por novamente conseguir populalizar o Pencak Silat não apenas na Indonésia, mas também em outros países onde os filmes Merantau e The Raid foram exibidos.

Alguns brasileiros que assistirem ao filme acabarão fazendo algumas comparações com Tropa De Elite (2007), mas serão meras coincidências. The Raid é 100% orientado a ação, tipicamente do gênero e non-stop, ou seja, possui apenas alguns breves minutos de pausa que aliviam a ação, mas aumentam o suspense, o que faz a atenção e tensão nunca diminuirem durante todo o desenvolvimento da trama.

É bastante violento e não poupa a audiência de tiros no rosto, facadas no pescoço, fuzilamento explícito, espancamento e sangue, muito sangue. Um filme de homens e para homens (embora mulheres que gostem do gênero também se divertirão). Mas, acima de tudo, também possui uma trama de traição e corrupção que se desenvolve de maneira inteligente dentro de um ambiente limitado e com recursos igualmente limitados, resultando em um filme melhor do que muitos outros de grande orçamento. Além de ser bastante realista, já que os atores principais são seus próprios dublês, realizando todas as cenas de luta em coreografias geniais e puramente técnicas que excluem voadoras, piruetas, armas mirabolantes ou câmera lenta. É simplesmente a força pela força e a técnica pela técnica, vencendo quem conseguir dominar melhor os dois e nada mais.

CONCLUSÃO...
É para quem gosta de ação pela ação, e também para quem gosta de filmes de ação com uma trama, que embora comum é bastante aceitável por sua recorrencia na realidade. Mais uma prova de que um bom filme só precisa de uma idéia bem desenvolvida e não de um orçamento milhonário.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

"VIVEMOS EM UMA DITADURA CAPITALISTA!"

★★★★★★★★
Título: Os Educadores (Die Fetten Jahre Sind Vorbei)
Ano: 2004
Gênero: Crime, Drama, Romance
Classificação: 14 anos
Direção: Hans Weingartner
Elenco: Daniel Brühl, Julia Jentsch, Stipe Erceg, Burghart Klaußner
País: Alemanha/Áustria
Duração: 127 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre dois amigos que dividem ideais comunistas e, durante a madrugada fazem manifestações pacíficas assinada por eles como "OS EDUCADORES". Mas depois de um incidente envolvendo a namorada de um deles, acabam sendo obrigados a mudar o protocolo, colocando todos em risco.

O QUE TENHO A DIZER...
Segundo longa metragem do diretor Hans Weingartner, e também a segunda coloboração entre ele e o ator Daniel Brühl, o mesmo ator de Adeus, Lenin! (Good Bye, Lenin!, 2003). Considerado hoje um filme cult e pop por ser reacionário e tratar de política, ideais, amizade, amor e humanidade por um ponto de vista contrário aos clichés atuais, além de ser recheado de atores (na época) novos e experientes, linguagem acessível e uma trilha sonora cheia de referências que marcaram uma época. Aqui os questionamentos são os mesmos repetidos por todo jovem adulto exposto às dificuldades da vida, lutando contra tudo e todos em busca do ideal utópico, principalmente se estes jovens nasceram em uma nação com um pensamento político tão dividido e ativo como na Alemanha. O filme foi um dos destaques do Festival de Cannes de 2004, concorrendo à Palma de Ouro. Ganhou importantes prêmios do cinema alemão e é até hoje referência para muitos.

A história se passa de maneira proposital em Berlim e que, mesmo após a queda do muro em 1989, que dividia sua parte oriental e simpatizante do regime soviético da parte ocidental e capitalista, ainda tem posicionamentos políticos comunistas bastante fortes, principalmente por grupos intelectuais na faixa dos 20 e 30 anos. O filme começa com um protesto pacífico contra a exploração capitalista, deixando claro que o tema principal irá girar em torno dessas duas filosofias políticas. Mas embora possa se tratar de um tema difícil e massante para muita gente, a forma como é abordado e como as personagens dialogam sobre isso não segue cartilhas marxistas ou tenta ser discurssivo e chato. Pelo contrário, é realista, questionando dificuldades e nos dando diferentes pontos de vista para a compreensão do que vivemos no dia a dia, muitas vezes parecendo até ingênuo, nos remetendo a um deja vu que levará muitos a dizer "eu já pensei assim um dia".

