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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

DEU LIGA...

★★★★★★★☆
Título: Liga da Justiça (Justice League)
Ano: 2017
Gênero: Ação, Comédia
Classificação: 14 anos
Direção: Zack Snyder, Joss Whedon
Elenco: Ben Affleck, Gal Gadot, Jason Momoa, Ezra Miller, Ray Fisher, Henry Cavill, Amy Adams, Diane Lane
País: Estados Unidos, Reino Unido, Canadá
Duração: 120 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Inspirado pela altruísta morte de Superman, Batman busca ajuda de Mulher Maravilha para recrutar outros aliados poderosos e assim terem forças o suficiente para combater uma grande ameaça que está por vir.

O QUE TENHO A DIZER...
Em 2000, quando Brian Singer lançou o primeiro X-Men, cinéfilos visionários já sabiam que um novo gênero havia sido criado, e que os quadrinhos revolucionariam para sempre o futuro estagnado do cinema de ação. Hollywood tem se aproveitado disso incansavelmente, tanto que tem sido o gênero mais rentável desde então. Só as produções da Marvel já tiveram uma bilheteria que facilmente extrapola os US$20 bilhões quando se faz uma conta bem por cima, sequer sendo necessário analisar os dados contábeis no Box Office Mojo.

Quase 20 anos depois, muita pedra rolou, e enquanto a comissão de frente da Marvel foi abrindo alas, criando tendências e fórmulas, a Warner/DC mofava num mundo paralelo, acreditando que a coexistência ente os quadrinhos e o cinema seria algo passageiro. Por essa razão, preferiu permanecer na zona de conforto explorando apenas aquilo que sempre lhe deu lucro: o mundo obscuro de Batman. Os anos foram passando, a Marvel se divertia horrores e ria à toa, e o gênero, ao invés de decair, apenas se fortalecia. Houve uma tentativa aqui e alí da DC com o nostálgico Superman - O Retorno (2006), com o desastroso Lanterna Verde (2011) e o dispensável Homem de Aço (2013), e do nada, resolveu acordar para a vida e pegar este último como o ponto de partida daquilo que ela veio a chamar de Universo Expandido.

A pressa é a inimiga da perfeição, já dizia o ditado. O que demorou 20 anos para a Marvel aperfeiçoar, a Warner/DC resolveu fazer em 3. E o pior, sem qualquer pré-requisito. Ao invés de se aproveitar das experiências da rival, ela quis se provar única, pegando um ou outro elemento irrelevante da "concorrência" e transformando todo o resto para dizer que havia uma assinatura particular.

Funcionou? Não.

Os filmes estão aí para provar. Se Homem de Aço já começou todo errado, Batman vs. Superman foi um equívoco e Esquadrão Suicida foi tudo aquilo que Esquadrão Suicida não deveria ter sido, sobrou a Mulher Maravilha a salvação. O filme de Patty Jenkins conseguiu ser o momento de grande redenção da DC, conquistada com merecimento. E até o momento, não foi Batman, nem Superman, quem salvou o Universo Expandido da DC, mas a heroína grega criada por William Moulton Marston.

É compreensível que exista uma rincha entre os fãs da Marvel e os da DC. O mercado sempre precisou disso desde quando a rivalidade começou lá nos quadrinhos, nas décadas de 60, 70 e posteriores. Sabemos também que, enquanto os fãs se matam, os dois grandes selos jantam e brindam juntos, gargalhando de uma situação que o próprio mercado cria espontaneamente, caso contrário as empresas nunca teriam feito os famosos crossovers, como as mini-séries em quadrinhos DC vs. Marvel e Amálgama, ambas da década de 90.

Mas no cinema a coisa tomou proporções mais sérias, e a polaridade se tornou quase política. Por um lado temos os fãs da Warner/DC que não aceitam o constante sucesso da Disney/Marvel, argumentando pelos quatro cantos que a crítica mundial foi comprada (???) para falar mal a qualquer custo sobre os filmes da Warner/DC e deliberadamente denegrir sua imagem. Por outro lado temos os fãs da Marvel, que tiram sarro do fracasso alheio e contribuem para a anti-propaganda.

A verdade é que os dois lados estão errados. Há espaço para todos, mas não há espaço para aquilo que é evidentemente mal feito e mal planejado. Os filmes da Marvel podem ter entrado numa fórmula já cansada, ter excesso de piadas infantis e um irritante bom humor como os últimos filmes tem sido, mas a ação, o entretenimento e as conexões com todo seu universo funcionam. A Warner/DC ainda engatinha, e a cada passo para frente, um novo filme a faz dar dois para trás porque não há uma estrutura sólida, uma base concreta suficiente como a Marvel demorou anos para lapidar. Do Homem de Aço para o dia, a DC resolveu finalmente criar um universo cinematográfico com 15 anos de atraso que poderia dar certo, já que nos games e na TV esse universo já existe, é sólido, e funciona. Não está funcionando não porque chegou atrasada, mas porque existe uma ânsia obrigatória de sucesso e um foco ambicioso em cifras que a está fazendo atropelar processos, trocando os pés pelas mãos.

Um ou outro fã extremista pode querer justificar de mil maneiras que Batman vs. Superman e Esquadrão Suicida foram propositalmente subestimados. Não importa o que se diga, é fato que são dois filmes que fazem qualquer coisa, menos agregar a idéia de que são parte de um mesmo ecossistema.

Liga da Justiça tinha tudo para dar errado. Absolutamente tudo. A começar por manter Zack Snyder na direção. Ele não havia entregado um bom trabalho nas duas tentativas anteriores com Homem de Aço e Batman vs. Superman, e mantê-lo era burrice desde o princípio.

Ruim com Snyder, pior ficaria sem ele, e assim foi quando o diretor se afastou do filme no fim da produção depois do suicídio de sua filha, em Março deste ano. É fato que imprevistos durante uma produção tem a tendência de desandar como claras em neve. A sorte foi que Joss Whedon havia recentemente fechado contrato com a Warner para dirigir Batgirl, e como sua disponibilidade pelo estúdio estava acessível, ele aceitou o convite/desafio de dar continuidade ao trabalho de Snyder. Ele não leva créditos como diretor, mas leva como roteirista.

Whedon pegou o filme quase pronto, mas isso não o impediu de mudar certas coisas, convocando novamente os atores para filmagens extras, mesmo com Gal Gadot grávida, e Henry Cavill com um bigode que não podia ser raspado por exigências contratuais de outro longa que estava filmando. Tanto a barriga de Gal quanto o bigode de Cavill foram removidos digitalmente nas cenas incluídas tardiamente. A barriga não foi um problema, mas a boca digitalmente reconstruída de Cavill gerou piadas e polêmicas ao ponto de argumentarem que teria saído mais barato pagar a multa contratual do que fazer um trabalho caro e porco como o que foi feito.

Mas a verdade é que os pitacos de Whedon foram importantíssimos para o resultado final. As cenas de ação se mostram mais fluidas e menos megalomaníacas, e as filmagens extras trouxeram leveza e humanidade aos personagens, elementos que sempre faltaram no outro diretor. Mesmo com boa parte do trabalho já feito por Snyder, as mãos de Whedon fizeram mágica na pós-produção, evitando ao máximo a saturação e o carregamento de filtros, além de uma edição que faz milagres e um resultado acima da média para quem esperava o pior.

Whedon também foi o responsável por trazer de volta o compositor Danny Elfman ao mundo DC, compositor responsável pela icônica trilha sonora de Batman (1989) e Batman: O Retorno (1992), ambos de Tim Burton. Não é à toa que uma deliciosa sensação nostálgica toma conta quando notas dessa clássica trilha sonora ecoa na sala do cinema enquanto Batman (Ben Affleck) se aventura pelas ruas de Gotham. Sem dúvida foi uma referência direta e muito importante de que o legado de Tim Burton precisava ser mantido, mesmo que distante. Uma pena que o filme acabou não dando espaço para o brilhantismo de Elfman enaltecer a atmosfera heróica como deveria, sua participação bastante comedida acaba por dar muito mais espaço a efeitos sonoros que tentam tirar a atenção de grandes defeitos do filme.

Sim, Liga da Justiça não consegue se abster de defeitos, o que não deveria ter acontecido para um projeto que existe desde a década de 90. Começando pelo excesso de cenas em computação gráfica até mesmo quando desnecessário. O grande vilão da trama, o Lobo da Estepe, não precisava ser um personagem digital. A dublagem de Ciaran Hinds é cavernosa e expressiva o suficiente para dar medo apenas em ouvir o seu suspiro, mas o personagem perde o impacto com expressões faciais bastante artificiais e uma falta de sincronia tão ruim que chega a parecer até piada. Outra coisa é que, embora Mulher Maravilha (Gal Gadot) tenha uma entrada triunfal logo no ínicio do longa junto a sua já característica trilha sonora, mantendo a mesma brutalidade acrobática em táticas ofensivas e defensivas que tanto chamaram atenção no seu filme solo, seria perspicaz que, depois do sucesso dele, muita da atenção fosse voltada mais a ela do que nos demais. Só que é possível notar que o roteiro tentar ofuscá-la a todo custo, não para manter um equilíbrio igualitário entre os heróis, mas para tentar enfiar "guela abaixo" no espectador uma predileção a Batman e Superman que não existe mais. Isso contraria a preferência natural do público e do próprio desenvolvimento da história, já que quanto mais as ameaças aumentam, mais inútil Batman fica, e quando Superman entra em cena é porque o filme precisa acabar, ignorando completamente que os poderes de Mulher Maravilha são os mais equivalentes aos de Superman que o universo DC tem, mas que o filme insiste em colocá-la em situações sempre bastante vulneráveis para, como dito, impedir que ela roube a cena. O que é impossível, diga-se de passagem, porque ela as rouba mesmo assim tanto quanto fez em Batman vs. Superman, e o interesse pelo seu segundo filme solo só aumentou depois disso.