Mas esse tom ingênuo é perdido quando entra em cena Hardenberg, vivido pelo ator Burghart Klaußner, que é exatamente a representação daquele que naturalmente corrompeu seus ideais por uma simples necessidade de escolha. Dando respostas e incentivando contra-respostas que fazem o filme perder o tom partidário que aparentava, passando a ser humano e realista, oferecendo ferramentas a quem assiste para discernir o que é certo ou errado dentro daquilo que elas mesmas acreditam. Tudo sempre de maneira extremamente pacífica, apesar de atitudes não muito coerentes dos personagens.

Além disso, há também a relação entre os três personagens principais e do triângulo amoroso que nasce, o que acaba sendo bastante simbólico junto ao tema principal, já que a escolha de Jule entre Jan e Pete se encaixa muito bem frente às decisões e escolhas políticas e ideologicas de cada um, dando também um retrato bastante tocante e bonito dos valores de consideração e lealdade, tão raros hoje em dia.

O roteiro extremamente bem trabalhado faz as personagens principais flutuarem entre a ingenuidade e a maturidade, tanto em ações quanto em diálogos, evidenciando as crises pessoais que cada um deles está passando, e o diretor Hans Weingartner foi hábil ao situar a importância de cada um deles.

Filmado com câmera digital e suspensa, talvez a qualidade um pouco inferior de imagem e o constante balançar da câmera acabem incomodando os mais impacientes, mas que com o decorrer do filme acabam sendo esquecidos frente a riqueza temática do filme.

CONCLUSÃO...
Vale a pena ser assistido por qualquer pessoa, pois oferece material que levanta questões fundamentais de forma inteligente, dinâmica, e o melhor, numa linguagem cinematográfica que prende a atenção e surpreende no final.

sábado, 26 de maio de 2012

IMAGINE UMA NOVELA DIRIGIDA POR CRONENBERG...

★★★★★★★
Título: A Pele Que Habito (La Piel Que Habito)
Ano: 2011
Gênero: Horror, Suspense, Drama, Ficção
Classificação: 14 anos
Direção: Pedro Almodóvar
Elenco: Antonio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredes, Jan Cornet
País: Espanha
Duração: 117 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Eu adoraria responder essa pergunta, mas não posso.

O QUE TENHO A DIZER...
Almodóvar sempre tenta nos pegar de calças curtas e nos surpreende de alguma forma. É por essas e outras que o lançamento de seus filmes sempre é um evento, seja nos cinemas ou pela euforia de seus fãs em casa. Desde quando divulgou a produção do filme, ele afirmou que se aventuraria no terror, mas sem gritos ou sustos. Para um diretor que já que experimentou um pouco de tudo em sua trajetória cinematográfica, um terror estava mais do que na hora.

É também o retorno de Banderas com o diretor, depois de um hiato de 20 anos, fazendo um cirurgião plástico de poucas palavras e cheio de segredos. Mas mesmo assim não deixa de ser perturbador e ao mesmo tempo sexy apenas com o seu olhar expressivo. O mesmo deve ser dito sobre Elena Anaya na sua segunda colaboração com diretor. A princípio Almodóvar queria Penélope Cruz, que não pode aceitar o papel devido a conflitos de agenda, e Elena acabou sendo a opção perfeita para o papel, por ter uma representação comedida e traços físicos muito mais sutis e delicados.

É um filme estranho até mesmo para seus fãs mais fiéis, que não encontrarão nele o calor dos personagens anteriores, o uso exagerado das cores e os dramalhões almodovarianos tão tradicionais. A impressão que se tem é que ele quis pegar o seu próprio estilo e virar do avesso, fazendo completamente o oposto do que fazia. A estranheza é observada logo no começo, mostrando ambientes frios, cores quentes substituídas pelas frias e metálicas, cenas apáticas em momentos que era esperado ataques histéricos e movimentações mecânicas tanto de câmera quanto dos atores. O desenvolvimento da história é lento, chega a ser cansativo e entediante, e quase desisti de continuar assistindo por várias vezes. Mas ao mesmo tempo resisti, pois sabia que a intenção era sovar, criando uma atmosfera e preparando-a até não ser possível aguentar mais.

Claro que por momentos muito breves e raros é possível identificar o humor negro de Almodóvar durante o filme, como se fosse um leve sorriso de canto de boca, um escorregão proposital que sem querer você se pega gargalhando e, ao mesmo tempo olhando para os lados, com vergonha, porque não era pra ser engraçado. Aquilo era Almodóvar provocando.