Se a Liga for analisada como ela de fato se propõe, ter colocado um personagem como Lobo da Estepe como o primeiro grande vilão da franquia soa um pouco inadequado. A Liga na verdade foi montada para que as habilidades de cada respectivo herói fosse utilizada para missões específicas frente às inúmeras ameaças e diferentes vilões que foram brotando no universo DC, algo que não é o foco aqui, além de uma grande reunião de pessoas poderosas que batalham aleatoriamente com o que aparecer na frente. A escolha de um primeiro vilão, ou de uma primeira grande ameaça, deveria ter sido melhor feita para que houvesse uma progressão convincente daqui pra frente. Não foi dado um sentimento de continuidade, como acontece em Os Vingadores, e se no segundo filme aparecer um outro vilão que tem como objetivo novamente destruir o mundo, apenas teremos mais do mesmo e a sensação de deja vu que todo filme da Marvel tem dado ultimamente.

Mas como um todo, o filme traz uma excelente sensação de novidade tal como o primeiro filme d'Os Vingadores, e mesmo com tantos defeitos, muita coisa funciona. Finalmente parece que, mesmo a tropeços, Warner/DC está conseguindo encontrar seu rumo no cinema, principalmente no equilíbrio entre a ação e os momentos de alívio cômico que não beiram a infantilidade fora de hora dos títulos da Marvel, e muito menos a imbecilidade quase ultrajante de Esquadrão Suicida. O humor aqui é equivalente ao longa de Mulher Maravilha, sutil e pontual, sem exageros. Os momentos de humor ocorrem naturalmente e de maneira equilibrada, como na inusitada sequência em que Aquaman (Jason Momoa) começa a fazer declarações floridas e piegas, uma pegadinha que funcionou muito por fazer algo que há muito os alívios cômicos não fazem nos filmes: pegar o espectador de surpresa. E momentos assim há bastante. Além de tudo, por incrível que pareça, os diálogos paralelos tem mais consistência do que parecem, e merecem atenção.

The Flash (Ezra Miller) é um dos outros exemplos daquilo que funciona, pois ele poderia ter caído no banalismo caricato, mas Miller consegue segurar as pontas, expressando muito bem o deslumbre juvenil do personagem, de suas descobertas, e de fazer parte de algo grandioso e útil, e mesmo que seu comportamento chegue a ter leves semelhanças ao jovem Mercúrio, de X-Men: Primeira Classe (2011), as situações lhe caem tão bem que deixa de ser um estorvo para se tornar carismático. O mesmo sobre Aquaman. Completamente diferente da versão clássica dos quadrinhos, Jason Momoa trouxe uma carranca bem vinda ao personagem, uma fúria sem limites ou medo na hora de enfrentar o que deve ser enfrentado. O humor brucutu dele também está lá, implícito, contrabalanceando o egocentrismo de Batman (Ben Affleck), que também teve seu lado mais obscuro pendurado nos cabides e mais ironia em seus sorrisinhos de canto de boca.

Mas infelizmente para tudo há seu preço, e mesmo que Liga da Justiça cumpra bem seu papel, o fato é que ele deveria ter sido o primeiro grande filme inaugural do Universo Expandido da DC, e não o quinto. Depois de tantos acidentes de percurso e persistência do público fiel à espera de algo realmente bom por parte da Warner/DC, Liga chega um pouco tarde, num momento que seu público já estava descrente e cansado de esperar, e o reflexo disso é visto em sua péssima estréia nos Estados Unidos, não chegando sequer a US$95 milhões. Um desastre quando comparado com os anteriores, tanto deles mesmos, quanto da Marvel. E frente a isso, o futuro da DC no cinema, novamente, outra vez, será uma incógnita.

segunda-feira, 28 de março de 2016

A PRESSA É O INIMIGO...

★★★★★
Título: Batman vs Superman - A Origem da Justiça (Batman vs Superman)
Ano: 2016
Gênero: Super Herói, Ação
Classificação: 14 anos
Direção: Zack Snyder
Elenco: Henry Cavill, Ben Affleck, Jesse Eisenberg, Amy Adams, Gal Gadot, Laurence Fishburne, Jeremy Irons, Diane Lane
País: Estados Unidos
Duração: 151 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Batman e Superman duvidam das reais intenções heróicas um do outro, surgindo uma inimizade alimentada por um plano de Lex Luthor para que um conflito iminente entre eles aconteça.

O QUE TENHO A DIZER...
A Warner, detentora dos direitos da DC Comics, pode até ter sido um tanto que pioneira nas adaptações de quadrinhos, principalmente quando Tim Burton foi responsável por Batman, entre 1989 e 1991. Digam o que quiserem, sejam fãs ou não de suas adaptações, Burton mostrou que havia possibilidade de adaptar esses universos de outras formas sem descaracterizá-los. Tanto que aquilo que ele criou foi - e ainda é - referência. Basta assistir a trilogia de Christopher Nolan para ter a certeza absoluta disso. Os elementos básicos do ponto de vista criativo de Burton ainda estão lá, confirmados pelo próprio Nolan que afirmou na época que não tinha intenções de esquecer do legado deixado pelo diretor.