Pode não ser um de seus melhores filmes, mas sua direção é impecável ao conseguir variar entre o terror, suspense e drama com naturalidade. Para um filme de terror não ter sustos ou gritos, Almodovar conseguiu lidar com o medo nato do homem e o bizarro com poucos recursos, já que seu conceito de bizarro ainda é gracioso, e o medo nato ele instiga pela fantasia que ele nos obriga a criar através de coisas ainda não reveladas, desenvolvendo a trama sem falsas pistas, apenas mostrando o necessário nas horas certas e em pequenas doses.

Com certeza é o projeto mais psicótico, obsessivo, perverso e ambicioso do diretor, sendo toda a trama explicada pelo Efeito Pigmaleão, o efeito das nossas expectativas sobre a forma como nos relacionamos com a realidade e como a percebemos, transformando-a frente àquilo que esperamos ou queremos.

CONCLUSÃO...
Indispensável para amantes de cinema em geral, independente de ser ou não fã de Almodóvar. Aos fãs do diretor recomendo assistirem sem pré-conceitos estabelecidos pelos filmes anteriores, já que este foi um gênero que ele fez questão de ser algo completamente diferente de tudo o que ele estava acostumado a fazer, e que também estávamos acostumados a ver.

terça-feira, 22 de maio de 2012

HAMMER HORROR PICTURE SHOW...

★★★★★★
Título: A Mulher de Preto (The Woman In Black)
Ano: 2012
Gênero: Terror, Suspense, Drama
Classificação: 12 anos.
Direção: James Watkins
Elenco:Daniel Radcliffe, Ciarán Hinds, Janet McTeer, Roger Allam
País: Reino Unido, Canadá, Suécia
Duração: 95 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Sobre um jovem advogado que é enviado a uma pequena vila para colocar em ordem os documentos sobre os bens de uma falecida mulher, mas descobre que toda a vila é aterrorizada por aquilo que eles conhecem como "maldição", mas que ele vem a descobrir que é um fantasma em busca de vingança.

O QUE TENHO A DIZER...
Baseado no livro de Susan Hill, que já havia tido uma adaptação em 1989, é o segundo filme do diretor James Watkins, que também dirigiu e escreveu o carnal e violento O Lago Perfeito (Eden Lake, 2008).

É o quinto filme a ser produzido na nova leva de filmes após o renascimento da produtora britânica Hammer Films, produtora que ficou famosa nos anos 50 a 70 por produzir filmes B de horror, como as séries Drácula, Frankenstein e A Múmia. Por serem produções baratas, eram filmadas em preto e branco, com iluminação precária, muitas vezes reaproveitando cenários e figurinos, direção muitas vezes amadora, com histórias bizarras e finais muitas vezes absurdos. Tudo isso acabou, por fim, virando características e a marca registrada da produtora que coleciona legião de fãs por todo o mundo até hoje.

A Mulher de Preto mantém muitas das características dos filmes clássicos de horror da Hammer. Embora seja colorido, o baixo orçamento ainda é presente (o filme custou "apenas" US$17 milhões), e por hoje em dia esse trabalho ser mais acessível, a direção de arte, os figurinos e a fotografia são mais caprichados. Mas a atmosfera sombria, a iluminação deficiente, o tom acinzentado, a granulação de imagem, os efeitos precários e muitos dos enquadramentos de câmera (principalmente nos momentos em que é focalizado apenas o rosto do ator caminhando contra a câmera, com o olhar vago na penumbra) são características marcantes e que hoje podem não surpreender mais, mas nos anos 60 deixava muita gente sem respirar na poltrona.

Portanto, o diretor deixa claro que sabia o que estava fazendo e o resultado que queria, não preocupado se o filme causaria impacto ou daria sustos. A intenção era agradar os fãs nostálgicos e, ao mesmo tempo, impressionar de forma clássica. Por essa razão o filme recebe opiniões mistas. Os que desconhecem a história tanto da produtora quanto do cinema clássico de horror poderá achar esse filme fraco e uma besteira, enquanto aqueles que já conhecem um pouco das referências usadas irá apreciar o produto final e levar alguns sustos à moda antiga e que fizeram a escola dos filmes de horror. De qualquer forma, o filme já arrecadou mais de US$127 milhões no mundo.

Conta com boas atuações dos atores principais. Daniel Radcliffe, embora muito novo e estigmatizado como o eterno Harry Potter, tem uma formação artística típicamente britânica e consegue segurar o filme com poucos diálogos. Já o ator Ciáran Hinds, com sua presença sisuda e porte áustero, deixa a audiência sempre em dúvida sobre sua conduta, principalmente depois que assisti A Vida Durante A Guerra (Life During Wartime, 2009), em que ele faz um maníaco de maneira impressionante, ficando difícil desassociar essa imagem ao assistir outros trabalhos dele depois disso.

CONCLUSÃO...
Não é algo surpreendente, e o final pode ser desagradável para alguns que esperavam um maior desfecho, mas vale a pena ser assistido como uma homenagem e uma referência direta aos clássicos da produtora e se deixar levar pela simplicidade, sem maiores expectativas. A continuação já recebeu sinal verde, até o momento entitulada como The Woman In Black: Angels Of Death, ainda sem data de produção definida.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A VINGANÇA DOS VINGADORES...

★★★★★★★★
Título: Os Vingadores (The Avengers)
Ano: 2012
Gênero: Ação, Aventura
Classificação: Livre
Direção: Joss Wedon
Elenco: Robert Downey Jr., Chris Evans, Tom Hiddleston, Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Samuel L. Jackson
País: Estados Unidos
Duração: 143 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Os distintos e emocionalmente instáveis super-heróis são recrutados por uma agência secreta de segurança para defender o mundo contra um vilão que deseja abrir um portal entre duas diferentes dimensões para que haja o domínio e o controle da Terra e de seus habitantes.

O QUE TENHO A DIZER...
Há anos essa produção está no papel. Desde quando Brian Singer e sua versão dos X-Men fizeram os super-heróis voltarem a ser um grande produto de investimento pros estúdios numa época que Hollywood estava pobre de idéias, ainda lá no começo de 2000, o boato sobre essa grande reunião começou a pipocar no boca a boca de fãs por todo o mundo até chegar nos ouvidos dos manda-chuvas da Marvel. Houve até uma estimativa de quanto poderia ser gasto na época para o desenvolvimento do filme, e algum tempo depois, em meados de 2001 ou 2002 (não me lembro), soltaram uma nota dizendo que a produção do filme seria inviável pelo exorbitante orçamento, que fora avaliado na época em torno de US$350 milhões, o que fez com que o projeto fosse engavetado para um futuro "indeterminado", como eles mesmo disseram.

10 anos se passaram e cada um dos super-heróis da equipe teve seu próprio filme. Começou com Hulk (2003/2008), que teve duas versões distintas (não são continuações) e com atores diferentes (Eric Bana e Edward Northon), já que o primeiro não agradou os fãs e o segundo, embora tenha agradado mais, não foi o sufiente para que ele pudesse ter uma franquia própria de sucesso. Depois Homem de Ferro, que parecia ser um erro, mas que no fim se tornou o grande favorito em 2008, ganhou uma continuação em 2010 e o terceiro já está em produção. Em seguida, Capitão América e Thor (2011), ambos estão com continuações em andamento. Foram filmes que também serviram como base de testes para saber se, hoje em dia, valeria a pena produzir um filme da equipe. E valeu. Com o orçamento US$ 100 milhões mais barato do que 10 anos atrás, o filme já é a terceira maior bilheteria da história com mais de US$1,4 bilhões arrecadados no mundo, atrás apenas de Avatar (2009) e Titanic (1997).

Embora a equipe apresentada no filme falte com a presença de outros personagens da equipe original por conta de dificuldades de direitos de uso de imagem já que alguns personagens estão lienciados à Fox (como os filhos de Magneto, Quicksilver e Feiticeira Escarlate.), a história tenta se manter fiel tanto aos quadrinhos quanto aos filmes anteriores, o que é uma tarefa bastante difícil para qualquer adaptação que tenha anos de história. É também a primeira vez no cinema em que os spinoffs (termo dado a histórias ou personagens de uma história principal e que posteriormente ganham filmes/histórias próprias) foram lançados primeiro para só posteriormente o filme principal ser feito, quando geralmente é o contrário, como aconteceu com Wolverine (2009), que teve um filme próprio depois de X-Men (2000/2003/2006), ou Deadpool, que apareceu em Wolwerine e terá seu filme próprio em 2014.

O roteiro é assinado pelo próprio diretor, Joss Whedon, que obteve muita experiência tanto em direção quanto em produção e roteirização principalmente com duas séries que ele criou e que o levaram ao sucesso: Buffy e, seu spinoff, Angel. O diretor também coleciona uma legião de fãs da pouco conhecida série, mas hoje considerada cult, Firefly, que por sua vez resultou no filme Serenity (2005). Joss, que era fã dos quadrinhos publicados na década de 60, tanto que a maioria das referências do filme são aos quadrinhos dessa época, teve o cuidado de agradar todos os públicos possíveis e o resultado é maciço. Os fãs adoraram (com excessão dos fãs xiitas que nunca se contentam com algo), quem assistiu os anteriores consegue encontrar várias referências que ligam uma trama na outra, o público que desconhece os heróis ou seus filmes anteriores gostaram pela ação e o banho de efeitos especiais, e muita gente que não se interessava passou a se interessar por eles.