O grande problema é que a Warner nunca soube lidar com seus heróis no cinema, e coube à Marvel desbravar esse território com muita esperteza e coerência. A empresa não apenas está há 16 anos adaptando seus próprios heróis com sucesso como criou um novo gênero. Tal qual o estilo Faroeste se tornou um gênero ao longo das décadas, assim se tornaram os filmes de Super-Herois graças à Marvel. E quando essa reprodução assexuada de gêneros acontece, é sinal de que vieram para ficar em definitivo.

O que a Marvel fez foi algo realmente inédito. Criou um universo infinito e que se auto renova tal como seu universo nos quadrinhos. Mais do que isso, inventou uma fórmula, que vem sido repetida com sucesso há aproximadamente uma década, já mostrando sinais de cansaço, mas que ainda funciona.

Apenas os filmes baseados nos heróis da Marvel já arrecadaram no mundo, em uma conta bem rápida, em torno de US$15 bilhões ao longo desses 16 anos. O que é mais que a soma de vários títulos de diversos estúdios por aí no mesmo período.

A intenção de levar A Liga da Justiça para o cinema sempre existiu e os fãs sempre clamaram por isso, mas o milhonário orçamento (que entre 2000 e 2010 beirava os US$350 milhões), assustava e inviava o projeto. Foi com a ousadia da Marvel na reunião de heróis em Os Vingadores (The Avengers, 2012) que a Warner finalmente sacou que isso era possível, e então retomaram a idéia para abocanhar sua parte em um mercado tão lucrativo.

O diferencial da Marvel é que ela, por quase uma década, amaciou o mercado em doses homeopáticas até Os Vingadores se tornar uma trilogia em quatro partes (é isso mesmo), coisa que a Warner não fez em nenhum momento. E como que a correr contra o tempo e compensar a falta de estratégia, resolveu fazer de A Origem da Justiça o ponto de partida de sua empreitada, tentando (reforço: tentando) seguir os mesmos passos e, quiçá, reinventar a fórmula da rival.

Embora Batman sempre seja um sucesso até mesmo quando seja ruim (como as tristes adaptações de Joel Schumacher nos anos 90), o mesmo não se diz mais sobre Superman, um herói alienígena simples que vive a favor da humanidade, sem grandes complexidades, iconizado, solidificado e enferrujado no tempo. Por isso que a adaptação de Bryan Singer não foi mais do que um boo-hoo nostálgico, enquanto o reboot desnecessário de Zack Snyder foi uma tentativa fracassada de obscurecer e dramatizar o herói em um festival de exageros que cometeu o erro mais clássico de todos, e que Burton, lá atrás, já ensinava não fazer: descaracterizar o personagem.

Aliás, é um tanto esquisita a escolha de Zack Snyder para continuar a franquia, já que O Homem de Aço (Man Of Steel, 2013) não recebeu críticas muito positivas, tal qual os filmes anteriores do diretor. Talvez tenha sido a pressa do estúdio em desenvolver esse universo da DC no cinema, ou a falta de disponibilidade de algum diretor mais competente já que, apesar de todos os defeitos de Snyder, seus filmes são visualmente marcantes, como foi 300 (2006) - talvez seu único trabalho digno de nota.

E esse é o grande problema do diretor, pois ele consegue engrandecer personagens em imagens, usando filtros, angulações de câmera, enquadramentos e efeitos que os enaltecem em fotografias bastante cartoonizadas, como quadrinhos pintados por Alex Ross, mas ao mesmo tempo os personagens sofrem nos desenvolvimentos exagerados para coisas muito simples, resultando tudo numa densidade tão profunda quanto um pires.

Isso tudo é notório naquele que foi seu mais ambicioso projeto até hoje, o filme Sucker Punch (2011), visualmente deslumbrante, mas vazio, um exemplar daquilo que se deve e ao mesmo tempo não se deve fazer no cinema fantasioso.

E o tom de A Origem da Justiça é o mesmo. Snyder engrandece os heróis através desse surrealismo das imagens, transformando em titãs os dois personagens principais, além de fazer a participação de Mulher Maravilha (Gal Gadot) ser distanciada de qualquer cafonice de outrora, fazendo valer a interminável espera por sua aparição nos cinemas. Mas isso tudo dura muito pouco e decepciona no resultado final.