Obviamente que um pouco mais de atenção é dada ao Homem de Ferro, por ele ter se tornado o personagem mais popular depois do lançamento de seu próprio filme, e também de Thor, já que a história gira em torno das loucuras de seu irmão, Loki. Mas cada um dos personagens tem seus momentos de importância muito determinados e nunca um é mais favorecido que o outro além do que interessa na história, além do filme mostrar o tempo todo como personagens tão diferentes e com problemas pessoais tão distintos agem individualmente e mesmo assim resultam em um trabalho de equipe.

Se os dois filmes anteriores não agradaram muito os fãs de Hulk, esse filme tem agradado. Hulk (Mark Ruffalo desta vez) é apresentado como nos quadrinhos, incontrolável e estúpido, mas que depois de aprender a controlar seus poderes e suas ações, vira um personagem companheiro, porém ainda rabugento e ignorante. Edward Northon até chegou a ser reconsiderado para o papel, mas as negociações entre ele e a Marvel não deram certo, por isso a substituição.

Infelizmente a Viúva Negra é a única mulher de uma equipe que, originalmente nos quadrinhos, teve várias passagens femininas importantes (como a Feiticeira Escarlate e Miss Marvel), mas ela não desaponta com seu estilo manipulador. Particularmente as suas cenas são as mais inteligentes dentro de um filme que não tem motivos para ser inteligente, mas que justificam perfeitamente o nome fantasia que ela carrega.

Efeitos especiais é o que mais tem. Raios laser, explosões, carros voando, prédios caindo, naves e alienígenas com suas armas e veículos de outro mundo, lutas coreografadas e tudo mais daquilo que faz um blockbuster ser considerado como tal. E o grande mérito do filme todo é ter uma história linear e que faz referências bem discretas a fatos históricos de nações imperialistas e que também, de alguma forma, acabam enaltecendo mais ainda a cultura norte-americana, bem como aconteceu com Capitão América, mas que é facilmente abstraído.

A única coisa que me incomodou um pouco foi a velocidade que tudo acontece, me deixando um pouco perdido algumas vezes sobre quem era quem e quem estava fazendo o quê. Um pouco de câmera lenta para poder quebrar essa sensação e apreciar melhor algumas determinadas sequências não teria feito mal a ninguém.
A Marvel já anunciou que a seqüencia será feita.

CONCLUSÃO...
É o filme de ação que todo mundo espera, mas raramente tem, que podia ser mais um filme vazio qualquer, mas para quem conhece um pouco dos personagens em quadrinhos vai delirar ao vê-los em carne e osso fazendo tudo aquilo que eles nasceram pra fazer.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

BEL AMI DA ONÇA...

★★★★
Título: Bel Ami, O Sedutor (Bel Ami)
Ano: 2011
Gênero: Drama
Classificação:14 anos
Direção:Declan Donnellan, Nick Ormerod
Elenco:Robert Pattinson, Uma Thurman, Christina Ricci, Kristin Scott Thomas
País: Reino Unido, França, Itália
Duração: 102 min.

SOBRE O QUE É O FILME...
Sobre um jovem pobre que busca ascenção financeira e social na sociedade parisiense do século XIX do único jeito que sabe: conquistando as mulheres.

O QUE TENHO A DIZER...
É um projeto bastante ousado adaptar a obra de Guy de Maupassant logo na primeira empreitada dos novatos diretores Declan Donnellan e Nick Ormerod. O livro já foi adaptado no passado para o cinema, TV e teatro. É uma história que não chega a ser complexa, mas requer atenção, já que o personagem principal literalmente faz da cabeça das pessoas degraus sociais em prol da sua insaciável ganância e ambição, um exemplo referencial a tipos comuns, retratando de forma fiel uma sociedade movida a dinheiro e influências, além da sutileza das dependência políticas e sociais entre todos eles. Uma história que, apesar de seu tempo, é atual pela disposição dessas relações ser essencial para a existência e manutenção do poder e da diferença de classes.