A história é uma continuação direta de Homem de Aço, tanto que na sequência inicial revemos a destruição de Metropolis durante a batalha de Superman (Henry Cavill) com o General Zod através do ponto de vista de Bruce Wayne (Ben Affleck), e só vai entender dessa forma quem assistiu ao filme anterior. Para quem não assistiu, a cena será como algo aleatório e sem sentido. A partir daí alguns meses se passam, e Wayne tenta responsabilizar Superman pelo grande massacre civil ocorrido naquele evento. Ao mesmo tempo, Superman considera Batman um mercenário perigoso pela forma tirana com que lida com as coisas, e através de sua identidade de Clark Kent, tanta expô-lo dessa forma usando o Planeta Diário para isso. Enquanto isso, Lex Luthor (Jesse Eisenberg) precisa tirar Superman de seu caminho, aquecendo essa rivalidade ao maquinar um plano "diabólico" para que Batman se volte contra Superman, e vice-versa.

O enredo é até interessante, e se teve algo realmente bom em toda a história foi o ponto de partida de tudo porque os roteiristas utilizaram as críticas que O Homem de Aço recebeu para favorecer a trama. Na época os críticos pelo mundo levantaram a questão de que, já que Superman é um herói e sua missão é salvar vidas, foi bastante incoerente o filme fazê-lo destruir mais da metade da cidade e matar mais gente do que salvar. Foi um grande erro na história e na personalidade do herói simplesmente para favorecer a ação barata e o espetáculo de efeitos visuais que transformou o filme em um disaster movie por excelência. Então, ponto positivo para o roteiro que usou a própria realidade como referência e transformou essas críticas em parte dos questionamentos de Wayne sobre a conduta de Superman.

Só que, se por um lado o começo parecia interessante e promissor, o desenvolvimento de tudo se mostra desastroso. Há uma incoerência de situações e cronologia que não convencem, a começar pela visível diferença de idade entre os personagens. Luthor é mais jovem que Superman, e Batman é mais velho que todos. A impressão que se tem é que tiraram Luthor do seriado Smallville (2001-2011) e o velho Batman de sua versão da série em quadrinhos O Reino do Amanhã (Kingdom Come, 1996), no qual está 20 anos mais velho e sem credibilidade.

Eisenberg dá uma caricatura a Luthor que mais irrita do que impressiona, fazendo do personagem um repeteco empobrecido do Coringa, longe, mas muito longe da diversão que era a versão canastrona de Gene Hackman, ou até mesmo na versão mais sisuda de Kevin Spacey. E falando em distância, o que dizer sobre Cavill? Tão longe da candura de Christopher Reeve, ou tão longe da doçura de Brandon Routh. A personalidade agora introspectiva e cascuda é coerente com algumas fases negras do herói nos quadrinhos e na sua crescente perda de esperança nos humanos, mas no cinema aparenta descaracterizado porque em nenhum momento houve uma construção que levasse a esse ponto com consistência.

Triste também é Lois Lane (Amy Adams), que assim como no filme anterior, entra e sai correndo de cena sem motivos. E por mais que Martha Kent (Diane Lane) tenha uma certa importância na conclusão da história, ela na verdade só aparece para literalmente nos lembrar a todo instante que é mãe do herói e nada mais. Duas atrizes desperdiçadas, que poderiam ter sido poupadas tanto quanto Jeremy Irons no mais insosso Alfred que existe, ou Holly Hunter como a Senadora Finch, que poderia ter sido um excelente acréscimo em toda a franquia como o único grande ponto mediador entre humanos e meta-humanos.

Por incrível que pareça, Ben Affleck é o único que consegue atuar no meio de tudo, o que prova que seus cabelos brancos valeram para algo em uma carreira de ator que mostrou-se melhor na direção. Anos luz distante da interpretação constrangedora de Demolidor (Daredevil, 2003), aquilo que parecia um equívoco supreendentemente não atrapalha. As cenas de batalha de seu personagem são as épicas batalhas de Batman por excelência, cheia de malabarismos, arsenais tecnológicos e porrada. Muita porrada bruta e seca de um Batman velho e impaciente, que deixou a tática de lado para encarar tudo de frente. Se o filme fosse apenas dele - o que quase é - teria sido muito mais empolgante.

E são em sequências como essa que vale a pena assisti-lo, mas tem que ter muita paciência. Snyder arrasta a história desnecessariamente em um filme que consegue ser mais longo que Os Vingadores em sequências de dar bocejo em gente grande. A diferença é que Os Vingadores tem todo um background que fortalece sua história, o que não acontece aqui. Ao contrário, o excesso de informação, de tramas e subtramas é justamente para, como dito acima, compensar o que não se fez até hoje.

Então, o filme parte do errôneo princípio de que nada antes dele aconteceu e que nenhum dos personagens já tiveram suas histórias contadas inúmeras vezes antes. Fica difícil nos convencermos de que eles não conseguem compreender seus métodos de justiça e que ignoram completamente seus atos heróicos pregressos. O roteiro poderia ter sido mais sucinto e usado Lex Luthor de uma forma mais inteligente para gerar uma conspiração mais convincente, menos forçada e artificial como é. Mas ao invés disso trata o espectador até com certa ignorância, pois a maneira como os heróis se tornam inimigos é feita de forma tão banal como se Gothan City e Metropolis fossem dois mundos completamente diferentes e distantes, e que nenhum deles nunca tivesse ouvido falar um do outro ou de suas intenções. Se a rivalidade tivesse surgido por uma coisa mais simples ou cliché como inveja pela popularidade ou pela importância de algum deles, acredite... teria sido muito mais interessante.

Mas mais banal ainda é a hora errada em que certas verdades são reveladas justamente por quem fez segredo sobre elas durante toda a trama capenga, estragando em definitivo o grande efeito surpresa do tão esperado duelo. É frustrante e simplório como magicamente a intriga se resolve depois de Batman passar mais de uma hora sangrando os olhos para destruir um arqui-inimigo que, na verdade, nem ele sabe de verdade porque é. E então, pra compensar esse grande e horroroso desfecho, o vilão Doomsday (que mais parece um troll burro do Senhor dos Anéis) surge em sequências de computação gráfica bem ruins, onde insistem na idéia de que para um monstro ser assustador ele tem que gritar e soltar o bafo fedorento contra a câmera. Tudo muito no escuro para tentar disfarçar defeitos indisfarçáveis, entre um e outro momento dramático profundamente dispensáveis. Aliás, Snyder não se cansa do escuro e dos filtros borrados, coisas que ficam muito piores no 3D.

O roteiro foi estranhamente escrito por Chris Terrio e David Goyer. Estranhamente porque Terrio foi o responsável pelo roteiro de Argo (2012), por sinal dirigido por Affleck, um filme simples com um desenvolvimento empolgante e comedido, elogiado exatamente por isso. E Goyer foi responsável pela trilogia O Cavaleiro das Trevas, de Nolan, elogiados justamente pela trama bem costurada e desenvolvida sem rebosteios. Então é espantoso ver dois roteiristas talentosos e com qualidades tão interessantes oferecerem algo tão desorientado e redigido às pressas, o que prova novamente que o diretor simplesmente deu qualquer atenção a isso.

Não é à toa que a crítica não tem sido favorável, da mesma forma como ele não foi o estrondoso sucesso que se esperava em seu final de semana de estréia. Claro que foi uma estréia boa (US$170 milhões), mas não ultrapassou a de Os Vingadores (US$207 milhões). Portanto acredita-se que o interesse pelo filme caia como uma pedra no oceano nas próximas semanas, e que chegar a US$1 bilhão se torne uma missão custosa, já que é essa a cifra que garantirá as próximas continuações.

O que algumas pessoas me perguntaram, e foi o que perguntei quando pessoas que eu conheço assistiram antes de mim, é se vale a pena e é legal. Vale a pena e é legal, não por todo o produto em si, mas pela materialização da idéia. Ver os três heróis juntos, agigantados na megalomania visual de Snyder, mesmo que por um breve momento, parece valer o preço do ingresso. Mas a história, não se pode negar, por mais que os fãs argumentem nos fóruns por aí, é banal e até ridícula.

Como um todo, vai agradar os fãs mais desesperados e aqueles que pouco se importam com o resto além da ação - e que também há pouco, diga-se de passagem - embora é possível ver que muitos deles sairam desapontados do cinema. A grande preocupação é se a próxima sequência, já entitulada como A Liga da Justiça, cairá nos mesmos problemas, já que insistirão do tenebroso erro de manter Snyder na direção, diretor que provou por A + B que, fora o seu próprio ego, não tem talento suficiente para sustentar outras coisas grandiosas.

CONCLUSÃO...
Aparentemente não é um tipo de filme para ser inteligente, mas o que diferencia as histórias da DC da Marvel é justamente o fato das histórias da DC serem mais densas e adultas, com tramas mais elaboradas, sem muitos alívios cômicos e que fogem do habitual sem deixar de entreter como se deve. Baseando-se nos roteiristas, poderia ter tido o desenvolvimento simples de Argo, com uma trama melhor elaborada como foi O Cavaleiro das Trevas, mas ao invés desse desenvolvimento simples, focado e efetivo, é um filme disperso, cheio de reviravoltas desnecessárias para dar a falsa impressão de grandiosidade que ele de fato não tem. E se existe um verdadeiro inimigo em tudo isso, ele se chama "pressa", algo que a Marvel não teve e, por isso, se manterá no pódio por mais alguns bons anos.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

UMA VERDADEIRA KRIPTONITA AO HERÓI...

★★★★
Título: O Homem de Aço (Man Of Steel)
Ano: 2013
Gênero: Ação
Classificação: Livre
Direção: Zack Snyder
Elenco: Henry Cavill, Amy Adams, Diane Lane, Russell Crowe, Kevin Costner
País: Estados Unidos
Duração: 143 min.

SOBRE O QUE É O FILME?
Novamente a história do homem alienígena que se fortaleceu e se transformou em um superherói na Terra.

O QUE TENHO A DIZER...
Embora seja um herói construído unicamente para a cultura norte americana na intenção de enaltece-la como um indestrutível poder político e bélico, além de promover ao mundo a grande filosofia do american way of life e sua garantia ilusória de vida feliz, não podemos negar o fato de que o herói é uma parte viva de uma cultura popular e muito lembrada principalmente no cinema.