A história se passa numa época muito importante da França após a regulamentação da mídia naquele país, onde os jornais, por conta da Lei da Imprensa, tinham liberdade de expressar e de circular sem a necessidade de regulamentação governamental, mas o filme não faz referência alguma a isso, se aprofundando mais nos influentes que passaram a dominar a mídia impressa, fazendo fortunas com o uso da informação, muitas vezes manipulando a política, o comércio e a sociedade, enriquecendo e dando mais poder aos já ricos e poderosos, além de enfraquecer e até mesmo destruir os rivais.

O interessante é que, neste caso, a história tanto do livro quanto do filme dispõem a influência feminina entre os homens. A sociedade conservadora daquela época impedia mulheres de trabalhar ou ter participações políticas. O excesso de casamentos por conveniência favoreciam os relacionamentos extra-conjugais tanto por parte dos homens quanto das mulheres, ampliando as relações, os contatos e a troca de informações. A participação limitada das mulheres na sociedade fazia delas peças importantes e imprecindíveis na guerra do poder, já que muitas delas eram detentoras de grandes fortunas (que podiam desfrutar apenas através de seus cônjuges já que uma mulher solteira e rica não era aceita na sociedade), tinham bons relacionamentos e eram verdadeiras caixas preciosas de informação. Portanto, embora o adultério fosse um crime, homens e mulheres faziam vistas grossas pela necessidade e importância do tráfico de informações e influências. Daí a razão da expressão "por trás de um grande homem há uma grande mulher" cair tão bem. O filme até consegue mostrar de forma digna que os grandes pensadores ou poderosos detentores de informação não eram os homens, mas as mulheres com as quais eles se relacionavam. Não é à toa que George Duroy (Robert Pattinson) começa sua escalada social através da sedução e da manipulação das mulheres, usando cada uma delas para uma razão específica no seu jogo ambicioso.

Os pontos principais do livro estão no filme, como a infiltração social de George Duroy, as relações de interesse, a tentativa de conspiração e boicote de seus rivais, a retaliação e sua constante ascenção. A direção de arte e figurinos são belíssimos, mantendo o mesmo misto de imundice e elegância da França da época, muito embora a fotografia tenha sido mal aproveitada.

Mas a escolha de Robert Pattinson foi de uma imensa infelicidade. Um ator inexperiente, jovem e que aqui mantém as mesmas expressões faciais da Saga Crepúsculo. O filme, que poderia ser agradável e interessante, se torna desconfortável e irritante com as constantes caretas fora de hora numa tentativa do ator expressar uma coisa que não se sabe o que é, ao invés da leveza, simpatia e sutileza de um personagem canastrão, cínico e interesseiro, que na falta de uma educação nobre compensa sua ignorância com a sedução e a manipulação. Talvez tenha sido esse o grande erro do filme, que se preocupa muito mais em tentar convencer de que Robert Pattinson é um grande ator de caretas do que dar mais atenção às relações que o personagem desenvolve, o uso que ele faz das influência das mulheres na sociedade, suas manipulações e chantagens. A impressão que se tem é que o único êxito que o personagem teve foi de levar para a cama todas as personagens principais, quando é muito mais do que isso. Todos os confrontos e complexidades do personagem e suas relações são colocados em um plano bastante coadjuvante e esquecível, o que não deveria acontecer, já que o personagem é a representação de um grupo social, mas é posto como um menino mimado e chato, o que é contraditório e incoerente nessa adaptação, já que ele nunca foi um nobre para agir dessa maneira. O roteiro cai novamente no erro do drama comum ao invés do drama socio-político, como deveria ser. O contraste de atuações é notável quando entra em cena o elenco feminino, que são as verdadeiras engrenagens da história. Uma Thurmam apresenta uma atuação inspirada que não se via desde Kill Bill (2003-2004), como a romântica, intelectual e política Madeleine Forestier. Christina Ricci sempre sobrando com as personagens mais esquisitas como a infeliz, apaixonada e compreensiva Clotilde de Marelle, e Kristin Scott Thomas numa atuação memorável da correta, perturbada e possessiva Virginie Walters.

CONCLUSÃO...
Tinha tudo pra ser uma grande adaptação, com um excelente elenco, cuidado visual e uma grande trama de época, porém não consegue ser convincente por ter um ator que mais irrita do que atua, e um roteiro perdido, que não sabe se desenvolve uma versão boba e superficial dos romances ou se tenta ser algo mais sério e profundo. Foi como disse no começo, é um projeto bastante ousado e ganancioso para ser um primeiro filme dos diretores, e essa inexperiência atinge diretamente a alma de tudo.
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