Depois de mais de quase 20 anos no ostracismo desde o último filme da série que estrelava Christopher Reeve, responsável por marcar uma geração e ainda ser a referência mais sólida que temos do herói em carne e osso, a Warner resolveu entregar a responsabilidade de retomar a franquia nas mãos do diretor Bryan Singer. Isso aconteceu pelo fato de ter sido este diretor o responsável pelo grande marco divisório que ocorreu nos filmes de ação baseado em heróis de quadrinhos ao ousar adaptar - e também acertar em cheio - os heróis da Marvel conhecidos como X-Men, ainda em 2000.

O que Bryan Singer fez no início da década de 2000 em trabalhar fortemente na releitura dos quadrinhos de maneira acessível para a linguagem do cinema virou uma regra e uma fórmula contemporânea que há muito o cinema buscava, e que deu certo. A Marvel Comics tomou a frente, produzindo adaptações de sucesso, como Homem Aranha, além dos já citados X-Men. Posteriormente teve uma leva de outros heróis já conhecidos como Hulk, Homem de Ferro, Capitão América e Thor, culminando seu reinado na indústria ao pegar essa entourage e produzir o projeto mais ousado da história do cinema chamado Os Vingadores, que arrecadou quase US$2 bilhões no mundo. A DC Comics com a Warner, por outro lado, se mantiveram na zona de conforto, tendo apenas nas mangas os heróis Superman e Batman. Tentaram apresentar ao mercado o Lanterna Verde, que foi um fiasco de crítica e público.

O reboot do herói foi lançado em 2006 e levou o título de Superman - O Retorno (Superman Returns), em analogia às suas quase duas décadas desaparecido. Singer tentou brincar com esse "sumiço" do herói e, inclusive, justificá-lo no filme de forma bastante aceitável, além de tentar se manter fiel à imagem e mito que o herói se transformou. Mas O Retorno não foi o sucesso esperado, além de ter sido um filme mais nostálgico do que inovador, pois ele nada mais foi do que uma reprise do que já havia sido feito e abordado anteriormente quando estrelado por Christopher Reeve na década de oitenta, deixando o público dividido: enquanto os nostálgicos se sentiram satisfeitos logo na abertura com os rompantes da trilha sonora de John Ottman em sua releitura moderna e fiel a de John Williams, os mais conservadores ficaram decepcionados com os mesmos cliches e um grande grau de insatisfação por conta dos atores protagonistas.

Isso fez a Warner novamente engavetar o herói e pensar no que fazer com ele no futuro, acreditando que a safra de filmes baseado em quadrinhos estava perdendo o fôlego (ledo engano), aguardando para analisar o mercado e observar qual seria a tendência nos anos seguintes. A tendência foi óbvia, e com o reboot de Batman, levando o personagem para dentro de um mundo muito mais obscuro e realista, mas sem deixar de ser igualmente fantástico, fez o gênero tomar um ar fresco e que novamente mudou a forma narrativa de se "brincar" com os quadrinhos na tela. O teor mais humano criado por Cristopher Nolan para o homem morcego foi o que a Warner acreditou ser o que faltava no herói da capa vermelha. Correndo contra o tempo para aproveitar o público que ficou carente com o final da Trilogia Batman, Zack Snyder foi contratado para tocar a produção e o sinal verde para O Homem de Aço foi dado.

Snyder ficou conhecido por fazer filmes que ficaram famosos pelo visual que vaga entre os quadrinhos, mangas e vídeo game, como acontece em 300 (2006), Watchmen (2009) e até com exagero em Sucker Punch (2011), portanto ele aparentava ser uma escolha certeira, tanto que o filme foi um dos mais esperados nos dois últimos anos e boa parte da bilheteria foi arrecadada apenas na primeira semana.

O uso de filtros de imagem, característicos do estilo do diretor, embora usados de forma mais sutil dessa vez, estão presentes tal qual em todos seus filmes anteriores, mas ele definitivamente pesa a mão e não consegue oferecer a mesma fluidez como, por exemplo, em 300, seu único filme mais famoso e criticamente bem aceito. Snyder custosamente tenta dar ao filme uma linguagem mais adulta do que a suportada de forma forçada, e a narrativa desconstruída do roteiro que pinga entre o presente e o passado com flash backs desnecessários para quebrar aquela rotineira história de como um bebê alienígena descobriu seus poderes na Terra, desmotiva e chega a até quebrar o clima em momentos chaves, demorando uma eternidade para chegar aos finalmente de apresentar o homem como um Herói. As mais de duas horas de filme se resumem em apenas uma meia hora quiçá interessante e que nem é possível lembrar qual seja frente a tantos acidentes de percurso.

Talvez a grande ganância tenha definitivamente sido a tentativa de seguir os mesmos passos de Christopher Nolan ao dar um tom sombrio a um personagem que não comporta esta abordagem em sua personalidade. Essa tentativa de reprodução é tão forte que igualmente apostaram no sucesso de abolir o nome do herói do título do filme tal qual foi feito com o de Batman em O Cavaleiro das Trevas. Não satisfeitos com isso, acreditaram que criar uma história completamente nova em cima das mesmas fundações seria interessante. A história do herói é novamente e basicamente contada da mesma maneira, mas características e detalhes icônicos que são partes de sua figura tanto quanto sua capa vermelha foram abolidos ou modificados sem coesão. A Kriptonita não existe mais, Kripton deixou de ser um planeta de cristal, Louis Lane agora é loira, a trilha sonora praticamente nem é ouvida e nada carrega do clássico de Williams e o poder do herói agora existe por causa da atmosfera terrestre. Ou seja, nada que valesse realmente a pena ser modificado, mas mesmo assim foi, apenas para dar um ar enganoso de novidade e consumir tempo - e haja tempo - ao ter que, mais uma vez, explicar a razão de tudo ser como é agora.

O filme novamente sofre por um público dividido que não sabe se gosta ou se despreza, e a crítica especializada definitivamente detestou as infames mudanças ocorridas, e fez tanta questão de desprezá-lo que apenas teceu elogios ao porte físico do ator que insistiu unicamente em um rigoroso treino e descartou qualquer hipóstese de ser colocado dentro de um padrão de beleza com uso de anabolizantes ou sessões de depilação. Ou seja... irrelevante.

É um filme que se torna banal e desnecessário, que justifica sua existência apenas com intermináveis destruições que deixam os filmes arrasa-quarteirões de Michael Bay no chinelo. Considerado o pai e o chefe de todos os super heróis justamente por ter um enorme senso de justiça, humanidade e de perda por conta da educação exemplar tida pelos pais adotivos, chega até ser assustador que em momento algum ele tenha se preocupado em derrubar todo e qualquer prédio que aparecesse em sua frente como um Godzilla, e junto matando milhares de civis. Isso tudo deixa no ar essa incoerência de que, para salvar o planeta, ele agora pode destruir cidades inteiras, algo que o herói sempre evitou, seja nos quadrinhos, seja nas telas (incluindo no filme anterior de Bryan Singer).

O vilão Zod até chega a roubar a cena algumas vezes, mas isso também não espanta porque o nível das atuações, em um todo, chega a ser vergonhoso. Até mesmo Diane Lane (Martha Kent) ou Amy Adams (Louis Lane) não seguram as pontas como conseguiriam normalmente. Louis e Martha estão totalmente perdidas, aparecendo em cena sem motivo algum, apenas para serem lembradas de que fazem parte de algum ponto da história. O pior dos momentos sempre sobra para Amy Adams, que na maioria das vezes entra correndo em cena como que atrasada na gravação, e sai andando pra trás à francesa como se fosse excesso de contingência porque nem diálogo que valha a pena ela tem. Enquanto isso Diane Lane só aparece para resmungar de alguma coisa, como a bagunça que a casa ficou depois de ser destruída, ou a panca de mãe durona ao peitar um homem alienígena que ela encara louvavelmente e sem borrar as calças como se fosse um vizinho qualquer. Como se não bastasse ter Russell Crowe, ainda houve espaço para Kevin Costner. Ou seja... está tudo errado. Um elenco que não funciona em uma história pra lá de furada com uma direção que não sabe para onde atirar. Novamente Superman não teve um filme que fizesse jus ao peso de seu nome.

A versão de Bryan Singer pode não ter sido a das melhores, mas os ícones e todo o universo que caracterizam o herói foram mantidos. Não apenas isso, Singer tem uma grande habilidade de conseguir trazer à tona questões e questionamentos humanos em personagens heróicos e fictícios, coisa que em momento algum Snyder consegue fazer. Pelo contrário, Snyder causou uma enorme revolução para, no fim, enfiar um par de óculos no personagem e ainda insistir em chamar aquilo de disfarce. Ele fez a mesma coisa com seu filme anterior, Sucker Puch, promovendo-o sob um enorme barulho para, no fim, ser decepcionante na mesma medida. Snyder está se mostrando um diretor perdido, ruim e sem foco, que começou a carreira utilizando todos seus cartuchos, e hoje em dia não tem uma bala sequer para acertar ao menos uma vez.

Com um orçamento de mais de US$220 milhões, arrecadou mundialmente um pouco mais de US$370 milhões, nada muito surpreendente perto do tanto que foi gasto, mas foi o suficiente para Warner dar sinal verde para uma continuação já entitulada Superman vs. Batman. Ou seja...

CONCLUSÃO...
Fraco, sem foco, perdido e uma verdadeira Kriptonita ao herói. Consegue ser o pior de todos e dificilmente conseguirá se recuperar no futuro. Filme para impressionar aqueles que não conhecem o herói ou para aqueles que simplesmente adoram uma grandiosa destruição sem sentido na tela.
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